CONCURSO CULTURAL

Concorra a um exemplar de "Em Busca do Infinito".

quinta-feira, 3 de março de 2011

Documento GR: Aquecimento Global

Aqui manterei a compilação de todas as postagens no GR sobre "aquecimento global" e "mudanças climáticas".

Série que apresenta os indícios que levam os cientistas a concluírem que passamos por uma época em que a temperatura média do planeta está aumentada e que a ação humana tem um papel importante nessa alteração.
Aquecimento global (parte 1 de 3)
Aquecimento global (parte 2 de 3)
Aquecimento global (parte 3 de 3)

Comentários e respostas aos comentários sobre a série acima.
Aquecimento global (parte 1 de 3): leitor comenta
Aquecimento global (parte 1 de 3): resposta
Aquecimento global (parte 1 de 3): leitor comenta (2)
Aquecimento global (parte 1 de 3): resposta (2)

Postagens com observações a respeito de matérias na imprensa e em outros blogues.
O papel do CO2 nas mudanças climáticas‏ - a respeito de um artigo no Observatório da Imprensa
Jogo dos erros - sobre as objeções de Luiz Carlos Molion da UFAL à hipótese do aquecimento global
Quente ou frio? Quente - frio em alguns lugares, às vezes. - sobre postagem no blogue do Nassif
Jogo dos erros 3, Jogo dos erros 3b, Jogo dos erros 3c, Jogo dos erros 3d - sobre a entrevista de Ricardo Augusto Felício da USP ao Programa do Jô negando o aquecimento global.
Jogo dos erros 4 - sobre a carta de Molion, Felício e cia.
Jogo dos erros 5 - contra-argumentos a uma coluna da Folha.
Jogo dos erros 6 - análise de mais um texto de Luiz Molion.
Perdendo-se na linha fina: como o G1 atribuiu o aquecimento global a causas naturais - como o G1 inverteu completamente o achado de um trabalho científico.

A respeito dos emails roubados dos pesquisadores da East Anglia.
Dos email roubados dos cientistas do IPCC
Mais sobre os emails roubados - a coisa tá ficando feia...
Mais sobre os emails roubados - agora pegaram uma coisa séria

Outros.
O cálculo da forçante radioativa - link para livro sobre o, claro, cálculo dessa variável.
Ceticismo sobre o ex-"ceticismo" de Lomborg
Como estão as previsões sobre a temperatura? - comparação das previsões feitas pelos relatórios do IPCC e os dados reais obtidos.

------
Nos comentários das postagens acima há também complementações em respostas às observações dos leitores.

27 comentários:

Daniel Toledo disse...

Takata,
Parabéns pelo blog. Utilizei algumas das suas informações para responder a um amigo que viu a "entrevista" do prof. Ricardo Felício no programa Jô Soares e ficou convencido que o Aquecimento Global não existe.
Sendo assim, nada mais justo compartilhar com você as análises que fiz sobre a dita "entrevista".
Abçs,
Daniel

----------------------------

Assisti no Youtube a entrevista que o prof. Ricardo Felício concedeu no programa do Jô Soares, e fiquei impressionado com as afirmações que ele apresentou, como “não existe camada de ozônio”, o aquecimento global é uma farsa, não há uma tendência de derretimento do gelo dos pólos, etc, contrariando as informações que tenho lido há alguns anos em diversos trabalhos científicos.
Obs: Aqui segue o endereço da internet com vídeo no Youtube da entrevista do prof. Ricardo Felício:
http://www.youtube.com/watch?v=luAgwYvwu2I (parte 01)
http://www.youtube.com/watch?v=N5WtxGqFBmw (parte 02)
Lógico que isso despertou minha curiosidade e, para verificar a consistência dos argumentos apresentados, realizei um pesquisa extensa, lendo dezenas de trabalhos científicos nas últimas semanas.
Infelizmente a conclusão é de que as afirmações que ele apresentou distorceram dados científicos, o que é uma conduta pouco aceitável para alguém na posição dele.
Que fique bem clara minha posição: uma coisa é contestar a validade de uma teoria científica e apresentar alternativas, isso é parte do processo científico e é uma discussão benéfica. Outra coisa é ignorar ou alterar dados científicos para justificar um ponto de vista pessoal, o que pode ser caracterizado como má-fé.
Durante a entrevista também houve uma certa falta de ética a postura de acusar os cientistas que acreditam no Aquecimento Global, de serem mentirosos, “cientistas vendidos”, “chapa branca”, e responsáveis por defenderem uma “física impossível”, a “maior falácia científica”, etc. Mais absurdo ainda é acusar esses mesmos cientistas de estarem a serviço de uma conspiração internacional para “manter na coleira” os países em desenvolvimento, uma teoria da conspiração que necessitaria da participação de 97% dos cientistas da área climática (esse número é explicado ao final do texto). Será isso mesmo possível?? Só 3% são honestos??? Acrescento ainda que participaram do 4º relatório do IPCC (detalhes mais adiante), elaborando e revisando o relatório final, mais de 2.500 cientistas, de 130 países. E todos fazem parte dessa conspiração?
Não há como ter certeza da motivação que o levou o prof. Ricardo Felício a adotar esse discurso polêmico, mas está claro que sendo uma das poucas vozes destoantes no tema ele garante mais espaço na mídia para sua autopromoção. Essa posição controversa é justamente o que a mídia procura para conseguir audiência, e o prof. Ricardo se encaixou nesse papel. Provavelmente ele não teria tido tantos convites para entrevistas se defendesse a corrente majoritária, onde seria apenas mais uma voz no meio da multidão.
Baseado no video do Youtube (link mais acima), abaixo são comentados, na mesma ordem que aparecem na entrevista, os pontos abordados pelo prof. Ricardo Felício, trazendo informações científicas recentes e apresentando as fontes. Com destaque em negrito e entre aspas estão reproduzidas as afirmações feitas por ele.

Daniel Toledo disse...

DERRETIMENTO DO GELO (Ártico) - (aos 2min e 15s da entrevista)

Quando perguntado pelo Jô Soares sobre se o gelo está derretendo devido ao aquecimento global, ele responde: “o gelo derrete e congela de novo, tem os seus ciclos” (aos 04min e 13s), dando a entender que o volume gelo não está diminuindo com o passar dos anos.
Contudo, os estudos apresentam resultados diferentes. Como exemplo temos as informações apresentadas pelo cientista Peter Wadhams que tem feito trabalho de campo no Ártico medindo a densidade do gelo, desde a década de 1970 (ou seja, este cientista não está no escritório, ele está no local todos os anos, presenciando e medindo as mudanças no gelo ártico).
A seguir um trecho de entrevista onde o citado cientista relata o que têm presenciado durante esses anos quanto ao processo de diminuição do gelo na região:
“Minha primeira visita ao Ártico foi em 1970, a bordo de um navio quebra-gelo canadense que estava fazendo seu primeiro levantamento oceonográfico do Mar de Beaufort, que fica no norte da costa ártica canadense. Para atingir o gelo pesado e denso, tínhamos de percorrer no máximo 80 milhas (cerca de 50km) para fazer a pesquisa. E isso em agosto (verão no Norte). Hoje, na mesma época do ano, o Mar de Beaufort inteiro está aberto e você pode navegar centenas de milhas em direção ao Polo Norte até conseguir atingir o gelo.”
Segue a seguir link de uma entrevista com o citado cientista onde ele comenta o resultado de suas observações, confirmando a continua perda de gelo no Ártico: http://www.yousol.com/j/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=9648

Outro exemplo muito interessante a respeito do derretimento do gelo é resultado de um estudo que analisou dados sobre a espessura do gelo coletados por submarinos nucleares que cruzavam o Ártico (entre 1958 a 2000), bem como coletados por satélites (a partir de 2003). O resultado desse estudo demonstrou claramente que houve um declínio de 1,75 metros na espessura média da capa de gelo ártico:
“A recent study examined sea ice thickness records from submarines and ICESat observations from 1958 to 2008 (Kwok and Rothrock 2009). Examining 42 years of submarine records (1958 to 2000), and a five years of ICESat records (2003 to 2008), the authors determined that mean Arctic sea ice thickness declined from 3.64 meters in 1980 to 1.89 meters in 2008—a decline of 1.75 meters.” (fonte: http://nsidc.org/cryosphere/sotc/sea_ice.html)
Tradução livre: Um estudo recente examinou os dados quanto à espessura do gelo marinho registrados a partir de submarinos e observações de satélites ICESat entre 1958 e 2008. Examinando 42 anos de registros dos submarinos (1958 a 2000) e cinco anos de registros dos satélites ICESat (2003 a 2008), os autores determinaram que a média da espessura do gelo no Ártico declinou de 3,64 metros em 1980 para 1,89 metros em 2008, um declínio de 1,75 metros.

