Lives de Ciência

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domingo, 3 de junho de 2018

Especulando: Algumas sugestões de propostas para ciências e divulgação

A SBPC e a ABC, como já é tradição, lançaram propostas para serem encampadas por candidatos nas eleições deste ano.

Na onda o GR também gostaria de sugerir algumas - bem mais modestas no tamanho e alcance - como complemento. Publiquei alhures e reproduzo abaixo as propostas. Algumas já havia sugerido para o então ministro de CT&I em 2011.
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Aproveitando que temos um certo número de pré-candidatos cientistas, algumas propostas - que não necessariamente envolvem mudanças na legislação - pra considerarem e levarem a suas universidades.
1. Desenvolvimento de indicadores de retorno social de investimentos em P&D e nas universidades públicas. Talvez algo na linha do Balanço Social da Embrapa - mas que certamente precisaria ser adaptado. A discutir se se deveria estabelecer metas de indicadores ao longo do tempo - para unidades individuais ou pro sistema de ciência e tecnologia como um todo.
2. Criação de um banco da dados nacional que colija os microdados - com proteção da identificação de respondentes individuais - de toda pesquisa eleitoral e de toda pesquisa de opinião financiada por órgãos públicos (exceto talvez o IBGE, que publica em meios próprios). A se ver se ficaria aberta ao público - acho que deveria, com restrições de granulação (p.e. células que retornassem menos de 10 respostas não seriam disponibilizadas) - ou com acesso apenas a pessoal cadastrado: cientistas sociais, p.e. Seria necessária uma lei para obrigar os institutos de pesquisa de opinião a enviarem os microdados em formato determinado. (Seria preciso um trabalho prévio de definição de ontologia para uniformizar categorias de dados.)
3. (Se eu for selecionado, esta vou apresentar no Camp do Serrapilheira primeiro.)*
4. Criação de uma rede nacional de divulgação científica em instituições públicas de ensino e pesquisa. Uma coordenação leve - essencialmente disponibilização em agenda única online de todas as atividades de divulgação científica; talvez fornecimento de infraestrutura para disponibilizar o material online. Serviria de base também para trocas de experiências entre as instituições. Poderia se ampliar em uma rede de comunicação das instituições - incluindo comunicação institucional, p.e. Potenciais vantagens: uma instituição A vai trazer um palestrante X pro dia Z; uma instituição B, perto de A, poderia se oferecer a rachar a despesa de trazer o mesmo palestrante, e ter também uma palestra em outro dia próximo (ou talvez no mesmo); uma instituição que vai realizar um evento de um dado tema, já terá uma série de sugestões de possíveis convidados... poderá ver qual o melhor dia para realizar o evento, etc.
5. Criação de um banco de dados unificado de tecnologias e serviços dos IFES. A USP e, principalmente, a Unicamp têm um cadastro de inovações que podem servir de modelo; o Banco do Brasil também tem um inventário de tecnologias sociais. As pesquisas aplicadas ou com potencial de aplicação desenvolvidas nas universidades federais seriam mapeadas e seu grau de desenvolvimento e características poderiam ser consultadas pelo banco de dados por eventuais parceiros que queiram financiar a pesquisa ou licenciar o uso. Poderia envolver a criação de um showroom tecnológico - virtual ou mesmo físico - e realização de feiras periódicas. (Alguns dados poderiam ficar sob proteção de sigilo, como tecnologias a serem patenteadas.)
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*Se minha submissão ao camp for rejeitada, o que é mais provável, atualizo a postagem com a proposta.**

**Upideite(12.ago.2018): A minha proposta foi rejeitada. A que apresentei era a formação de um painel de análise e consolidação da literatura disponível a respeito da divulgação científica: o que funciona, o que não funciona, sob quais circunstâncias. Meio ao estilo IPCC para as mudança climáticas. Apontando também quais áreas são prioritárias para pesquisas mais aprofundadas.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Um supercomputador distribuído para o Brasil

Mais uma proposta para um projeto. Não tem todos os detalhamentos necessários para ser chamado de projeto, mas apenas uma ideia geral para ser desenvolvida.

No Brasil temos atualmente mais de 100 mil lan houses (que fornecem acesso à internet para 32 milhões de usuários). Boa parte delas em situação informal (somente cerca de 13% são formalizadas), com uma média de 6 a 10 computadores cada - provendo cerca de 400 horas semanais de acesso.

