SOS - ESPÍRITO SANTO

Como ajudar as vítimas da enchente no Espírito Santo.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

SNCT 2014 - Água que passarinho não bebe

Pra este ano, o tema da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia foi "Ciência e Tenologia para o Desenvolvimento Social".

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Tecnologia social é "um método ou instrumento capaz de solucionar algum tipo de problema social e que atenda aos quesitos de simplicidade, baixo custo, fácil aplicabilidade e geração de impacto social". Uma das tecnologias sociais de maior impacto e simplicidade que conheço é o soro caseiro.

Dentre as figuras envolvidas no desenvolvimento dessa tecnologia, podemos destacar o médico austríaco naturalizado americano Norbert Hirschhorn. Em 1964, na divisão médica do exército americano, atuava em Bangladesh, então parte do Paquistão, combatendo uma epidemia de cólera. O tratamento aplicado era a hidratação por via endovenosa - um procedimento relativamente caro e que demandava instalações hospitalares. Outros já estavam trabalhando no processo de desenvolvimento de uma solução para administração oral com mistura de água, açúcar e sal; por heurística (nome pomposo para o processo de tentativa e erro), Hirschhorn acabou chegando a uma proporção ideal para a Terapia de Reidratação Oral. Algumas estimativas dão conta de que 50 milhões de pessoas foram salvas de morrerem desidratadas por várias das doenças diarreicas, cólera e similares. Hoje, aposentado, o médico dedica-se à poesia. O que Oslo espera para conferir o Nobel da Paz a Hirschhorn é um mistério para mim. De todo modo, ele deve ser uma das quarenta pessoas no mundo que podem deitar a cabeça de noite sem nenhum peso na consciência.

Infecções causadoras de diarreia são difundidas principalmente por falta de acesso à água de boa qualidade. De um lado, há uma ampla pesquisa para o desenvolvimento de novos métodos de purificação da água: com descarga elétrica, com nanopartículas, com plasma, com grafenos, etc. De outro, há incentivos para projetos de gerenciamento para conservação das fontes de água como a 'Água, fonte de vida' da ONU Água; o 'Grande Prêmio Mundial Rei Hassan II para a Água', do governo de Marrocos e do Conselho Mundial da Água; e o 'Prêmio da Água de Estocolmo', do Instituto Internacional da Água de Estocolmo (que conta também com uma categoria júnior, para estudantes). Mas são projetos nem sempre facilmente aplicáveis em regiões remotas e áreas sem infraestrutura mínima. A ONG "Engenharia para a Mudança" lista 10 métodos de baixo custo para tratamento local de água.

Mas uma tecnologia social ainda mais simples de purificação da água é a SODIS (de 'solar disinfection'): acondiciona-se água de baixa turbidez (as águas com sujeira em suspensão - como lodo -; devem ser deixadas para descansar antes, assentando a sujeira e pegando a água mais clareada) em garrafas PET, sacode-se para oxigenar a água e deixa-a exposta à luz solar por cerca de 6 horas (se o céu estiver limpo) ou por dois dias (em dias nublados). A radiação UV, a temperatura e a oxigenação destroem boa parte dos protozoários, bactérias e vírus causadores de doenças. O uso da tecnologia tem reduzido a internação por diarreia entre 9 e até 86% em alguns locais e épocas. Aftim Acra, farmacêutico e sanitarista palestino, apresentou a SODIS em um livreto da Unicef em 1984. A EAWAG (Instituto Federal Suíço de Ciência e Tecnologia da Água) realizou uma série de testes com a tecnologia no início da década de 1990 e tem divulgado sua aplicação em países em desenvolvimento. Infelizmente, Acra não poderá vir a receber o Nobel, o cientista faleceu em 2007 e a o prêmio não permite indicações póstumas.
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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A importância das redes de pesquisa no desenvolvimento da ciência

No começo de agosto participei de um evento sobre Genômica Translacional na Unicamp para cobri-lo dentro do projeto que estou desenvolvendo. Produzi o texto abaixo para a seção de notícias da Com Ciência, mas acabou não sendo publicado.

Mais abaixo publico na íntegra (ou quase, parte da entrevista acabou não sendo gravada) transcrição do depoimento de Glaucius Oliva sobre pesquisa em rede e internacionalização da ciência brasileira - tema da palestra que deu no evento.

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Cientistas ressaltam importância de redes de pesquisa em evento na Unicamp
Entre os dias 4 e 6 de agosto, o Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética (CBMEG) e o Laboratório Central de Tecnologias de Alto Desempenho em Ciências da Vida (LaCTAD) realizaram o Advanced Topics in Genomics and Cell Biology (“Tópicos Avançados em Genômica e Biologia Celular”) no Centro de Convenções da Unicamp. Na edição deste ano, o tema foi a genômica translacional – área relativamente nova da pesquisa genética que procura integrar os conhecimentos genômicos no entendimento dos mecanismos moleculares de desenvolvimento de doenças. Em seu primeiro dia, o principal tópico destacado foi a formação de redes de pesquisa e sua importância para o desenvolvimento da ciência atual.

