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terça-feira, 28 de julho de 2015

Celebridades científicas são necessárias? - meu centavo e meio

Na postagem anterior comentei de passagem uma discussão que surgiu diante da constatação do baixo conhecimento do brasileiro a respeito de ciências, dos cientistas e das instituições científicas. Ela se conecta com as tentativas de se atrair mais pessoas para as carreiras de STEM (science, technology, engineer and mathematics).

Há várias iniciativas nesse sentido. No ensino básico por meio das "olimpiadas do conhecimento" (sim, eu sei que deveria haver acento no segundo 'i' de olimpiadas, mas como o COI e o COB são extremamente ciosos com o uso do termo e o último já chegou a notificar tais competições para que mudassem de denominação, vai sem acento mesmo) nessas áreas: na última reunião da SBPC foram premiados vencedores em várias categorias nacionais e a olimpiada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, OBMEP, é uma das maiores do gênero. [Artur Avila, nosso medalhista Fields, levou bronze na olimpiada Brasileira de Matemática, OBM (não confundir com a OBMEP), em 1992.] E feiras de conhecimento, como a Febrace (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia), da LSI/Poli/USP. No ensino superior, o Ciência Sem Fronteiras, originalmente voltada especificamente para os STEM, e, por isso mesmo, alvo de várias críticas por não incluir ciências humanas, p.e. Para o público em geral a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. Entre outras iniciativas locais, estaduais, federais, particulares e governamentais.

Na discussão ocorrida na reunião da SBPC a que me referi na postagem passada, surgiu o tema do "cientista celebridade" ou "celebridade cientista". Antes é preciso deixar claro que não se está dando nem um sentido negativo de celebridade (o que se acha, o que amealha para si todas as glórias mesmo a que deveria ser compartilhada ou atribuída a outros, o que trata os demais com descaso), nem o sentido que atualmente seria o mais convencional: alguém simplesmente famoso por ser famoso (e não por ser um destaque em uma área relevante na vida das pessoas - ao contrário, a ideia é exatamente que se destaquem por isso - aproximar-se do sentido anterior ligado exatamente ao termo primitivo 'célebre': no sentido, p.e., em que Einstein foi um célebre físico e não apenas um físico célebre). Em uma postagem do Rafael Bento, do RNAm, com o link para o artigo de André Rabelo, do SocialMente, um comentarista disse: "mais ego é algo que a ciência realmente não precisa".

As demais críticas têm sido: há outras coisas a se fazer (como valorizar as ciências dando melhores condições de trabalhos aos cientistas - entre salários, bolsas, direitos trabalhistas, desburocratização para a pesquisa...), linha adotada na crítica de Rabelo e também de Luiz Bento, do Discutindo Ecologia; a questão é superficial; e, para Atila Iamarino, do Rainha Vermelha e Nerdologia, é preciso que a Capes e o CNPq incentivem a divulgação científica de modo geral, reconhecendo a atividade na avaliação do pesquisador e dando verba para isso.

Como adiantei na postagem anterior, eu tendo a me alinhar mais com Stevens Rehen, da UFRJ, e com a Helena Nader, presidente da SBPC, e Jacob Palis, da ABC.

Mas, antes, abordemos as críticas: sim, há mais coisas a se fazer, apenas ter celebridades não é a solução para todos os problemas da ciência brasileira. Esse ponto é pacífico até entre os defensores de que haja mais cientistas conhecidos e admirados pelo grosso da população. Só que o fato de haver outras coisas não quer dizer que seja inútil haver os tais cientistas celebridades, ponto reconhecido pelo próprio Rabelo, crítico à ideia. Creio que esse ponto seria relevante se se propusesse que a promoção de "heróis da ciência" fosse a única ou a principal ação para a melhoria da ciência nacional. Não é o caso. Ou se fosse concorrente por recursos escassos. O que não é necessariamente o caso. A construção de reputação popular de indivíduos pode demandar muito dinheiro - como pagar anúncios em veículos de comunicação -, mas, aqui, não é algo que seja preciso. Agências de fomento, associações científicas, órgãos de governo têm seus relações públicas. E, não se trata aqui de personalismo, podemos eleger notáveis na forma de instituições ou mesmo personalidades já com boa reputação entre os pares - claro, há que se cuidar da transparência e não de fomentar panelinhas e intrigas de salão (infelizmente nada raro na comunidade científica). Bastaria, por exemplo, que órgãos de governo trabalhassem mais na promoção da *premiação* José Reis de divulgação científica junto aos veículos de comunicação (incluindo aí os social media): Artur Avila, não obstante o reconhecimento entre os pares pela qualidade de seu trabalho, ganhou boa notoriedade popular por meio da Fields - comparecendo à FLIP deste ano. Fora um Nobel, então, sua fama iria às alturas.

