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terça-feira, 31 de março de 2009

Brendan Zietsch responde a Ruth de Aquino

Brendan Zietsch autor do estudo sobre irmãos gêmeos de homossexuais e sua atratividade às mulheres enviou a seguinte resposta:
Thanks for writing. I'm not sure what Ruth de Aquino is trying to say - she gives examples of research which she says is useless, but doesn't say why it's useless. Also, she obviously hasn't read the research she refers to (for example, my study is unrelated to kindness or sensibility) but relies only on misinterpretation of news reports.
Therefore, I don't find the article very interesting.
Thanks again for letting me know about this, and let me know if you have any questions about my research.
[Obrigado por me escrever. Não estou certo sobre o que Ruth de Aquino está tentando dizer - ela dá exemplos de pesquisas que ela diz serem inúteis, mas não diz por que são inúteis. Além disso, ela obviamente não leu a pesquisa a que ela se refere (por exemplo, meu estudo não é relacionado à gentileza ou sensibilidade), mas se baseia apenas em interpretações errôneas de reportagens noticiosas.
Assim, não acho o artigo muito interessante.
Mais uma vez agradeço por me avisar sobre isso e avise-me se tiver mais alguma questão sobre minha pesquisa.
Retornei pedindo ao Dr. Zietsch comentar a questão do preconceito, uma vez que Aquino em resposta a um dos comentários disse: "não é preconceituosa uma pesquisa que diz que irmãos de homossexuais são mais atraentes e transam mais do que irmãos de heterossexuais?" (aqui). Zietsch teve a paciência de me responder o seguinte:
Firstly, I would say that our research is not at all prejudicial - I can't see in what sense it could be. Secondly, there is an obvious purpose for our research. Briefly:
Sexual orientation is known to have a genetic basis. How then could homosexuality, which lowers reproductive success, have evolved?
This 'Darwinian paradox' has confounded scientists. One possible explanation is that genes predisposing to homosexuality actually increase mating success in when those genes are carried in heterosexuals. Our study tests that hypothesis using genetic modelling of data from identical and nonidentical twin pairs. We show that [brothers of] psychologically masculine females and feminine men are (a) more likely to be nonheterosexual but (b), when heterosexual, have more opposite-sex sexual partners. With statistical modelling of the twin data, we show that both these relationships are partly due to pleiotropic genetic influences common to each trait. We also find a trend for heterosexuals with a nonheterosexual twin to have more opposite-sex partners than do heterosexual twin pairs. Taken together, these results suggest that genes predisposing to homosexuality may confer a mating advantage in heterosexuals, which could help explain the evolution and maintenance of homosexuality in the population.
[Antes de mais nada, diria que nossa pesquisa não tem nada de preconceituosa - não consigo ver em que sentido ela poderia ser. Em segundo lugar, há um propósito óbvio em nossa pesquisa. Em resumo: Sabe-se que a orientação sexual tem uma base genética. Como então a homossexualidade, que diminui o sucesso reprodutivo, evoluiu?
Este 'paradoxo darwiniano' tem intrigado os cientistas. Uma possível explicação é que os genes predispondo à homossexualidade na verdade aumentam as chances de sucesso de encontrar parceiros sexuais quando esses genes são portados por heterossexuais. Nosso estudo testa essa hipótese usando modelagem genética de dados de pares de gêmeos idênticos e não-idênticos. Nós mostramos que (irmãos) de mulheres psicologicamente masculinas e de homens psicologicamente femininos são (a) mais propensos a serem não-heterossexuais, mas (b), quando heterossexuais, têm mais parceiros sexuais do sexo oposto. Com a modelagem estatística dos dados de gêmeos, mostramos que essas duas relações se devem, em parte, a influências genéticas pleiotrópicas comuns a ambas as características. Nós também encontramos uma tendência de heterossexuais com um gêmeo não-heterossexual terem mais parceiros do sexo oposto do que pares de gêmeos heterosseuais. Tomados em conjunto, esses resultados sugerem que genes predispondo à homossexualidade podem conferir uma vantagem de encontrar parceiros sexuais quando em heterossexuais, o que pode explicar a evolução e manutenção da homossexualidade na população.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Paul Gregg responde a Ruth de Aquino

O segundo a responder é Paul Gregg, um dos autores do trabalho sobre o desempenho escolar dos canhotos.
My reaction is not offense but sadness that a journalist would write such nonsense about our work. She and Barack Obama are left handed - does this disprove that left handed children in Britain do less well on average? Barack Obama is also black does this disprove that black people do less well in America on average? This is the difference between science based on large samples and anecdote based on two highly selected people. The aim is too highlight how left handed children may benefit from extra help in the classroom when young (ages 3 to 6 is a reasonable range) not to damage anyones self-esteem. Journalists often try to sensationalise rather than inform and this is a clear example of this trait.
[Minha reação não é de ofensa, mas de tristeza que uma jornalista possa escrever tal disparate a respeito de nosso trabalho. Ela e Barack Obama são canhotos - isso refuta que crianças britânicas canhotas na média têm pior desempenho? Barack Obama é também negro, isso refuta que pessoas negras nos EUA na média têm pior desempenho? Essa é a diferença entre ciência baseada em grandes amostras e anedotas baseadas em duas pessoas altamente selecionadas. O objetivo é também enfatizar como crianças canhotas podem se beneficiar de ajuda extra nas aulas quando pequenas (idades entre 3 e 6 anos são uma faixa razoável), não ferir a auto-estima de alguém. Jornalistas frequentemente tentam fazer sensacionalismo em vez de informar e este é um exemplo claro dessa característica.
Destaco o trecho: "The aim is too highlight how left handed children may benefit from extra help in the classroom when young (ages 3 to 6 is a reasonable range)". Onde está a inutilidade ou o preconceito nisso?

quinta-feira, 26 de março de 2009

Susan Fiske responde a Ruth de Aquino

Claro que fui ouvir os pesquisadores enxovalhados. A primeira contatada e a primeira a responder foi Susan Fiske, co-autora sobre o estudo de como homens veem o corpo das mulheres:
She gets my research completely wrong. There is no point talking to people like that. They are not open to persuasion. For your effort in conveying this to me, I attach an accurate lay language summary of our work. Thanks for your interest.
[Ela entendeu minha pesquisa de modo completamente errado. Não há razão para falar com pessoas assim. Elas não estão abertas ao convencimento. Em retribuição a me alertar sobre isso, envio em anexo um resumo acurado em linguagem leiga de nosso trabalho. Obrigada pelo interesse.]
Abaixo a reprodução do texto enviado:
From Subjects to Objects: Sexist Attitudes and Neural Responses to Sexualized Targets

Mina Cikara, Princeton University
Jennifer L. Eberhardt, Stanford University
Susan T. Fiske, Princeton University

When do we treat other people as tools? Our overarching question for this program of research is how people can objectify another person, treating the person instrumentally, as in effect a tool. As a first step in this line of research, we examine the impact of sexual instrumentality and sexist attitudes on memory for and neural responses to passively viewed images of men and women, sexualized and fully clothed. We use questionnaire, memory, and fMRI methods.

Our first hypothesis was that the pictured people’s gender and level of dress, as a manipulation of instrumentality, should influence memory. Specifically, if sexualized women serve some potentially instrumental function, they should be better recognized than the other three kinds of images. And, indeed, heterosexual men, in a surprise memory test, were significantly better at recognizing bikini-clad female bodies (with the heads removed), than they were at recognizing any of the other three types of images or any kind of faces.

