SOS - ESPÍRITO SANTO

Como ajudar as vítimas da enchente no Espírito Santo.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Patrulha purista vocabular 4

Com o destaque cada vez maior das Ciências Biológicas - em suas áreas ambiental e biomolecular -, tem crescido o uso de termos ou das próprias Ciências Biológicas ou calcados a partir delas. O radical elemento de composição* "bio", coitado, com isso tem sido não apenas intensivamente utilizado para criar novos termos - muitos dos quais necessários e eufônicos, como biodiversidade (um modo de contrair a expressão "diversidade biológica"), outros mais discutíveis, como bioética (ética relacionada às questões biológicas ou da pesquisa biológica: células-tronco, aborto, pesquisa com humanos...).

Aqui quero falar de uma terceira classe, a dos termos com "bio" que, a meu ver, são verdadeiros abusos (a lista abaixo não é exaustiva e irá crescer à medida em que eu topar com mais termos do tipo).

*biogenética - é a mesmíssima coisa que genética (não tem a ver com biogênese);
*bioplástica capilar - reconstituição de fios de cabelo com aplicação de queratina e óleo;
*biocelulose - celulose de bactérias;
*biopapel (biopaper) - papel feito com biocelulose.

Nos usos acima o radical elemento de composição* "bio" ou é enganoso ou não tem função alguma de modular o significado da palavra original da qual a nova expressão deriva.

"Bio" tem o significado de "vida", "biológico", "sobre material de origem biológica", nenhum desses sentidos se encaixam na formação das palavras listadas.

Há um tempo era tudo "quântico", até um carro (Santana Quantum) e vários discos (Quanta). "Bio" traz ainda a tentação de abuso por ser, dado que é bem curtinho, facilmente acrescentável a um termo preexistente para criar um novo.

Claro que novas tecnologias, novos conhecimentos exigem a criação de novas palavras, porém isso não deve ser feito de qualquer maneira. Cabe respeitar o significado dos elementos que a compõem - do contrário, isso deixa de fazer sentido.

*Upideite(17/nov/2009): corrigido a esta data.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O nome do sapo

Depois de um mês de concurso, recebi uma quantidade astronômica de sugestões para o nome do troféu que ganhei como "comentarista de destaque" no II Euclipo: três (sim, astronômica - ou quantas geometrias poderia ter o universo por exemplo? só três: fechada, aberta e plana.)

Alessandra Lain Carvalho do Karapanã sugeriu Caco - o sapo de "The Muppets Show".
Igor Santos (uoleo) do 42 sugeriu Trillian - personagem de "O Mochileiro das Galáxias".
Lacy Barca do Amiga Jane sugeriu Takatatráquio e Takatasapo.

Houve mais uma sugestão, mas via twitter, ferindo a regra de que deveria ser nos comentários da postagem sobre o concurso. (Como foi uma mensagem DM, imagino que não deva cometer a indiscrição de dizer quem foi.)

Agora tenho um problema aqui. As duas primeiras sugestões ferem o quesito não-explícito de originalidade (sem falar nos direitos autorais que eu teria que pagar). A terceira sugestão me faria incorrer em cabotinismo (apesar da torcida de Kentaro Mori do 100nexos). Também não seria correto declarar simplesmente que não há nenhum vencedor.

Em uma decisão salomônica - menos pela sabedoria, do que pelo efeito de cortar o bebê - farei o seguinte: não, não dividirei o prêmio, mas o nome. No melhor estilo brazuca de fundir os nomes dos pais, o troféu vai se chamar: Calíquio ("ca" de "Caco", "li" de "Trillian" e "quio"de "Takatatráquio"; e ainda remetendo ao grego kháliks,iks 'pedrinha, seixo': sobre essa última referência guardarei em segredo o motivo). Sim, não dividirei o prêmio, o que não quer dizer que vão ficar sem: mas *cada* um receberá sua cópia (que é original) do CD "Extraordinary Machine" da espetacular cantora americana "Fiona Apple".

sábado, 24 de outubro de 2009

I see your true colors*

Esta é, acho, a primeira postagem "on demand" do Gene Repórter. Não, não é um post pago. Não recebi um tostão. Apenas uma sugestão de tema feita por @mariaguimaraes com base em uma troca de tweets entre @Karl_Ecce_Med, @uoleo, @oatila e eu. Confesso que é uma área que está bastante longe de minha especialidade, de modo que tive um bom trabalho de pesquisa - ainda assim corro risco de ter escrito muitas bobagens.

Reinaldo José Lopes publicou no Laboratório da Folha Online uma postagem sobre um estudo com saguis-de-cara-branca. Mais especificamente a respeito de por que diabos nas populações desses símios há tanto indivíduos com visão dicromática (com dois tipos de cones, cada qual com pico de sensibilidade para ondas de comprimentos diferentes) quanto tricromática (claro, com três tipos de cones).

Sabia-se já, de estudos anteriores, que os com visão tricromática tinham vantagem em distinguir mais claramente objetos avermelhados de um fundo esverdeado - isso é particularmente útil na localização, por exemplo, de frutos maduros em meio à folhagem.

Se essa fosse toda a história, então, por seleção natural, a visão dicromática deveria ter desaparecido por seleção direcional[**]. Então claro que havia outra coisa.