Daniel Toledo disse...

Por fim temos dois gráficos, um produzido pela NASA, resumindo os dados coletados por satélites sobre a variação da massa de gelo no Ártico, onde claramente se observa uma tendência de redução (linha verde):

Origem do gráfico: http://www.nasa.gov/images/content/416685main_20100108_Climate_1.jpg

E o segundo gráfico, com resultados recentes sobre a redução do gelo no Ártico, que mostra que em agosto de 2012, um novo recorde de derretimento foi alcançado para essa época do ano.
(fonte: http://www.bbc.co.uk/news/science-environment-19330307)


Origem do gráfico: http://nsidc.org/arcticseaicenews/files/2012/08/Figure21.png

Conclusão: conforme as informações acima, temos que a cada verão no Ártico, a área coberta por gelo gradativamente está ficando menor, bem como a espessura do gelo já foi reduzida em média 48% (1,75m). Então parece que o Prof. Ricardo está equivocado quando afirmou que não há aumento no derretimento do gelo, pois dados muito claros comprovam o contrário. Aliás, vale ressaltar que nesse tópico específico ele não está indo contra uma mera teoria, mas contra fatos observados e documentados durante décadas. Vale a pena destacar ainda que, apesar do gelo do ártico não contribuir para a elevação do nível do mar (pois se encontra flutuando na água), o derretimento da capa de gelo diminui a taxa reflexão da radiação solar (albedo), o que aumenta a absorção de calor pelo mar, mecanismo que contribui para o aquecimento global (feedback positivo).

Daniel Toledo disse...

NIVEL DO MAR (05 min e 30s)

Depois o Jô perguntou se o nível do mar não estava aumentando. Ele respondeu categoricamente que: “o nível do mar continua no mesmo lugar” (aos 05min e 34s).
Análises: o prof. Ricardo não diz de onde ele tirou essa informação, ou seja, se há dados ou estudos que amparam sua afirmação. Aliás, os estudos que encontrei afirmam exatamente o contrário. Veja nesse artigo publicado na revista Newscience, que o nível do mar subiu 17 cm durante o século XX:
“The oceans are already rising. Global average sea level rose about 17 centimetres in the 20th century, and the rate of rise is increasing.”
(fonte: http://efdl.cims.nyu.edu/publications/public_media/newscientist_sealevel_09.pdf)
Tradução livre: Os oceanos já estão se elevando. O nível médio global do mar subiu 17 centímetros no século 20, e a taxa de elevação está aumentando.
Em outro artigo, desta vez publicado pela Universidade de Copenhague, um outro cientista comenta que de acordo com dados de medições realizados ao redor do mundo desde 1880, o nível do mar subiu quase 20 cm desde 1880:
"Measurements around the world show that sea level has risen almost 20 centimeters since 1880," explains Professor Stefan Rahmstorf of the Potsdam Institute for Climate Impact Research, who will give the plenary speech on sea level rise at the congress...”. (fonte: http://climatecongress.ku.dk/newsroom/rising_sealevels/)
Tradução livre: “Medições ao redor do mundo demonstra que o nível do mar subiu quase 20 centímetros desde 1880”, explica o professor Stefan Rahmstorf, do Instituto Postdam para a Pesquisa de Impacto Climático, que vai apresentar o discuso em plenário sobre o aumento do nível do mar no congresso.
E ainda no site do Instituto Max-Planck da Alemanha, mais um artigo indicando a continua elevação do nível médio do mar ano após ano, afirmação esta baseada em medições bastante precisas, feitas por satélites a partir de 1993:
“(,,,) since the advent of satellite altimetry in 1993, much more accurate observations of global sea level variations exist: between 1993 and 2003, global mean sea level rose by approximately 3.1 mm per year, which represents a considerable acceleration over previous periods” (fonte: http://www.mpimet.mpg.de/en/news/press/faq-frequently-asked-questions/how-much-will-the-sea-level-rise.html)
Tradução livre: desde o advento da altimetria por satélite em 1993, observações muito mais acuradas sobre a variação global do nível do mar existem: entre 1993 e 2003, o nível global médio do mar aumentou aproximadamente 3,1 mm ao ano, o que representa uma considerável aceleração diante períodos anteriores.
Finalizo com um gráfico retirado do site da NASA resumindo os dados sobre elevação do nível do mar, que demonstra claramente a elevação ocorrida nas última décadas:


Origem do gráfico: http://earthobservatory.nasa.gov/Features/OceanCooling/images/sea_level_total.gif

Conclusão: parece que o prof. Ricardo está novamente equivocado quando afirmou ao Jô que o nível do mar não está se elevando, e novamente está indo contra dados observados e medidos, ou seja, contra fatos e não uma “teoria” de que o nível médio do mar está aos poucos subindo durante as décadas recentes.
Após afirmar que o nível do mar não está subindo, o prof. Ricardo comenta ainda que, segundo o IPCC, o aumento esperado do nível do mar ao final deste século seria apenas de 50 cm, dando a entender que tal medida é pouco significante.

Daniel Toledo disse...

Contudo diversos estudos apontam impactos relevantes caso a previsão se concretize. Veja como exemplo essa notícia que aborda o resultado de estudo realizado pela UFPE com relação às consequências para Recife de um aumento de “só” 50cm no nível médio do mar:
“Um estudo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) analisou todo o litoral brasileiro e apontou as quatro regiões de maior risco de inundação no futuro com o aumento do nível do mar. São elas, o Recife, o Rio de Janeiro, Santa Catarina e a Baixada Santista. As projeções levaram em conta o aumento do nível do mar em 50 centímetros e em um metro. O Recife aparece na posição mais desfavorável nas duas opções.
O resultado é preocupante. No caso de um aumento do nível do mar em meio metro, cidades da região metropolitana teriam 40 quilômetros quadrados de área inundada. Na hipótese de um metro, a água chegaria a quase 54 quilômetros quadrados.”
(fonte: http://www.apolo11.com/mudancas_climaticas.php?titulo=Recife_esta_entre_as_regioes_mais_ameacadas_pelo_avanco_do_mar&posic=dat_20091221-081715.inc)
E não é só no Brasil que existem lugares vulneráveis ao aumento do mar em meio metro. Estima-se que mais de 200 milhões de pessoas vivem em locais similares ao redor do mundo. Há, por exemplo, países insulares como Tuvalu, Ilhas Marshal, Kiribati e Vanuatu que vão simplesmente desaparecer (durante as mares altas) diante de um aumento de meio metro no nível médio do mar. Vale destacar que só no oceano Pacifico existem 22 nações em ilhas com mais de 7 milhões de residentes que vão ser afetados em diversos graus. Atualmente isto já está criando problemas de migração. (fonte: http://www.washingtontimes.com/news/2009/apr/19/rising-sea-levels-in-pacific-create-wave-of-migran/?page=all)

Daniel Toledo disse...