Second, some objects are mentally represented not only as what they are useful for, but how they are physically used. We predicted that viewing sexualized female images would activate brain regions that have previously been identified as responding more to action-associated objects, like tools, as compared to other sorts of non-human entities. We were particularly interested to see if any regions that responded more to sexualized women as compared to the other three types of images would correlate with participants’ ability to remember sexualized female images. As predicted, neuroimaging data demonstrated that memory for sexualized women’s bodies correlated with activation areas previously associated with tool-use or manipulable objects (premotor cortex, posterior middle temporal gyrus). That is, greater activity in these premotor areas predicted better recognition. We did not observe this memory-motor relationship for other types of images.

Finally, we predicted that if in fact sexualized women were seen more like instruments, then looking at them should affect activity in areas associated with social cognition. In particular, we focused on areas implicated in people considering other people’s thoughts and feelings, a phenomenon termed mentalizing. Because participants with high hostile sexism scores have previously been shown to see women as less human, we predicted that hostile sexists might especially neglect the minds of sexualized women. As predicted, hostile sexism predicted less activation of otherwise reliable social cognition networks (mPFC, posterior cingulate, and bilateral temporal poles) in response to looking at bikini-clad women. This implicates more hostile attitudes in predicting deactivation of the mentalizing network, consistent with viewing sexualized women as less human.

Although all these findings require follow-up, they fit other work showing that people can treat others as less than fully human, depending on their goals for engaging (or not engaging) them.

Paper given at AAAS meetings Feb. 15, 2009
Destaco o trecho final: "Although all these findings require follow-up, they fit other work showing that people can treat others as less than fully human, depending on their goals for engaging (or not engaging) them" - os autores claramente dizem que há necessidade de mais estudos, e que os resultados são consistentes com resultados anteriores. Nada de enxurradas de conclusões, nada de besteirol, nada de "criatividade" (entendendo-se isso por conclusões precipitadas e não embasadas nos dados). É um trabalho sério e os autores estão plenamente cientes das limitações, mas também estão alertas para as implicações dos achados - ao mesmo tempo que mostram toda a construção do raciocínio e como os dados se encaixam nesse panorama.

Ruth de Aquino responde 9

Antes, um comentário do leitor:
Osame Kinouchi | SP / Ribeirão Preto | 26/03/2009 11:15
Uma pauta para Ruth
Vou passar aqui uma pauta para Ruth: se ela quiser criticar de verdade a inutilidade da produção científica, ela deveria comentar com os leitores sobre a porcentagem de papers que nunca recebem citação alguma. eve estar por volta de 10% ou mais. Entretanto, cuidado. Falta de citações também não é demérito, pois podem ocorrer devido a vários fatores: 1. Era um trabalho novo mas preliminar, e uma versão mais completa foi publicada posteriormente. Cita-se a versão mais completa. 2. O trabalho é bom, mas é publicado em uma época em que os pesquisadores da área estão migrando para outros assuntos. 3. O trabalho é cientificamente bom, mas foi publicado por alguma circusntancia em uma revista com baixo status. 4. O trabalho é tão original que demora um certo tempo para a comunidade absorvê-lo. São os papers chamados de "Belas Adormecidas", que só despertam muitos anos depois. 5. O trabalho é bom, mas um outro na mesma linha é melhor. Escolhe-se o segundo para citar. 6. O trabalho é bom, mas a rede social de amigos do cientista é pequena (ele é timido, não aparece em congressos, não divulga etc). Acaba ficando sem citações. Eu tenho vários trabalhos que não receberam nenhuma citação (OK, compensados pelas 400 citações que já recebi pelos outros!). Mas eu me orgulho deles, em todos acredito existirem idéias originais, mas fatores como os descritos acima os deixaram com citação zero. E como eu também não costumo me autocitar muito, isto contribui para o fato.
Agora a resposta:
ruth de aquino | RJ / Rio de Janeiro | 26/03/2009 11:35
Mas é pauta para reportagem, não para coluna. Eu adorei esse apelido de "Bela Adormecida" - os papers que só despertam num momento futuro. Está anotada sua contribuição. Grata,
Educada, mas tergiversou - não foi ao ponto da questão. Osame diz: "se [...] quiser criticar de verdade a inutilidade da produção científica", o que implica que a crítica da Sra. Aquino não foi válida. Porém, não sejamos tão severos, é aceitável que ela não tenha se entretido com esse aspecto.

Ruth de Aquino responde 8

ruth de aquino | RJ / Rio de Janeiro | 26/03/2009 11:28
Desculpe-me, caro Osame, mas onde está a arrogância? Não consigo encontrar esse sentimento ou comportamento em mim. Arrogantes são os que não dão espaço para que leitores se manifestem a favor ou contra. Tantos profissionais, jornalistas ou não, nem se dão ao trabalho de debater, de ouvir, de escutar quem discorda deles e se fecham em sua torre. Eu poderia ignorar todas as críticas. É raro que algum colunista se disponha a debater com leitores. O sr chama isso de arrogância? Além de responder a algumas críticas, elogiei e recomendei vários comentários postados no site. Como o sr deve ter percebido, há pessoas que pensam diferente do sr. E assim corre a vida. Com tolerância e respeito por opiniões contrárias.
Onde está a arrogância, Sra. Aquino? Que tal em: "Aliás, o que você faz? Qual é sua pesquisa?" (aqui), ou em: "Mas, por favor, não escreva 'encino'...O nome do presidente americano também está errado, mas isso é natural. Rankin também não se escreve assim. Afim também não se escreve junto. Você deveria estar distraído, não? Ou chateado, talvez? [...] O ensino de Português, por exemplo, é muito falho, não acha?"? (aqui) "Você entende essa sutileza lógica? Ou é preciso explicar? Não, não é preciso..." (aqui) (Dê-se o devido desconto porque são respostas a comentários mais agressivos - ainda que isso vá contra o: "Com tolerância e respeito por opiniões contrárias.")

Mas podemos falar em arrogância na medida em que quer, sem conhecimento de causa e sem ter lido os trabalhos, classificar estudos em inúteis, óbvios, preconceituosos. Não que as pessoas não tenham o seu sagrado direito à arrogância e, mais uma vez, opinião própria. Mas se falam sem saber muito bem o que dizem, é bom estarem preparados para críticas. Algumas mais ácidas.

Sim, há um ponto a favor da Sra. Aquino em liberar os comentários. Embora seja um certo tipo de obrigação moral a qual todos os que têm um canal de comunicação estão sujeitos.

"Eu poderia ignorar todas as críticas." - poderia no sentido de que é legalmente permitido, mas não é conviente do ponto de vista social. De todo modo, embora ela não ignore *todas* as críticas, ela tem ignorado as críticas mais objetivas: como a questão estatística ou a importância da contextualização da pesquisa.

É raro que algum colunista se disponha a debater com leitores" - não tão raro. Cito de cabeça: Hélio Schwartsman, Luis Nassif, Juca Kfouri, Reinaldo Azevedo, Eliane Cantanhêde, Ricardo Noblat, Fábio Seixas, Soninha Francine, Marcelo Leite. Mas enfim, não tira *este* mérito da Sra. Aquino - o que não faz com que se diminua o tamanho da bobagem do texto que publicou.