Essa outra coisa, sugerem os resultados do novo estudo (Caine et al. 2009), é uma maior acuidade visual em um ambiente mais escuro. (Um outro estudo, do mesmo grupo de pesquisadores, analisou a vantagem dos dicromatas em termos de encontrar alimentos camuflados - com a mesma cor do ambiente: por exemplo, um objeto verde sobre fundo verde ou um objeto laranja sobre um fundo alaranjado - Caine et al 2003.)

Até aqui está tudo bem explicado na postagem de Lopes no blogue da Folha Online.

O que deve ficar claro é que não se trata de uma negação da seleção natural. Não está a ocorrer a sobrevivência diferencial dos menos aptos. Por *definição*, uma característica evolutivamente vantajosa é uma que faz com que os indivíduos que a portem tenham, em média, mais descendentes na geração seguinte do que os indivíduos que não a portem. Então, o dicromatismo *é* uma característica (ao menos para certas circunstâncias) vantajosa. (Uma certa confusão pode se dar pelo fato de Lopes ter usado uma comparação com daltônicos humanos e pelo fato de considerarmos o daltonismo um defeito visual - na *nossa* vida *atual*, os daltônicos têm uma desvantagem geral, o que explica o baixo número de daltônicos nas populações humanas atuais. Deve se lembrar ainda que uma desvantagem não é uma desvantagem absoluta - ela é uma desvantagem em um dado *ambiente*, se houver uma alteração no ambiente, uma característica que era desvantajosa pode passar a ser vantajosa e vice-versa. Um exemplo de livros-textos é o do alelo da hemoglobina que causa anemia falciforme - em dose dupla é normalmente letal, o heterozigoto pode desenvolver anemia falciforme em determinadas circunstâncias, mas confere proteção contra o Plasmodium sp.: em regiões em que a malária é endêmica, os heterozigotos têm vantagem e o alelo recessivo da anemia falciforme permanece na população; em regiões em que não há malária, pessoas homozigotas de alelos que não causam anemia falciforme têm vantagem e o alelo que causa anemia tende a ser eliminado.)

Se o dicromatismo é vantajoso, então, por que o *tricromatismo* existe? Pela vantagem exposta acima. Mas isso não pode ser a história toda. Se o tricromatismo for ligeiramente mais vantajoso do que o dicromatismo (digamos, indivíduos da espécie passem mais tempo em áreas mais claras do que em regiões mais sombreadas), então a seleção faria com que a população fosse composta inteiramente por tricromatas[**]. De modo oposto, se o dicromatismo fosse ligeiramente mais vantajoso (p.e., os indivíduos ficam mais tempo em regiões mais sombreadas), então o dicromatismo deveria estar fixado. Então ambos são igualmente vantajosos? Vejamos.

Na situação em que não há vantagem relativa, teríamos uma neutralidade efetiva. Isso resolveria o problema da fixação pela seleção. No entanto, o tamanho populacional dos saguis é limitado. Sua área de distribuição total é de cerca de 230 mil km2 (Fig. 1). Se considerarmos que eles se distribuem homogenamente por essa área e aplicarmos uma densidade média de 3,5 indivíduos/km2 (São Bernardo & Galetti 2004) teremos um total de aproximadamente 800 mil indivíduos. Esse número está certamente superestimado - os animais não devem se distribuir por toda a área do mapa.

Figura 1. Área de distribuição de sagui-de-cara-branca (Callithrix geoffroyi): +. Fonte: Grelle & Cerqueira 2006.

Mas tomando esse número de 800 mil, eles vivem em bandos de 8 a 10 indivíduos, com um casal dominante - apenas o casal se reproduz no grupo. Isso faz com que o tamanho da população efetiva seja de cerca de 200 mil indivíduos. Isso faria - usando cálculos de probabilidade de perda de mutações neutras - que em cerca de 30 gerações, a variante tricromática fosse perdida. Os saguis-de-cara branca maturam em cerca de 1 ano e meio e vivem cerca de 10 anos, com o sistema do casal dominante (os demais indivíduos terão oportunidade de se reproduzir quando o casal dominante morrer - ou quando fundarem seu próprio grupo) - em pouco menos de 300 anos haveria de se perder o polimorfismo visual entre os saguis.

A existência atualmente do polimorfismo poderia ser explicada - sob o modelo neutro - se a mutação for relativamente recente: não houve tempo ainda para nenhuma das variantes se fixar. Mas 300 anos são pouco tempo. Então teremos que assumir que na origem o tamanho efetivo da população fosse muito menor (o que não é um absurdo de se pensar - especialmente se voltarmos ao tempo muito anterior ao surgimento dos saguis-de-cara branca, na época de um ancestral em comum de vários macacos do Novo Mundo) ou uma mudança no regime seletivo ao longo do tempo.

Temos, em suma, algo ainda não muito bem entendido na evolução e manutenção do polimorfismo visual nos saguis - e nos demais primatas.

A história é ainda mais complicada pelo fato de se detectar o tricromatismo também em lêmures (Leonhardt et al. 2008), isso pode significar que a visão tricromática seja ainda mais antiga e que várias linhagens a tenham perdido ou que tenha sido adquirida várias vezes de modo independente. Como nos macacos antropóides os genes dos três pigmentos visuais ocupam lugares distintos no cromossomo X, enquanto que nos macacos do Novo Mundo, os genes de dois dos três pigmentos ocupam uma mesma posição cromossômica (loco gênico) - ou seja, são alelos, é mais provável que tenha havido pelo menos dois eventos independentes de surgimento da visão tricromática entre os primatas. O fato de nos macacos do Novo Mundo dois genes serem alelos faz com que apenas indivíduos que sejam heterozigóticos possam ser tricromatas - para isso é preciso ter dois X, ou seja, apenas fêmeas podem ser tricromatas (uma boa revisão da genética e evolução da visão tricromática em primatas é encontrada em Surridge et al. 2003).