Cabe aqui uma observação: porque meio metro pode causar tanto problema? Por causa que isso vai aumentar o pico da maré alta em relação ao nível do solo. Só aqui em Recife, a maré alta chega a dois metros e meio, e a cidade está hoje na média apenas a 04 metros acima do nível do mar, existindo lugares abaixo disso, locais que vão ficar alagados durante mares altas mais intensas. Caso a maré alta seja ainda associada com chuvas intensas, a água da chuva não vai ter para onde escoar, e as cheias vão ser muito mais fortes do que hoje em dia.
Conclusão: um aumento de 50 cm, segundo algumas previsões, irão resultar em um grande impacto para certas áreas costeiras (inclusive Recife), diferentemente do que o comentário do Prof. Ricardo dá a entender. Aliás, conforme informação que acrescentei no parágrafo logo abaixo, esse cálculo de 50cm é de 2007. Os dados mais atuais coletados por satélite, indicam uma aceleração do processo de aumento anual do nível médio do mar (vide o artigo do Instituto Max-Planck da Alemanha citado anteriormente) e, portanto, já se calcula que o aumento total nesse século será o dobro do antes previsto, chegando a 01 metro.
Conforme explicação apresentada por Eric Rignot, professor da Universidade da Califórnia e pesquisador da NASA, o cenário calculado de um aumento de 50 cm apresentado pelo IPCC foi estimado em 2007, e nessa data se deu pouca relevância à possível influência do derretimento do manto de gelo do Groenlândia e da Antártida nesse processo, por haverem poucos dados confiáveis sobre esses locais. Contudo, de acordo com dados coletados nos últimos anos, a contribuição do derretimento do gelo desses locais é sim relevante, e se for levado em consideração, se calcula que a elevação do nível do mar será pelo menos o dobro do previsto anteriormente pelo IPCC. Veja esse trecho a respeito:
Eric Rignot, Professor of Earth System Science at the University of California Irvine and Senior Research Scientist at NASA's Jet Propulsion Laboratory.
"The numbers from the last IPCC are a lower bound because it was recognized at the time that there was a lot of uncertainty about ice sheets. The numerical models used at the time did not have a complete representation of outlet glaciers and their interactions with the ocean. The results gathered in the last 2-3 years show that these are fundamental aspects that cannot be overlooked. As a result of the acceleration of outlet glaciers over large regions, the ice sheets in Greenland and Antarctica are already contributing more and faster to sea level rise than anticipated. If this trend continues, we are likely to witness sea level rise one meter or more by year 2100", he says.
(fonte: http://www.sciencedaily.com/releases/2009/03/090310104742.htm)
Tradução livre: Os números do último IPCC representam um limite inferior porque foi reconhecido àquela época que havia bastante incerteza sobre capas de gelo. Os modelos numéricos usados à época, não tinham um completa representação das geleiras e suas inteirações com o oceano. Os resultados obtidos nos último 2, 3 anos demonstram que eles são aspectos fundamentais que não podem ser neglicenciados. Como resultado da aceleração das geleiras sobre grandes regiões, as capas de gelo na Groenlândia e na Antártida já estão contribuindo mais e rapidamente para e elevação do nível do mar que que antes antecipado. Se essa tendência continuar, nós iremos testemunhar um aumento no nível do mar de um metro ou mais por volta de 2100.

Daniel Toledo disse...

Sobre a elevação do nível do mar, para finalizar, acrescento abaixo um gráfico que apresenta em vermelho os valores medidos entre 1870 e hoje, indicando claramente um processo de elevação. Já em azul, são apresentadas 03 diferentes projeções sobre o futuro nível do mar, sendo a prejeção de 2007 do IPCC é a mais conservadora de todas. Cabe acrescentar que as outras duas projeções são decorrentes de trabalhos científicos, submetidos à revisão para aprovação em revistas cientificas (procedimento denominado peer-review), e não meros “achismos”:
Fonte: http://www.wunderground.com/blog/JeffMasters/comment.html?entrynum=1255&page=33
Obs.: o artigo de onde foi extraído o gráfico acima, também critica o IPCC pelo conservadorismo nos números apresentados (0,5m), entendendo que a elevação vai superior a isso:
“In a 2009 interview with New Scientist magazine, sea level expert Stephan Rahmstorf said, "I sense that now a majority of sea level experts would agree with me that the IPCC projections are much too low." This sentiment was echoed by glaciologist Robert Bindschadler of the NASA Goddard Space Flight Center in Greenbelt, Maryland, who commented, "most of my community is comfortable expecting at least a metre by the end of this century".”
Tradução livre: Em uma entrevista de 2009 para a revista New Scientist, o expert em nível do mar disse, “Eu percebo agora que a maioria dos experts em nível do mar devem concordar comigo que as projeções do IPCC são muito baixas”. Esse sentimento foi repetido pelo glaciologista Robert Bindschadler of the MASA Goddard Space Flight Center in Greenbelt, Maryland, que comentou, “a maioria da minha comunidade está confortavelmente esperando pelo menos um metro ao final deste século.”

O prof. Ricardo prossegue a entrevista afirmando que para elevar o nível dos mares, que “primeiro se fosse para derreter alguma coisa teria que ser a Antártica, então ai sim você teria uma elevação do nível considerável, mas para derreter a Antártida, cá para nós, você tem que ter uma temperatura na Terra assim uns vinte, trinta graus muito mais elevado” (aos 05min e 40s).

Daniel Toledo disse...

Análises: Ele não citou novamente qualquer estudo indicasse que apenas no caso de um aumento de 20 a 30 graus na temperatura do planeta é ocorreria um derretimento na Antártida capaz de elevar o nível do mar. Aliás, 20 ou 30 graus de elevação da temperatura, provavelmente a maioria das formas de vida já teriam sido extintas. Basta somar 30 graus as temperaturas atuais para ver onde isso nos levaria.
Além disso, pelos estudos atuais não seria necessário um derretimento total da Antártida para termos uma elevação considerável do nível do mar, pois um derretimento parcial dela, ou mesmo da capa de gelo da Groenlândia, é suficiente para um grande impacto. Conforme dados geológicos, temperatura mais elevadas em alguns graus no passado já foram suficientes para uma aumento de vários metros no nível do mar. Nesse sentido, temos como por exemplo um trabalho produzido pelas principais instituições científicas australianas, incluindo a Academia de Ciências da Austrália e a Universidade Nacional da Austrália. No documento em questão, é explicado que há 125.000 anos atrás, quando a temperatura média nos polos era 3ºC a 5ºC mais alta do que hoje, o nível dos oceanos era 4 a 6 metros maior que o atual.
“At the time of the last interglacial period, about 125,000 years ago, sea level was likely 4–6 m higher than it was during the 20 th century, at polar average temperatures 3°C to 5°C higher than present values. Loss of ice from the Greenland Ice Sheet was likely to have contributed no more than 4 m.”
Fonte: http://www.cmar.csiro.au/sealevel/downloads/797655_16br01_slr_080911.pdf
Tratução: ao tempo da último período interglacial, ao redor de 125.000 anos atrás, o nível do mar era ao redor de 4 a 6 metros mais alto do que durante o século 20, a temperaturas médias polares entre 3 a 5ºC mais altas do que os valores atuais
Conclusão: Portanto, diferentemente do que dá a entender o prof. Ricardo, não é preciso um aumento de 20 a 30 graus na temperatura do mundo para um impacto significativo no aumento do nível do mar. Em uma época onde as temperaturas polares eram apenas de 3ºC a 5ºC mais altas que hoje, os oceanos estavam de 4 a 6 metros mais altos, o suficiente para enormes impactos.
EFEITO ESTUFA (07min e 15s)
O Jô perguntou sobre a existência do Efeito Estufa. Quanto a esse tema o Prof. Respondeu que “esse é o pior de todos, esse é uma física impossível”, e continua dizendo que “é a maior falácia cientifica que existe na história, primeiro porque ele é baseado num conceito cientifico que não existe”. (grifos meus)
Comentários: As afirmações do prof. Ricardo beiram ao absurdo, posto que o Efeito Estufa provocado por gazes já é conhecido há mais de 150 anos!!! Deve ser a “falácia” mais antiga da ciência!
O Efeito Estufa causado por certos gases foi descoberto pelo britânico John Tyndall, considerado um dos grandes cientistas do século 19. Ele fez importantes contribuições em física, geologia e ciência atmosférica. Em 1859, começou a estudar a capacidade de diferentes gases em absorver ou transmitir calor. Ele descobriu que os principais gases atmosféricos, oxigênio e nitrogênio são quase transparentes à radiação térmica, ou seja, não impedem a passagem do calor. Já gases como o vapor d'água, metano e CO2, seriam bons absorvedores de radiação térmica, “aprisionando” o calor.
Diante disso ele afirmou que sem os gases de efeito estufa a Terra não conseguiria reter o calor do Sol e, portanto, seria muito mais fria. Logo, o Efeito Estufa em determinado grau é essencial à vida.
Portanto o efeito estufa provocado por certos gases não tem nada de novo, e foi descoberto muito antes dessa discussão sobre aquecimento global antropogênico. Vale acrescentar que é fenômeno amplamente aceito pela comunidade científica, e inclusive é ensinado em todas as escolas. Portanto, classificar o Efeito Estufa como “física impossível”, e “a maior falácia científica” beira a desonestidade intelectual.

Daniel Toledo disse...

Apenas para deixar bem claro faço uma observação: Efeito Estufa e Aquecimento Global Antropogênico (antropogênico = decorrente das atividades humanas) NÃO são a mesma coisa. O primeiro é usado como base para explicar o segundo, apenas isso! Aliás, refletindo sobre o assunto, me parece bastante razoável questionar se a teoria do Aquecimento Global Antropogênico é ou não uma teoria válida, pois depende de modelos computacionais que envolvem enorme quantidade de variáveis e projeções. Mas afirmar que o Efeito Estufa, efeito atmosférico provocado por gazes como o CO2 e o metano, é uma “falácia”, é algo muito diferente, pois a física a respeito dos gases de efeito estufa é bem estabelecida e não é novidade desde o século 19!