O presidente do CNPq, o físico Glaucius Oliva, em sua palestra destacou as ações do governo federal para a indução de formação de redes de pesquisa e seu fortalecimento. “Você não pode pensar em fazer ciência hoje sem ser em rede”, disse Oliva. Dentre os desafios do sistema de Ciência e Tecnologia no Brasil que podem ser enfrentados pela pesquisa em rede listados pelo dirigente estão a qualidade e o impacto social, econômico e educacional dos estudos, o melhor uso da infraestrutura científico-acadêmica, a internacionalização da ciência brasileira e a inovação. “Em função da necessidade do crescimento interno, nós perdemos muito da nossa capacidade de cooperação internacional nos anos recentes e por isso a participação em redes internacional é extremamente importante”, reconheceu Oliva em entrevista exclusiva ao Com Ciência Notícia. Mas esse processo de integração a redes internacionais tem seus próprios desafios. “Um exemplo recente é o do ESO [Observatório Europeu do Sul, principal organização astronômica intergovernamental da Europa]; há uma proposta de participação brasileira, mas que a própria comunidade científica discutia, porque achava que era muito dinheiro num laboratório internacional, quando devia colocar esse dinheiro para os laboratórios do próprio país”, disse completando: “A gente tem que, de fato, olhar de uma forma mais abrangente a interação dentro do país e, principalmente, fora do país no formato de redes.


O biólogo Wen Hwa Lee, do Structural Genomic Consortium (consório de pesquisa em parceira público-privada com sede em Toronto, Canadá), apontou a necessidade da realização da pesquisa dentro do modelo de “Ciência Aberta” com uma rede de pesquisadores sem o envolvimento de propriedade intelectual sobre as ferramentas de pesquisa e outros insumos, diferentemente da pesquisa farmacêutica tradicional.

Elise Feingold, bióloga, líder do Projeto ENCODE de anotação do genoma humano, não pôde comparecer ao evento em que palestraria sobre o papel da integração de dados no entendimento das doenças humanas. Mas, em entrevista por e-mail, Feingold apontou que ferramentas disponíveis na internet como wikis, compartilhamento de documentos na nuvem para edição coletiva e teleconferências ajudam a reduzir a necessidade de encontros presenciais – nem sempre possíveis dado o fato de que os cientistas em geral estão bastante atarefados desenvolvendo suas pesquisas.
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Depoimento de Glaucius Oliva sobre a importância das redes de pesquisa no Brasil e o papel da internacionalização da ciência brasileira.
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[…] habilidades instrumentais, elas requerem uma forte interação com o mundo exterior aonde os problemas importantes estão aí para serem resolvidos, e por isso, no mundo todo, os principais projetos hoje têm sido desenvolvido sempre nesse formato de redes. No Brasil, esse programa foi pioneiramente desenvolvimento pela Fapesp, que ao longo de sua história foi antecipando, no nível nacional, várias modalidades de apoio a redes, inicialmente apoiava projetos individuais. Projetos temáticos já foi uma forma de introduzir redes. Programas multiusuários, uma outra forma de introduzir redes. E depois os CEPIDs, já no final da década de 90, quando ela lança o programa para terem redes maiores neste caso. No nível nacional, nós também fomos tendo diversos programas para apoiar redes, desde o programa Pronex, Grupos de Excelência, depois o programa dos Institutos do Milênio, depois o programa dos INCTs, que agora está sendo renovado, e todos eles requerendo essa conjugação de grupos mais consolidados com grupos emergentes no país. Evidente que hoje o grande desafio da ciência brasileira é também se internacionalizar mais. Em função da necessidade de crescimento interno, nós perdemos muito da nossa capacidade de cooperação internacional nos anos recentes e por isso a participação em redes internacionais é, de fato, extremamente importante, embora isso mesmo dentro das comunidades às vezes gera olhares contraditórios, nós tivemos um exemplo recente que é o do ESO, European Southern Observatory, que, enfim, há uma proposta de participação brasileira, que evidentemente tem que ser aprovada pelo Congresso Nacional, se a gente quer aportar recursos vultosos, mas que a própria comunidade científica discutia, porque achava que era muito dinheiro num laboratório internacional, quando devia colocar esse dinheiro para os laboratórios do próprio país. O programa Ciência sem Fronteiras também gerou esse tipo de reação: “ah, será que vale a pena pagar para estudantes brasileiros irem para o exterior quando a gente podia pegar esse mesmo dinheiro e botar nos laboratórios de ensino das universidades brasileiras”, mas essas coisas tem que ser completares, entendeu? A gente tem que, de fato, olhar de uma forma mais abrangente a interação dentro do país e, principalmente, fora do país no formato de redes.