*Verso de sucesso de Cyndi Lauper.
Upideite(27/out/2009):
**O complicador é que os tricromatas nos macacos do Novo Mundo são fêmeas heterozigóticas. Na verdade, pode estar a atuar uma seleção favorável ao heterozigoto, que propiciaria uma seleção balanceadora - como no caso dos alelos da hemoglobina em regiões com malária endêmica.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O papel do CO2 nas mudanças climáticas‏

Enviei o email abaixo ao Observatório da Imprensa

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O papel do CO2 nas mudanças climáticas‏
De: Roberto Takata (rmtakata@xxxx)
Enviada: terça-feira, 20 de outubro de 2009 9:57:23
Para: canaldoleitor@xxx

Prezados Senhores,

Tendo em vista o artigo "A MÍDIA E O CO2: Toda unanimidade é burra publicado"[0] no Observatório da Imprensa, gostaria de informar que há nela um grande número de erros fatuais e de interpretação.

Seria trabalhoso listar todos, abaixo relaciono alguns:

1) Não existe a tal "camada de gases de efeito estufa". Os gases de efeito estufa distribuem-se, por efeito da dinâmica da atmosfera, mais ou menos uniformemente por toda a troposfera. Exceção é o ozônio - que se forma pela ação dos raios UV sobre moléculas de O2 - que se concentra na chamada camada de ozônio.
2) De fato o elemento carbono é essencial à vida como a conhecemos. O que isso tem a ver com o caso não consigo pensar. Se é uma sugestão de que, por ser esencial à vida, então qualquer composto que o contenha pode estar presente em qualquer quantidade que será boa à vida, então é algo totalmente errado: basta pensar que o CO2 em excesso acidifica o sangue - situação conhecida como hipercapnia - sendo bastante danoso à saúde.
3) De fato, se não houvesse efeito estufa algum, a vida na Terra não seria possível. Novamente, não sei a que lugar se quer chegar. Se for uma sugestão de que qualquer nível de efeito estufa será benéfico, basta pensar no forno que é o planeta Vênus com seus mais de 460oC de temperatura superficial média.
4) De fato, o CO2 perfaz apenas cerca de 0,3% da troposfera em massa. Ocorre que nem o N2, nem o O2 - principais componentes - apresentam efeito significativo ao aquecimento global, além de suas concentrações permanecerem essencialmente inalteradas. O fato da concentração de CO2 ser pequena, *não* quer dizer que seu efeito seja insignificante. Ao contrário, não fora esses 0,3% de CO2, a temperatura superficial média da Terra seria muito abaixa: sem os chamados gases estufa, a temperatura média do planeta seria de -18oC e não de +14oC. [1]
5) Fazendo uma conta simples: se 60% do carbono é capturado pelas algas e 40% pelas florestas, teremos 100% de captura de CO2 e não deveríamos detectar aumento de sua concentração na troposfera. Mas detectamos um aumento acentuado em sua concentração: desde 1960, subiu de cerca de 315 partes por milhão (ppm) para cerca de 380 ppm - os tais 20% não em 200 anos, mas em pouco mais de 40 anos. [2]
6) De fato, se não houvesse CO2 não haveria fotossíntese. Mas, mais uma vez, não sei aonde se quer chegar isso. Se se sugere que então qualquer nível de CO2 é bom, novamente lembro a questão da hipercania, p.e.
7) Se 50% do C está fixado na biomassa e 50% no solo, novamente temos 100% de C. Então não haveria nem CO2 na atmosfera, nem haveria hidrocarbonetos, nem seres vivos que não fossem árvores. Mas de todo modo, uma das preocupações principais é exatamente com o desmatamento, que mobilizaria o C fixado na biomassa das plantas.
8) É fatualmente errado dizer que o CO2 na atmosfera está concentrado sobre as cidades e regiões de queimadas. O que ocorre é que ali, a concentração de CO2 é maior, mas não significa que a maior parte do CO2 da troposfera está ali - do contrário, teríamos um ar realmente irrespirável nas cidades. Basta pensar que as cidades ocupam uma área de cerca de 1,2% do total da superfície da Terra [3], significaria que (considerando-se uma espessura mais ou menos uniforme da troposfera) que os 0,3% do CO2 estariam em 1,2% da troposfera. Se assim fosse, a concentração de CO2 no ar das cidades seria de 25%! Uma mistura gasosa com 5% de CO2 é considerada tóxica.
9) "O CO2 não esquenta nada". Se não fossem os gases estufa, como dito, a temperatura média da superfície do globo não seria de 14oC positivos como hoje, mas de 18oC negativos. [1]
10) Ninguém afirmou que o CO2 é a causa única do aquecimento global. E sim que o aumento de sua concentração é um dos componentes principais.

Mas o artigo não é todo demeritório. A necessidade de uso racional de solos e recuperação de áreas degradadas são importantes, não apenas na questão das mudanças climáticas. Na verdade, em relação ao aquecimento global, estudos têm indicado que a conversão de áreas tem um efeito de *resfriamento* - basicamente pelo aumento no albedo [4a,b].