"[E]logiei e recomendei vários comentários postados no site" - é muita coincidência que as postagens elogiadas e recomendadas (esses "vários", que contei, foram quatro: aqui, aqui e aqui) sejam as que concordam com ela?

Ruth de Aquino responde 7

ruth de aquino | RJ / Rio de Janeiro | 26/03/2009 09:44
Caro João Ferreira: é evidente que eu não rio 'da classe como um todo'. Se eu critico práticas de políticos, de jornalistas (crônicas A Síndrome da Notícia Ruim - ou Eloá: Vida e Morte a Qualquer Preço), da elite (Bandalhas de nossa Elite), é claro que não estou criticando a totalidade das categorias. Eu me divirto bastante com algumas pesquisas como leitora, mas não as reconheço como científicas nem úteis para a humanidade. E essa banalização visando a mídia não se limita hoje à ciência. CARO ROBERTO. Dizer que essas pesquisas não são exceção não quer dizer, de forma alguma, que elas sejam regra - e que todas elas concorram ao prêmio IgNobel. Você entende essa sutileza lógica? Ou é preciso explicar? Não, não é preciso...
Diz ela: "é evidente que eu não rio 'da classe como um todo'". Não tem muito de evidente com afirmações generalizantes feitas no texto.

"Eu me divirto bastante com algumas pesquisas como leitora, mas não as reconheço como científicas nem úteis para a humanidade" - voltamos à questão da Sra. Aquino ter todo o direito de mundo de ter opinião própria, mas é uma opinião digna de crítica posto que ela nem tem conhecimento de causa (como enfatizei em outra postagem) e, pior, pelo que pudemos observar ela nem ao menos *leu* as *pesquisas* - no máximo, o que os *jornalistas* disseram sobre elas.

"Dizer que essas pesquisas não são exceção não quer dizer, de forma alguma, que elas sejam regra" - sim e não. Uma coisa não implica na outra necessariamente, porém basta ver o contexto em que foi escrito: "receita de riso certo". E, no texto, não há nenhum tipo de ressalva acerca das pesquisas que ela consideraria "úteis para a humanidade".

Upideite (27/mar/2009): rápida atualização de almoço, conforme o leitor Roberto Pinho alertou no comentário, "exceção" se define por ser algo que "foge à regra", logo se não é exceção, é regra. Eu dei uma colher de chá e admiti a liberalidade de interpretar "exceção" como "numericamente insignificante", mas Pinho tem razão em dizer que isso deveria ser expresso com a palavra "raridade" ou termos correlatos.

Ruth de Aquino responde 6

E lá vamos nós, aqui inverterei, primeiro a resposta de Aquino:
ruth de aquino | RJ / Rio de Janeiro | 26/03/2009 08:08
Esta coluna foi enriquecida por comentários de dois cientistas, postados. Um deles é o Renato, do RS. 'Eu sou cientista. Como tal, obviamente valorizo a Ciência, a boa Ciência, feita segundo procedimentos bem definidos pela comunidade científica. No entanto, sou forçado a concordar com a Ruth que há 'estudos' hilários como os que ela apontou e, infelizmente, muitos outros. Lembro-me o clássico estudo do movimento da pélvis feminina, em que modelos ficavam andando nuas no laboratório enquanto os pesquisadores se fartavam de fotografar. Ouso indicar este, deliberadamente satírico, que demonstra que não basta seguir certas fórmulas e métodos. Existe até o prêmio IgNóbil para eles. Sempre digo aos meus orientandos: não monte uma pesquisa para descobrir o óbvio, que todo mundo já sabe. O porquê de tais 'estudos'? Essa questão merecia uma pesquisa ela mesma. Mas posso aventar a hipótese da pressão da produção. O pior é que eles são feitos com dinheiro público e roubam recursos de pesquisas sérias, úteis. Contra isso, sim, devemos nos indignar, após rir um pouco'. O OUTRO é DE BOG, DO PR. intitulado É bom tomar cuidado... Não deixem de ler. É o primeiro comentário postado, no dia 21 às 00:38. Excelentes contribuições, de pesquisadores e cientistas que se preocupam de verdade com o que fazem, e totalmentes despidos do corporativismo que busca um pensamento homogêneo e empobrecedor, acrítico.
E agora, os comentários referidos por ela:
Bog | PR / Curitiba | 21/03/2009 00:38
É bom tomar cuidado...
... com 2 detalhes: 1. Existe alguma controvérsia quanto às pesquisas em psicologia - em especial, aquelas baseadas em amostras pequenas e entrevistas - serem realmente ciência. 2. Vale lembrar que verdades estatísticas não são implicações diretas. Se um estudo realmente mostra que 'meninas ambidestras se saem pior na escola', não quer dizer que toda menina ambidestra é burra, e sim que as meninas ambidestras, *em geral*, tiram notas mais baixas. No mais, tenho que concordar que existem muitas pesquisas com pouco ou nenhum sentido. Pior, muitos pesquisadores interpretam os fatos com um certo viés, e atropelam princípios básicos da ciência séria, supondo que correlação é o mesmo que causa, tirando explicações do bolso do colete, ou partindo de pressupostos furados que poderiam levar a qualquer conclusão absurda que se imagine. Como pesquisador e cientista por profissão, sinto-me um pouco envergonhado ao ver esse tipo de "ciência", ao mesmo tempo em que gosto de lembrar que nem toda pesquisa aparentemente inútil é realmente inútil.
Renato | RS / Porto Alegre | 22/03/2009 14:26
Boa Ciência e má ciência
Desculpe-me discordar, Sr. Walter. [...]
Comentários "inteligentes", ok. Mas será coincidência que ela os classifique como inteligentes ao mesmo tempo em que os dois são *favoráveis* a ela? De repente é. Mas não apostaria muito nisso. No comentário do Bog ainda há a questão da estatística, mas se é inteligente, por que a Sra. Aquino não incorporou a observação e parou de falar que exceções como ela e Obama refutam a média encontrada?

Ruth de Aquino responde 5

E vamos mais uma vez, primeiro o comentário de um leitor:

Osame Kinouchi | SP / Ribeirão Preto | 25/03/2009 23:10
Amostra de 21 pessoas nao e pouco!
Usando um teclado sem acentos, sorry! Se eu dou uma droga para 21 jovens e 18 deles morrem nas proximas 24 horas, eu posso concluir (probabilisticamente) que a droga eh perigossa, mesmo que a amostra seja pequena e que existe a possibilidade das mortes nao terem relacao alguma com a droga (ess possibilidade sempre existe). E afinal, como ouve tres sobreviventes, o cetico pode argumentar que tudo ocorreu por acaso. Mas a estatistica de pequenas amostras eh uma area bem desenvolvida, e sabe quantificar essas probabilidades. Talvez Ruth, com seu ceticismo, desse a droga para seus filhos, afinal pesquisa com 21 pessoas eh irrelevante. E os demais leitores? A pesquisa citada por Cristovao Lopes 'e mais uma evidencia a favor da Psicologia Evolucionaria, que esta derrubando decadas de uma psicologia tipo tabula rasa (Skiner e esquerdistas romanticos). Uma tese que diz que os homens usam o poder para obter sexo enquanto as mulheres usam o sexo para obter poder. Se isso eh conhecimento trivial, entao porque as feministas dos anos 60-70 negavam isso em absoluto, dizendo que tudo era cultural?
Seguido da resposta de Aquino:
ruth de aquino | RJ / Rio de Janeiro | 26/03/2009 06:42
Caros leitores, só para esclarecer, porque muitos aqui dizem que sou "pretensamente ateia", o que pode significar qualquer coisa, mas não passa de fantasia ou especulação. Sou agnóstica, não ateia. E como fica esquisito "ateia" sem acento, não? Não sei qual pesquisa levou os linguistas a aprovar essa reforma ortográfica inútil. CARO OSAME, não se preocupe com a falta de acentos...isso é bobagem. Mas, nunca precisei ler pesquisa para saber se deveria dar droga para meus filhos...Fico impressionada com as conclusões que pesquisadores tiram de simples opiniões e pontos de vista. Mas fazer ressonância magnética para 'descobrir' o que é senso comum ou o que é absurdo ('GENES GAYS EXCITAM MULHERES), e não o mal que uma droga pode fazer, isso me parece perda de tempo e desperdício de dinheiro - que poderia ser usado para pesquisas bem mais relevantes. CARO JOAO FERREIRA, não é preconceituosa uma pesquisa que diz que irmãos de homossexuais são mais atraentes e transam mais do que irmãos de heterossexuais? Concordo com você, o preconceito é nocivo à sociedade. Rir porque uma pesquisa diz que 'pulgas em cães pulam mais que pulgas em gatos' não revela nenhum preconceito, mas senso de humor.
Ela continua a não ler direito o que os leitores escrevem: "Mas, nunca precisei ler pesquisa para saber se deveria dar droga para meus filhos..." O que o leitor Osame (do blog SemCiência) disse foi que um número amostral do tamanho de uns 20 indivíduos pode ser o suficiente para mostrar que um produto é danoso. A Sra. Aquino precisou de muitas pesquisas para mostrar que determinados produtos são danosos - como o DDT, que inicialmente se achava ambientalmente inerte; vários testes primários com substâncias candidatas a medicamentos, etc. Isto é, se ela não precisa ler pesquisa para saber que não se deve dar drogas aos filhos (entendendo-se aqui drogas como substâncias nocivas), ela precisou das pesquisas para saber que algo era uma droga.

Ainda na tecla: "Fico impressionada com as conclusões que pesquisadores tiram de simples opiniões e pontos de vista." O que na verdade caberia perfeitamente à Sra. Aquino. Pesquisadores fazem estudos em cima de opiniões com base em tratamento estatísticos dessas opiniões. Não com base unicamente em opinião pessoal. "Mas fazer ressonância magnética para 'descobrir' o que é senso comum ou o que é absurdo ('GENES GAYS EXCITAM MULHERES), e não o mal que uma droga pode fazer, isso me parece perda de tempo e desperdício de dinheiro - que poderia ser usado para pesquisas bem mais relevantes." Felizmente não cabe à Sra. Aquino dar um parecer a respeito do financiamento público ou privado das pesquisas. Claro, ela como cidadã tem todo o direito de ter opinião própria - apenas seria mais alentador se fosse uma opinião embasada, ainda que leiga (sim, leigos podem ter opiniões embasadas, desde que procurem estudar o assunto). E aqui podemos voltar ao argumento da autoridade: quem está mais preparado para avaliar a qualidade de uma pesquisa? Especialistas que estudaram profundamente a área ou uma jornalista que não tem nenhum conhecimento de causa? Um estudo planejado por um pesquisador com treinamento específico em sua área, que passa por um comitê formado por especialistas para conceder ou não financiamento e depois por pareceristas com amplo conhecimento de causa para decidir se o trabalho é ou não publicado em uma revista - enfim, o processo de revisão pelos pares (que continua depois da publicação, com críticas pela comunidade científica), embora não seja perfeito, tende a ser muito mais rigoroso e preciso do que a opinião da Sra. Aquino.

O fato da Sra. Aquino *achar* que este ou aquele estudo é irrelevante, não faz com que o estudo seja irrelevante. Quanto ao senso comum já foi plenamente argumentado que: 1) o resultado das pesquisas criticadas *não* são senso comum; 2) só se sabe se o resultado de uma pesquisa corresponde à noção anterior do senso comum *depois* de se ter tal resultado. De modo depreciativo podemos classificar a opinião da Sra. Aquino de "crítica de engenharia de obra pronta".

E como comentado no post "O roto e o rasgado", o que a Sra. Aquino classificaria de pesquisa irrelevante, em certos casos - há vários, depois de um tempo termina por se revelar de grande importância. Volto ao exemplo de Darwin com suas sementes em salmoura (uma importante peça da teoria da evolução por seleção natural); mas podemos falar da irrelevante pesquisa de Shannon que teorizava sobre a matemática da transmissão de sinais (que permite hoje a internet, a comunicação por satélites, televisão analógica e digital, celulares...), da mania de Conde de Buffon de jogar uma agulha sobre um papel pautado e anotar sua orientação (cuja modelagem levou a desenvolvimento de poderosas ferramentas estatísticas), dos cientistas do séc. 18 que brincavam com curiosos pedaços de rocha que atraía metais e de esfregar objetos entre si (que resultou no domínio da eletricidade e do magnetismo).

Ficar preso unicamente às necessidades atuais é um bom caminho para deixar de abrir novas perspectivas futuras. Nem todos os novos caminhos levam a algum lugar. Mas não sabemos de antemão que caminhos resultam em algo importante. O que podemos aplicar é uma lei da probabilidade, reservando uma pequena parte dos fundos disponíveis para financiar pesquisas que segundo a Sra. Aquino seriam irrelevantes ou insólitas. E a fração da grana investida nesses projetos é irrisória. É um exame racional de como dividir as aplicações de investimentos: há investimentos seguros (ou havia antes da crise financeira mundial), mas cuja rentabilidade é baixa; há investimentos mais ousados, porém de grande potencial de retorno. Diversificar a carteira tende a ser a melhor opção para ter uma expectativa de bom retorno a um certo prazo - sem arriscar demais o patrimônio.

Pergunta a jornalista: "não é preconceituosa uma pesquisa que diz que irmãos de homossexuais são mais atraentes e transam mais do que irmãos de heterossexuais?" A resposta é um sonoro não. São dados. O preconceito existirá independemente dos dados. Não há preconceito em afirmar que a pele dos negros é mais escura do que a dos brancos - muito menos se explicar que a diferença se deve à maior ou menor produção de melanina: o preconceito reside em dizer que ser negro é ruim. As mulheres gostam mais de irmãos de homossexuais do que de irmãos de heterossexuais? Que preconceito há em revelar isso? Aliás, pode ser interpretada de um modo favorável aos homossexuais: é bom ser irmão de homossexual!