Tem duas modalidades no Ciência sem Fronteiras para atrair pesquisadores do exterior. Uma é para jovens talentos, que são pós-docs diferenciados, com uma bolsa diferenciada com auxílio à pesquisa. Equivalente ao Jovem Pesquisador aqui da Fapesp. Nós já temos 500 bolsas dessa modalidade concedidas nos últimos três anos. E o outro programa é o programa de Professor Visitante Especial, esse é um programa bem interessante, porque você pega um pesquisador sênior, cientista de alto nível internacional, e que está disposto a vir ao Brasil, um, dois meses por ano, por um período de três anos inicial[mente]. Ele ganha uma bela bolsa pelo mês que passa aqui. São 14 mil reais pessoais, por mês. Esse mês não precisa ser contínuo, pode ser dividido em estágios. Ele ganha uma bolsa de pós-doc, para deixar um pós-doc aqui trabalhando durante três anos. Uma bolsa de doutorado sanduíche para cada vez que vem levar um estudante junto com ele de volta para seu país de origem. E 50 mil reais por ano para fazer pesquisas aqui no laboratório que o hospeda. E um acordo com agências de fomentos locais, estaduais e federais de que esses indivíduos nesses programas podem pedir projetos maiores nas agências liderando esses projetos. Porque eles têm um certo vínculo, então, com as instituições que os hospedam. Nós já temos 8 centros desses pesquisadores no Brasil trabalhando hoje em dia.

Não, não [não temos metas numéricas para esses programas]. Nós temos agora a renovação do programa Ciência sem Fronteiras pelos próximos 4 anos. Mais 100 mil bolsas. E portanto a gente espera ter aí um número maior para os próximos anos a seguir.
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Agradecimentos: Aos entrevistados; à comissão organizadora do evento. Às orientadoras Profa. Dra. Simone Pallone e Dra. Katlin Massirer.

Este trabalho foi produzido sob financiamento da Fapesp (Bolsa Mídia Ciência).

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Como é que é? - Tubarões não adoecem?

Já tinha ouvido falar que tubarões não têm câncer, mas parece que tem um mito ainda mais abrangente: a de que tubarões simplesmente não desenvolveriam nenhuma doença (Fig. 1).

O mito é explorado por uma ampla gama de produtos milagrosos, como extrato de cartilagem de tubarão, supostamente com poderes protetivos contra tumores (há pesquisas em andamento sobre o efeito antiangiogênico - isto é, inibidor de formação de vasos sanguíneos - da cartilagem de tubarão que poderia ser útil no tratamento de tumores, mas não há nada definitivo, muito menos sobre as vias de administração). (Ostrander et al. 2004.)

Figura 1. Meme desinformativo (à esquerda). Seu real valor (à direita).

Não preciso dizer que é bobagem, certo? Bem, mas vamos aos dados:

Várias espécies de bactérias do gênero Vibrio (sim, parentas da que causa a cólera em humanos) estão associadas à mortalidade em tubarões mantidos em cativeiro (Grimes et al. 1984, Grimes et al. 1985).

O parasitismo pelo copépodo Nemesis robusta nas guelras leva a uma deficiência na respiração (Benz & Adamson 1990).

O fungo Fusarium solani pode atacar os canais da linha lateral de tubarões-martelo em cativeiro (Crow et al. 1995).

E, sim, tubarões *TÊM* câncer:  neoplasia na gengiva (Borucinska 2004), melanoma (Waldoch et al. 2010), lesões proliferativas (Robbins et al 2013)... Conforme Ostrander et al. (2004), casos de neoplasias em condríctios (grupo dos peixes cartilaginosos a que pertencem os tubarões) são conhecidos há mais de 150 anos (mais de 160 anos agora). A primeira descrição (em uma raia) data de 1853. Há até condroma (tumor benigno na... cartilagem).

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Essa proliferação de perfis nas redes sociais que supostamente relatam fatos (curiosos, pouco conhecidos, interessante) sem nenhum tipo de referência é uma praga. Essas bobagens não são raras, não sei se fruto somente de uma ausência de um mecanismo mínimo de conferência ou se por má fé. A se aplicar a navalha de Hanlon, eu deveria me ater à primeira hipótese. Mas, diante do fato de a quase totalidade se manter alheia às correções feitas, não dá pra não pensar em algo além da ingenuidade e do trabalho de má qualidade. O melhor a se fazer é ignorar tais perfis - talvez se cometa alguma injustiça, mas se evita a exposição à informações factualmente erradas (ou pelo menos de natureza duvidosa que não merecem nem de longe serem chamadas de fatos).
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Referências
Benz, G.W & Adamson, S.A.M. (1990). Disease caused by Nemesis robusta (van Beneden, 1851) (Eudactylinidae: Siphonostomatoida: Copepoda) infections on gill filaments of thresher sharks (Alopias vulpinus (Bonnaterre, 1758)), with notes on parasite ecology and life history Canadian Journal of Zoology, 68 (6), 1180-1186 : 10.1139/z90-175