A respeito do aquecimento global antropogênico, escrevi em meu blogue um texto em três partes, mostrando os indícios que suportam essa hipótese [5a,b,c].

[0] http://observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?msg=ok&cod=559JDB005&#c
[1] http://lwf.ncdc.noaa.gov/oa/climate/globalwarming.html#q1
[2] http://www.mlo.noaa.gov/programs/coop/scripps/co2/co2.html
[3] http://www.energy.ca.gov/2008publications/CEC-999-2008-020/CEC-999-2008-020.PDF
[4a] http://climate.uvic.ca/people/katrin/DamonGRL.pdf
[4b] http://ams.allenpress.com/archive/1520-0442/16/10/pdf/i1520-0442-16-10-1511.pdf
[5a] http://genereporter.blogspot.com/2009/04/aquecimento-global-parte-1-de-3.html
[5b] http://genereporter.blogspot.com/2009/09/aquecimento-global-parte-2-de-3.html
[5c] http://genereporter.blogspot.com/2009/10/aquecimento-global-parte-3-de-3.html
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[]s,

Roberto Takata
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Novamente, há vários erros de português que notei depois.
Publiquei acima sem correções.

Upideite(30/10/2009): O texto foi publicado no Observatório. (Leiam também os comentários - não só os desta postagem, como os do texto no OI - Upideite(05/nov/2009).)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Uma piada perigosa?

Não é sobre a caça a paraquedistas do Science Blogs Brasil, talvez seja mais um tipo de ciência gaiata. Seja como for, é incômodo para mim que o artigo de Smith e Pell 2003 [1] tenha se convertido em um paper de referência, com os argumentos ali utilizados considerados bases para a negação da necessidade de estudos com controle e distribuição aleatorizada dos pacientes entre os grupos de tratamento e de controle para novos procedimentos e medicamentos.

Em resumo, Smith e Pell fizeram uma "revisão" da literatura em busca de estudos sobre a segurança dos paraquedas na prevenção de mortes e graves ferimentos - baseando-se nos modelos de estudos aleatorizados com controle. A "conclusão" é que faltam estudos que demonstrem a eficiência dos paraquedas e, "portanto", a se mantiverem a mesma exigência feita para a introdução de novos tratamentos e medicamentos contra as enfermidades, os paraquedas não deveriam ter seu uso aprovados. Essa "conclusão" é, claramente, uma mofa. O que preocupa é o "corolário" dali derivado: "claro que os paraquedas devem ser usados, mesmo na ausência de estudos controlados sobre seus efeitos, 'portanto' tal tipo de exigência também não deve ser feita para o caso de tratamentos médicos - apenas dados observacionais sem controle bastam".

Aproveitando o trocadilho possível: esse "salto" lógico não é autorizado. Dito de modo muito simples: as situações *não* são equivalentes.

A questão do uso do paraquedas envolve simplesmente parâmetros físicos: velocidade terminal e a força do impacto (na verdade, há um parâmetro médico muito bem determinado - os riscos de morte por conta da velocidade de impacto) - não apenas equações relativamente simples e bem testadas podem ser chamadas à baila, como modelinhos físicos simples: bonecos de teste e acelerômetros - substituem à perfeição sujeitos experimentais, quer humanos, quer animais, nos testes.

Vamos ao caso de intervenções cirúrgicas, uso de medicamentos e outros tipos de tratamentos médicos. Pelos dados acumulados até o momento, as chances de novos tratamentos darem certos são reduzidas. É preciso então testá-los. Mas não existem modelos simples para isso. A resposta do organismo tem uma gama muito mais variada e complexa. Se humanos interagem todos mais ou menos da mesma forma com a gravidade e com a resistência do ar - segundo parâmetros simples como massa e área de seção transversal - o mesmo não se pode dizer (nem de longe) da interação dos seres humanos com intervenções médicas. Sem um experimento devidamente projetado para a avaliação de sua eficiência, uma base observacional limitada permitirá a ocorrência de muitas correlações espúrias: justamente por causa do sem número de parâmetros (muitos desconhecidos) que certamente estão envolvidos.

Via Ecce Medicus

Referência
1 - Smith & Pell. 2003. Parachute use to prevent death and major trauma related to gravitational challenge: systematic review of randomised controlled trials. BMJ 327: 1459-61. doi:10.1136/bmj.327.7429.1459

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Aquecimento global (parte 3 de 3)

Finalizando a série de três postagens sobre o aquecimento global e tomando parte do Blog Action Day 2009, que tem como tema as mudanças climáticas, este texto procura trazer os indícios que sustentam a afirmação de que o aumento das concentrações dos gases-estufa na atmosfera são, em grande parte, resultados diretos e indiretos das atividades humanas.

O aumento da concentração atmosférica dos gases-estufa é, em boa parte, fruto da ação humana

Alguns gases, devido à sua natureza sintética (não são geralmente produzidos por nenhuma fonte não-humana), como os CFCs, podem ter o aumento de sua concentração diretamente ligado à atividade humana.

Já os dois principais gases-estufa: CO2 e CH4 - também são liberados por processos naturais como o vulcanismo, de modo que a contabilidade é mais complexa.