EFEITO ESTUFA NO PLANETA VÊNUS (08min e 05s)
O prof. Ricardo então cita o caso do planeta Vênus, que segundo ele é usado como argumento pelos cientistas para exemplificar um caso extremo de Efeito Estufa, parafraseando-os: “– Não, mas o maior exemplo de que o CO2 acabaria com o planeta Terra é Vênus – aí eu falo, qual é a pressão atmosférica em Vênus? É 90 vezes a pressão atmosférica da Terra, portanto a temperatura lá é de 400 graus na superfície, não é por causa do CO2, é por causa da pressão atmosférica da atmosfera de Vênus. ”
Resumindo, ele argumenta que como a pressão é muito maior em Vênus essa é a causa maior das altas temperatura naquele planeta, e não o CO2 presente na atmosfera.
Análises: Seguindo o raciocínio do prof. Ricardo, então se o fator importante é a pressão, como explicar que Saturno, o qual tem uma pressão atmosférica bem maior do que a Terra, tem uma temperatura baixíssima (-125ºC). A consequência é simples: não é a pressão atmosférica que é a principal responsável pela temperatura elevada em Vênus.
Cabe destacar aqui, algumas informações relevantes que ele omitiu:
1- A atmosfera de Vênus é formada quase totalmente por CO2 (96,5%). Então será que é razoável que essa quantidade de CO2 não tenha nenhuma influência sobre a temperatura daquele planeta??
2- Vênus está bem mais perto do Sol do que a Terra, logo recebe mais radiação solar que nosso planeta.
(Fonte: http://www.planetary.brown.edu/pdfs/2875.pdf)

Daniel Toledo disse...

O prof. Ricardo, também não comentou qual a fonte dessa teoria a respeito de Vênus na qual ele embasa seu discurso. Então realizei pesquisas tentando localizar alguma fonte. Apenas encontrei um artigo em inglês publicado num site desconhecido, onde o autor, chamado Steven Goddard, apresenta exatamente esse argumento, afirmando que é a pressão atmosférica elevada e não o CO2 que causa as altas temperaturas em Vênus. Aqui vai o link para consultas: http://wattsupwiththat.com/2010/05/06/hyperventilating-on-venus/
Segundo esse autor, seria impossível que o CO2 fosse o responsável pelas altas temperaturas na superfície de Vênus, simplesmente porque as nuvens na atmosfera são muito densas, com elevado índice de reflexão dos raios solares (albedo), o que evita que qualquer radiação emitida pelo Sol atinja e aqueça a superfície do planeta. Dessa forma a superfície não é aquecida diretamente pelo Sol, não gerando qualquer radiação térmica que possa ser aprisionada pelo CO2 da atmosfera. Ele conclui que como não há aquecimento da superfície do planeta pelo Sol, deve haver outra explicação para as altas temperaturas em Vênus, e a explicação seria então a alta pressão atmosférica.
O ponto chave para sustentar essa teoria acima é se está correto que nenhuma radiação solar consegue atingir a superfície de Vênus. Entretanto, ao que parece, esse artigo está errado em relação a esse argumento. Segundo o site da Agência Espacial Europeia (ESA), pelo menos 10% da radiação solar atinge sim a superfície de Vênus, o que, em conjunto com sua atmosfera extremamente saturada de CO2, ocasiona a retenção do calor gerado na superfície até o ponto de elevar as temperaturas a mais de 400ºC. (Fonte: http://www.esa.int/esaMI/Venus_Express/SEMFPY808BE_0.html).
Pertinente lembrar que diversas sondas já foram enviadas a Vênus para estudar sua atmosfera e, portanto, os dados utilizados pela Agência Espacial Europeia são decorrentes de medições e não de especulações.
Nesse mesmo sentido, um estudo realizado a partir de dados coletados pela sonda espacial Pioneer chegou as seguintes conclusões:

“(…) the greenhouse effect can account for essentially all of Venus’ high surface temperature”.
(Fonte: http://www.agu.org/pubs/crossref/1980/JA085iA13p08223.shtml)
Tradução livre: o efeito estufa pode responder essencialmente por toda a alta temperatura da superfície de Vênus.

Daniel Toledo disse...

Por fim, lembro que o efeito estufa em Vênus começou a ser estudado muito antes de existir a atual discussão sobre o aquecimento global, e esse fenômeno é citado em diversos artigos científicos na área de astronomia. Aliás, quem primeiro explicou o mecanismo do efeito estufa em Vênus, foi Carl Sagan em 1960, um dos maiores astrônomos do nosso tempo. (vide artigo relacionado em: http://www.aip.org/history/climate/Venus.htm)
Conclusão: Portanto, ao que parece, a tese defendida pelo prof. Ricardo sobre Vênus, novamente carece de base científica confiável.

CAMADA DE OZÔNIO (09min e 05s)
O prof. Ricardo, perguntado pelo Jô sobre a camada de ozônio, respondeu literalmente: “A camada de ozônio não existe” e diz que essa questão sobre a camada de ozônio foi criada pela indústria diante da queda das patentes dos gases CFC na década de 80. Ao que parece, ele insinua ainda que desde os anos 50 já se sabia que ciclicamente o ozônio sobre a Antártida desaparecia por completo, e afirma que “os caras” sumiram com essa informação.
Análises: Ao contrário do que afirma o prof. Ricardo, a camada de ozônio existe, independente de se considerar que sobre a Antártida ela sempre foi mais delgada que sobre outras áreas. Ela está localizada na Estratosfera, por volta de 25km acima da superfície do nosso planeta.
Cabe destacar que se a camada de ozônio não existisse estaríamos com problemas pois é ela que nos protege da exposição excessiva aos raios ultravioleta emitidos pelo Sol. Eles estão relacionados com a ocorrência de câncer de pele, e o aumento de sua incidência pode afetar negativamente o desenvolvimento do plâncton e de plantas, gerando desequilíbrios em todos os ecossistemas.
Além da equivocada afirmação que a camada de ozônio não existe, o prof. Ricardo esqueceu de comentar que o problema relevante levantado pelos pesquisadores é que se constatou que a cada ano (na primavera, quando o sol reaparece no polo sul) o buraco na camada de ozônio sobre a Antártida aumentava mais em área. Inicialmente esta constatação gerou grande preocupação pois, como consequência, áreas no sul do continente sulamericano começaram a ser expostas a uma quantidade maior de raios ultravioleta, criando riscos para os seres humanos e o ecossistema local.
Pesquisas posteriores descobriram que o ozônio era “destruído” por gases organofluorclorados (CFCs), e medições encontraram uma correlação entre o aumento da concentração dos CFCs e o declínio da quantidade de ozônio sobre a Antártida. Veja e compare os dois gráficos abaixo, um indicando o aumento da concentração anual de CFC, e no outro a diminuição do ozônio:
GRÁFICO 01 – Concentração de CFC x Ano


Origem do gráfico: http://www.atmosphere.mpg.de/media/archive/1427.gif



GRÁFICO 02 – Concentração de Ozônio x Ano


Origem do gráfico: http://ozonewatch.gsfc.nasa.gov/facts/history.html

Daniel Toledo disse...

Ele continua a entrevista dizendo que devido ao fim das patentes do CFC, “a industria toda que detém essas patentes lança um substituto chamado HCFC, que é um organofluorclorado como qualquer outro (...)” (aos 10min e 30s). O que o prof. Ricardo parece alegar na continuação é que houve um grande “esquema” para proteger os rendimentos de grande indústrias químicas, apenas para trocar “seis por meia dúzia”.
Análise: novamente há o prof. Ricardo emite afirmações equivocadas, pois os HCFCs não são como os CFCs em relação ao problema em dois pontos muito importantes:
1º - enquanto a vida média dos CFCs fica entre 45 (CCL3F) e 100 anos (CCL2F2), ou seja, eles se acumulam por até um século na atmosfera, a vida média dos HCFCs fica entre 02 (CHCl2F) e 12 anos (CF3CHCL2), se decompondo muito mais rápido, o que reduz a capacidade de agressão sobre a camada de ozônio.
2º - o potencial de depleção de ozônio dos CFCs é de 20 a 700 vezes maior do que os HCFCs, logo, os HCFCs causam um dano muito menor à camada de ozônio.
(Fonte: http://www.atmosphere.mpg.de/enid/2__Ozone/-_CFC___HCFC_nc.html)