Agora, imaginemos que consigamos um índice de formalização de 50%. Serão 300-500 mil computadores. Sigamos imaginando. Agora que cada um desses terminais tenha instalado um software de computação distribuída no estilo BOINC - formaria uma rede de tamanho equivalente. O projeto BOINC tem uma respeitável capacidade de processamento de 5,3 petaflops. O supercomputador mais poderoso operando no Brasil tem capacidade de 258 teraflops.

Agreguemos à essa rede os computadores comprados com verbas federais destinados ao ensino e à pesquisa. Só o programa Um Computador por Aluno licitou 150 mil máquinas. É possível que se possa ultrapassar a marca dos 8,2 petaflops do K Computer - o mais rápido supercomputador até o momento.

A instalação dos softwares em terminais de lan houses poderia ser exigida como condição de formalização - e não traria maior custo aos proprietários - e, nos computadores adquiridos por verbas federais, os programas poderiam ser instalados como condição do edital.

Parceriais com governos estaduais e municipais poderiam ampliar ainda mais a base da rede.

Upideite(05/jan/2012): Há, no entanto, uma limitação relativamente séria - localizado quase que exclusivamente em território nacional, tal supercomputador teria uma janela diária de funcionamento limitado a cerca de 8 a 10 horas (alguns equipamentos poderiam permanecer 24 horas funcionando, mas longe de fornecer, em conjunto, uma capacidade significativamente grande de processamento).

Upideite(22/jun/2016): Desde então as lan houses passaram por uma crise, fechando um grande número delas. Dos 100 mil estimados em 2011, em 2013 eram 60 mil. Com as ascensão dos smartphones no acesso à internet, talvez sua base possa substituir, ainda que parcialmente, a perda da base de lan houses, por meio de aplicativos de ciência cidadã ou mesmo de  jogos puros.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Algumas ideias para o novo Ministro do MCT

Proponho aqui algumas ideias - não sei exatamente o quão facilmente elas poderiam ser implementadas - para o novo Ministro de Ciência e Tecnologia Aloizio Mercadante. Não estão em nenhuma ordem em particular.

- Realização periódica de pesquisa de compreensão e atitude sobre ciências da população brasileira. Um tanto nos moldes da realizada NSF americana. Naturalmente adaptada às condições nacionais. Se não de caráter anual, já que pesquisas assim são caras, ao menos bianual ou quinquenal. (São dados importantes para orientar as ações de divulgação e promoção das ciências, seria importante para orientar o MEC também - juntamente com dados como o PISA, o Enem e o Enade.)

- Criação de uma Agência Nacional de Importação de Insumos para a Pesquisa Científica. A burocracia dificulta e encarece a pesquisa brasileira, os cientistas não apenas não sabem preencher esses tipos de formulários segundo detalhes dos editais como não é sua função - além disso é inviável ter que reaprender as regras a cada alteração realizada. Seria mais racional se uma agência especializada ajudasse os pesquisadores - estes apenas preencheriam um formulário simplificado sobre o material necessário: os funcionários da agência cuidariam do levantamento do orçamento, dos prazos e outros detalhes, informando ao pesquisador, que escolheria dentre as opções a que mais bem servisse a seu projeto. Muitos insumos de consumo comum poderiam ser importados em quantidade maior, permitindo a negociação de condições mais vantajosas com os fornecedores. Isso faria também que as verbas não precisassem ser movimentadas muitas vezes: para o orçamento das agências financiadoras, para a conta dos projetos, para a conta dos fornecedores... - aumentando a racionalidade e diminuindo os custos de movimentação financeira.

- Esta ideia parece que já havia sido engatilhada, mas não sei em que pé está: uma Agência Brasileira de Notícias Científicas e Acadêmicas. Seria um grande portal, talvez no estilo do EurekAlert, que divulgaria as pesquisas financiadas pelo MCT e outras agências de fomento à pesquisa e os trabalhos das IES brasileiras: em especial das federais. Muitas IES possuem sua própria agência de notícias, e elas poderiam continuar a existir, a agência nacional filtraria as que teriam interesse em nível nacional e internacional. IES menores que não teriam como manter uma agência própria poderia se valer desse serviço, haveria uma maior visibilidade da pesquisa nacional e uma maior facilidade de acesso tanto pelos veículos noticiosos quanto pela população.