Dados históricos desde 1970 estão disponíveis sobre estimativas de uso de combustíveis fósseis pelas nações: contabilização de produção e consumo de petróleo e carvão natural. Para períodos históricos mais remotos - como a época da Revolução Industrial - estimativas mais indiretas (e incertas) são obtidas por meio de modelos que levam em conta o tamanho populacional e a atividade econômica. (Fig. 1.)

Figura 1. Emissão anual de CO2 por queima de combustíveis fósseis e produção de cimento.

O padrão da emissão acumulada casa-se muito bem com o padrão do aumento dos níveis de CO2 atmosférico. (Fig. 2.)

Figura 2. Relação entre emissão de CO2 por queima de combustíveis fósseis e produção de cimento e concentração atmosférica de CO2. (Fontes: Andres et al. 2000; Canadell 2009; NOAA/ESRL.)

A composição isotópica do carbono também pode indicar as fontes do CO2 atmosférico. O carbono apresenta dois isótopos estáveis na natureza, o C-12, muito mais comum (cerca de 98,8% em massa de todos os átomos de carbono) e o C-13, mais raro (cerca de 1,1%) - outros isótopos têm uma vida muito curta em termos geológicos (o C-14 tem uma meia vida de pouco menos de 6 mil anos). Essa proporção é a média, mas diferentes fontes de carbono apresentam ligeiras diferenças na concentração. As plantas, por exemplo, possuem enzimas com afinidades levemente distintas para os dois isótopos principais, de modo que proporcionalmente menos C-13 é incorporado em sua biomassa na fotossíntese. Tomando-se como referência a proporção dos isótopos de C-13 nas moléculas de metano na atmosfera atual, pode-se calcular o desvio em relação a essa proporção. Esse desvio é chamado de δ13C ("delta cê treze"). Na Tabela 1, encontram-se valores típicos de δ13C de diferentes fontes.

Tabela 1. Teor de C-13 em materiais de diferentes fontes. (CO2 atmosférico δ13C -8‰)
Fonte δ13C (‰)
algas vermelhas(1) -34,5 a -29,9
algas marrons(1) -20,8 a -10,5
algas verdes(1)-20,3 a -8,8
plantas C4(2)-19 a -9
plantas CAM(2)-28 a -10
plantas C3(2)-34 a -22
petróleo(3)-32 a -26
vulcão(4)-10 a -3
1 - Maberly et al. 1992; 2 - Bender 1971; 3 - Bush et al. 2007; 4 - Sato et al. 2002.

A tendência dos valores de δ13C do CO2 atmosférico é de queda. (Figura 3.)


Figura 3. Tendência dos valores de δ13C do CO2 atmosférico. Fonte: CDIAC.


Se a fonte principal de CO2 fosse atividade vulcânica, por exemplo, não seria esperada essa queda.

Referências

Andres, Marland, Boden & Bischof. 2000. Carbon dioxide emissions from fossil fuel consumption and cement manufacture, 1751-1991, and an estimate of their isotopic composition and latitudinal distribution. Pp: 53-62. In: Wigley & Schimel (eds) The carbon cycle, v. 6. Cambridge University Press. 292 pp.

Bender. 1971. Variations in the 13C/12C ratios of plants in relation to the pathway of photosynthetic carbon dioxide fixation. Phytochemistry 10(6): 1239-44. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1016/S0031-9422(00)84324-1. Acessado em: 15 de outubro de 2009.

Bush, Pataki, Ehleringer. 2007. Sources of variation in δ13C of fossil fuel emissions in Salt Lake City, USA. Applied Geochemistry 22(4): 715-23. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1016/j.apgeochem.2006.11.001. Acessado em: 15 de outubro de 2009.

Canadell, P. 2009. Carbon budget 2007+. Acessado em: 15 de outubro de 2009.

Maberly, Raven & Johnston. 1992. Discrimination between 12C and 13C by marine plants. Oecologia 91(4): 481-92. Disponível em: http://www.springerlink.com/content/r3v57008n1423740/. Acessado em: 15 de outubro de 2009.

Sato, Mori, Shimoike, Nagao & Notsu. 2002. Carbon isotope systematics of CO2, CO and CH4 in fumarolic gases from Satsuma-Iwojima volcanic island, Japan. Earth Planets Space 54: 257–63. Disponível em: http://www.terrapub.co.jp/journals/EPS/pdf/2002/5403/54030257.pdf. Acessado em: 15 de outubro de 2009.

Upideite(18/out/2009): Para postagens em outros blogues, acompanhe #BAD09 e a lista oficial. Upideite (21/out/2009): O Divã de Einstein faz uma pequena compilação.

Upideite(30/ago/2012): Na Figura 4 abaixo, gráfico com dados atualizados da tendência dos valores para Mauna Loa e a Antárctica.
Figura 4. Tendência dos valores de δ13C do CO2 atmosférico. Fonte: Scripps CO2 Program.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Nem tudo o que doureja é lúzio

Nem toda falsa ciência é pseudociência. Há uma classe de falsa ciência que procura apenas ser divertida - admitindo não ser o que finge ser (resisto aqui a fazer a batida citação pessoniana da autopsicografia).

Há ainda a ciência legítima que atua, propositadamente, sobre campos imaginários: algumas vezes para servir de exercício didático a respeito dos princípios subjacentes - aclarar a lógica de um mecanismo ou processo analítico.