Borucinska, J., Harshbarger, J., Reimschuessel, R., & Bogicevic, T. (2004). Gingival neoplasms in a captive sand tiger shark, Carcharias taurus (Rafinesque), and a wild-caught blue shark, Prionace glauca (L.) Journal of Fish Diseases, 27 (3), 185-191 DOI: 10.1111/j.1365-2761.2004.00532.x

Crow, G., Brock, J., & Kaiser, S. (1995). Fusarium solani Fungal Infection of the Lateral Line Canal System in Captive Scalloped Hammerhead Sharks (Sphyma lewini) in Hawaii Journal of Wildlife Diseases, 31 (4), 562-565 DOI: 10.7589/0090-3558-31.4.562
Grimes DJ, Stemmler J, Hada H, May EB, Maneval D, Hetrick FM, Jones RT, Stoskopf M, & Colwell RR (1984). Vibrio species associated with mortality of sharks held in captivity. Microbial ecology, 10 (3), 271-82 PMID: 24221148

Grimes, D., Gruber, S., & May, E. (1985). Experimental infection of lemon sharks, Negaprion brevirostris (Poey), with Vibrio species Journal of Fish Diseases, 8 (2), 173-180 DOI: 10.1111/j.1365-2761.1985.tb01212.x

Ostrander GK, Cheng KC, Wolf JC, & Wolfe MJ (2004). Shark cartilage, cancer and the growing threat of pseudoscience. Cancer research, 64 (23), 8485-91 PMID: 15574750

Robbins, R., Bruce, B., & Fox, A. (2013). First reports of proliferative lesions in the great white shark, L., and bronze whaler shark, Günther Journal of Fish Diseases DOI: 10.1111/jfd.12203

Waldoch JA, Burke SS, Ramer JC, & Garner MM (2010). Melanoma in the skin of a nurse shark (Ginglymostoma cirratum). Journal of zoo and wildlife medicine : official publication of the American Association of Zoo Veterinarians, 41 (4), 729-31 PMID: 21370659
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via @oatila.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Comboio de cordas que se chama evolução: a origem de nossa notocorda

Por algum motivo a imprensa brasileira parece ter comido bola. É um trabalho certamente de grande relevância no nosso entendimento da evolução dos vertebrados e seus parentes próximos, os cordados (e também dos outros bilatérios - animais que primitivamente apresentam uma simetria bilateral: mesmo que alguns, como a estrela do mar, tenham perdido ao longo da evolução).

Pelo menos eu não fui capaz de encontrar menção ao estudo de Lauri et al. 2014 sobre o desenvolvimento de Platynereis dumerilii publicado na Science.

O princípio é simples: em nós e nossos parentes cordados, durante o desenvolvimento, surge uma estrutura rígida de sustentação - chamada de notocorda (e daí o nome de cordados ao grupo que inclui os vertebrados, o anfioxo e alguns outros). Em nós, vertebrados, a notocorda é substituída pela coluna vertebral; no anfioxo, ela persiste durante a vida adulta. Nos animais como moluscos, insetos, nemátodos, minhocas, estrelas do mar e outros, essa estrutura não está presente.

O que os pesquisadores da EMBL (Laboratório Europeu de Biologia Molecular), da Janelia Farm Research Campus e da Universidade de Heidelberg fizeram foi pegar os genes que estão ativos nas células que dão origem à notocorda no cordados e verificar sua atividade na larva de um invertebrado sem notocorda - um poliqueto marinho (parente próximo da minhoca) chamado P. dumerilli.

O resultado é que o mesmo conjunto de genes (10 dos 11 utilizados no estudo) estavam ativos e em posição similar - no eixo longitudinal entre o cordão nervoso e a aorta. No caso do poliqueto, esse eixo é formado por células musculares dispostas ao longo do comprimento que secretam uma matriz extracelular de colágeno. E elas são fundamentais para a locomoção do organismos - se danificadas por um pulso de laser, o animal não é mais capaz de nadar. Como formavam um eixo e parecem ser homólogos (estruturas evolutivamente afins) com a notocorda, ele foi chamado de axocorda.

Os autores buscaram, então, se o mesmo padrão estava presente em outros invertebrados não-cordados. Bingo!

No quetognato Sagitta, e no quítão (molusco) Lepidochiton também identificaram uma axocorda muscular. Na drosófila, representante dos artrópodos, há uma linha média formada por células gliais. A interpretação é que entre os protostômios (grupo que abarca esses organismos), a axocorda é uma característica presente no ancestral em comum - e na linha que deu origem ao artrópodos, a natureza muscular foi perdida.

No paulistinha Danio, representante dos vertebrados, há uma notocorda não muscular; no cefalocordado Branchiostoma, o anfioxo, a notocorda é muscular; no hemicordado Saccoglossus há músculos longitudinais centrais; e na estrela do mar Asterias, membro dos equinodermos, não há nenhuma estrutura central contrátil. O padrão que emerge é que do lado dos deuterostômios, a condição ancestral é a presenta de uma estrutura central de natureza contrátil - muscular.