Conclusão: os HCFCs (principalmente o de fórmula CF3CHCL2) são muito menos agressivos à camada de ozônio, sendo equivocada a insinuação implícita feita pelo prof. Ricardo de que CFCs e HCFCs são a mesma coisa em relação ao problema.
Abaixo mais alguns comentários sobre a argumentação do prof. Ricardo a respeito dos CFCs, em pontos que não são relevantes, mas ilustra como ele se baseia em dados equivocados:
O prof. Ricardo conclui em tom sarcástico sobre os HCFCs: “hoje as patentes vencem em 25 anos, então o discurso agora é que os HCFCs milagrosamente descobriram que ele também faz mal para a camada de ozônio e aquecimento global” (aos 11min).
Como visto acima o grau de prejuízo dos HCFCs sobre a camada de ozônio já era conhecido, e é muito menor do que os CFCs. Acrescento que mais recentemente se desenvolveu uma nova família de gases para equipamentos de refrigeração, que são totalmente inertes para a camada de ozônio, os HFCs, posto que todos os átomos de cloro foram substituídos por átomos de hidrogênio. (mais informações em: http://fabioferrazdr.files.wordpress.com/2008/09/ref1_total1.pdf)
Na continuação comenta que a indústria desenvolveu um novo gás (que já citei acima, o HFC) e acrescenta que este “não vão funcionar nos outros equipamentos” (aos 11min e 25s), ou seja, argumenta que os equipamentos de refrigeração atualmente em uso, para usar esse novo tipo de gás de refrigeração teriam que ser todos trocados.
Contudo, segundo informação extraída do site da empresa fabricante (Dupont), o novo gás refrigerante desenvolvido, o HFC tipo R-437A, poderá ser utilizado nos mesmos equipamentos que já funcionam com CFC ou HCFC. Então, não há a necessidade de troca de equipamentos como afirmado pelo prof. Ricardo.
Veja link com as características o HFC: http://www2.dupont.com/Refrigerants/pt_BR/products/isceon/isceon49_br.html

Daniel Toledo disse...

Por fim, ele afirma que a destruição da camada de ozônio pelo gás CFC nunca foi provada: “uma mentira que é que esse “gasinho” destrói a camada de ozônio (…) uma hipótese que nunca foi provada...” (aos 12min e 15s), e que .
Análise: Infelizmente para o prof. Ricardo, essa correlação entre o CFC e a destruição da camada de ozônio foi provada sim, sendo que os cientistas responsáveis pela descoberta foram agraciados com o Prêmio Nobel em Química.
(vide: http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/chemistry/laureates/1995/molina.html?print=1).
Um estudo da NASA de 2003 reforça essa correlação, apresentado dados de satélite que demonstraram que caiu a taxa de destruição de ozônio na estratosfera após o banimento do uso dos CFCs. (fonte: http://www.sciencedaily.com/releases/2003/07/030730080139.htm)
Na página da NASA ainda há um artigo sobre estudo de 2006 publicado na revista Nature que conclui que na alta estratosfera, a recuperação dos níveis de ozônio pode ser atribuído quase inteiramente à redução de CFC: http://science.nasa.gov/science-news/science-at-nasa/2006/26may_ozone/
Conclusão: As pesquisas citadas acima comprovam o efeito nocivo dos gases CFCs para a camada de Ozônio, contrariando as afirmações do prof. Ricardo. Mais uma vez os argumentos foram apresentados por ele sem qualquer base científica razoável.

Daniel Toledo disse...

DESMATAMENTO DA AMAZÔNIA (aos 15min e 10s)

O Jô pergunta se há influência do desmatamento no clima global. Como resposta o prof. Ricardo responde categoricamente “não existe” (aos 15min e 15s). Pouco depois o Jô comenta então que acha impossível acabarem com a Amazônia, pois há muita água na região. O prof. Ricardo então para reforçar esse comentário do Jô, cita a existência de um aquífero sob a Amazônia, dizendo: São 6 mil quilômetros desse novo aquífero que descobriram embaixo da Amazônia (...). Recentemente descoberto (aos 02min e 19s da parte 02 do vídeo do Youtube).

Análise: Não vejo que relevância isso tem para o tema do aquecimento global, asm já que ele comentou, fiz a análise. Primeiro é bom destacar que o aquífero abaixo da Amazônia, chamado Aquífero Alter do Chão, está a 300 metros ou mais de profundidade, (fonte: http://blog.educacional.com.br/geogrfia/2010/05/07/aquifero-alter-do-chao/), e não conheço árvore que chegue com suas raízes nem a metade disso! Ou seja, esse aquífero não é relevante para o sustento da floresta.
Outra informação falha: segundo o cientista paraense Milton Mata da UFPA, esse aquífero já era conhecido desde a década de 60, logo não foi recentemente descoberto como afirma o prof. Ricardo. (Fonte: http://notapajos.globo.com/lernoticias.asp?id=42187) O que há de novo são estudos, feitos com dados obtidos durante pesquisas sobre existência de petróleo na região, que indicam o seu enorme volume.
Em seguida o prof. Ricardo que “A floresta está lá porque chove, não chove porque tem florestas, entenderam?” (aos 04min e 12s). Ao que parece, com essa colocação, o prof. Ricardo argumenta que a derrubada da floresta amazônica não influenciaria no regime de chuvas, ou seja, as chuvas na região independem da própria floresta.
Análise: Cientistas ligados ao Instituto de Pesquisas da Amazônia (INPA) apresentam informações totalmente diferentes às do prof. Ricardo. Segundo o Dr. Antônio Nobre do INPA, mestre em biologia tropical e doutor em biogeoquímica, a Amazônia, através da evaporação da floresta, joga de volta na atmosfera 20 bilhões de toneladas de água por dia, e com essa informação explica a dimensão da importância da floresta Amazônica para o clima. Abaixo trecho de entrevista concedida pelo Dr. Antônio Nobre:
"Este rio voador, que sai para a atmosfera na forma de vapor, é maior que o maior rio da Terra", diz Antônio, comparando o potencial de chuvas da Amazônia às 17 bilhões de toneladas de água que o Amazonas lança todos os dias no Atlântico.  "Está se descobrindo que a floresta é dez vezes mais importante do que se imaginava", diz ele.  "Estudos mostram que, nas regiões com floresta, a chuva continua igual por 500 km, 2 mil km; nas regiões do mundo onde ela foi tirada, dentro do continente é deserto", explica. (grifos meus)
(...) A transmissão de umidade da Amazônia para o centro agrícola da América do Sul é o que faz produzir e não deixa a área virar deserto. A condição dos Andes é importante, é por isso que o pessoal diz que o Acre é onde o vento faz a curva. Mas é o segundo fator que considero o mais importante: temos uma esponja verde como cabeceira de água na América do Sul, a floresta amazônica. As árvores conseguem evaporar mais água do que os oceanos por unidade de área. (grifos meus)
(Fonte:http://www.istoeamazonia.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1693&Itemid=2)

Daniel Toledo disse...

Em outra entrevista, o cientista Ocimar Manzi reforça a importância da floresta para o regime de chuvas local e de outras regiões do Brasil:
“Então passa a ter uma simbiose da floresta que precisa da chuva ajuda na formação das nuvens que produzem chuva”, diz o pesquisador do Inpa, Antônio Ocimar Manzi.
A floresta não deixa por menos: os cientistas explicam que um metro quadrado de vegetação joga na atmosfera de seis a sete vezes mais água do que um metro quadrado de oceano. A água toda em cima da floresta não fica parada. Ela faz chover também no Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. (grifos meus)
(Fonte: http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2011/05/entenda-como-o-regime-de-chuvas-na-amazonia-regula-o-clima-no-pais.html)

Ainda, segundo um recente estudo da Universidade de Leeds, na Inglaterra, e do Centro de Ecologia e Hidrologia do Conselho de Pesquisa Ambiental Britânico, o desmatamento pode causar uma grave redução das chuvas nos trópicos, com graves consequências para as pessoas, não só nesta região, mas em áreas vizinhas. Segundo esse estudo, publicado na revista Nature, o ar que passa sobre grandes áreas de floresta tropical produz pelo menos duas vezes mais chuva do que o que se move através de áreas com pouca vegetação. Em alguns casos, florestas contribuem para o aumento de precipitação a milhares de quilômetros de distância.
Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/09/120908_amazonia_rp.shtml?print=1

Conclusão: Segundo os dados e explicações de cientistas que estudam especificamente a Amazônia, a floresta é de grande importância para a manutenção do regime de chuvas na própria região e em outras como o sul e o centro-oeste do País. Portanto, as afirmações do prof. Ricardo não encontram respaldo diante dos dados e análises apresentados por pesquisadores especializados em Amazônia.