O ponto levantado por Atila, talvez um dos que podemos considerar o mais próximo de uma celebridade científica (é reconhecido por um bom público de jovens estudantes e alvo de tietagem), é interessante, mas também não é exatamente algo contrário à ideia de eleição de "campeões da ciência". E, sim, pode até ser, como argumenta, um meio indutor para o surgimento das celebridades.

Porém, todo esse blablablá acima serve mais como um intróito do que eu gostaria de realmente argumentar. Eu, confessadamente, não tenho conhecimento suficiente para argumentarpredicar a respeito de políticas públicas e apontar caminhos que devemos ou não trilhar. Então, mais do que apenas falar do que eu acho, é melhor eu trazer argumentos *científicos*. A questão dos "role models", dos modelos de vida, é bastante discutida mesmo na questãono problema da atração para as áreas STEM. Sapna Cheryan e colaboradores (2011) avaliaram a influência desses modelos na visão de mulheres quanto a suas possibilidades de sucesso nas STEM.

"Women who have not yet entered science, technology, engineering, and mathematics (STEM) fields underestimate how well they will perform in those fields (e.g., Correll, 2001; Meece, Parsons, Kaczala, & Goff, 1982). It is commonly assumed that female role models improve women’s beliefs that they can be successful in STEM. The current work tests this assumption. Two experiments varied role model gender and whether role models embody computer science stereotypes. Role model gender had no effect on success beliefs. However, women who interacted with nonstereotypical role models believed they would be more successful in computer science than those who interacted with stereotypical role models. Differences in women’s success beliefs were mediated by their perceived dissimilarity from stereotypical role models. When attempting to convey to women that they can be successful in STEM fields, role model gender may be less important than the extent to which role models embody current STEM stereotypes."
["Mulheres que ainda não entraram nas áreas de ciências, tecnologia, engenharia e matemática (STEM) subestimam quão bem elas irão desempenhar nessas áreas. Geralmente se assume que modelos femininos de vida melhoram a crença das mulheres em que elas serão bem sucedidas nas STEM. O presente trabalho testa essa suposição. Dois experimentos variaram o gênero do modelo e se o modelo incorpora estereótipos das ciência da computação. O gênero do modelo não teve efeito sobre a crença no sucesso. No entanto, mulheres que interagiram com modelos não-estereotípicos acreditaram que elas podem ser mais bem sucedidas em ciência da computação do que as que interagiram com modelos estereotípicos. Diferenças nas crenças no sucesso das mulheres foram mediadas pela dissimilaridade percebida em relação ao modelo estereotípico. Na tentativa de convencer mulheres que elas podem ser bem sucedidas nas áreas STEM, o gênero do modelo deve ser menos importante do que a extensão em que os modelos incorporam estereótipos correntes sobre as STEM."]

Seria, claro, pretensioso acreditar que isso encerra a discussão. A literatura é extensa e nem sempre há concordância quanto a isso. Mas espero que esse exemplo sirva para demonstrar que a proposta não é despropositada. E, embora eu não queira ser pretensioso de dar a palavra final, eu sou pretensioso o suficiente para querer que esta abordagem incentive a discussão a tomar uma base mais factualmente embasada. Opiniões pessoais (e históricos de vida) e ideologias importam, no entanto, a análise fica mais rica e sólida quando podemos amarrar com base em dados e estudos.

Upideite(28/set/2015): Um interessante artigo de Declan Fahy na revista da CSI (Committee for Skeptical Inquiry): "A brief history of scientific celebrity" via Rodrigo Veras fb.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Percepção Pública da Ciência e Tecnologia 2015

A quarta edição da pesquisa de “Percepção Pública da Ciência e Tecnologia no Brasil”, agora conduzida pelo Centro de Gestão de Estudos Estratégicos coordenado pelo MCTI, não traz muitas novidades em relação a outras.

Mostra a tendência geral de melhora das atitudes em relação às ciências: mais pessoas consideram que a atividade traz só benefícios ou mais benefícios do que malefícios (o que não deixa de ser também um fato preocupante*) - tendência que se dá por motivos não muito claros. (Fig. 1.)

Figura 1. Atitude do brasileiro em relação às ciências. Percepção de benefícios x malefícios. Fonte: CGEE 2015.

Em relação ao interesse declarado, não é possível uma comparação com toda a série pela mudança na metodologia de codificação das respostas na pesquisa de 2010. Mas é possível se verificar que praticamente não há alteração pelo interesse declarado em ciências - a maior variação ocorre em relação à moda, por motivo que desconheço - em relaçãocomparação ao último levantamento.(Fig. 2a e b.)

a) 
b) 
Figura 2. Interesse declarado do brasileiro por a) temas selecionados com destaque para b) ciências. Fonte: CGEE 2015.

