Lives de Ciência

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quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Blogagem coletiva: #SNCT2015

Abaixo a relação de canais de divulgação científica que toparam colaborar com a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2015. Mas a blogagem coletiva acabou não saindo por falta de retorno do MCTI e da comissão da SNCT aos contatos**.

Gostaria que todos os dez leitores do GR prestigiassem-nos. (Muitos certamente são conhecidos da maioria.) Se alguém publicou algo sobre o tema "Luz, ciência e vida", avise-me para acrescentar na lista. (Se quem estiver na lista, quiser indicar o post/programa também avise-me que coloco em frente ao link do canal.)

Ciência Ao Natural
Biorritmo
A Bela Ciência
Ceticismo, Ciência e Tecnologia
4x15
Evolution Academy
Coluna Ciência
Metodologia Científica e Tecnologia
Do Nano ao Macro -5 SNCT 2015: a luz da vida
Cultura Científica - *Luz, Ciência e Vida
Física na Veia! - 8Luz: onda ou partícula?
Rainha Vermelha
Rascunhos Científicos Beta Final
Curiozoo
A Porta de Marfim - ***Luz engorda?
A Liga dos Cientistas Extra Ordinários
Dinobótico
Pesquisa em Biomedicina
Poluição Luminosa - *Tem blogagem coletiva na Semana Nacional de C&T 2015!; 6 Janelas para o Universo #SNCT2015
Nightfall in Magrathea
Gênero e Ciências
Blog Cético
Psiquiatria e Sociedade
Blog Divulga Ciência
Um A+ de BioCiências -8Luz, cloroplasto, ação
Dragões de Garagem
DNA Cético - *A vida e a luz
Rock com Ciência -7Luz, cloroplasto e fotossíntese
Vida das Aves
#SciCast
Evolucionismo
Vi(ver) n_a CIdade
Sonhos do Neuro - *Luz dentro de casa e o sono que atrasa
Genética Agronômica 
Café Na Bancada - ***Brilha, brilha, escorpiãozinho...; Me diz…Por que o céu é azul…E os olhos da minha filha também!Brilha, brilha, bacteriazinha; 4 Luz, ciência... Evolução!; 5 Ciclos, ritmos e você - Apresentando seu relógio biológico
PET Ciências
Astronomia no Zênite - 5 Decifrando a luz
Sofia Moutinho
RSG-Brazil

*Upideite(20/out/2015): atualizado a esta data.
**Upideite(21/out/2015): pelo twitter, o MCTI abriu a possibilidade de publicar a lista dos canais participantes no websítio do Sintonize Ciência, onde estão centralizando as informações sobre as ações para a SNCT.
***Upideite(21/out/2015): atualizado a esta data.
4Upideite(22/out/2015): atualizado a esta data.
5Upideite(23/out/2015): atualizado a esta data.
6Upideite(24/out/2015): atualizado a esta data.
7Upideite(28/out/2015): atualizado a esta data.
8Upideite(31/out/2015): atualizado a esta data.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

2012: O Último Carnaval? Spoiler Alert====>Não!

Blogagem coletiva Fim do Mundo
"Berros, súplicas, sangue, apitos sumiam-se na festa. Ninguém sabia donde vinham as pauladas — e era bom evitar opiniões."
Graciliano Ramos, 1957. "Carnaval 1910."


Já definiram bem a história do fim do mundo em dezembro de 2012 como "o bug do milênio Maia" (acrescentaria, "aliado ao sistema internacional de unidades da Nasa").

A civilização maia teve seu auge entre os anos correspondentes a 300 e 900 d.C., mas os registros arqueológicos se estendem de 800 a.C. a 1520 d.C. na Mesoamérica, indo das terras da península do Iucatã no atual México até Honduras e El Salvador (Navarro 2008). Durante sua história desenvolveu três sistemas de contagem de tempo: a) um ciclo de 260 dias; b) um de 365 dias e c) um de contagem longa.

O de 260 dias, chamado pelos estudiosos de Ciclo Sagrado Maia ou tzolk'in, teve origem possivelmente no paralelo 15°N - onde o intervalo correspondia à passagem do tempo entre duas datas nas quais o Sol passava pelo ponto zenital - isto é, nas duas ocasiões consecutivas de Sol a pino em um ano solar (Malmstrom 1973). Os dias eram contados pela combinação entre ciclos de 13 e de 20 dias. No ciclo de 20 dias, cada dia recebia um nome: na sequência, Imix, Ik, Akbal, Kan, Chicchan, Cimi, Manik, Lamat, Muluc, Oc, Chuen, Eb, Ben, Ix, Men, Cib, Caban, Eznab, Cauac e Ahau. O de 13 dias eram designados por números. Assim, um, digamos, 10 Muluc, se seguiria a 11 Oc, este a 12 Chuen, aí 13 Ed, então 1 Ben, 2 Ix etc. (Naturalmente, os maias usavam números em sua própria escrita e cada um com seu próprio nome.) O uso do tzolk'in estava fortemente vinculado às práticas religiosas. (Smiley 1962.)

O de 365 dias, claro, correspondia ao Ciclo Solar, também designado pelos estudiosos de haab'. Aqui, os dias eram contados pela combinação de 18 ciclos de 20 dias (de 0 a 19) - cada ciclo correspondendo a um mês (Pop, Uo, Zip, Zotz, Tzee, Xul, Yaxkin, Mol, Chen, Yax, Zac, Ceh, Mac, Kankin, Muan, Pax, Kayab, Chumhu) - mais um mês de 5 dias (de 0 a 4): Uayeb. P.e. 18 Chumhu era seguido de 19 Chumhu, depois 0 Uayeb, 1 Uayeb... 4 Uayeb, 0 Pop, 1 Pop, etc.

Combinando-se o tzolk'in com o haab', dois dias que recebiam os mesmos nomes nos dois ciclos eram separados pelo mínimo múltiplo comum entre 260 e 365, o que dava 18.980 dias ou 52 anos solares - formando o ciclo calendárico.

Para evitar confusão entre dias com os mesmos nomes entre ciclos calendáricos diferentes, o maias desenvolveram o Ciclo de Contagem Longa: uma contagem contínua dos dias a partir de um dia inicial remoto no tempo. A unidade básica era o kin, 20 kins correspondiam a um uinal; 18 uinals a um tun; 20 tuns a um katun e 20 katuns a 1 baktun. Um baktun correspondia, então, a 20 x 20 x 18 x 20 = 144.000 dias, pouco mais de 394 anos e meio. (Smiley 1962.)

O maior número que poderia ser representado por esse sistema seria então: 19 baktuns, 19 katuns, 19 tuns, 17 uinals e 19 kins. Ou seja, 2.879.999 dias.

O dia do nosso sistema de calendário que corresponderia ao início do Ciclo da Contagem Longa é incerto. Ao longo do tempo várias datas foram defendidas com base na correspondência de algumas datas com eventos astronômicos conforme os registros maias. As estimativas da correspondência do dia zero do ciclo longo tem variado entre 3645 a.C. e 2593 a.C. (Smiley 1962.)

Ou seja, a contagem dos ciclos longos deve terminar entre os anos de 4494 e 4772 da nossa era (e não em 2012 - a "previsão" de 2012 coincide com o fim do 13° baktun para uma certa estimativa do início da contagem longa)*. Isto é, teremos nosso último carnaval anual pelo menos pelos próximos 2.482 anos. E certamente além: se não por uma versão estendida da contagem longa, por qualquer outro evento, profecia ou coisa que o valha. Números redondos - sejam no sistema vigesimal modificado dos maias, sejam no sistema decimal sobre o calendário gregoriano (haja vista as inúmeras profecias apocalípticas milenaristas) - ou próximos a eles costumam ser palpites bastante populares.

Por exemplo, em 1910, a passagem do cometa Halley parece ter causado algum alvoroço com a especulação de que a cauda gasosa contaminaria a atmosfera com o venenoso cianogênio (além de outros efeitos como terremoto), no Canadá, nos EUA, e também no Brasil. Sua nova passagem, em 1986, apesar do grande interesse, parece não ter despertado a mesma apreensão. Porém, em 1997, desta vez com o cometa Hale-Bopp, especulações catastrofistas novamente ressurgiram (com direito a um episódio particularmente trágico) . À época da ativação do LHC, em 2008, mais destaque a preocupações com o fim do mundo: o acelerador criaria um buraco negro que terminaria por engolir o planeta. Em 2011, mais uma interpretação milenarista: uma não, duas (e do mesmo autor).

Há que se encarar, no entanto, o retrato dado pela mídia da reação popular a esses eventos com um certo grão de sal. Uma leitura pelo valor de face das narrativas jornalísticas nos passa a impressão de uma histeria generalizada. Um futuro historiador que se valer dos textos da imprensa de hoje, imaginaria que todo mundo em 2012 acreditava mesmo que 21 de dezembro era (será) a data do Armagedão. Certamente há indivíduos e grupos alarmados - mas parte deles estão alarmados exatamente em função do destaque (com registro tirante ao sensacionalismo, quando não descaradamente sensacionalista) dado. Mais uma vez, em nome de uma pretensa isenção, quase sempre sem nenhuma visão crítica, dão voz a grupo minoritário e um tanto excêntrico de profetas do apocalipse - quando uma contraposição é feita, muitas vezes, a refutação racional e factualmente embasada tem, no máximo, o mesmo peso do nostradamus de plantão.

Quando digo que certamente prognósticos sobre o fim do mundo continuarão a ocorrer para além do fim da contagem longa maia, não acho que eu esteja arriscando muito - mesmo sendo uma previsão de longuíssimo prazo: há muito dinheiro envolvido (alguém quer apostar?). Creio que o material a respeito do fim dos tempos possa ser considerado praticamente uma subindústria do filão místico.

Mas, com tal persistência, um dia acabam acertando a data.

Referências
Malmstrom, V.H. 1973. Origin of the Mesoamerican 260-day calendar. Science :181: 939-41.
Smiley, C. H. 1962. The Mayan calendar. Astronomical Society of the Pacific Leaflets 8: 327-34.

Obs: Esta postagem faz parte da blogagem coletiva organizada pelo Scienceblogs Brasil.

*Upideite(13/fev/2012): Carlos Orsi, em comentário a uma postagem dele, chama a atenção para o fato de aparentemente os maias considerarem apenas 13 baktuns.**
**Upideite(11/mai/2012): Um registro recém-anunciado, mostra um calendário do séc. 9 em que se contam pelo menos 17 baktuns.

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