Daniel Toledo disse...

Em seguida o prof. Ricardo apresenta uma hipótese: “Vamos supor que você tira toda a Amazônia de lá, vinte anos depois está tudo de novo nascendo (aos 04min e 27s, da parte 02 do vídeo). Nesse ponto o prof. Ricardo dá a entender que mesmo se derrubassem toda a floresta ela se regeneraria rapidamente.

Análise: Afirmação simplista onde ele “esqueceu” de comentar alguns pontos muito importantes:

1º – A recuperação de áreas desmatadas não é tão rápida como ele sugere. Segundo um estudo científico, após 10 anos da derrubada de uma área da floresta, se formou uma mata de capoeira muito diferente da floresta original, que em relação à quantidade de biomassa continha apenas 16% do volume da floresta original. O estudo conclui ainda que a recuperação da área de forma a conter o mesmo volume de biomassa da floresta original leva entre 51 a 190 anos!! (fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0044-59672007000100005)

2º - Sem a floresta para proteger o solo da lixiviação pela incidência direta da chuva, a camada superficial do solo, justamente aquela que é fértil, seria rapidamente carregada para dentro dos rios, deixando a mostra um solo pobre e arenoso.

3º – Rios menores seriam afetados pelo processo de assoreamento devido ao carreamento do solo pelas chuvas para o leito destes, com consequente redução em sua vazão. É um processo que já se observa em outras partes do Brasil.

4º – Se toda a floresta fosse derrubada, como na hipótese sugerida, significaria que as espécies endêmicas de plantas e animais seriam extintos e não teriam como serem repostos. Isso significa que a vegetação que voltaria a crescer não seria a mesma, sendo muito mais pobre em biodiversidade. Aliás, vários cientistas projetam que no caso da destruição da floresta, ela seria reposta por uma vegetação do tipo savana, similar em estrutura àquela que se encontra no continente africano.

5º – O regime de chuvas vai ser afetado. Como explicado anteriormente, a própria floresta funciona como uma esponja, retendo a água das chuvas que ao invés de escorrerem para os rios, volta para a atmosfera na forma de vapor d'água, alimentando novas nuvens de chuva (chuva de convecção). Claro que a determinação de até que ponto o regime de chuvas vai ser negativamente afetado é uma questão em aberto, mas não parece inteligente “pagar para ver”, pois o preço pode ser alto.

Conclusão: numa hipótese de destruição total, a recuperação da floresta Amazônica mantendo a mesma biodiversidade anterior é impossível, pois espécies animais e vegetais extintas não teriam como serem repostas. Desconsiderando a questão da biodiversidade, por questões ligadas ao solo e ao regime de chuvas, há relevante probabilidade de que a floresta venha a ser substituída por uma vegetação muito mais pobre, possivelmente com uma estrutura similar à savana africana.

Daniel Toledo disse...

RIO +20 (aos 05 min da parte 02 do vídeo do Youtube)
Perguntado por estudante da plateia, o que será discutido na RIO+20, já que afirmado que o aquecimento global não existiria, o prof. Ricardo responde que os governos das nações ricas “vão discutir como manter suas colônias na coleira” (aos 05min e 13s).
A argumentação do prof. Ricardo é que assuntos como Destruição da Camada de Ozônio, Aquecimento Global, e outros ligados à preservação/sustentabilidade na verdade têm por trás uma agenda oculta das grandes potencias para manter o 3º Mundo dominado. Da mesma forma enxerga reuniões como RIO+20, ECO92, COP-15 forúns para impor essas posições. Mais uma vez ele apresenta a ideia de uma grande conspiração internacional.
Sem me alongar demais com essa bobagem de teoria conspiratória, vamos aos fatos históricos e econômicos para ver se eles apontam na direção defendida pelo prof. Ricardo.
Análise: se a teoria do Aquecimento Global é uma forma de dominação dos ricos capitalistas sobre o 3º mundo, quem deveria ser o primeiro a defender essa ideia? Para mim a resposta óbvia seria os EUA. Mas ele é justamente o país que mais põe empecilhos diante de acordos globais para a redução da emissão de gazes do efeito estufa. Vale lembrar que ele foi o único país rico que se recusou a ratificar o Protocolo de Kyoto, o qual quase não entrou em vigor por causa disso. Explico melhor: apenas com a ratificação de no mínimo cinquenta e cinco países e que representassem pelo menos 55% das emissões de gases do efeito estufa ocorridas no ano de 1990 é que o tratado entraria em vigor, e como os EUA são os maiores emissores, quase não se conseguiu atingir esse percentual (dependeu da ratificação pela Rússia para atingir esse percentual).

Daniel Toledo disse...

Outra pergunta: a quem mais seria prejudicial economicamente qualquer atitude limitando a emissão de gazes do efeito estufa (CO2)? Resposta simples: as maiores corporações do Mundo na área de energia (BP, Chevron, ExxonMobil, Peabody Energy Co., Rio Tinto, etc), as quais gastam milhões de dólares fazendo lobby a favor de seus interesses junto ao Senado americano e na mídia. Aliás, esse é um dos motivos que imobilizaram os EUA diante do protocolo de Kyoto.
Portanto, me parece bastante claro que países com interesses econômicos ligados aos combustíveis fosseis são os mais relutantes em chegar a consensos em medidas visando controlar as emissões de gazes do efeito estufa. Nesse grupo são figuras recorrentes Arabia Saudita, Nigéria, Venezuela, Canadá (que se retirou do tratado de Kyoto), China e EUA. Exemplos:
http://envolverde.com.br/noticias/fundo-climatico-e-protocolo-de-kyoto-balancam-em-durban/
Veja como exemplo um trecho do livro “Senhores do Clima” que descreve as reuniões do IPCC:
“Encontrei cientistas que eram membros do IPCC no Centro Hadley, no final de 2004. Eles descreveram os dias cansativos dedicados à argumentação sobre palavras ou expressões irrelevantes. Cada palavra dos enormes relatórios da organização, eles afirmaram, tinha que ser debatida com as delegações da Arábia Saudita, dos Estados Unidos e da China — respectivamente o maior exportador de petróleo, o maior consumidor e o maior usuário de carvão do mundo —, ávidos em atrasar o progresso e suavizar qualquer declaração.” (Senhores do Clima, do cientista Tim Flannery – capitulo 26 - fonte: http://www.inma.org.br/site/mudancas-climaticas/145-pessoas-.html)
Há diversos outros exemplos espalhados pela internet de informações sobre as posições politicas dos países quanto ao tema “Aquecimento Global”, e está claro que não há um complô dos países ricos para “manter na coleira” países do 3º mundo. Na verdade quanto maior a dependência econômica dos combustíveis fosseis, maior a resistência politica em admitir que existe Aquecimento Global, sejam eles ricos (EUA, Canadá, Austrália) ou de 3º mundo (Venezuela, Nigéria, Arabia Saudita, China). Justo acrescentar que há sim um ponto que coloca em lados opostos países ricos e pobres: é quanto à discussão se as metas de redução de gazes do efeito estufa por cada país deve levar em conta a poluição passada ou a poluição atualmente emitida por cada um.
Conclusão: a teoria do prof. Ricardo sobre uma conspiração global dos países ricos não faz sentido diante das posições políticas observadas no passar dos anos. As informações sugerem sim que a teoria do Aquecimento Global recebe suporte ou não, na medida de quanto um determinado país tem sua economia dependente dos combustíveis fósseis.

Daniel Toledo disse...