Ou seja, o ancestral dos bilatérios - grupo que engloba os protostômios e deuterostômios - haveria uma conjunto de células mesodérmicas que formariam um eixo central, contrátil, envolto por por uma capa secretada por essas células. A origem da notocorda pode ter se dado, especulam os autores, com a vacuolização dessas células e um maior enrijecimento da matriz extracelular - adquirindo uma natureza cartilaginosa.

Futuros estudos devem permitir determinar a condição ancestral nos equinodermos e nos ecdisozoários (grupo formado pelos artrópodos, nemátodos e parentes próximos). De todo modo, os resultados contribuem para o quadro de um urbilatério (hipotético ancestral em comum exclusivo dos bilatérios atuais) relativamente complexo: de corpo segmentado, olhos (simples), sistema nervoso com avançado grau de centralização (mas talvez ainda sem um cérebro).

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Há uma crise nos blogues brazucas de ciências? - 6

Cerca de um ano depois, uma nova rodada de textos produzidos acerca da putativa crise nos blogues brasileiros sobre ciências.

*Meghie Rodrigues A crise dos blogs de ciência no Brasil — and le qüiproquó goes on
*Wesley Santos Do Nano ao Macro E agora, Jorn Barger[1]? Sobre divulgação científica

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Em meados de 2009, num panorama mundial (ou ao menos anglófono), havia uma discussão de se os blogues de ciências (então em ascensão) poderiam vir a substituir o jornalismo científico tradicional (então em crise). Em 2014, dentro do panorama brasileiro, aparentemente, há uma crise tanto do jornalismo científico tradicional (uma crise que se arrasta desde pelo menos 2009, mas agudizado agora com o fim da editoria de ciências do Estadão - Herton Escobar agora atua apenas como freelancer; a Folha segue como um foco de resistência, mas, por exemplo, Claudio Angelo já não trabalha mais por lá), quanto dos blogues de ciências (nosso foco aqui).

Há uma crise nos blogues brazucas de ciências?
Há uma crise nos blogues brazucas de ciências? - 2
Há uma crise nos blogues brazucas de ciências? - 3
Há uma crise nos blogues brazucas de ciências? - 4
Há uma crise nos blogues brazucas de ciências? - 5
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Upideite(29/set/2014): No facebook, Roelf Cruz Rizzolo, do Coluna Ciência, comenta: "Roberto, o que noto é que a versão FB do blog da Coluna Ciência acaba sendo muito mais visualizada, apesar da superficialidade inerente ao veículo."

Roberto Berlinck, do antigo Quiprona, comenta na postagem do Nano ao Macro, e o Wesley Santos responde. Vale ver lá. Sim, neste caso não se aplica a lei zero da internet de não ler comentários.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Nem tudo o que doureja é lúzio 6

Uma rodada especial de gaiata ciência: o tema é "bloqueio criativo".

Dois artigos já haviam sido citados na segunda rodada.
Mas é praticamente uma subárea à parte da psicologia:

Tem até meta-análise:

Mas sempre tem aqueles que não sabem brincar:

domingo, 7 de setembro de 2014

Revista em quadrinhos é objeto de estudos de zoólogos

Reproduzo abaixo notícia que publiquei na seção de notícias da Com Ciência (publicação temática mensal do Labjor em parceria com a SBPC). Por algum motivo, o texto não está mais disponível no site.

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Revista em quadrinhos é objeto de estudos de zoólogos
Por Roberto Takata
22/07/2014
No lugar de caminhada no meio da floresta com redes e armadilhas, leitura minuciosa de páginas de gibi. Foi assim que os autores de A Zoologia de "Sete Soldados da Vitória": análise dos animais presentes na obra e sua possível utilização para fins didáticos coletaram seus dados para o estudo. Os pesquisadores fizeram o levantamento faunístico de “Sete Soldados da Vitória”, metassérie (conjunto de minisséries interligadas) em quadrinhos de Grant Morrison lançada em 2005 pela DC Comics e publicada no Brasil em 2007 pela Panini Comics. 

Cerca de metade das personagens, entre super-heróis, vilões, humanos comuns e até bichos de estimação, representam ou são baseadas em animais. Destes, 63% pertencem ao filo dos cordados – que inclui os vertebrados como nós – e 37%, protostômios – grupo ao qual pertencem os insetos, as aranhas, minhocas e moluscos. Como notam os autores no artigo, a presença no nosso cotidiano parece ser o principal fator determinante na presença nos quadrinhos: mamíferos, aves, répteis, anfíbios, peixes, insetos e aranhas predominam –, em contraste com o número de espécies conhecidas em cada grupo. 