Como comentei em uma análise sobre os resultados do Indicador de Letramento Científico da Abramundo, esses valores devem ser tomados com um bom grau de reticências. Há incongruências quando comparamos atitudes declaradas e ações medidas. O interesse manifestado não se concretiza, por exemplo, na busca pelas informações sobre o tema - 93,3% dos entrevistados não se lembram do nome de nenhum cientista brasileiro, 87,2% não sabem o nome de nenhuma instituição de pesquisa; além disso, a visão de que a ciência só traz benefícios não se casa com a opinião de que os cientistas têm poderes que os tornam perigosos (31,5% concordam totalmente, 35,9% concorda em parte), que a C&T é responsável pela maior parte dos problemas ambientais (21,9% totalmente e 34,6% em parte)*.

Os resultados de 2015 podem ser analisados online combinando-se vários filtros por categorias socioeconômicas. Ferramente similar à disponível na base dados da GSS americana e do SIDRA do IBGE. Uma sugestão de melhoria é permitir também o cruzamento entre as perguntas, p.e., saber, dentre os que responderam que as ciências só trazem benefícios, quantos acham que os cientistas são perigosos.
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O ponto em que os entrevistados continuam a manifestar um alto grau de desconhecimento sobre cientistas e instituições científicas brasileiras é motivo de preocupação por parte de acadêmicos e autoridades. Uma discussão lateral que surge é sobre o papel que cientistas célebres - ou cientistas "celebridades" - poderiam ter na atração de novos talentos para a área de STEM (ciências naturais, tecnologia, engenharia e matemática). André Rabelo, do DivertidaSocialMente, escreve contrariamente à ideia. Não exatamente contrariamente, mas acha que a questão é outra: a atratividade passaria pela valorização profissional - salários e condições de trabalho. Já Steven Rehen da UFRJ acredita que teria um impacto positivo. Talvez mais tarde eu aborde essa questão aqui no GR. Adiando que por ora tendo a me alinhar com a visão de Rehen e Helena Nader - sem maiores prejuízos à questão da valorização do trabalho do cientista defendida por Rabelo.***

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* É legal que se tenha uma visão positiva das ciências. Sim, as ciências são muito úteis e trazem vários benefícios. Mas, de um lado, claro que é exagero se considerar que ela *só* traz benefícios. Há vários perigos embutidos na atividade científica e em seus produtos. A energia nuclear é útil e pode ser que, em uma análise ponderada sobre riscos e benefícios, conclua-se que valha a pena investir nela. No entanto, não dá para dizer que não haja perigos em sua utilização (Three Miles Island, Chernobyl e Goiânia que o digam). Que 54% acreditem que não haja malefício algum na atividade científica é, assim, problemática. O outro ponto é que, o que em parte explica os 54%, essa visão positiva não se dá através de uma análise ponderada sobre o papel das ciências na sociedade moderna e na vida cotidiana. O baixo conhecimento - declarado e medido - em relação às ciências mostra que essa visão grandemente positiva está calcada exatamente em uma ignorância quanto à questão. Claro que não é apenas uma questão de ignorância: ela provavelmente não explica, por exemplo, um aumento da visão positiva ao longo do tempo - teria o nível de ignorância sobre ciências aumentada com o tempo? Não temos dados diretos a respeito dessa questão, mas os resultados etários do ILC não parece corroborar que haja um decréscimo geracional no grau de conhecimento científico - sempre fomos tão ignorantes em relação às ciências quanto somos hoje (ao menos na janela das últimas três décadas). Retornando à visão positiva calcada na ignorância, bem, esse grau de ingenuidade é bastante perigosa: tanto na manipulação de anúncios do tipo "cientificamente comprovado" quanto em campanhas anticiência baseadas em teorias da conspiração. Verdade que a ingenuidade é longe de total: a maior parte dos entrevistados considera que os cientistas são perigosos e a ciência (e a tecnologia) causam a maior parte dos problemas ambientais**. O que, por uma feita, traz ainda outro problema para os relações públicas das ciências resolverem, e, por outra, estabelece um conundro - que se resolve pela observação da incongruência dos pensamentos da população a respeito da C&T (em parte, certamente o conhecido fenômeno das pesquisas de opinião em que o entrevistado tenta dar a resposta que acha que o entrevistador considera a correta).

Talvez esse problema pudesse ser minorado invertendo-se a ordem das perguntas. A questão sobre se consideram que as ciências trazem mais benefícios do que malefícios ficasse depois de perguntas que dão exemplos de potenciais malefícios: cientistas perigosos por deterem poder do conhecimento e conhecimento e tecnologia que resultam em danos ambientais. Claro que isso criaria outro viés. Então, talvez seja o caso de aleatorizar a ordem das perguntas. Aí seria possível se ter uma ideia de o quanto a visão positiva sobre as ciência dá-se por não se ter à mente um exemplo de malefício das ciências e o quanto dá-se por realmente desconsiderar tais malefícios.