(Mas explorar as causas profundas desse fenômeno é uma tarefa da psicossociologia das ciências. Desconheço algum trabalho que analise a fundo a necessidade dos cientistas em produzir esse tipo de artigo.)

A quintessência do processo científico é o paper. Quando se fala em conhecimento científico legitimado o ícone é o artigo científico publicado em revista indexada revisado por pares. (É um dos poucos casos em que se fala de autorregulação sem se ouvir tosses dissimuladas, engasgos ou ver narizes torcidos - talvez por não se explicitar que isso significa apenas que é ciência aquilo que os cientistas mesmos dizem que é ciência...) É a medida de produtividade, em cima dele derivam-se os valores bibliométricos e cienciométricos - que irão embasar o mérito de uma pesquisa e de seus pesquisadores.

Nada mais natural então que essa peça central da comunicação (disseminação) científica seja um dos alvos preferenciais da gaiata ciência (com o devido perdão a Nietzsche pela corrutela).

Segue uma coleção de artigos científicos (publicados em revistas científicas ou livros, de outro modo, sérios), falsos artigos científicos (incluindo os publicados em revistas científicas - especialmente os que vão dentro do espírito do 1o de abril) e artigos de natureza intermediária (ou indeterminada):
(Provavelmente acrescentarei mais referências posteriormente, mas por certo não há pretensão de se fazer aqui uma listagem exaustiva... há muitos mais do que pode caber em uma simples postagem.)

Upideite(15/mar/2011): Parte 2, a missão.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Falsas dicotomias

Duas culturas
Desde a influente palestra "The two cultures" (depois compilada no livro quase homônimo: "The Two Cultures and the Scientific Revolution") de C.P. Snow, ministrada em 1959 na Universidade de Cambridge, muita gente enxerga um abismo instransponível entre ciências e humanidades.

Alguns tentam criar uma terceira cultura (John Brockman. 1995. "The Third Culture: Beyond the Scientific Revolution") ou uma ponte.

Na Antiguidade, Aristóteles foi físico, biólogo e filósofo. Leonardo da Vinci, antes da revolução científica, foi a perfeita síntese. No pontapé inicial das ciências, Galileu Galilei foi físico, matemático e filósofo. No auge do Iluminismo, Descartes foi físico, matemático e filósofo. Na época da revolução newtoniana, Leibniz foi físico, matemático e filósofo; um pouco antes, Fermat era advogado e matemático. Logo após, Thomas Young foi físico, fisiologista, egiptólogo e linguista; Lewis Carroll, matemático, escritor, diácono e fotógrafo; Linus Pauling, químico, escritor, educador e ativista da paz nos traz até o século 20; o próprio Charles P. Snow era físico e romancista. Entre brasileiros podemos citar, p.e., Paulo Vanzolini que é biólogo e compositor.

Aqui programa da rádio BBC sobre o tema das duas culturas.

Hard science vs soft sciences
Uma nova roupagem das duas culturas, mas mais elitista. As ciências duras são as exatas: física, química e adjacências. Com suas fórmulas precisas e tudo o mais. Humanidades mais as biológicas e saúde são, quando muito, ciências brandas: sem uma metodologia rigorosa e reprodutibilidade controlada. As humanidades - incluindo ciências sociais e econômicas - talvez nem ciências são...

De um lado, vários pontos - quando não vastas áreas como a astronomia - das ciências duras, embora façam intenso uso da matemática, não são exatamente previsíveis. Os modelos matemáticos não se ajustam perfeitamente na previsão das manchas solares, p.e. De outro, vários pontos - quando não vastas áreas como a genética de populações -, das ciências brandas fazem intenso e bem sucedido uso das ferramentas matemáticas: com predições rigorosas e bem ajustadas. E mais ainda, quando físicos tentam modelar fenômenos complexos como o mercado de ações e a evolução da sociedade, conseguem, no máximo, um quadro muito caricatural (embora não seja inútil).

Aqui um estudo comparativo entre as hard e as soft sciences.

Nature vs nurture
O comportamento humano é inato ou adquirido? O que influencia mais: genes ou ambientes?

É como perguntar se a área de um quadrilátero é fruto de sua base ou de sua altura. Os seres vivos - incluindo os humanos - são fruto da interação entre os genes e o ambiente. Nenhum dos dois produz nada isoladamente: ADN pelados no tubo de ensaio são apenas moléculas longas que não fazem muita coisa interessante - nem mesmo se reproduzirem; um solo, desprovido de sementes e plantas, não germina nada.

O máximo que podemos perguntar que faz algum sentido é: quanto da variabilidade de uma característica se deve a uma variação correspondente no ambiente ou nos genes. P.e. se tivermos retângulos, todos com a mesma altura, mas bases de diferentes comprimentos - podemos dizer que a variação na área dos retângulos deve se integralmente à variação da base; mas não que a área de cada retângulo é formada apenas pela base. Do mesmo modo, podemos nos perguntar se as diferenças na cor da pele entre as pessoas se devem a diferenças genéticas, a diferenças ambientais ou a diferenças de ambos os fatores.

Aqui uma resenha de um livro sobre o assunto.

Pesquisa básica vs aplicada
O que é mais importante? Oras, os dois. Claro que a aplicação do conhecimento é algo de grande relevância: digamos, televisores. Mas muito do funcionamento dos televisores se deve à aplicação de um conhecimento adquirido sem ter em vista nenhuma aplicação prática. P.e. o ramo da eletricidade se desenvolveu pela estranha propriedade de diferentes materiais, após serem friccionados com determinados tecidos, atraírem e repelirem objetos.