O trabalho, à primeira vista inusitado, faz parte da linha de pesquisa do grupo liderado pelo zoólogo Elidiomar Ribeiro da Silva, da Unirio, de facilitar o aprendizado de biologia com a inclusão de elementos da cultura pop, despertando, assim, o interesse dos alunos – uma das autoras do artigo, Tainá Ribeiro da Silva, é estudante do ensino médio. Ela é filha de Elidiomar, mas, mesmo havendo realizado outros trabalhos com o pai, esta foi sua primeira experiência na classificação de organismos. “Certamente me ajudou a ter uma noção mais ampla do assunto”, contou por email Tainá, ávida leitora de quadrinhos e fã de Batman. 

“Mesmo informações zoologicamente incorretas podem ser exploradas em sala de aula, com os devidos ajustes e correções”, escrevem os autores no artigo. Por exemplo, o desenho de uma “cabeça” de aranha em um dos quadros pode ser usado como gancho para falar da morfologia dos aracnídeos: em que não há uma cabeça e um tórax separados como em insetos, mas formam uma única estrutura fundida em um cefalotórax. As incorreções podem também ser base para atividades do tipo “encontre o erro”. 

Sete Soldados da Vitória

Cada uma das sete minisséries que compõem a obra gira em torno de um super-herói e pode ser lida de modo independente. Porém, um fio condutor une as histórias que convergem para a batalha final na qual os heróis salvam a humanidade de uma raça de seres vinda do futuro, os sheedas, e que controlam insetos e aranhas, utilizando-os como armas e montarias.
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Confira a íntegra da entrevista por email gentilmente cedida pela aluna Tainá Ribeiro da Silva, uma das autoras do estudo:

GR. Como foi sua participação no trabalho? Você quem pediu pra fazer, seu pai a convidou?
TS. Meu pai me chamou para participar, sendo que eu fiz parte de um outro projeto similar que focou na taxonomia de personagens baseados em aranhas. Nesse trabalho, eu o ajudei a fazer os cálculos estatísticos e também pesquisei sobre a origem de alguns personagens.

GR. O que achou da atividade?
TS. Foi complicado e demorado. Pra falar a verdade, tomou uma boa quantidade do meu tempo, mas eu realmente gostei de ver o resultado final!

GR. Você já tinha experiência em fazer classificação de organismos? A pesquisa a ajudou a desenvolver essa habilidade?
TS. Não tive experiência em fazer classificação de organismos antes desse trabalho, mas ele certamente me ajudou a ter uma noção mais ampla do assunto.

GR. Você gosta de quadrinhos? Se sim, quais? Gostou dessa obra que analisaram?
TS. Gosto de quadrinhos desde pequena! Meus pais sempre me encorajaram a ler, e eles mesmos adoram. Eu amo as séries do Batman e tenho gostado bastante dos Novos 52. Sobre “Sete Soldados da Vitória”, a história não chegou a chamar muito a minha atenção, porque é confusa e diferente de tudo que eu estou acostumada a ler. Tem vários personagens que eu desconheço, sobrando só a Zatanna. Não sei se posso dizer que gostei, mas não é ruim.

GR. Já tem alguma escolha profissional? Pretende fazer biologia?
TS. Certeza absoluta eu não tenho, mas tenho pensado bastante em fazer arquitetura. Biologia seria muito legal, mas eu não sinto que é ideal para mim.
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Agradecimentos:
Obviamente à estudante Tainá Ribeiro da Silva pela entrevista e ao Prof. Dr. Elidiomar Ribeiro da Silva pela autorização da entrevista. Às orientadoras Profa. Dra. Simone Pallone e Dra. Katlin Massirer.

Este trabalho foi produzido sob financiamento da Fapesp (Bolsa Mídia Ciência).

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Nem tudo que doureja é lúzio 5

Uma nova rodada de gaiata ciência.


segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Indicador de Letramento Científico

Saiu o tão aguardado (pelos que acompanham os dramas da cultura científica no Brasil) resultado da primeira edição do Indicador de Letramento Científico, o ILC, realizado pelo Instituto Abramundo em parceria com a Ação Educativa e o Instituto Paulo Montenegro. Gostaria muito que esse tipo de levantamento fosse incluído nas pesquisas do MCTI sobre a Percepção Pública de Ciências - infelizmente o então diretor do Departamento de Popularização e Difusão da Ciência e Tecnologia do MCTI, Ildeu de Castro Moreira, foi voto vencido e o estudo sobre o conhecimento científico do brasileiro não foi incluída.

O resultado do 1° ILC não é nem um pouco diferente do que seria o esperado - o diabo é tão feio quanto pintam. Entre os entrevistados (2.002 pessoas entre 15 e 40 anos de nove regiões metropolitanas e do DF), apenas 5% apresentam o nível 4 - letramento científico proficiente: e a proficiência não é um nível particularmente alto de conhecimento, envolve coisas como interpretar gráficos de acordo com certas hipóteses (no exemplo do relatório, verificar o gráfico de projeção de temperaturas globais de acordo com as emissões de carbono em dois cenários e dizer o que significam essas duas projeções) (Tabela 1).