Rir porque uma pesquisa diz que 'pulgas em cães pulam mais que pulgas em gatos' não revela nenhum preconceito, mas senso de humor" - sim, rir de uma pesquisa dessas não é preconceito, mas *debochar* de uma pesquisa dessas *é* preconceito, ainda mais não tendo nenhum conhecimento de causa e descontextualizando o trabalho.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Ruth de Aquino responde 4

ruth de aquino | RJ / Rio de Janeiro | 25/03/2009 19:11
BOA contribuição, Cristóvão
Mais uma pesquisa extremamente útil, dessa vez enviada como colaboração por Cristóvão Lopes, de Salvador da Bahia. Uma extensa investigação envolvendo carros de luxo, homens, mulheres, e a conclusão, então, super original. Não deixem de ler. Obrigada, Cristóvão! Você entendeu que estamos falando de um tipo de pesquisa que assola os sites de notícia e a mídia de maneira geral...Nós, jornalistas, somos parcialmente culpados.
O estudo comentado - que ela nem leu, apenas o trecho que o leitor postou (que foi tirado do noticiário) - é este: Dunn, MJ & Searle, R (2009) Effect of manipulated prestige-car ownership on both sex attractiveness ratings. British Journal of Psychology (no prelo). A conclusão pode não ser original, mas embasa com dados a hipótese da psicologia evolutiva de que as mulheres se guiam mais pelo status e riqueza do companheiro. O que faz muito sentido em termos de biologia do sexo, já que significa que será um bom provedor de recursos para a criação da prole. E mostra que o peso relativo da beleza masculina é secundário - embora possa ser um valor a ser agregado.

Usando um pouco de argumento de autoridade - e aqui um argumento de autoridade defensável, já que se trata de opinião de especialistas dentro de seu ramo de especialidade - é mais confiável que o sistema de avaliação de uma revista (mesmo que 892a de psicologia geral) tenha mais entendimento de causa sobre a qualidade de um trabalho do que uma jornalista sem especialização na área. Mas podemos abrir mão desse argumento.

Aqui, finalmente um pouco de luz, ainda que tíbia: "
Nós, jornalistas, somos parcialmente culpados." Pena que ela não tenha feito essa autocrítica no texto. Aliás, Renan Picoreti, do n-Dimensional antecipou essa saída.

Ruth de Aquino responde 3

Mais uma resposta. Primeiro o comentário de um dos leitores:
Thiago Mello | DF / Brasília | 25/03/2009 17:24
Pessima Matéria Ruth.
Pessima não é a materia em si. Mas a falta de profissionalismo de Ruth, ao tentar distorcer ou omitir os verdadeiros motivos das pesquisas em função de convicções pessoais. --Tudo bem que a matéria foi apresentada num tom debochado e sarcástico-- Entretanto a ciência necessita de pesquisas em todas as frontes, área, e vertentes. Mesmo quando achamos uma pesquisa fútil ou desnecessaria, não significa que não tenha um proposito maior. Exemplo da PESQUISA SOBRE OS CANHOTOS. LOGICAMENTE existem exceções e Barak Obama se enquadra nela. A pesquisa e séria e analisou nada menos que 10 mil crianças, 3 tipos de testes realizdos por cada uma, alem dos testes de QI de cada uma. E chegaram as conclusões chegadas, informação inutil?? Não, estavam em busca de estabelecer a capacidade de aprendizado e ensino de crianças e adolecentes, afim de descobrir metodos e maneiras mais eficazes e PERSONALIZADOS para o encino. Talvez seja por isso que a Englaterra ocupe a 7ª posição no rankin mundial da educação. E pela razão INVERSA -- ou seja falta de pesquisas-- nos ocupamos a vergonhosa 72ª posição. Dados, UNICEF, IBGE, UNESCO, MEC.
Ao qual ela comenta assim:
ruth de aquino | RJ / Rio de Janeiro | 25/03/2009 19:06
CARO THIAGO de Brasília
Respeito, claro, sua opinião, Thiago, embora você tenha sido demasiadamente severo e até raivoso... Mas, por favor, não escreva "encino"...O nome do presidente americano também está errado, mas isso é natural. Rankin também não se escreve assim. Afim também não se escreve junto. Você deveria estar distraído, não? Ou chateado, talvez? Se ocupamos a 72a posição em pesquisas científicas, isso nada tem a ver com as pesquisas engraçadinhas que eu citei como parte do folclore criticado até na comunidade científica. Nosso problema educacional é muito maior, e vem do ensino fundamental. O ensino de Português, por exemplo, é muito falho, não acha?
Aqui ela tergiversa. Não fala da questão estatística - da média admitindo variação, de modo que um único caso fora não a invalida. E diz: "Se ocupamos a 72a posição em pesquisas científicas, isso nada tem a ver com as pesquisas engraçadinhas que eu citei..." Ela nem ao menos leu direito o que leitor escreveu. A 72a posição que ele comenta não é de "pesquisas científicas", mas de "ranking de educação". E o leitor mostra examente como um dos estudos criticados (a respeito dos canhotos) pela Sra. Aquino tem a ver com isso: "busca de estabelecer a capacidade de aprendizado e ensino de crianças e adolecentes, afim de descobrir métodos e maneiras mais eficazes e personalizados para o ensino".

Ruth de Aquino responde 2

Continuando a série:

ruth de aquino | RJ / Rio de Janeiro | 25/03/2009 16:13
CARO PHELIPE. Quando digo que fiz mestrado na LSE, não foi para me gabar de ser cientista ou pesquisadora, o que nunca fui. Mas para dizer que o universo e os trabalhos acadêmicos - e muitos derivam de pesquisas científicas importantes - não são menosprezados por mim. Os pais de meus filhos foram várias vezes convidados a dar palestras no exterior sobre suas pesquisas, que renderam livros. Então, como você vê Phelipe, nada pode ser generalizado nem estereotipado. Dentro da Física Quântica e dentro da Engenharia Elétrica, existem áreas e temas de pesquisa. E naturalmente valorizo quem se dedica com seriedade. Aliás, o que você faz? Qual é sua pesquisa? CARO THERMUTIS. Eu sorri com seu comentário, porque compartilho seu espanto. As pessoas acusam advogados, médicos e políticos de "corporativismo". E quando alguém cita algumas pesquisas com amostragens duvidosas e conclusões discutíveis como uma tendência à busca de repercussão na mídia, há um ou outro que se incendeia e que impõe "retratação..." à comunidade científica... Esse exagero me soa quase tão engraçado quanto "provar que o homem enxerga uma mulher de biquini e sem rosto como um objeto".
Aqui ela volta com: "nada pode ser generalizado ou estereotipado", coisa que ela acabou fazendo. E com "naturalmente valorizo quem se dedica com seriedade" acabou de dizer que os autores dos trabalhos citados são charlatães, uma acusação de maior gravidade em se tratando de uma profissão (cientistas) cujo patrimônio maior é a credibilidade. Ainda na carga de "amostragens duvidosas" e "conclusões discutíveis" - o que bem se pode atribuir ao texto dela mesma. No post anterior mostrei que no único trabalho com pequeno tamanho amostral, a autora é muito cuidadosa na generalização das conclusões.

Ruth de Aquino responde

A jornalista Ruth de Aquino respondeu a algumas manifestações no sistema de comentários de sua coluna no sítio web da revista Época. Nesta série reproduzo (e comento) as respostas da Sra. Aquino. Segue a primeira:

ruth de aquino | RJ / Rio de Janeiro | 25/03/2009 11:44
Oi, Ricardo. Pois é. Aparentemente você (e muitos leitores que me escreveram) entenderam que o texto se propõe sobretudo a ser bem humorado...Como alguns comentaram, como eu poderia ser contra a ciência se eu mesma fiz tese de mestrado na London School of Economics. Tenho muitos amigos acadêmicos. Dois deles - os principais - são pais de meus filhos, professores universitários, com pós-doc em Engenharia e Física Quântica. Tenho enorme admiração por pessoas assim - que dedicam sua vida a pesquisas, a ensinar nas universidades, ganham muito menos do que deveriam, e ajudam sim a humanidade a avançar. Mas, como em qualquer campo - jornalismo, medicina, direito, economia, literatura, cinema -, há alguns profissionais que se voltam mais para a atenção da mídia. Mais para o sucesso comercial. Tenho visto - na própria imprensa e nos sites, e isso inclui EPOCA online - um acúmulo de pesquisas que eu chamaria de pseudocientíficas, com amostragens muito pequenas e conclusões incríveis. Será um desvio das pesquisas realmente sérias? Cientistas verdadeiros também lamentam pesquisas aparentemente superficiais, lançadas para captar verba e provocar repercussão. De qualquer forma, essa crônica tem especialmente um lado de humor, que o Ricardo Vêncio, de SP, detectou - sem muita dificuldade. Acessem o IgNobel da Wikipedia, caso não gostem da coluna. É, sim, curioso e engraçado. Nada a ver com "estereotipar toda a classe científica e médica". Seria uma leviandade. E uma injustiça.
Que o texto pretendia ser engraçado é mais ou menos, como posso dizer... óbvio. Mas a tentativa de humor *não* isenta um texto de uma análise crítica. Uma coisa é um texto puramente humorístico, outra coisa é um texto jornalístico ou analítico que tenta fazer uma graça. Ademais existem piadas sem graça ou inoportunas. E, embora a jornalista admita que sua intenção não tenha sido de generalizar ou de estereotipar, o que ela fez foi efetivamente generalizar: "uma receita de riso certo". E reforçado com: "[q]uem acha que essas pesquisas estapafúrdias são exceção deve acessar o link...".

Fala em pesquisas com amostragem pequenas e conclusões incríveis. Das citadas pela Sra. Aquino, uma tinha 10 mil indivíduos (sobre os canhotos), outra mais de 10 mil (sobre o efeito dos intervalos no aprendizado), uma terceira mais de 5 mil gêmeos (sobre gosto de mulheres por características homossexuais masculinas) e apenas um com 21 indivíduos.

Esse estudo com 21 indivíduos, como comentado no post "O roto e o rasgado", certamente tem uma restrição no grau de generalização que se pode fazer das conclusões. Porém, podemos falar apenas que o número é relativamente baixo. E não que a conclusão é inválida ou "incrível". Embora o tamanho da amostra relacione-se com o poder de uma análise estatística, se uma dada variável tem uma dispersão baixa (é mais ou menos homogênea), uma amostragem relativamente pequena pode ter um poder de discriminação razoável. Por isso pode-se ter um bom grau de confiança a respeito da quantidade de sal de uma sopa com apenas uma colherada - desde que a sopa esteja bem homogênea. É o caso do estudo em questão? Não sei. Mas pode ser. Então, embora se possa levantar a restrição quando à generalização da conclusão, não é correto ridicularizar o estudo.

A autora desse trabalho, aliás, tem um currículo respeitável, com várias publicações com temas correlatos - sobre a desumanização e estereotipização social. Assim, ela certamente tem um bom embasamento para a conclusão que fez em cima dos resultados. Uma análise cuidadosa das explicações da Sra. Fiske para a mídia mostra que ela não vai além do que os dados permitem afirmar.

"This is just the first study which was focused on the idea that men of a certain age view sex as a highly desirable goal, and if you present them with a provocative woman, then that will tend to prime goal-related responses" - CNN. ("Este é apenas o primeiro estudo que foi focado na idéia de que os homens de certa idade veem o sexo como um objetivo altamente desejável, e se for apresentado a eles uma mulher provocante, então isso tende a deflagrar respostas relacionadas a esse objetivo".)

"So basically they are particularly likely to treat these women as objects, at least that is the interpretation of the data we have so far. It is a preliminary study but it is consistent with the idea that they are responding to these photographs as if they were responding to objects rather than people." - Independent. ("Então, basicamente eles são particularmente propensos a tratar essas mulheres como objeto, ao menos é a interpretação dos dados que temos até agora. Este é um estudo preliminar, mas é consistente com a idéia de que eles estão respondendo a essas fotografias como se respondessem a objetos em vez de pessoas.")

É verdade que cientistas sérios criticam estudos feitos apenas para angariar verbas e para chamar a atenção da mídia. Mas, convenhamos, esse aspecto foi tratado só marginalmente no texto da Sra. Aquino.

terça-feira, 24 de março de 2009

Como Ruth de Aquino veria algumas das principais descobertas científicas

Teoria quântica.
"O quê? Átomos que ocupam dois lugares diferentes ao mesmo tempo? Isso é inverossímil. Quem deu dinheiro para esse bando de loucos: Bohr, Schrödinger, Planck...?"

Teoria da relatividade restrita.
"O quê? A velocidade da luz não varia com o referencial? Isso é inverossímil. Veja que quando eu ando de carro, o passageiro ao meu lado está imóvel em relação a mim."

Aves são dinossauros.
"Ah! Sei. Então tenho um T-rex na minha gaiola."

Homens e macacos têm ancestral em comum.
"Que coisa mais preconceituosa! Daqui a pouco vão dar banana para as crianças africanas!"

A estrutura do ADN.
"Uma dupla de desocupados ficaram analisando um monte de manchas em uma chapa fotográfica e disperdiçaram o dinheiro do contribuinte com um brinquedo de montar."

O Universo está em expansão.
"Conte outra. Toda noite vejo as estrelas no mesmo lugar."

A matéria ordinária é feito do átomos.
"Isso é óbvio. Tinha que ser feito de alguma coisa. Que perda de tempo."

A matéria ordinária é feita em maior parte de espaço vazio.
"Isso é óbvio. Basta ver a cabeça dos cientistas. Que perda de tempo."

(Claro que é uma caricaturização do pensamento da jornalista Ruth de Aquino. Ela certamente não pensa assim, ao menos espero que não. Mas é apenas um exercício de aplicar os mesmos princípios que ela utilizou em sua (dela) "análise" a respeito de trabalhos científicos.)

O roto e o rasgado

Vou destilar aqui uma série de preconceitos que existem a respeito dos jornalistas.

- Jornalistas se acham especialistas de tudo; com meia hora de lida em um livro acham que dominam a matéria - isso quando leem um livro.
- Jornalistas acham que têm bom senso e que bom senso substitui um trabalho investigativo compenetrado;
- Jornalistas acham que toda fonte deve estar disponível 24h por dia, 7 dias por semana;
- Jornalistas valorizam mais o furo do que um trabalho bem feito;
- Jornalistas não admitem quando cometem barriga - a culpa é do outro, a situação que mudou;

Basta ler o Observatório da Imprensa para ver como em jornalismo cometem-se besteiras piores do que no Senado ou nas ciências.

Tudo isso acima é tão verdadeiro quanto o texto preconceituoso da Sra. Aquino a respeito da pesquisa científica.

Vejam o que *não* é besteirol para a Época, veículo do qual a Sra. Aquino é orgulhosa diretora da surcursal carioca:

1) Seios fartos: a nova preferênca nacional?
2) Um quiz com expressões do tempo da vovó
3) Charlotte Roche - "A depilação está se tornando uma loucura"
4) Estou grávida da minha namorada

São reportagens manchetadas no sítio da revista Época.

Ok, pode-se dizer que é uma tática do argumento ad hominem - atacando a jornalista e o veículo em que trabalham, sem uma contra-argumentação efetiva contra o que foi dito. Bem, isso é para mostrar a questão do "dois pesos, duas medidas" a respeito do que seja relevância e risibilidade.

Sim, pode-se dizer que efetivamente jornalismo e pesquisa científica são diferentes de modo que duas medidas são necessárias. Mas se a questão é de seriedade, as reportagens listadas não são sérias. E, ademais, isso demonstra o perigo da generalização. Podemos perfeitamente listar um sem-número de reportagens banais, talvez em número maior do que o de pesquisas científicas banais - uma vez que a produção jornalística é muito maior do que a produção científica. A menos que a proporção seja significativa (e teremos que discutir o que é uma proporção significativa), será bobagem tomar tal listagem como representativa do corpo de reportagens e de pesquisas acadêmicas publicadas (a tal "receita de riso certo").

E um detalhe importante. Ela diz "ler sobre pesquisas". Isso é diferente de "ler pesquisas". Uma coisa é acompanhar de modo indireto pelo relato de terceiros - em especial jornalistas, que tentam vender algo para entreter seus leitores (e aquela lista acima das reportagens da Época é importante, sobretudo porque pelo menos duas delas constavam na seção de mais lidas - vide imagem abaixo).

Mas vamos então a uma análise passo a passo das bobagens perpetradas pela Sra. Aquino.

Com tanta desgraça na política, uma receita de riso certo é ler sobre pesquisas “científicas” de universidades respeitadas. Conclusões: o cérebro masculino vê mulher de biquíni e sem rosto como objeto. Canhotos vão pior na escola – e os mais desajustados são as meninas ambidestras. Genes gays excitam as mulheres. Brincadeiras fazem bem às crianças. Resultados variam do óbvio ao inverossímil e preconceituoso. Como se arruma patrocínio para tanto besteirol?
Bem, a generalização com "receita de riso certo" já foi comentada. Agora, ela diz "variam do óbvio" - leia o post "Mas isso eu já sabia!" de Kentaro Mori, no blog 100nexos, sobre a questão do óbvio (remissão ao final) -, "ao inverossímil" - qual o problema de ser inverossímil, desde que seja verdadeiro? aliás, desafiar o senso comum é um papel importante das pesquisas - é inverossímil que a passagem do tempo se altere com a velocidade de deslocamento? pois é a conclusão da teoria da relatividade; é inverossímil que elétrons se comportem como ondas? pois é a conclusão da teoria quântica - "e preconceituoso". Dizer que canhotos se saem menos bem nos estudos é ser preconceituoso? Se isso é a realidade, por que não se deve dizer que isso ocorre? Até para, entre outras coisas, procurar corrigir isso. Homens ganham mais do que as mulheres para um mesmo serviço; negros têm um grau de escolaridade menor do que os brancos. Dizer que algo é de um determinado modo não significa dizer que esse algo deva ser assim. Preconceito seria tentar usar essas conclusões para embasar uma opinião a respeito da superioridade ou inferioridade de uma determinada classe social.
Essa enxurrada de conclusões, com base em entrevistas e em ressonâncias magnéticas do cérebro, vem revestida de um manto de credibilidade. A “mulher-objeto”, por exemplo. Foi “um experimento nos Estados Unidos com 21 homens heterossexuais estudantes de pós-graduação, apresentado em Chicago na Sociedade Americana para o Avanço da Ciência”. Avanço? O estudo, com uns gatos pingados, comprovou que “ao observar um corpo feminino sensual desprovido de identidade” – ou seja, ao olhar uma gostosa de biquíni e com o rosto escondido – “os circuitos cerebrais ativados nos homens são os mesmos acionados ao observar uma ferramenta, um objeto inanimado”.
Aqui a talvez única crítica acertada: o número amostral *desse* estudo é relativamente baixo. A conclusão tem alcance limitado, sim, por conta disso. Mas a "credibilidade" não é apenas um revestimento, é o estofo da pesquisa científica. Não que uma pesquisa científica por ser científica tenha credibilidade, mas uma pesquisa científica só tem razão de ser se tem credibilidade. O que dá credibilidade à pesquisa científica e seus resultados são os procedimentos tomados para se obter o resultado (alguns chamam de método científico, mas seria melhor dizer métodos científicos, no plural, já que não existe apenas uma maneira) - os procedimentos devem ser explicitados para que outras pessoas possam tentar replicar o experimento e ver se os resultados se repetem. Colocar os dados obtidos e as conclusões tiradas deles ao escrutínio de outros cientistas é também parte do processo de se obter reconhecimento e credibilidade. Como jornalista, a Sra. Aquino deveria entender isso - o processo não é muito diferente da credibilidade de uma notícia, de um jornalista, de um veículo: o fundamental é que a informação passada seja verdadeira tanto quanto possamos averiguar. A Sra. Aquino tem algum indício de que seja falso que: “ao observar um corpo feminino sensual desprovido de identidade, [...] os circuitos cerebrais ativados nos homens são os mesmos acionados ao observar uma ferramenta, um objeto inanimado”? Aliás, que enxurrada se forma com uma única conclusão e tão singela quanto essa?

Em relação ao "avanço". Sim, avanço. Embora seja o *nome* da instituição que promoveu a apresentação, o estudo é, em si mesmo, um avanço. Não é um salto. Não é a cura da aids, não é a solução para a fome no mundo. Mas um avanço científico. Um avanço científico se caracteriza pela expansão do conhecimento da humanidade acerca do funcionamento de algum aspecto da natureza. Não importa se é grande ou pequena essa expansão (sim, em geral é melhor quando se consegue uma grande expansão), não importa se é ou não aplicável imediatamente. O historiador Peter Burke na famosa série "Conexões" ("Connections") mostrava muito bem como grandes conquistas científicas e tecnológicas atuais dependiam de um sem número de pequenas descobertas e invenções anteriores - muitas aparentemente sem nenhuma relação (daí as conexões que Burke estabelecia), triviais, sem importância. Darwin enchia um balde com água salgada e colocava sementes de diversas espécies nela - anotava o tempo que levava para afundar e quantos germinavam. Possivelmente alguém com a mentalidade da Sra. Aquino classificaria como perda de tempo tal estudo. Mas o resultado mostrava de modo bastante claro que ilhas distantes poderiam ser colonizadas por organismos vindo dos continentes. Isso foi uma peça fundamental para que Darwin explicasse a origem da diversidade em ilhas como as Galápagos e, consequemente, fundamental para o apoio à sua teoria da evolução por seleção natural. Com tão pequeno avanço proporcionado por sementes em um balde de salmoura...
Se uma mulher olhar a foto de um homem musculoso, de sunga e sem cabeça, provavelmente também vai encará-lo como objeto. Mais criativos ainda são os desdobramentos da pesquisa. Segundo a psicóloga Susan Fiske, da Universidade Princeton, deduz-se com esse estudo que “um patrão pode beneficiar certas companheiras de trabalho em detrimento dos demais funcionários da empresa, dependendo de como ele idealiza aquele corpo”. Quanto tempo perdido.
Sim, pode ser que ocorra eventualmente da mulher apresentar reação recíproca. E qual o problema? O que isso depõe contra a qualidade da pesquisa? Será que, se as mulheres encararem homens sem cabeça como objeto, isso fará com que seja falso que os homens vejam corpos de mulheres como objeto? Como é que ela considera tempo perdido uma possível implicação de que pode haver uma discriminação sexual no ambiente de trabalho? Isso é sério e demanda investigação.
Como o novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assina todos os documentos com a mão esquerda, é no mínimo inoportuna a pesquisa recente afirmando que “os canhotos vão pior na escola porque são uns desajustados com Q.I. mais baixo”. Foi um estudo amplo, com 10 mil crianças, da Universidade de Bristol, na Inglaterra. As garotas se saem pior ainda, porque, segundo os pesquisadores, “não existe um senso de superação entre as meninas que não escrevem com a mão direita”. E os ambidestros não desenvolveriam todas as habilidades motoras. Como sou mulher, ambidestra e escrevo só com a mão esquerda, esse estudo poderia ter arrasado minha autoestima. Seria trágico se não fosse cômico.
O fato de Obama ser canhoto não tem nada a ver com isso. A Sra. Aquino desconhece o que significam médias. Se os homens na média são mais velozes do que as mulheres não quer dizer que toda mulher é mais lenta do que qualquer homem. Uma campeã olímpica é certamente mais rápida do que eu. Mesmo uma atleta de fim de semana provavelmente é mais veloz. Não há nenhuma tragédia (a não ser a ignorância da jornalista a respeito de estatística) nem comicidade. Canhotos vão menos bem nas escolas, o que isso tem risível? Mostra exatamente a necessidade de ajustes no sistema escolar para que os canhotos possam ir tão bem quanto os destros.
Rapidamente surge outra pesquisa em que não consigo me encaixar. Na Universidade de Queensland, na Austrália, comprovaram que genes gays enlouquecem as mulheres. Como assim? Homens gentis e sensíveis atraem mulheres, isso todo mundo sabe, para que pesquisar? E vice-versa. Mas gentileza não é uma característica feminina nem homossexual. O pesquisador Brendan Zietsch foi além. Pesquisou 5 mil gêmeos de ambos os sexos para concluir que seriam mais atraentes os irmãos de homossexuais ou lésbicas. A que se prestam as estatísticas...
Óbvio? É óbvio que mulheres prefiram homens com trejeitos femininos? Por que Schwarzenegger despertaria tanto interesse feminino então? Aliás, as repórteres Marcela Buscato e Marianne Piemonte, que fizeram reportagem para a mesma Época sobre o tema discordam, dizem elas: "Torquatto não se encaixa no senso comum de que as mulheres preferem o tipo galã machão." E, se a Sra. Aquino tivesse lido a reportagem publicada no próprio veículo em que trabalha, entenderia o contexto da pesquisa: desvendar a origem de possíveis fatores genéticos no comportamento homossexual: "A idéia circula entre acadêmicos há dez anos. E é apenas uma das teorias que tentam explicar como supostos genes que determinariam a homossexualidade teriam evoluído. A questão intriga os cientistas porque desafia as leis da seleção natural."
Uma pesquisa inédita, da Faculdade Albert Einstein de Medicina, em Nova York, comprovou que crianças que dispõem de 15 minutos de intervalo para brincar na escola são menos bagunceiras e aprendem mais que as crianças confinadas o dia inteiro numa sala de aula. Esse estudo envolveu mais de 10 mil crianças entre 8 e 9 anos. Para provar o que todo ser humano já sabe. Que reter por muitas horas alguém de qualquer idade numa sala, de aula ou conferência, prejudica a concentração e a absorção de conhecimento.
Óbvio? A Sra. Aquino certamente não leu o alerta no estudo: 30% das crianças tinham pouco ou nenhum intervalo; 40% das escolas incluídas no estudo haviam reduzido o tempo de intervalo. Além do fato de professores muitas vezes punirem os alunos impedindo-os de irem ao recreio. Isso dentro de um contexto em que os pais americanos estão paranóicos com a segurança dos filhos e os atucham de compromissos escolares e acadêmicos para ocuparem seu tempo.
Quem acha que essas pesquisas estapafúrdias são exceção deve acessar o link O Prêmio IgNobel (ignóbil) é uma paródia autoexplicativa do Nobel. Eis as conclusões hilárias de algumas pesquisas em 2008: pulgas que vivem nos cães pulam mais alto que as que vivem nos gatos; a Coca-Cola é um espermicida eficiente; dançarinas de striptease ganham mais dinheiro nos períodos de fertilidade; medicamentos falsos caros são mais eficientes que medicamentos falsos baratos; a comida é mais saborosa quando soa mais atraente; montes de fios ou de cabelo inevitavelmente enroscam.
Continuam a ser exceções, como dito a respeito de generalizações, essas listas representam um universo ínfimo do total de pesquisas científicas realizadas ao longo de um único ano. Os 13 países com maiores números de pesquisas publicadas, entre 1996 e 2006, produziram em média mais de 60 mil artigos por ano. Parte das premiações do IgNobel não vão para pesquisas científicas, mas sim para pseudociências - como o livro de Däniken, "Eram os deuses astronautas?". Além disso, o objetivo expresso da Improbable Research (organizadora do IgNobel) é: "to make people laugh, then make them think. We also hope to spur people's curiosity, and to raise the question: How do you decide what's important and what's not, and what's real and what's not — in science and everywhere else?" ["fazer as pessoas rirem e, então, pensarem. Esperamos ainda promover a curiosidade das pessoas e trazer a questão: como você decide o que é importante e o que não é, o que é real e o que não - nas ciências e em todo o resto?"]. Ela não tem como objetivo avaliar a qualidade dos trabalhos laureados - tanto é que muitos ganhadores fazem questão de estar presentes à cerimônia de entrega. Mas vamos fingir que o IgNobel fosse um indicador de qualidade ou falta dela em um trabalho científico. A IR distribuiu cerca de 110 prêmios entre os anos de 1996 e 2006 - nem todos nas áreas científicas e muitos deles para pesquisadores que não estão em "universidades respeitadas". Multipliquemos esse número por mil - 110 mil trabalhos. Consideremos apenas os 2,9 milhões de artigos científicos publicados pelos 13 países de maior produção no mesmo período. Teremos menos de 4% de artigos científicos risíveis.
É muito mais saudável que ler sobre o Senado, Sarney, Collor e Renan Calheiros. Está comprovado cientificamente.
Essa pièce de résistance que coroa um artigo que destila ignorância acerca de estatística, análise de dados e ciências convida os leitores a serem não apenas cientificamente analfabetos, mas também politicamente estultos.

Recomendo a leitura destes postes de outros blogues:
Cara Ruth de Aquino
Pesquisas científicas me fazem rir!
Ciência e o óbvio
"Mas isso eu já sabia!"
O "Besteirol na Ciência", o Cientificismo e o Senso Comum (adido em 26/mar/2009)
Analisando a Polêmica "Palhaçada Científica" de Ruth (adido em 27/mar/2009)
Ruth de Aquino: enterrando a defunta (adido em 06/mai/2009)

O SemCiência está compilando textos a respeito da bobagem da Sra. Aquino.

Upideite (01/abr/2009): É mentira, Terta? Versão condensada deste post saiu no Observatório da Imprensa. Há alguns errinhos: por favor, vejam os comentários de lá.

domingo, 1 de março de 2009

Beautiful mind

Ok, é cafajeste e implica em sérios riscos de de algum modo desprezar os valores intelectuais delas (das cientistas); mas é irresistível.

Amy Mainzer é astrofísica da Nasa. Formada em física pela Stanford, mestre em Astronomia pela Caltech e doutora em Astronomia pela UCLA. Este é o blogue dela.


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