A pesquisa aplicada rende usos diretos. Mas ela apenassozinha é insuficiente para abrir novas fronteiras. Basicamente trilha apenas um caminho já desbravado - afinal, sendo aplicada, ela é direcionada para algo em que há mais chances de se obter o resultado previamente desejado.

Mas a pesquisa básica não precisa ficar atrelada somente à possibildade de uma aplicação futura. O conhecimento por si mesmo é um retorno a ser considerado. Saber como os planetas se distribuem pelo universo responde a questões que calam fundo em boa parte das pessoas, mesmo que eventualmente nada de prático se obtenha de tal conhecimento.

Um artigo que retoma o tópico aqui.

Corpo e mente
É uma dicotomia antiga, que o próprio Descartas manteve, apesar de sua explicação mecanicista do mundo: res extensa, res cogitans - chegou até a atribuir a morada da res cogitans naà glândula pineal.

Com os avanços do conhecimento, sabemos que é muito mais produtivo considerar a mente como fruto do funcionamento do sistema nervoso superior dos organismos (ou de um eventual correspondente): lesões físicas no cérebro levam a disfunções da mente, e muitos problemas mentais podem ser tratados tratando-se o cérebro.

Razão e emoção
Emoção é razão, argumenta Damásio em seu livro "O Erro de Descartes". Ou melhor dizendo, a emoção é um substrato essencial para que a razão possa operar na tomada de decisões.

A velha fábula do burro com sede e faminto que, colocado a meio caminho entre uma fonte d'água e um cocho de feno, morreu desidratado e de inanição por não saber escolher vale para a mente humana quando centros que controlam a emoção são danificados.

A emoção ajuda a dar prioridades, a partir disso a racionalidade pode indicar os melhores caminhos para se obter o que se deseja.

Uma não anula a outra, ao contrário, complementam-se como queijo mineiro e goiabada.

Um ensaio sobre o livro de Damásio aqui.

Experimental e teórico (bom nome para dupla caipira)
A mesma falsa dicotomia entre o aplicado e o básico, mas aqui não em relação ao produto do conhecimento e sim ao próprio conhecimento como produto. O que é conhecimento? São apenas as informações que se obtém através de experimentos controlados? Ou podem ser obtidos a partir de análise e instropecção a respeito do funcionamento do mundo?

Aqui uma série televisiva sobre um físico teórico e um experimental que dividem suas desventuras.

Especialista vs generalista
O especialista é aquele que sabe cada vez mais sobre cada vez menos, o generalista é aquele que sabe cada vez menos sobre cada vez mais.

E não são coisas que se casam no sentido de complementar seus conhecimentos de modo a se ter um quadro mais completo: amplo *e* profundo?

Sobre generalistas e especialistas ecológicos aqui.

Planta ou animal
Fruto de uma divisão antiga, cristalizada pelo trabalho de Aristóteles, que, muito antes de Lineu, já fazia uma classificação dos seres - vivos e não vivos.

De conhecimento limitado e sem os instrumentos mais modernos - como um microscópio - fazia certo sentido lá nos idos tempos essa simples divisão: o que se move é animal, o que não se move (e não é mineral) é planta (especialmente se possui partes verdes).

Mas há muitas outras criaturas que não são nem uma coisa nem outra. Os fungos são um grupo - relacionados com os animais, mas que deles se distinguem. Além de toda uma pletora de organismos unicelulares.

Para uma outra abordagem da diversidade da vida aqui.

O ovo ou a galinha
Quem veio antes? Para responder a isso é preciso saber a que ovo se está a referir.

O ovo como uma estrutura reprodutiva precede de muito a galinha: os peixes, p.e., botavam ovos há mais de 400 milhões de anos.

O ovo como uma estrutura reprodutiva provida de casca também existia muito antes de surgir a primeira galinha: com o aparecimento dos primeiros répteis, uns 300 milhões de anos atrás.

Mas a questão é sobre o ovo que as galinhas botam. O segredo é distinguir o "ovo *de* galinha" do "ovo *da* galinha".

O ovo de galinha é o ovo a partir do qual sai uma galinha (ou um galo - ou mais precisamente, um pintainho fêmea ou macho). Logicamente esse ovo precedeu a galinha, botado por um ser muito similar à galinha. (Supondo aqui que possamos definir arbitrariamente a galinha de um modo muito preciso - por exemplo, que tenha o ADN exatamente igual ao último ancestral em comum de todas as galinhas atuais ou mortas em um período xis.)

O ovo da galinha é um ovo botado por uma galinha - saia ou não um ser galinha (ou a observação acima). Logicamente, é um ovo que pode existir somente depois da primeira galinha.

Naquela suposição da definição arbitrária exata do que é ou não uma galinha, podemos dizer que ela surgiu de um ovo de galinha botado por uma não-galinha. E uma nova espécie pode surgir a partir de um ovo da galinha, botado pela espécie ancestral - no caso, a galinha.

(Aqui um texto de Sérgio Danilo Pena na Ciência Hoje sobre o tema. Um outro, na SciAm Brasil.)