Tabela 1. Níveis de letramento científico dos entrevistados.
Nível Descrição %
Nível 1 "Não científico: Localiza, em contextos cotidianos, informações explícitas em textos simples (tabelas ou gráficos, textos curtos) envolvendo temas do cotidiano (consumo de energia em conta de luz, dosagem em bula de remédio, identificação de riscos imediatos à saúde), sem a exigência de domínio de conhecimentos científicos." 16
Nível 2 "Letramento científico rudimentar: Resolve problemas que envolvam a interpretação e a comparação de informações e conhecimentos científicos básicos, apresentados em textos diversos (tabelas e gráficos com mais de duas varáveis, imagens, rótulos), envolvendo temáticas presentes no cotidiano (benefícios ou riscos à saúde, adequações de soluções ambientais)." 48
Nível 3 "Letramento científico básico: Elabora propostas de resolução de problemas de maior complexidade a partir de evidências científicas apresentadas em textos técnicos e/ou científicos (manuais, esquemas, infográficos, conjunto de tabelas) estabelecendo relações intertextuais em diferentes contextos." 31
Nível 4 "Letramento científico proficiente: Avalia propostas e afirmações que exigem o domínio de conceitos e termos científicos em situações envolvendo contextos diversos (cotidianos ou científicos). Elabora argumentos sobre a confiabilidade ou veracidade de hipóteses formuladas. Demonstra domínio do uso de unidades de medida e conhece questões relacionadas ao meio ambiente, à saúde, astronomia ou genética." 5


Mesmo com metodologias distintas e público-alvo da pesquisa também totalmente diferentes, o mesmo padrão geral delineado em outras pesquisas como o PISA é obtido: um certo número de indivíduos sem nenhum conhecimento de ciências, a grande parte tendo apenas um conhecimento muito básico, e muitos poucos com conhecimentos mais avançados. (Figura 1a,b.)

a)
b)
Figura 1. a) Resultados para o Brasil do PISA 2012 de ciências (estudantes de 15 anos). b) ILC 2014 (brasileiros entre 15 e 40 anos).

Entre os que estão no ensino superior ou o completaram, apenas 11% têm nível de proficiência; entre os com nível superior completo, apenas 18% têm nível 4. Entre profissionais da administração pública, somente 6% e entre os profissionais de educação, apenas 10% (este é o ramo com maior porcentagem de indivíduos com nível 4). Entre os funcionários com altos cargos, de nível gerencial, são apenas 12% os proficientes (é a segunda categoria funcional com maior proporção de indivíduos com nível 4; a categoria com maior proporção é a dos profissionais liberais, empresários e empregadores: 15%).

Entre os com nível mais alto de letramento científico, 31% teriam problema em calcular a quantidade de combustível consumido para percorrer uma dada distância sabendo o consumo médio do veículo. Isso mesmo, entre os com maior capacidade de compreensão científica, quase 1/3 não saberia aplicar uma simples conta de multiplicação.

A pesquisa incluiu algumas perguntas sobre percepção e atitudes públicas sobre ciências, mas o relatório, infelizmente, não detalhou os resultados por nível de letramento. Entre as perguntas sobre interesses em temas científicos, os resultados poderiam ser alentadores (Tabela 2), mas a realidade sobre o grau de informação parece demonstrar que precisamos interpretar essas declarações de interesse com não apenas um grão de sal, mas com salinas inteiras (Tabela 3).

Tabela 2. Interesses declarados dos entrevistados a respeito de temas científicos.
Frase concorda (total ou parcialmente) não concorda nem discorda discorda (total ou parcialmente) ns/nr
A ciência me ajuda a compreender o mundo em que vivo 72 15 12 1
Procuro estar sempre bem informado sobre novidades no campo da ciência e da tecnologia 62 13 26 0
Gosto de ler textos sobre temas científicos 45 17 39 0
Sempre gostei de estudar ciências 44 17 39 0

Tabela 3. Conhecimento de temas científicos tratados nos meios de comunicação.
Tema Não sei nada/quase nada Conheço pouco/apenas ouvi falar Conheço bastante sobre o assunto Conheço bem o assunto e procuro estar atualizado
Mudanças climáticas/efeito estufa 24 59 14 3
Informática e tecnologia 26 48 21 6
Poluição/uso de recursos naturais/biodiversidade 27 52 17 4
Evolução das espécies; origem da vida 31 51 16 3
Cura de doenças/novos medicamentos 31 55 12 2
Fontes de energia renováveis 35 48 14 2
Animais pré-históricos, fósseis e descobertas arqueológicas 38 49 11 2
Engenharia genética/organismos geneticamente modificados/transgênicos 47 43 8 2
História do desenvolvimento científico 48 42 8 2
Exploração do universo/buracos negros/quedas de asteroides 50 41 8 2
Robótica e nanotecnologia 61 32 6 2

As opções de temas (Tabela 3) são bem abrangentes para uma interpretação de que os entrevistados consideram-se bem informados em outras áreas de ciências possa ser considerada com maior seriedade. Como compatibilizar a declaração de que se procura informar muito sobre ciências (Tabela 2) com a declaração de que se sabe pouco sobre ciências (Tabela 3)? Poderia ser por modéstia em declarar seu próprio conhecimento? Poderia ser por considerarem os textos que leem como pouco informativos? Darei a cara a bater e avançarei a hipótese de que os dados sobre interesses são pouco confiáveis: os entrevistados exageram seu grau de interesse. Alerto que pelos dados disponíveis *não* se pode testar a validade de tal interpretação que defendo aqui. É só um palpite.