**Upideite(27/jul/2015): corrigido a esta data.
***Upideite(28/ju/2015): meus pitacos sobre a questão de cientistas celebridades.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

O Biólogo e a Divulgação Científica 2.5

Minha apresentação no último dia 21.jul durante o XII Congresso Aberto aos Estudantes de Biologia.



As cores ficaram um pouco zoadas na conversão.

Disclêimer: As opiniões apresentadas são de exclusiva responsabilidade do autor. Não refletem necessariamente a visão institucional do Labjor. Nem da Fapesp, nem do IB/Unicamp ou outras instituições citadas.

Upideite (23/jul/2015): Agradecimentos especiais a @marifiora, @luizbento, Simone Pallone e Germana Barata pela revisão de versão preliminar da apresentação. Todos os erros que tenham persistidos são de inteira responsabilidade do autor.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Ciência x Mídia x Novas Mídias: a cobertura do IBRO

O neurocientista Stevens Rehen, da UFRJ, postou em seu perfil na rede do tio Zucko uma reclamação quanto à cobertura da imprensa nacional (mídia impressa e online) do IBRO 2015 - 9° Congresso Mundial da Organização Internacional de Pesquisa do Cérebro, um dos principais eventos científicos da área. Veículos das organizações Globo, onde o pesquisador tem bons contatos, cobriram o evento: CBN, Globo News, Globo Repórter, O Globo (combo quase total: rádio, cabo, tv aberta, impresso; não foi mencionado, mas suspeito que o G1 também ). mais a Record e a Revista Fapesp. (Sinceramente, no Brasil, eu já ficaria mais do que satisfeito com 'apenas' a Globo cobrindo...)

Verdade que o próprio Rehen, um dos organizadores do evento, não postou nada sobre isso em seu blogue (verdade também que eu mesmo não costumo publicar aqui no GR eventos com os quais estou envolvido, então não posso censurar ninguém quanto a isso). A última atualização é de 12/jun "US$ 28 bi jogados no lixo com artigos científicos irreproduzíveis?". Mas sua conta no twitter esteve bem ativa com detalhes sobre o evento, antes mesmo de seu início no último dia 7/jul; bem como seu perfil no facebook.

Rafael Soares, do RNAm e da Numina Labs, foi por conta própria. Mas Silmar Geremias, do SciCast, e o Carlos Cardoso, do Meio Bit, e Luiz Bento, do Discutindo Ecologia*, reclamaram que não houve nenhuma comunicação para os divulgadores científicos que utilizam as novas mídias.

A jornalista Sofia Murtinho, assessora de imprensa do evento, foi um tanto dura nas respostas (ainda que as reclamações também tenham sido duras): "Eu não entendo quem critica mídias tradicionais e fica sentado esperando um release chegar na caixa de e-mail". (Vale a pena conferir - quebrando a zerésima regra da internet - os comentários à postagem de Rehen no facebook.)

Conversando com pessoal de ciências de um importante portal brasileiro, parece que por lá também não chegou nenhuma comunicação sobre o evento.

O perfil do Scienceblogs Brasil no facebook pergunta: "Falta cobertura por falta de interesse da mídia ou dos espectadores? As pessoas gostam de ciências e de neuro!"

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Um elemento que também é preciso se considerar - afora a questão de se a comunicação foi eficiente ou não, de se os alvos escolhidos foram acertados ou não, de se há interesse ou não das mídias ditas tradicionais - é que as redações das empresas de comunicação estão muito reduzidas devido aos sucessivos cortes de pessoal. Nem sempre conseguem destacar gente para cobrir um evento ou mesmo para acompanhá-los via internet. Aí acabam se valendo mesmo de material de agências ainda que seja um evento no próprio país.

Há também um pouco da questão do timing. Parte do evento pegou o feriadão no Estado de São Paulo, da Revolução Constitucionalista de 1932, emendando desde quinta-feira (09/jul). Muitos dos principais veículos atuam de SP. Cobrir o evento em esquema de plantão também pode ser complicado, ainda mais em cenário de crise econômica.

Claro que isso, por outro lado, pode botar pressão para os organizadores apelarem para o "sexing-up". Daí pra aparecerem coisas como "10 motivos científicos por que seu cérebro não resiste a gatinhos na internet" não irá muita distância. Do chamativo ao apelativo não se requerem grandes esforços. Mas pode garantir maior cobertura da mídia (sobretudo online) e atrair mais leitores/ouvintes/espectadores (e, principalmente, clicadores).

*Upideite(10/jul/2015): adido a esta data.

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