FIM DA GUERRA FRIA E O AQUECIMENTO GLOBAL (aos 06min e 10s da parte 02 do vídeo do Youtube)
O prof. Ricardo afirma que há uma relação entre a o fim da guerra fria e o surgimento da teoria do Aquecimento Global, pois, em suas palavras “metade do efetivo dos cientistas do mundo trabalhavam para a guerra fria. Acabou a mamata! Se você for pegar o histórico desses cientistas que trabalham com Aquecimento Global hoje, são os mesmos que trabalhavam para todos os desastres atômicos e nucleares e etc e tal.” (aos 06min e 10s)
Análise: essa é um dos exemplos onde o prof. Ricardo pega os fatos e distorce totalmente para criar num passe de mágica um argumento a seu favor. Por que digo isso? Veja a seguir quem são os tais cientistas da guerra fria, e qual a verdadeira posição adotada por eles quanto ao Aquecimento Global:
De forma direta ou de forma indireta (através da institutos privados) Fred Seitz, Fred Singer, William Nierenberg (Bill Nierenberg) e Robert Jastrow são alguns dos maiores oposicionistas ao Aquecimento Global Antropogênico. Mas quem são eles?
Fred Seitz - renomado físico, que trabalhou como consultor em diversos projetos militares relacionados com a segunda guerra mundial. Durante a guerra fria atuou como conselheiro da OTAN. Entre 1962 e 1969 assumiu o cargo de presidente da Academia Nacional de Ciências dos EUA, o que lhe garantiu trânsito junto à Casa Branca, o que utilizou anos depois para influenciar a administração Bush em favor de uma posição contraria ao Aquecimento Global.
É um dos Fundadores do Marshall Institute, instituição que ataca diretamente a existência do Aquecimento Global e da correlação entre CFCs e o buraco na Camada de Ozônio. O maior doador de fundos para o Instituto é a ExxonMobil, gigante do setor petrolífero.
Pertinente acrescentar que anos antes, defendeu ardentemente interesses da indústria do cigarro, pois havia sido contratado como consultor pela R.J. Reynolds Tobacco Co. (2ª maior indústria de cigarros dos EUA) para estimular e prover fundos a pesquisas que concluíssem que o cigarro não fazia mal a saúde.
Muito interessante esse vídeo (em inglês) que aborda e explica um caso muito polêmico onde Fred Seitz manipulou informações para angariar apoio a sua cruzada contrária ao Aquecimento Global (The Oregon Petition): http://www.youtube.com/watch?v=Py2XVILHUjQ

Daniel Toledo disse...

Frederick Singer - outro cientista da época da guerra fria, físico que trabalhava como pesquisador na área de foguetes na década de 50. É um dos grandes céticos do Aquecimento Global e do efeito dos CFCs na camada de ozônio. Ele se tornou afiliado e conselheiro de institutos como o Cato Institute, National Center for Police Analyses e Science and Environmental Policy Project, instituições que têm como patrocinadores empresas do ramo de petróleo e carvão. Também colaborou com a Apco Worldwide, instituição que financiada pela indústria do tabaco, lutava contra a restrição do cigarro, fazendo lobby junto aos políticos americanos.
William Nierenberg - também cientista da época da guerra fria, que participou do desenvolvimento da bomba atômica, e posteriormente trabalhou como conselheiro no Escritório de Ciência e Tecnologia da Casa Branca. Foi um crítico ativo contra a Teoria do Aquecimento Global e em relação à existência do Buraco na Camada de Ozônio. Cofundador do Marshall Institute, que como já comentado, recebe fundos da ExxonMobil.
Robert Jastrow – cientista da NASA, que foi o maior defensor na época da Guerra Fria do projeto de instalação de misseis em satélites chamado “Programa Guerra nas Estrelas”. Posteriormente passou a ser um dos críticos do Aquecimento Global. Também foi cofundador do Marshall Institute. (Fontes: diversas, mas a principal é o livro “Merchants of Doubt” e o site “Sourcewatch”)
Estes senhores, todos cientistas egressos da Guerra Fria, se tornaram ao final desta em alguns dos maiores representantes da corrente contraria ao Aquecimento Global Antropogênico.
Não por coincidência, no passado também se posicionaram negando o efeito dos CFCs sobre a camada de ozônio, bem a maioria defendeu a indústria do tabaco, alegando que o fumo não representava riscos à saúde. São afiliados ou fundadores de institutos privados que recebem fundos de empresas da área de petróleo e carvão, e de fabricantes de cigarro. Fica claro que esses cientistas, apesar de renomados, demonstram ter uma “agenda” comprometida com os interesses comerciais de grandes empresas.
Conclusão: Portanto, OPOSTAMENTE ao que defende o prof. Ricardo, os exemplos mais conhecidos de cientistas ligados à Guerra Fria, que depois se envolveram em questões como Buraco da Camada de Ozônio e Aquecimento Global, se posicionaram CONTRA a existência destes e não a favor!! Ou seja, se houver alguma conspiração ligada ao Aquecimento Global, faria muito mais sentido o prof. Ricardo alegar que esteja ocorrendo dentro da corrente que é contra a teoria, dado o histórico de “rabo preso” desses cientistas com empresas muito poderosas, econômica e politicamente.
Pertinente destacar que caso o Aquecimento Global vire um consenso, isso imporia a obrigação aos políticos em adotarem medidas para limitar as emissões de CO2, o que afetaria diretamente os lucros das gigantes do petróleo e do carvão (ex: ExxonMobil). Dessa forma parece lógico que essas empresas “financiem” institutos e cientistas que contradigam a Teoria do Aquecimento Global Antropogênico.
Outros exemplos de cientistas que atuam contra o aquecimento global, mas que têm o mesmo perfil de “vínculo” com grandes interesses corporativos estão detalhadamente apresentados no excelente livro “Merchants of Doubt” - link para um resumo em inglês: http://scienceprogress.org/2010/08/distorting-science-while-invoking-science-2/). Também é interessante este artigo (em inglês) comentando as estratégias politicas adotadas por certos grupos nos EUA contra a teoria do Aquecimento Global: http://www.vanityfair.com/politics/features/2006/05/warming200605
Ainda sugiro a leitura deste artigo em português chamado “Corporações x Ciência: um jogo sujo” :http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/terra-em-transe/corporacoes-x-ciencia-um-jogo-sujo

Daniel Toledo disse...

OUTRAS AFIRMAÇÕES RELACIONADAS AOS CRÍTICOS DO AQUECIMENTO GLOBAL
Além dessas colocações feitas pelo Prof. Ricardo Felício na entrevista ao Jô, a corrente minoritária que não acredita no Aquecimento Global Antropogênico ainda alega recorrentemente que as temperaturas na verdade não estão subindo, ou ainda que é apenas o Sol o responsável por qualquer aquecimento na Terra, sendo irrelevante o papel do acumulo de CO2 na atmosfera devido às atividades humanas. Vejamos o que os dados coletados e estudos científicos dizem sobre isso:
(Obs.: para os dois tópicos abaixo me baseie no texto do blog laedevolta: http://laedevolta.com.br/blog/)
“As temperaturas não estão aumentando″
Não é o que se pode verificar conforme estudo apresentado pela NASA. Segundo essa entidade, desde que se iniciaram as medições, o ano de 2010 foi o mais quente de todos os tempos, num empate técnico com 2005. Mas o dado mais importante: dos 8 anos mais quentes desde a década de 70, 7 ocorreram nos anos 2000. Apenas 1998 que não. Além da NASA, existem vários outros estudos que demonstram a tendência de aumento das médias globais de temperatura.
Link do gráfico: http://laedevolta.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/05/skepticalscience_globalwarming1.jpg
O gráfico acima mostra a variação de temperatura ano a ano desde 1973 e uma linha (em vermelho) de tendência. A figura faz parte de um estudo independente da Universidade da Califórnia em Berkeley que também desmistifica a suposta má qualidade e os problemas de medição das estações meteorológicas de todo o mundo, alegada por alguns críticos. Além deste estudo, o site Skeptical Science mostra (link em português) diversos outros juntamente com inúmeras outros gráficos demonstrando a tendência de aumento das temperaturas médias mundiais.
“O sol é o principal responsável pelo aquecimento no nosso planeta”
Sim, o Sol é um fator mais importante para a determinação das temperaturas na Terra, mas não é o único, e não é o que está causando as atuais elevações de temperatura. Como se pode perceber no gráfico abaixo, onde se confronta a evolução da temperatura e atividade solar nos últimos anos, podemos ver que não há uma correlação (temperatura subindo e atividade solar declinando), o que reforça os indícios da importância do CO2 na atual tendência de elevação da temperatura média global. Veja o gráfico:
Link do gráfico: http://laedevolta.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/05/Solar_vs_Temp_basic.gif
O gráfico acima mostra em vermelho a evolução da temperatura média global, e a linha azul, a irradiação solar total no mesmo período. Repare que até o final da década de 1970, a similaridade entre as duas curvas é muito grande. Depois, a irradiação solar começa a cair enquanto a variação de temperatura aumenta. O sol e o clima estão, na verdade, caminhando em direção opostas.
Este link lista quase 20 estudos científicos que mostram que o Sol não é o responsável pelo atual aquecimento da Terra.

Daniel Toledo disse...