Os dados mais bisonhos - ainda que não exatamente surpreendentes -:
77% dos entrevistados concordam (em parte ou totalmente) com a frase: "O governo deveria investir mais na ciência, pois ela tem importância estratégica para o país";
53% dos entrevistados concordam (em parte ou totalmente) com a frase: "O dinheiro usado na pesquisa científica e tecnológica deve ser destinado para outras finalidades sociais". (Tabela 4.)

Isso significa que entre 2430 (77-5347, no caso da sobreposição mínima entre os grupos) e 53% (sobreposição máxima) concordam *ao mesmo tempo* com as duas frases. Uma fração não desprezível dos entrevistados acham tanto que se deve aportar mais e menos dinheiro em Ciência e Tecnologia. (Incongruência presente também na pesquisa de 4 anos atrás feita sob encomenda do MCTI.) É mais um alerta de como devemos interpretar pesquisas de percepção e atitude públicas com um matacão de NaCl.

Tabela 4. Comparação da concordância dos entrevistados quanto aos investimentos em C&T e destinação dos recursos nas pesquisas do MCTI 2010 e do ILC 2014.
concorda totalmenteconcorda em partenão concorda nem discordadiscorda em partediscorda totalmentens/nrpesquisa
O dinheiro usado na pesquisa científica e tecnológica deve ser destinado para outras finalidades sociais2821-13353MCTI 2010
O dinheiro usado na pesquisa científica e tecnológica deve ser destinado para outras finalidades sociais21321814122ILC 2014
Os governos devem aumentar os recursos que destinam à pesquisa científica e tecnológica6823-423MCTI 2010
O governo deveria investir mais na ciência, pois ela tem importância estratégica para o país482915521ILC 2014

Por motivos que não entendi bem, resolveram concentrar o público na faixa entre 15 e 40 anos. Somado ao fato de restringirem às regiões metropolitanas e à capital federal, infelizmente não podemos extrapolar diretamente os resultados para a população brasileira. A comparação com os dados de atitudes e consumo de informações científicas dos levantamentos do MCTI também é prejudicada.

Seria legal se tivessem incluído perguntas utilizadas nos principais levantamentos de alfabetização científica no mundo - particularmente da NSF e da Eurobarometer. Mas é o que tem pra hoje. (De todo modo, pPelo que pudemos perceber, aparentemente os resultados do PISA, mesmo restritos à população de estudantes com 15 anos, podem ser extrapolados para a população inteira - ao menos para o Brasil em relação ao conhecimento científico.) De todo modo é o primeiro levantamento em nível nacional do letramento científico (de parte) dos brasileiros. Que venham as edições futuras.

Agora sabemos o tamanho do buraco da educação e divulgação científicas no Brasil.

Veja o que foi publicado em outros blogues:
Ceticismo - Uma catástrofe chamada letramento científico
Minas faz Ciência - Reflexões sobre o letramento científico

Upideite(25/ago/2014): Comparativo entre as categorias do PISA 2012 e o grupo de 15-19 anos do ILC 2014.
O nível abaixo de 1 do PISA parece corresponder ao nível 1 do ILC, assim como os níveis 4 e acima do PISA e o nível 4 do ILC das duas aferições parecem corresponder entre si.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

ELA não pode ganhar: Challenge Accepted - Cabeça fria, coração quente, banho gelado

Todo mundo já sabe do desafio da água gelada para levantar donativos para o tratamento e a pesquisa da cura da esclerose lateral amiotrófica, doença neurodegenerativa relativamente rara (1 a 2 casos por 100.000 pessoas-ano).

Crédito da foto: dnunciate/Worth1000.com

O GR nomeia o Do Nano ao Macro (que está fazendo 5 anos) e o Hypercubic (que deve estar faturando horrores com a venda do Patentes Patéticas) para realizar o desafio.*

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Doações:
ABrELA
Banco Santander - Ag. 3919
CC: 130001906
CNPJ: 02.998.423/0001-78 

Mais informações: ABrELA
Tel: (11) 5579-2668
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Claro que você pode doar para qualquer outra instituição de sua preferência.

Upideite(26/ago/2014): Como houve quem duvidasse que o Calíquio tenha enfrentado o balde de gelo, aqui tem um vídeo que prova o feito.


*Upideite(23/set/2014): Um terceiro nomeado: @jonnyken

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