- Este projeto para ser tocado em conjunto com o MMA, o MME e outros órgãos relevantes: a substituição das lâmpadas incandescentes e fluorescentes por lâmpadas LED de alto brilho. As fluorescentes são ainda mais baratas do que as LED, mas a maioria são xing-lings sem certificação e poluentes; e mais, só uns 6% recebem tratamento adequado para descarte. As LED não levam pó de fósforo nem vapor de mercúrio, sendo totalmente recicláveis. Há pesquisa nacional para lâmpadas nanoLED mais eficientes: as lâmpadas poderiam ser produzidas aqui, gerando empregos; e um programa dessa natureza daria escala para reduzir os custos de produção e as lâmpadas poderiam até ser exportadas.

- Banco Online de Dados de Georreferenciamento de Espécimes Nativos. Um grande banco de dados online em que os pesquisadores forneceriam os dados padrões de espécimes coletados (como espécie, dados biométricos e fenéticos, local e data de coleta, local em que foi depositado e outros): os coletados em território nacional, os coletados com financiamento de órgãos brasileiros. Não necessariamente de caráter obrigatório. E poderia ser ampliado para a colaboração com outros países do Mercosul, da América Latina ou mesmo do resto do mundo. Isso seria importantíssimo para o mapeamento da biodiversidade brasileira, análise da dinâmica populacional, do impacto das atividades humanas, etc. *Roberto Berlinck, do Quiprona, nos comentários e pelo twitter, informa que o SIS-Biota terá um banco de dados georrerenciados - mas não sei se será fechado somente para os dados das pesquisas que fazem parte do projeto. A idéia seria um BD aberto para todos os pesquisadores que trabalharem com coleta de espécimes alimentarem o sistema com informações - como o GenBank em relação a dados biomoleculares. *** Outro projeto nacional similar é o SiBBr (Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira). As instituições pedem como contrapartida verbas para proteção de suas coleções com melhorias de infraestrutura.

- Biblioteca Digital de Obras e Documentos Históricos e Científicos Raros. Diversas instituições possuem em suas coleções obras raras de inestimável valor histórico e científico. Por razões de conservação e segurança, são de acesso restrito. A digitalização delas permitiria a consulta sem riscos de danos à obra, e facilitaria a consulta pelos pesquisadores e daria acesso ao público em geral.

Upideite(06/jan/2011): - Em conjunto com o IBGE, criar um banco de dados estatísticos nos moldes do GSS, que permite a busca com cruzamento de parâmetros. A base são microdados de pesquisas de opinião que se pode consultar agregando-se os dados de modo mais livre - sem que seja possível acessar dados individualizados. O IBGE tem o SIDRA, um excelente instrumento, mas voltado para parâmetros econômicos e populacionais (e não tão versátil quanto a base do GSS). Todas as pesquisas de opinião encomendadas por órgãos governamentais seriam carregadas nessa base. Poderia incluir pesquisas de outra natureza também: por exemplo, integrando os dados do Enem e do Enade - seria possível fazer um cruzamento de dados entre desempenho e renda familiar, desempenho por cidade, comparar a razão sexual por faixa etária de estudantes, etc.

Upideite(08/jan/2011): Com a profusão de 'olimpíadas' de diversas áreas das ciências: física, química, biologia, matemática, etc., poderiam, em conjunto com o MEC, aproveitar a realização dos Jogos Olímpicos de Verão Rio 2016 para organizar aqui também uma Olimpíada Científica Multimodal - umas duas semanas concentrando as finais mundiais de todas as áreas. (Sei que muitos educadores têm restrições quanto ao caráter competitivo e 'conteudista' - e entendo a bronca deles - dessas iniciativas, mas seria uma boa oportunidade de fomentar a educação, a disseminação e a cultura científicas.) **Parece que a SBPC e a ABC estão levando essa proposta adiante (não sei se em caráter internacional ou nacional).

*Upideite(08/jan/2011): adido a esta data.

**Upideite(26/jun/2012): adido a esta data. Via @SangariBR.

***Upideite(27/mai/2013): adido a esta data. Via @scienceblogsbr.

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