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Belvedere

A Nikon Small World premia as melhores fotomicrografias científicas. Confira aqui os ganhadores dos prêmios em 2009. (Via@Be_neviani)

A Veolia Environment Wildlife Photographer of the Year premia as melhores fotografias da natureza. ConfirmaConfira aqui os concorrentes de 2009*. (Via @mariaguimaraes)

O HubbleSite divulga imagens obtidas pelo telescópio espacial homônimo.

Há vários livros de mesa com fotos espetaculares como essas publicados em papel especial. Creio que seria interessante se vendessem pôsteres com essas figuras - tal qual se vendem reproduções de obras de arte? Muitas fotomicrografias são de uma grande beleza abstrata.

*Upideite(21/jan/2010): Triste fim para o concurso Veolia 2009. O vencedor perdeu o prêmio, pois a organização concluiu que ele burlou as regras.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Darwin hoje

O que Darwin estaria fazendo se estivesse vivo? (Não, não vale: "arranhando a tampa do caixão".)

Difícil dizer. Mas duas iniciativas tentam trazer os relatos do Beagle para os tempos atuais - ao menos nos meios de comunicação. Em vez de longas cartas enviadas pelos navios da frota de Sua Majestade, um blogue e tweets (via @besteves).

De todo modo, os textos originais ainda são imperdíveis. Para suas obras completas e muito mais: aqui.

sábado, 3 de outubro de 2009

Divagação científica - Nahas comenta

Tatiana Nahas, do Ciência na Mídia, fez algumas observações em relação à sexta postagem da série sobre reflexões a cerca da divulgação científica.

Ela questiona se os sujeitos experimentais são representativos do universo de consumidores de materiais de divulgação científica. E também questiona se os materiais, em particular os na forma de hipertextos, utilizados seriam representativos da forma hipertextual.

"1- esse grupo de 'cobaias' é significante pra concluir qualquer coisa que seja sobre os seres humanos em geral? Me recuso a 'crer'...

2- e que texto foi esse que eles escolheram!?! O design na net é péssimo, as letras todas juntinhas, não tem recurso de descanso visual, cadê links, cadê figuras etc? Só que o problema está com ESSE desing na net, não necessariamente com textos na net em si. Se esse texto (com essa falta de 'diagramação') fosse impresso e entregue pra ler, será que os resultados seriam positivos? Duvideodó...


E eles falam em 'meios eletrônicos hipertextuais'! Como podem falar isso se não compararam o impresso com um meio eletrônico hipertextual de fato?
"

São perguntas importantes.

O objetivo da série é mesmo levar a esse tipo de reflexão crítica - inclusive a respeito dos estudos sobre o tema.

O tamanho dos grupos é limitado, de fato, e formam um grupo sociologicamente homogêneo. Isso certamente introduz uma restrição séria na generalização das conclusões. E é um tipo de crítica sempre presente na maioria dos experimentos sobre psicologia - o grupo preferencial são estudantes de pós-graduação, que são mais fáceis de se recrutar (basta o pesquisador oferecer um curso e os estudantes têm como incentivo os créditos da disciplina), no caso do estudo de Macedo-Rouet e colaboradores (2003), foram estudantes de graduação.

Mas mesmo que haja limitações, não são dados inúteis. De um lado, um grupo pequeno pode representar um grupo maior se a característica estudada for mais ou menos homogênea. De outro, pode ser entendido em um caráter exploratório: permitem identificar pontos que necessitam de mais aprofundamento.

Sobre se o material escolhido seria representativo das modalidades de apresentação de informação, de fato, há uma série de alternativas em que se poderia pensar. Nisso, os autores são cuidadosos ao mencionarem várias explicações possíveis para o resultado na discussão, inclusive a questão do "design" dos documentos eletrônicos - não reproduzi a parte da discussão na minha postagem sobre o trabalho justamente para que uma outra discussão pudesse ser levada.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Semciência entrevista - postagem temporária

Osame Kinouchi (SemCiênciaSemciência*) entrevista:

Suzana Herculano (Neurocientista de Plantão) - 71 min.


Alessandra Carvalho (Karapanã) - 58 min.


Lacy Barca (Amiga Jane) - 70 min.


Maria Guimarães (Ciência e Ideias) - 48 min.


Carlos Cardoso (Contraditorium) - 3 min.


Nota: postagem temporária, somente até o SemCiênciaSemciência* subir os podcasts por lá.

*Upideite (02/out/2009): correção a esta data. Vide aqui.

Upideite (04/out/2009): Osame Kinouchi comenta: "Takata,mantenha os audios aqui, pois nos meus posts eles estao dispersos."

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Uma ideia... que muda...

Durante o euclipo 2 algumas pessoas discutiram a proposta de se criar uma revista de divulgação.

Como não é mais uma ideia minha, ela foi derivando para várias direções. (Upideite(01/out/2009): E não há nada de ruim nisso, ao contrário, é para ser assim.)

Em sua encarnação mais recente está definida na expressão "Piauí das ciências", com o mote "ciência, sociedade e cultura" (roubado do Scienceblogs). A maquinação disso surgiu, pelo que entendi, em conversa entre Osame Kinouchi, do SemCiênciaSemciência* (sim, eu sei que sabem quem é cada um dos que cito aqui... faço por força do hábito e em nome dos bons costumes), e João Alexandrino, do Ciência e Ideias.

Talvez o que mais se aproxime da concepção dessa "Piauí das ciências" seja o "Ciência e Cultura" da SBPC.

*Upideite (02/out/2009): correção a esta data. Vide aqui.

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