CONSENSO SOBRE EFEITO ESTUFA

Vale a pena comentar que a ciência não está dividida meio a meio sobre se está ocorrendo ou não um Aquecimento Global. Na verdade a grande maioria suporta essa teoria, mas infelizmente a aparência para quem vê uma entrevista como a do prof. Ricardo é que de tudo é ainda muito incerto. Mas não é bem assim: segundo um levantamento extensivo abordando 1.372 pesquisadores da área climática, 98% daqueles que mais publicam trabalhos científicos suportam a teoria do Aquecimento Global Antropogênico.
Fonte: http://www.pnas.org/content/early/2010/06/04/1003187107.full.pdf+html
Em outra pesquisa sobre envolvendo 3.164 cientistas ligados às áreas da geociência, com 90% deles tendo Ph.D, foi apresentada a questão sobre se a temperatura média mundial está ou não subindo, e 90% afirmaram que sim. Quando computados as respostas apenas daqueles com especialização na área de climatologia, o percentual dos que entendem que as temperaturas estão subindo e que a influência das atividades humanas é relevante para o fenômeno, subiu para 96,2%.
Fonte: http://tigger.uic.edu/~pdoran/012009_Doran_final.pdf
Além desses números, interessante comentar que mesmo cientistas inicialmente sépticos com relação ao Aquecimento Global, estão obtendo resultados que indicam a existência do fenômeno e mudando de ponto de vista. Um dos mais relevantes exemplos é o Prof. Richard Muller, fundador do projeto Temperatura da Superfície da Terra da Universidade de Berkeley (BEST), e até agora um dos maiores críticos da teoria do aquecimento global antropogênico, o qual veio a público para apresentar as conclusões de seu estudo e assumir que estava errado: http://www.nytimes.com/2012/07/30/opinion/the-conversion-of-a-climate-change-skeptic.html?_r=1&pagewanted=all
Como resultado final do estudo BEST que ele conduziu, foi identificado que há processo de aquecimento global em curso, e que a interferência humana é o principal fator, descartando outros, como a variação da emissão de radiação pelo Sol.
Aliás, vale a pena destacar que o pesquisador teve uma conduta ética em publicar seus resultados, pois a pesquisa havia sido financiada pela Fundação de Caridade Charles G. Koch (magnata da indústria do carvão), que investiu US$ 150 mil no estudo do BEST e que, com certeza, esperava um resultado bem diferente!!

Daniel Toledo disse...

COMPLÔ DA COMUNIDADE CIENTIFICA PARA DOMINAÇÃO DAS NAÇÕES EM DESENVOLVIMENTO (?)

Como último tópico, volto a abordar a teoria conspiratória apresentada pelo prof. Ricardo Felício. Ele sugere repetidas vezes que os estudos científicos sobre o Aquecimento Global apresentam resultados não confiáveis, ao mesmo tempo em que alega que há um grande complô das nações desenvolvidas para explorar ("manter na coleira") as em desenvolvimento. Contudo, para que isso seja verdade, implicaria em que a maioria dos cientistas da área climática estivessem envolvidos no esquema (98%, conforme percentual do tópico anterior), o que me parece absurdo. Vale lembrar que só no relatório da 4ª reunião do IPCC, estiveram envolvidos cerca de 2.500 cientistas (de mais de 130 países) num processo de elaboração e revisão do documento e de suas conclusões.
Será mesmo que a maioria da comunidade científica climatológica participa de uma rede internacional de conspiradores? E ainda com o aval da Fundação Nobel, posto que ela concedeu o prêmio Nobel ao IPCC em 2007 pelo trabalho desenvolvido?
E se pararmos para pensar, quem tem o maior interesse em distorcer os fatos com relação ao Aquecimento Global? Os sépticos acusam que cientistas “fabricaram” o tema para ganharem fundos para suas pesquisas? Mas eu não sabia que a NASA, e outras instituições como o Instituto MaxPlanck (Alemanha) precisavam disso para sobreviverem... Para mim esse argumento é surreal.
Mas quem teria de fato a perder com a aceitação de que o CO2 emitido pela queima de combustíveis fósseis é prejudicial ao clima em escala global? Quem teria a perder com uma regulamentação restringindo ou taxando o uso desses combustíveis fósseis? Claramente iria afetar o lucro das gigantes empresas que vivem da exploração de petróleo e carvão (BP, ExxonMobil, Texaco, Oxbow, Rio Tinto, Koch Carbon, etc), empresas essas que têm enorme poder econômico (e político, devido ao dinheiro que fornecem para campanhas políticas, principalmente nos EUA), e tentam proteger seus lucros a qualquer custo. Aliás, porque o Senado norte americano não ratificou o Protocolo de Kioto? Foi devido a uma campanha bilionária promovida contra esse acordo, financiada com dinheiro de empresas norte-americanas (GM, Ford, Exxon, Shell, etc).
Essas empresas americanas se uniram na época dos primeiros trabalhos do IPCC para formarem um grupo denominado Global Climate Coalision cujo principal objetivo era impedir qualquer regulamentação que restringisse a emissão de gases do efeito estufa, e a ratificação pelos EUA do Protocolo de Kioto. (detalhes em: http://en.wikipedia.org/wiki/Global_Climate_Coalition)
Não me parece que o prof. Ricardo se enquadra no caso de estar defendendo interesses corporativos, mas apenas que essa controvérsia cria uma oportunidade de holofotes para sua autopromoção, algo que parece ser seu objetivo principal. É claro que se defendesse o Aquecimento Global, seria apenas mais uma voz na multidão, e portanto dificilmente conseguiria o mesmo espaço na mídia que obteve com seu discurso polêmico.

Daniel Toledo disse...

Já quanto à controvérsia criada em nível mundial sobre a teoria do Aquecimento Global Antropogênico, nada mais é do que uma tática para manter o “bussiness as usual”, pois criar dúvida sobre a existência de um problema inevitavelmente gera inércia política e mantém o status quo.
Aliás, está é a mesma tática que foi usada por décadas (infelizmente, com sucesso) pela indústria do tabaco com o objetivo de postergar o máximo a adoção de quaisquer restrições sobre o cigarro, mantendo seus lucros as custas da vida alheia.
Em um documento interno da indústria do Tabaco datado de 1969, que versa sobre estratégias para negar evidências científicas de que o fumo causa doenças como o câncer, os executivos afirmavam que:
“Nosso produto é a dúvida, pois é a melhor forma de competir, na mente do público, com as evidências. É também uma forma de criar controvérsia (…) Se formos bem sucedidos em estabelecer uma controvérsia perante o público, há uma oportunidade de colocar de lado os verdadeiros fatos sobre o fumo e a saúde” (tradução livre).
Texto original: "Doubt is our product, since it is the best means of competing with the 'body of fact' [linking smoking with disease] that exists in the mind of the general public. It is also the means of establishing a controversy...if we are successful in establishing a controversy at the public level, there is an opportunity to put across the real facts about smoking and health”.
Fonte: http://tobaccodocuments.org/landman/332506.html

Essa tática de criar controvérsia, inclusive cooptando cientistas para fazerem pesquisas com conclusões encomendadas que contrariem os resultados que desagradam as grandes corporações, já foi utilizada em vários temas como Amianto, Agrotóxicos, Transgênicos, dentre outros.
(exemplo do caso do amianto no Brasil: http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2012/08/por-que-o-amianto-foi-parar-no-meio-do-mensalao.html)

O que vivenciamos atualmente é a história se repetindo, não mais em relação ao cigarro, mas agora quanto ao Aquecimento Global. O tempo passa, mas a tática de desinformação continua a mesma... e infelizmente a opinião pública fica a mercê dessa falta de ética e dos interesses corporativos.

none disse...

Toledo,

Grato pela visita e comentários.

Esses negacionistas, aliados a membros da mídia pouco críticos, fazem mesmo um estrago danado e dão muito trabalho pra consertar as desinformações depois.

Depois nos avise o que seu amigo achou.

[]s,

Roberto Takata

André disse...

Takata,

Conhece essa figura? É confiável?
http://files.abovetopsecret.com/files/img/cz5249cd4b.jpg

none disse...

Salve, André,

Parece, no geral, compatível com os dados atuais. Dá uma olhada na figura 1 de: http://genereporter.blogspot.com.br/2009/12/jogo-dos-erros.html
-----

Mas há alguma variação nas amplitudes de acordo com a metodologia. Quando se analisam as diferentes metodologias, para os últimos 1.000 anos, as temperaturas atuais são as mais altas (a 'Pequena Idade do Gelo' e o 'Período Quente Medieval' são menos severos):
http://www.newscientist.com/article/dn11646-climate-myths-the-hockey-stick-graph-has-been-proven-wrong.html
-------------

[]s,

Roberto Takata

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails