PESQUISA

Participe da votação sobre os melhores canais de divulgação científica em português na internet.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

GR Apresenta: palestras, apresentações, seminários, aulas... sobre DC

Relação de minhas apresentações a respeito de divulgação científica em diversos eventos disponibilizados no GR.

.O Biólogo e a Divulgação Científica 2.5: XII Congresso Aberto aos Estudantes de Biologia. 21 de julho de 2015. Campinas/SP.
.Divulgação Científica nas Interwebs: dos blogs às mídias sociais: palestra para disciplina de Seminários de Ciência e Cultura, do curso de especialização em Jornalismo Científico do Labjor. 16 de novembro de 2015. Campinas/SP.
.Divulgação Científica nas Interwebs: dos blogs às mídias sociais (2):  EDICC 3 - 3° Encontro de Divulgação Científica de Ciência e Cultural. 29 de março de 2016. Campinas/SP.
.Introdução ao mundo dos blogues/Blogues de ciências de sucesso: 2° Curso de Blogs para a Comunidade Científica da Unicamp. 3 e 4 de maio de 2016. Campinas/SP.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Introdução ao mundo dos blogues/Blogues de ciências de sucesso

Dias 3 e 4 de maio, o EA2 e o Labjor da Unicamp realizaram o 2° Curso de Blogs para a Comunidade Científica da Unicamp. Voltado para pós-graduandos, pesquisadores e docentes da Unicamp, o curso é parte do projeto de divulgação científica por meio da comunidade institucional de blogues da universidade.

Abaixo seguem minhas apresentações para o curso.
Nota: Alguns slides são reaproveitados de apresentações minhas anteriores.*



*Upideite(20/mai/2016): adido a esta data.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Medicina vs. terapias alternativas: mal menor?

Venho adiando a publicação desta postagem por vários motivos: necessidade de uma investigação maior, superveniência de outros temas mais candentes, outras tarefas... Mas com a publicação da postagem de Carlos Orsi sobre um novo estudo da influência (negativa) do uso de terapias alternativas e complementares no tratamento do câncer, creio que este texto possa servir como um bom... ahem, complemento.

-----------
Críticos das ciências (ou do cientificismo), com razão, apontam para os perigos da crença cega no conhecimento científico. Por outro lado, a rejeição cega às ciências também é danosa.

Uma pergunta que lancei há algum tempo era: o que é pior, acreditar cegamente nas ciências ou adotar uma postura de rejeição automática a ela?
Um campo potencial de se tentar responder a isso é a medicina. Há perigo maior, por exemplo, em seguir todas as recomendações médicas (incluindo exames desnecessários, remédios e procedimentos errados e outras iatrogenias - doenças e problemas de saúde causadas pelos próprios agentes de saúde) ou ignorá-las e seguir terapias alternativas?

Levantamentos a respeito do uso de técnicas classificadas como "medicina complementar e alternativa" (CAM, "complementary and alternative medicine") resultam em uma fração variada de prevalência entre pacientes de câncer (dependendo, por exemplo, da definição adotada de CAM). Uma variação de 7% a 64% tem sido obtido - com valor médio de 30 a 35%.

Há uma visão da população em geral - e de muitos políticos e autoridades sanitárias - de benignidade da CAM: no pior dos casos, não funcionariam, mas serviriam de alento aos pacientes. Um estudo com pacientes noruegueses publicado em 2003 mostra, no entanto, o perigo dessas técnicas. Pacientes com câncer que lançam mão delas têm um risco 30% maior de morrer do que pacientes que não as usam.

Mas e quanto aos problemas causados pela própria medicina - como erros médicos, excessos, negligências, ganâncias, informações incompletas e outros -?

Só nos EUA, estimam-se as mortes iatrogênicas como algo entre 44.000 a 225.000 casos por ano. Algo entre 1,7 a 8,7% do total de mortes nos EUA. Muita coisa.*

E no caso de câncer? Um estudo com câncer testicular nos EUA, de 1982, detectou uma razão de morte iatrogênica de 6%. Outro, de 2004, no Japão, com carcinoma esofágico, reportou 1 caso iatrogênico em 43 mortes relatadas (2,3%).

Considerando-se as cerca de 590 mil mortes em 2015 por câncer nos EUA, em pouco menos de 14,5 milhões de pacientes com a doença por lá; aplicando-se uma prevalência de 30% no uso de CAM e a razão de perigo de 1,3 em seu uso, por ano teremos cerca de 48.700 mortes atribuíveis ao uso de técnicas ditas alternativas em pacientes de câncer. Ao mesmo tempo, considerando uma razão de 6% de morte iatrogênica, serão 35.400 mortes atribuíveis a diversos erros e negligências médicas em pacientes com câncer.

O risco, pelos melhores dados que temos, é substancialmente maior no uso de CAM do que em decorrência de problemas iatrogênicos: 30% vs. 6%. Em termos absolutos, parte disso é compensado pela maior base de casos de pacientes submetidos a procedimentos médicos - virtualmente 100% - do que a procedimentos ditos alternativos: cerca de 30%.
------------------

Hendriks et al. (2015) desenvolveram um teste para diagnosticar as características que as pessoas leigas usam (um dia entro na polêmica sobre o uso do termo 'leigo' para se referir às pessoas sem especialização em um dado tema) como critério para confiar ou não em especialistas. Talvez seja o caso de aplicar tal teste para orientar como os especialistas que usam métodos cientificamente validados possam se apresentar como mais confiáveis do que terapeutas ditos alternativos.

*Upideite(17/mai/2016): Para uma visão crítica em relação estes números, uma postagem do Respectful Insolence. (via @carlosom71)

sábado, 7 de maio de 2016

Padecendo no paraíso 6

Figura 1. Aquilonifer spinosus. Autor: Derek Briggs.
Fonte: Wikimedia Commons
Durante a preparação de fóssil de um pequeno artrópodo marinho (cerca de 1 cm de comprimento), o paleontólogo Derek Briggs e colaboradores (2016) notaram estruturas ainda menores (cerca de 2 mm de comprimento) ligados aos espécimes por meio de filamentos. (Fig. 1)

Cada uma dessas estruturas parecem com um saco dos quais em alguns deles brotam pequenos apêndices. A organização aparentemente segmentada e a presença desses apêndices levaram os cientistas a suspeitar que são também artrópodos.

Três grandes hipóteses foram avaliadas quanto à natureza desses pequenos anexos. Poderiam ser parasitas, caroneiros epizoóticos ou... filhotes do artrópodo maior.

Para os autores do trabalho, a posição afastada do hospedeiro, na extremidade de filamentos, não seria favorável a uma ação de parasitismo, de sugar os fluidos corporais do organismo parasitado. Também não seriam caroneiros, porque o hospedeiro dificilmente toleraria um número tão grande deles - 10 -, sendo que poderia facilmente removê-los com seus longos apêndices da cabeça (em verde na Fig. 1): argumento que também valeria para a hipótese do parasitismo.

As 10 cápsulas com pernas ligadas por longos filamentos seriam, então, jovens presos ao corpo do adulto que seriam arrastados para lá e para cá, enquanto o pai ou a mãe (não se sabe o sexo do indivíduo carreador) nadava pelos mares da região que hoje é a Inglaterra.

A visão deslumbrada pelos cientistas que descreveram os espécimes é de pipas (papagaios, pandorgas, quadrados, etc.) empinadas, o que levou-os a batizarem a espécie de Aquilonifer spinosus, do lat. 'aquila' (águia, pipa), 'fer-' (o que porta) e 'spinosus' (espinhoso, pelos espinhos laterais nos tergitos - elementos da carapaça do adulto).

Aparentemente esse tipo de cuidado parental - com filhotes ou jovens carreados por meio de filamentos - é desconhecido em outras espécies até o momento.
------------

Se o adulto realmente seria capaz de eliminar parasitas ou caroneiros por meio de seus apêndices cefálicos é discutível na medida em que sabemos pouco sobre a resistência dos filamentos. Certamente eram fortes o bastante para manterem-nos firmemente presos enquanto o pai/mãe/hospedeiro nada por aí. E também para mantê-los afixados enquanto os processos de soterramento e fossilização dos indivíduos ocorria.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

A persistência do mito da tortura funcional

Felizmente, a maioria dos brasileiros (71%) acham que a tortura não se justifica sob nenhuma circunstância. Infelizmente, uma minoria nada desprezível (21%) acreditam que a tortura se justifique para obter provas (ao menos se for a única maneira de obtê-las) e punir criminosos. Isso segundo os dados do Datafolha de 2014.

Mas, deixando de lado (de modo mais do que imprudente - e até impudente) por um instante a questão ética, a tortura é um meio eficaz de se combater a criminalidade? Os dados indicam que não.

"It is commonly believed that torture is an effective tool for combating an insurgent threat. Yet while torture is practiced in nearly all counterinsurgency campaigns, the evidence documenting torture’s effects remains severely limited. This study provides the first micro-level statistical analysis of torture’s relation to subsequent killings committed by insurgent and counterinsurgent forces. The theoretical arguments contend that torture is ineffective for reducing killings perpetrated by insurgents both because it fails to reduce insurgent capacities for violence and because it can increase the incentives for insurgents to commit future killings. The theory also links torture to other forms of state violence. Specifically, engaging in torture is expected to be associated with increased killings perpetrated by counterinsurgents. Monthly municipal-level data on political violence are used to analyze torture committed by counterinsurgents during the Guatemalan civil war (1977–94). Using a matched-sample, difference-in-difference identification strategy and data compiled from 22 different press and NGO sources as well as thousands of interviews, the study estimates how torture is related to short-term changes in killings perpetrated by both insurgents and counterinsurgents. Killings by counterinsurgents are shown to increase significantly following torture. However, torture appears to have no robust correlation with subsequent killings by insurgents. Based on this evidence the study concludes that torture is ineffective for reducing insurgent perpetrated killings." (Sullivan 2014)
["Acredita-se comumente que a tortura seja uma ferramenta eficaz no combate à ameaça insurgente. No entanto, embora a tortura seja pratica em quase todas as campanhas de contra-insurgência, os indícios documentando os efeitos da tortura permanecem seriamente limitados. Este estudo fornece a primeira análise estatística em micronível da relação entre a tortura e as mortes subsequentes cometidas por forças insurgentes e contra-insurgentes. Os argumentos teóricos defendem que a tortura é ineficaz na redução de mortes perpetradas por insurgentes tanto porque ela falha em reduzir a capacidade dos insurgentes para a violência quanto porque ela pode aumentar os incentivos para os insurgentes cometerem futuras mortes. A teoria também liga a tortura a outras formas de violência de Estado. Especificamente, ao engajamento na tortura é esperado associar-se um aumento nas mortes perpetradas por contra-insurgentes. Dados mensais em nível municipal de violência policial são usados para analisar a tortura cometida por contra-insurgentes durante a Guerra Civil Guatemalteca (1977-94). Com o uso de amostras-pareadas, estratégia de identificação por diferença em diferença e dados compilados por 22 diferentes fontes da imprensa e ONGs, bem como milhares de entrevistas, o estudo estima como a tortura é relacionada a mudanças de curto prazo nas mortes perpetradas tanto por insurgentes quanto por contra-insurgentes. É demonstrado que mortes por contra-insurgentes aumenta significativamente após tortura. No entanto, a tortura parece não ter nenhuma correlação robusta com mortes subsequentes por insurgentes. Baseado nesses indícios, o estudo conclui que a tortura é um meio ineficaz na redução de mortes perpetradas por insurgentes."]

Hajja (2009) em uma revisão intitulada "Does torture work? A sociolegal assessment of the practice in historical and global perspective" conclui: "At a very high cost, the U.S. case confirms that torture does not work by any measure. No modern regime or society is more secure as a result of torture. Its use spreads, its harms multiply, and its corrosive consequences boost rather than diminish the threat of terrorism. Nunca más, indeed." ["A um custo muito alto, os casos americanos [como a tortura em Abu Ghraib e outras na chamada 'guerra ao terror'] confirmam que a tortura não funciona em nenhuma medida. Nenhum regime ou sociedade mordenos estão mais seguros em função da tortura. Seu uso espalha, seu dano multiplica e suas consequências corrosivas impulsionam em vez de diminuir a ameaça do terrorismo. Nunca más, de fato." - grifo no original]

Houck et al (2014) obtiveram em um conjunto de dois experimentos um resultado não surpreendente de que a crença na eficácia da tortura tende a aumentar quando, em avaliações de cenários hipotéticos, as vítimas são mais próximas aos sujeitos experimentais.

Janoff-Bulman (2007) apresenta (4) quatro causas principais para a persistência do mito de eficácia da tortura na obtenção de informações úteis no combate ao crime.

1) Confusão entre conformidade (compliance) e exatidão (accuracy): métodos de intimidação e tortura geram medo e necessidade de autoproteção, o que induz o interrogado a rapidamente concordar com tudo o que o interrogador/torturador disser. A investigação, no entanto, não deve ser uma ação de obtenção de submissão pré-especificada, mas, sim, a obtenção de novas informações confiáveis. (Aqui me vêm à mente a piada do campeonato mundial de investigação. A Scotland Yard, o FBI e uma força policial estadual de um certo país tropical abençoado por deus - FPEPTAD - disputaram para ver quem tinha os melhores métodos de solução de casos. Para cada um deles foi liberado um coelho que deveriam rastrear e trazer de volta à comissão julgadora. A Scotland Yard foi a primeira. Seus agentes saíram distribuindo panfletos com foto do coelho, analisando pegadas, fazendo exame de ADN nos pelos encontrados e, em 4 dias, voltaram com o leporídeo. O FBI foi em seguida. Usando equipamento de termografia e rastreamento por satélite, voltaram com lagomorfo em 3 dias. A PM FPEPTAD, na sua vez, saiu em disparada mato adentro e, em duas horas, voltou com um animal ensanguentado e cheio de lacerações e marcas de queimadura por toco de cigarro pelo corpo. O bicho grunhia. Seu focinho de tomada e o rabicó em saca-rolhas não deixavam dúvidas para a comissão julgadora. "Mas isso é um porco!", exclamou um dos jurados. "Não, não, é um coelho. Quer ver só?", insistiu um dos membros da FPEPTAD. Dando uma cacetada na cabeça do porco animal: "Diz pro senhor aí o que você é?". "Eu sou um coelho, eu sou um coelho", respondia o porco coelho.)

2) Achar que aplicação de influência social deve ser apenas para "humanos", a tortura pode ser aplicada para os "desumanizados". O bom interrogatório pouco mais é do que a psicologia social aplicada. Há vários métodos de estabelecimento de influência social, baseados no correto entendimento dos motivos, necessidades e autopercepções do suspeito, com a criação de vínculo de confiança mútua entre interrogador e interrogado. Muitas pessoas imaginam que isso só funciona para pessoas "de bem", para pessoas cruéis como terroristas técnicas igualmente cruéis devem, para elas, ser utilizadas. (Uma frase que vêm à mente é o mantra conservador: "direitos humanos para humanos direitos".)

3) Subestimação da resistência. Ao imaginar cenas de dor excruciantes, as pessoas tendem a imaginar que elas logo cederiam e, projetando-se para os interrogados, eles também rapidamente acederiam para parar a dor. Porém, ao dar atenção apenas para o aspecto mais saliente - a dor física -, deixamos de lado a existência de elementos mais sutis que permitem ao interrogado resistir ao suplício sem entregar nenhuma informação - nem mesmo uma falsa. Processos dissociativos - em que a pessoa deixa de associar o corpo a estados mentais - podem proteger psicologicamente o torturado minimizando a dor sentida. Outro processo de resistência é o torturado desenvolver um significado de alto valor ao sofrimento. (A imagem do suplício da personagem bíblica Jó e mesmo de Josué de Nazaré dão conta do segundo caso. Inspirando diversos mártires ao longo do tempo. Outra imagem associada são das autoimolações em atos de protestos e de expressão de fé.)

4) Mudança de objetivo para a vingança pura e simples. Quanto mais danosa é a imagem que se faz da pessoa a ser interrogada: sujeito frio, cruel, assassino, sádico, psicopata... maior a propensão das pessoas a se desviarem do objetivo da obtenção de informações úteis. Esse parece ser o caso de parte dos 21% de brasileiros que dizem que a tortura pode ser usada para punir um criminoso.

Janoff-Bulman reforça que depoimentos de interrogadores militares mais experientes e os anos de pesquisa apontam para a eficácia dos métodos de influência social por trabalhos de inteligência. Nesse caso, o uso continuado de técnicas de tortura no processo investigatório não é a prova de que elas funcionam, mas sim de que as pessoas continuam *achando* que funcionam.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Antiguidade sólida: (mais um) ataque à sociologia

Não vi uma confirmação oficial do que teria dito nosso amado e premiado gestor hídrico, o governador Geraldo Alckmin, sobre a Fapesp dever financiar apenas pesquisas "úteis" e não "inúteis" como a Sociologia.

Eu poderia responder a esse ponto de vista apenas com referências a postagens anteriores no GR; como uma de 2012 sobre a crítica do jornalista Luís Nassif a pesquisas "inúteis" pelo CNPq, uma sobre a (falsa) dicotomia entre ciência aplicada e básica ou uma terceira sobre a questão da hierarquia das ciências (os dados sugerem que haja uma hierarquia em relação ao grau de consenso entre as áreas: mas isso estaria ligado à complexidade do fenômeno estudado, não a um valor intrínseco dos campos científicos). Isso tanto mostra que essa visão não é nada original quanto que há uma preocupante permanência dela. Inclusive em outros países como o JapãoReino Unido e EUA.

Mas deixemos o próprio Conselho Superior da Fapesp com a palavra:
------------------------------
A FAPESP considera importante o debate na sociedade sobre o papel da pesquisa no Estado de São Paulo. Por determinação constitucional, esta Fundação deve apoiar o “desenvolvimento científico e tecnológico” no Estado de São Paulo (artigo 271, caput da Constituição Estadual) em todas as áreas do conhecimento (artigo 16, parágrafo primeiro da Lei 5918 de 1960).
Pela natureza intrínseca da ciência, resultados práticos de diferentes pesquisas podem se verificar em diferentes prazos, de maior ou menor extensão. Algumas pesquisas não se realizam para chegar a resultados práticos, mas sim para tornar as pessoas e as sociedades mais sábias e, assim, entenderem melhor o mundo em que vivemos, o que é uma das missões da ciência.
O Conselho Superior da FAPESP destaca que o apoio à pesquisa com vistas a aplicações tem recebido mais da metade (52% nos últimos três anos) dos recursos totais destinados às atividades-fim da Fundação. Por determinação legal, 95% do orçamento anual da FAPESP são destinados ao financiamento de pesquisas e é vedado à Fundação assumir encargos externos permanentes de qualquer natureza, inclusive salários.
Desde a sua criação, e por determinação legal, a FAPESP constituiu um patrimônio rentável que lhe permite, em situações de crise, não deixar de cumprir seus compromissos assumidos. Tal patrimônio tem sido administrado com rigor e eficácia ao longo de sua história e impedido que pesquisas importantes sejam interrompidas abruptamente por falta de recursos em tempos de arrecadação em baixa, como o atual.
O Conselho Superior afirma que a FAPESP, com a autonomia de que desfruta constitucionalmente, continuará obedecendo aos preceitos legais, atendendo às demandas de financiamento da pesquisa em todas as áreas do conhecimento científico e tecnológico.
A FAPESP está sempre atenta às demandas da sociedade, em busca do contínuo aperfeiçoamento do seu funcionamento, e continuará contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico do Estado de São Paulo e do Brasil, como vem fazendo diligentemente em seus mais de 53 anos de existência.
------------------------------
(via Ruth Helena Bellinghini e Maurício Tuffani fb)

Nota da Academia de Ciências do Estado de São Paulo - Aciesp*
Nota da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais - Anpocs*

Veja também outros textos sobre o tema na DCsfera:
26.abr.2016: Reinaldo José Lopes - Darwin e Deus: Alckmin e a ciência
27.abr.2016: Cristiano Bodart & Roniel da Silva - Café com Sociologia: Nota de repúdio à má fé do (des)governador Alckmin em relação à Sociologia
27.abr.2016: Maurício Tuffani - Direto da Ciência: O canal entupido de Alckmin com a ciência
29.abr.2016: Canal do Pirula: Zika, Fapesp e o Governador
07.mai.2016: Olá Ciência!: Pesquisa Básica e a Fapesp são inúteis, governador? (vídeo, não vi)

*Upideite(29/abr/2016): adido a esta data.

domingo, 17 de abril de 2016

Pesquisa GR: Melhores canais de DC na internet

Pelo rápido levantamento que fiz, encontrei apenas uma única votação dos melhores canais lusofônicos de divulgação científica baseada na internet. Realizada em 2009 - incluindo apenas blogues -, o Prêmio ABC, organizado pelo Laboratório de Divulgação Científica e Cientometria do Osame Kinouchi, da USP-RP (encontrei os resultados completos apenas em uma postagem do Rastro de Carbono).

Dos 23 blogues listados, apenas 6 fizeram alguma postagem em 2016.

Creio, então, que esteja na hora de uma atualização, incluindo novas (e nem tão novas) mídias que surgiram desde lá. (Caso a visualização nesta postagem não esteja muito boa, pode acessar o formulário diretamente no Google.)

Conto com a colaboração dos leitores do GR tanto na resposta como na divulgação da pesquisa.

(Não é preciso preencher todo o formulário. Caso não saiba indicar algum canal para um dos itens, pode deixá-lo em branco. [Naturalmente, dados pessoais também são de resposta facultativa.**] A única questão obrigatória é a de concordância com a pesquisa.)*

*Upideite(23/abr/2016): adido a esta data.
**Upideite(08/mai/2016): adido a esta data.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Como é que é? - Sexo não tem a ver com o tipo de brinquedo?

Parece haver uma opinião (geralmente não técnica) crescente - embora possivelmente ainda minoritária (não vi dados de pesquisa de opinião para sustentar isso, apenas de modo indireto baseio-me nas práticas comerciais predominantes como um indicador da cultura prevalente - o que é sujeito a erros, claro) - de que os tipos de brinquedos (carrinhos e revólver vs. bonecas e eletrodomésticos em miniatura) preferidos por meninos e meninas são produtos meramente de fatores culturais.

Por exemplo:
["Acha que a astromancia é zoada? Alguns pais acreditam que a forma dos genitais de um bebê prediz seu brinquedo, passatempos e cores preferidos."]

Figura 1. Fluxograma que se baseia na ideia de não se fazer distinção de sexo/gênero quanto a brinquedos infantis. ["Como saber se um brinquedo é de menino ou de menina. O brinquedo é acionado com os genitais? Sim. Não é para crianças. Não. É tanto para meninos quanto para meninas."] Fonte: Dueling Analogs.

Pessoalmente sou simpático à ideia de que na criação (dos próprios filhos) evite-se a distinção entre tipos de brinquedos.

Agora, isso não quer dizer que não haja nenhuma tendência inata de preferência por parte das crianças a certos tipos de brinquedos de acordo com seu sexo.

Ao contrário, há vários indícios de que *existe* essa preferência inata.

Meninos com comportamento mais associado a garotas (usar roupas femininas, socializar-se mais com garotas, comentar sobre a roupa da mãe, verbalizar que gostaria de haver nascido menina, ter a mãe como modelo de vida,uso de joias e cosméticos, brincar de casinha) e meninos com comportamento mais associado a garotos (brincadeira física, socializar-se mais com outros meninos, prefere o pai ou gosta igualmente de ambos) foram acompanhados ao longo de 7 (sete) anos. No primeiro grupo, 17% tinham como brinquedo preferido boneca do tipo feminina; no segundo grupo: 0%. (Green 1976.)

Em primatas como chimpanzés e macacos verdes, cativos e selvagens, é detectada a preferência dos filhotes por brinquedos de acordo com o sexo similar a de crianças humanas.

Meninas com hiperplasia adrenal congênita (CAH) são expostas tanto no útero como após o nascimento a níveis mais elevados de androgênios do que as meninas sem essa condição. Garotas com CAH têm maior tendência a brincarem com brinquedos associados a meninos e menos com os associados a meninas. Garotos com CAH não apresentam alterações em relação aos meninos sem a condição. (Barenbaun & Hines 1992.)

Alexander (2003) defende que essa preferência diferencial envolve dimorfismo sexual do sistema visual. Para os homens, com o sistema visual ligado às células-M, envolvidas no rastreamento de movimentos, mais desenvolvido (selecionado em função das atividades de caça, reservadas primordialmente aos primatas do sexo masculino): brinquedos associados a meninos, como carrinhos e bola, estimulariam tal via. Já para as mulheres, com o sistema visual sendo ligado mais às células-P, envolvidas com cores e formas (que ajudariam na tarefa de forrageamento de plantas e frutos e cuidado de crianças- como reconhecimento de expressões faciais): brinquedos associados a meninas, como bonecas coloridas e cheias de expressões, estimulariam essa via.

Incorreríamos na falácia naturalista se, constatada essa base biológica inata, insistíssemos que seria errado meninos brincarem com bonecas e meninas com carrinhos. Mas, dado que existem esses indícios, não faz sentido simplesmente ignorá-los para sustentar a tese de que as diferenças são meramente culturais.

Não se trata aqui tampouco de negar o peso cultural nessa preferência. E sim de reconhecer, como em tantas outras características dos seres vivos em geral e dos humanos em particular, uma interação entre fatores genéticos e ambientais (incluindo o modo de criação e socialização).

terça-feira, 5 de abril de 2016

*Não* manda nudes: divulgando ciências no snapchat

A seguir um nanodiretório de perfis de divulgação científica no Snapchat.

davirsimoes  - Primata Falante
devaniljr - Alimente o Cérebro
estevaoslow - Canal do Slow
lageevo - Laboratório de Genética Ecológica e Evolutiva
lmcamargos - Dragões de Garagem
marifiora - Dinobótico
milalaranjeira - Peixe Babel
omanualdomundo - Manual do Mundo
raael_rnam - RNAm, Scienceblogs, Numina Labs
papodeprimata - Papo de Primata

--------------
Obviamente é uma lista beeeeem incompleta, mas salta aos olhos que a maioria são divulgadores que usam o YouTube como plataforma principal. O snapchat, baseado também em vídeo, parece uma extensão natural.

Se souberem de mais, por favor, avisem ali nos comentários. (Também podem divulgar pelo twitter, usando a tag #snapciencia, proposta pelo SBBr.)

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Piriproxifem - pelos dados, sereno e propício

O biólogo Jean Remy Davée Guimarães, da UFRJ, publicou um artigo na Ciência Hoje questionando a segurança do larvicida Sumilarv® (piriproxifem), utilizado no tratamento de reservatórios de água para consumo humano contra o mosquito Aedes aegypti.

As preocupações são importantes já que precisamos ter segurança quanto ao que consumimos. Mas, felizmente, muitas das perguntas têm uma resposta que apontam para a relativa inocuidade à saúde humana.

"Mas me deparei também com um trecho preocupante: 'Em razão da baixa dose empregada e da segurança, os depósitos deverão ser tratados pela sua capacidade (volume total). É fundamental a cubagem do volume antes de fazer a aplicação do produto'. Hum... Então, se uma caixa de 1.000 litros só contiver 100 litros, a concentração do larvicida na água será dez vezes maior do que o recomendado. Pior: se, na próxima visita do agente sanitário, a caixa contiver os mesmos 100 litros já tratados, com a nova aplicação a concentração de larvicida será 20 vezes maior do que o recomendado."

O nível máximo seguro de ingestão diária é de 0,1mg por kg de massa corporal. A dose recomendada para aplicação na água é de 0,01mg/l. No caso de uma aplicação em dose 20 vezes maior: 0,2mg/l, o consumo máximo seguro de ingestão diária de água seria de 0,5l por kg de massa corporal. Um adulto de 50 kg teria que ingerir 25 litros de água por dia com essa concentração 20 vezes maior para se atingir o nível máximo seguro.

"As instruções técnicas que citei acima afirmam que o larvicida foi registrado na Anvisa sob o número 3.2586.0009.001-1 e com o nome comercial Sumilarv-0.5G. No entanto, quando realizei uma busca no site da Agência, não houve resultado para piriproxifeno, nem para o registro 3.2586.0009.001-1, nem para Sumilarv-0.5G. Tudo bem, acontece nas melhores instituições."

O produto está registrado e aparece, sim, no banco de dados da Anvisa e é possível se consultar o cadastro de Saneantes. (Talvez aqui seja preciso puxar a orelha da Anvisa para tornar a localização do banco de dados mais fácil - talvez um único motor de busca unificado a todos os cadastros: de medicamentos e alimentos a saneantes)

Figura 1. Dados cadastrais do Sumilarv® na Anvisa como saneante.

"Os textos do MS esclarecem, ainda, que o piriproxifeno foi escolhido em 'licitação feita pelo Fundo Rotatório da OPAS/OMS para aquisições de praguicidas (adulticidas e larvicidas) referente ao biênio 2013/2014, que apontou como produto mais econômico o larvicida piriproxifeno (Sumilarv®), fabricado pela empresa Sumitomo Chemical, sendo este, portanto o larvicida adquirido'. Certo. Então, o critério para a escolha de um larvicida a ser adicionado à agua potável de milhares de pessoas foi o preço. Mas calma! O licitante é também órgão normativo e garante que está tudo bem. Frase estranha, não acha?"

Licitações são feitas exatamente para se obter o lance mais baixo dentre os produtos que atendam às especificações técnicas constantes nos editais. Mas não são exatamente os mesmos órgãos que fez a licitação e que fez a análise. Como lembrado pelo trecho, a licitação foi realizada pelo Fundo Rotativo da OPAS/OMS; já a avaliação foi realizada pelo GDWQ/OMS. São braços e parcerias distintas. Sim, ambos se vinculam à OMS, mas esta é a autoridade mundial em saúde, natural que tanto se preocupe com a qualidade dos produtos e serviços de saúde quanto em oferecer acesso a tais. Assim como a Anvisa é vinculada ao Ministério da Saúde para analisar a qualidade dos produtos e serviços oferecidos, enquanto o Ministério da Saúde têm programas para aquisição e distribuição de medicamentos para a população.

"Buscando por piriproxifeno no site da organização internacional, encontro o polpudo relatório “Chemical Fact Sheets”, parte dos Guidelines of Drinking Water Quality, publicação que trata do piriproxifeno em suas páginas 439 a 440. Ali encontro, entre outros trechos bizarros (a tradução é minha):
'Não é considerado apropriado estabelecer um valor formal de referência para piriproxifeno usado em controle de vetores em água potável. A dose máxima recomendada de 0.01 mg/l seria equivalente a menos de 1% do limite superior de ingestão diária aceitável alocada para água potável para um adulto de 60kg que bebe 2 litros de água ao dia'.

Trocando em miúdos: não é apropriado estabelecer valores de referência, mas eles foram estabelecidos mesmo assim."

Não exatamente. O que diz o documento?

"It is not considered appropriate to set a formal guideline value for pyriproxyfen used for vector control in drinking-water. The maximum recommended dosage in drinking-water of 0.01 mg/l would be equivalent to less than 1% of the upper limit of the ADI allocated to drinking-water for a 60 kg adult drinking 2 litres of water per day. For a 10 kg child drinking 1 litre of water, the exposure would be 0.01 mg, compared with an exposure of 1 mg at the upper limit of the ADI. For a 5 kg bottle-fed infant drinking 0.75 litre per day, the exposure would be 0.0075 mg, compared with an exposure of 0.5 mg at the upper limit of the ADI. The low solubility and the high log octanol–water partition coefficient of pyriproxyfen indicate that it is unlikely to remain in solution at the maximum recommended applied dose, and the actual levels of exposure are likely to be even lower than those calculated."
["Não é considerado apropriado estabelecer um valor formal de referência para o piriproxifem usado na água potável para controle de vetores. A dose máxima recomendada na água potável de 0,01 mg/l seria o equivalente a menos de 1% do limite superior da ADI indicada para água potável para um adulto de 60 kg que bebe 2 litros de água por dia. Para uma criança de 10 kg que bebe 1 litro de água, a exposição seria de 0,01 mg, em comparação a uma exposição de 1mg no limite superior da ADI. Para um lactente de 5 kg que bebe 0,75 litro por dia, a exposição seria de 0,0075 mg, em comparação a uma exposição de 0,5 mg no limite superior da ADI. A baixa solubilidade e o alto coeficiente logarítmico de partição octanol-água do piriproxifem indica que é improvável que ele permaneça em solução na dose máxima de aplicação recomendada e os níveis reais de exposição possivelmente serão ainda mais baixos do que a dose calculada."]

O ADI ("acceptable daily intake" - ingestão diária aceitável) é diferente de um valor recomendado, assim como "maximum recommended dosage" ("dose máxima recomendada") não estabelece um valor (além de qual limite superior não ultrapassar): se deveria ser 0,001 mg/l ou 0,01 mg/l ou maior do que a ADI para controlar os vetores é algo que o documento não estabelece por considerar que depende muito do contexto específico, apenas fornece informações a respeito da segurança.

"While it is not appropriate to set guideline values for pesticides used for vector control, it is valuable to provide information regarding their safety in use. Formulations of pesticides used for vector control in drinking-water should strictly follow the label recommendations and should only be those approved for such use by national authorities, taking into consideration the ingredients and formulants used in making the final product. In evaluating vector control pesticides for the Guidelines, an assessment is made of the potential exposure compared with the ADI. However, exceeding the ADI does not necessarily mean that this will result in adverse health effects. The diseases spread by vectors are significant causes of morbidity and mortality. It is therefore important to achieve an appropriate balance between the intake of the pesticide from drinking-water and the control of disease-carrying insects. It is stressed that every effort should be made to keep overall exposure and the concentration of any larvicide no greater than that recommended by WHOPES and as low as possible commensurate with efficacy." Pp: 190-1 GDWQ/OMS 4a ed.
["Embora não seja apropriado estabelecer valores de referência para pesticidas usados no controle de vetores, é útil fornecer informações a respeito da segurança de seu uso. As formulações dos pesticidas usados na água potável para controle de vetores deve seguir estritamente as recomendações dos rótulos e devem apenas serem aprovados para tal uso por autoridades nacionais, levando em consideração os ingredientes e formulantes usados na produção do produto final. Na avaliação dos pesticidas de controle de vetores para o Guia, é realizado um estudo da exposição potencial em relação à ADI. No entanto, exceder a ADI não significa necessariamente que isso resultará em efeitos adversos à saúde. As doenças espalhadas pelos vetores são causas significativas de morbidade e mortalidade. Assim, é importante se alcançar um balanço apropriado entre a ingestão do pesticida com a água potável e o controle de insetos carreadores de doenças. É enfatizado que todo esforço deve ser feito para manter a exposição total e a concentração de qualquer larvicida não maior do que o recomendado pelo WHOPES e tão baixo quanto possível se acompanhar de eficácia."]

"'Para cada contaminante químico ou substância considerada, uma instituição líder [Quem escolheu? Com que critérios?] preparou um documento base avaliando [Como?] os riscos [Quais?] para a saúde humana em função da exposição ao composto considerado em água potável. Instituições [Quais? De que tipo? Quem escolheu?] do Canadá, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Itália, Japão, Holanda, Noruega, Polônia, Suécia, EUA e Reino Unido prepararam documentos para a 3a edição e adendos. Sob a supervisão de um grupo de coordenadores [Escolhidos por quem?], cada um responsável por um grupo de compostos considerados no GDWQ (Guidelines for Drinking-water Quality), os documentos de critério de saúde foram submetidos a um certo número [?] de instituições científicas [?] e experts [?] selecionados [Como e por quem?] para revisão pelos pares.'"

A parte de quem escolheu e por quais critérios consta no "WHO Guidelines for Drinking-water Quality - Policies and Procedures used in updating the WHO Guidelines for Drinking-water Quality".

A parte de quais pesquisadores e quais instituições consta no anexo 2 do GDWQ 3a edição. Para o piriproxifem, a seção de agradecimentos ("Aknowledgements") do: "Pyriproxyfen in Drinking-water: Use for Vector Control in Drinking-water Sources and Containers Background document for development of WHO Guidelines for Drinking-water Quality"

"A seguir, são mencionados, mas não citados, dois estudos sobre borrifação de piriproxifeno em cítricos nos EUA e Israel, em que não se detectou piriproxifeno na água. Logo, conclui-se que a exposição ao piriproxifeno por meio da ingestão de alimentos e água potável será muito baixa."

Não é isso o que está no documento. Logo no primeiro parágrafo da seção "Environmental levels and human exposure" lemos:

"However, there is potential for direct exposure through drinking-water when pyriproxyfen is directly applied to drinking-water storage containers."

A conclusão de baixa exposição pelos alimentos e água potável se refere ao uso como pesticida aplicado na lavoura:

"During May 2001, surface water samples were collected from five sites in Orange County, California, USA. Water samples showed no detectable concentrations of pyriproxyfen.

Pyriproxyfen is used on citrus fruit in Israel, South Africa, Spain and Italy. Residues in the 18 trials in those countries were as follows: oranges, 0.02–0.25 mg/kg; grapefruit, 0.03–0.08 mg/kg; and mandarins, 0.02–0.53 mg/kg. The maximum concentration on citrus fruit was about 1 mg/kg. Residues were not detected in the edible pulp (FAO/WHO, 1999).

These data indicate that exposure to pyriproxyfen from food and drinking-water will be very low."
["Durante o maio de 2001, amostras de águas superficiais foram coletadas de cinco locais no Condado Orange, Califórnia, EUA. As amostras de água não mostraram nenhuma concentração detectável de piriproxifen.

O piriproxifem é usado em citrus em Israel, África do Sul, Espanha e Itália. Resíduos de 18 testes nesses países foram os seguintes: laranjas, 0,02-0,25 mg/kg; toranja, 0,03-0,08 mg/kg e tangerinas, 0,02-0,53 mg/kg. A concentração máxima em citrus foram cerca de 1 mg/kg. Resíduos não foram detectados na polpa comestível (FAO/OMS 1999).

Esses dados indicam que a exposição ao piriproxifem através de alimentos e água potável serão muito baixas."]

"Aleluia, finalmente um texto que não é ferozmente esquizofrênico e tem até referências! Explica absorção, distribuição, excreção, biotransformação e outros aspectos do piriproxifeno. Que beleza. No total, há 46 referências de 23 autores, das quais apenas quatro foram publicadas em revistas indexadas e com conselho editorial e revisão pelos pares. As outras 42 são relatórios produzidos pelo próprio fabricante ou por empresas privadas contratadas pelo mesmo. Já ouviu falar em conflito de interesse?"

Essa é uma discussão bastante ampla na questão de análise de eficiência e inocuidade de medicamentos e similares. O consenso tende a considerar que as empresas devem arcar com as despesas - ficando com elas o ônus da prova para demonstrar que seus produtos funcionam e não matam as pessoas nem destroem o meio ambiente (ou não fazem tanto mal às pessoas e não causam tanta destruição ambiental). Há propostas para que tal tipo de estudos fique por conta de institutos públicos acreditados, mas geralmente esbarra no tamanho da estrutura necessária para tal e nos custos para sua manutenção. Poderia haver um fundo mantido com taxação sobre empresas ou o pagamento pela parte interessada para custeio dos estudos. Discussão similar ocorre quanto à elaboração de relatórios de impacto ambiental de projetos como instalação de fábricas, construção de rodovias, levantamento de barragens, etc.

"No item anterior, 'Aspectos práticos', o documento diz que, para uso em controle de vetores, devem usar-se apenas formulações aprovadas para tal fim por autoridades nacionais, levando em conta os ingredientes usados na preparação do produto final. 

Você viu algo sobre isto no site do MS ou da Anvisa? Eu também não. Mas, se o MS quisesse mesmo testar o produto final, teria que começar sabendo o que ele contém. E isso não é tarefa fácil. Depois de muitas horas sentado procurando, tudo o que consegui foi a tabela abaixo, retirada da página de uma empresa australiana de controle de pragas:

Composição do produto final não é clara o suficiente para uma avaliação mais criteriosa. (foto: Reprodução)

Quais seriam os tais outros ingredientes? Como se sabe que eles não são perigosos? Por que a Sumitomo Chemical só testou o ingrediente ativo e não a fórmula efetivamente comercializada e aplicada? Por que a OMS aceita esta prática, para o Sumilarv, o Roundup e dezenas de outros produtos? São boas perguntas, para as quais não há resposta nos sites dessas entidades, nem nos documentos ali disponíveis."

No banco de dados da Anvisa há um anexo com imagem do rótulo:

São 0,5% p/p de piriproxifem e o resto com ingredientes inertes: tensoativo (algum Tween ou outro detergente da vida) e diluente/excipiente (basicamente pedra pomes moída).

"Em resumo, uma dúzia de obscuros funcionários de uma indústria produzem relatórios obscuros atestando a inocuidade do principio ativo do novo produto da mesma indústria, e estes relatórios serão avaliados por especialistas gentilmente indicados pelo fabricante e avalizados pela OMS. As autoridades nacionais engolem o aval da OMS, aplicam um coquetel contendo o principio ativo e não podem testar a formulação aplicada de fato, pois sua composição não é revelada, tornando impossível atender à recomendação expressa da OMS."

Na verdade podem testar a formulação - mesmo que não soubessem a composição - já que têm acesso ao produto final. Estudos epidemiológicos também podem ser feitos comparando-se as populações expostas e não expostas ao produto ou mais expostas e menos expostas.

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails