Lives de Ciência

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domingo, 12 de março de 2017

Divagação científica - divulgando ciências cientificamente 29

Minhas anotações do trabalho de Sumner et al. 2016 sobre uma das origens do sensacionalismo na cobertura de trabalhos sobre saúde.

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Sumner P, Vivian-Griffiths S, Boivin J, Williams A, Bott L, Adams R, et al. 2016. Exaggerations and Caveats in Press Releases and Health-Related Science News. PLoS ONE 11(12): e0168217. doi:10.1371/journal.pone.0168217

534 press-releases (comunicado de imprensa) de pesquisas biomédicas e de saúde de trabalhos publicados em revistas científicas líderes foram analisados, bem como os 534 trabalhos a que os press-releases se referem e 582 notícias da imprensa britânica a respeito dos artigos publicadas durante o ano de 2011.

Os press-releases foram coletados de repositórios de acesso aberto ao público (como EurekAlert) ou somente para jornalistas.

Os artigos analisados foram publicados nos seguintes periódicos: BMJ, Science, Nature, Nature Neuroscience, Nature Immunology, Nature Medicine, Nature Genetics.

Os textos noticiosos foram buscados no banco de dados Nexis, do Google, do site da BBC (www.bbc.co.uk) e da Reuters (uk.reuters.com).

As análises dos textos dos artigos, press-releases e nos jornais focaram quando a conselhos de saúde dados (sem conselho, conselho implícito, explícito mas não para os leitores ou para o público em geral, e conselhos explícitos para os leitores ou para o público geral), alegações causais (sem alegações, afirmação de ausência de relação, correlacional, ambígua, causação condicional, de que pode causar, e alegação de causa e efeito) e conclusões baseadas em pesquisa com humanos ou com sistemas não-humanos (frases indicando que a pesquisa foi realizada: explicitamente em sistemas não humanos como animais, células ou simulações; implicitamente em humanos; explicitamente em humanos). Outra característica analisada é se havia ressalvas ou justificativas.

Frequência de exageros
Conselhos
23% (IC: 17~28%) dos press-releases exageravam nos conselhos presentes nos artigos (conselhos mais diretos ou explícitos do que os sugeridos no trabalho científico).
Causação
21% (15~27%) dos press-releases de artigos correlacionais exageravam na alegação de causação.

Em trabalho anterior do grupo, press-releases das universidades apresentaram índices de exageração mais altos: 40% (33~46%) e 33% (26~40%), respectivamente. (Como as análises são realizadas somente comparando-se alegações feitas explicitamente e não entre as alegações e o que os próprios dados dizem, é possível que o nível de exagero real seja mais baixo do que o detectado: o exagero estaria já nos próprios artigos científicos.)

Exagero do press-release e na notícia
Houve uma forte associação entre o exagero no press-release o exagero na notícia.
Conselhos
27% (22~33%) das notícias exageraram no conselho em relação ao artigo e a probabilidade de ocorrer esse exagero era 2,4 (1,3~4,5) vezes maior quando o press-release também exagerava (46%, IC:32~60%) do que quando não (25%, 19~31%).
Causação
Nos casos de afirmações de correlação, 38% (27~51%) exageravam a causação e a probabilidade era 10,9 (3,9~30,1) vezes maior disso ocorrer quando havia (80%, 63~91%) exagero no press-release do que quando não havia (26%, 18~38%). Padrão similar ao encontrado em outro estudo com press-release de universidades.

Exagero e cobertura
Não houve uma maior cobertura midiática de artigos com press-release exagerados.
Conselhos
53% dos press-releases sem exagero nos conselhos tiveram os estudos noticiados, contra 34% dos press-releases com exagero (diferença de -19%, -5~-34%); a média de artigos noticiosos a respeito de trabalhos com press-releases sem exagero foi de 3,5 notícias, contra uma média 3,0 notícias de press-releases exagerados (IC: -1,5~0,6).
Causação
No exagero de causação, 49% dos press-releases sem exagero foram noticiados, contra 66% dos exagerados (17%, -1~35%); 3,1 notícias cobriram estudos com press-releases sem exageros sobre causas, contra 3,0 de press-releases que cometiam exagero (-1.2~1.2).

A ausência de associação entre exagero do press-release e cobertura da imprensa também espelhou estudo anterior com press-releases de universidades.

Ressalvas ('caveats')
Conselhos
15% dos press-releases apresentavam ressalvas quanto aos conselhos.
Causação
14% continham ressalvas quando às correlações.

Ressalvas nos press-releases e cobertura noticiosa
Não foi encontrado nenhuma relação entre a presença de ressalvas e a cobertura noticiosa.
Conselhos
Foram noticiados 48% dos press-releases com ressalvas quanto ao conselho contra 56% dos sem ressalvas (-28~12%).
Causação
63% dos press-releases com ressalvas quanto à causação foram noticiados, contra 47% dos sem ressalvas (3%~29%).

Ressalvas nas notícias
Conselhos
14% das notícias continham ressalvas quanto aos conselhos.
Causação
18% das notícias continham ressalvas quanto às correlações.

Ressalvas nos press-releases e nas notícias
A presença de ressalvas nos press-releases aumentam as chances de as notícias reportarem essas ressalvas
Conselhos
A probabilidade de haver ressalvas sobre conselhos nas notícias era 9,5 (2,8~32) vezes maior quando o press-release continham ressalvas (47%, 20~74%) do que quando não tinha (8.5%, 4,4~13%).
Causação
A probabilidade de haver ressalvas quanto à causação foi 7,6 (4,2~14) vezes maior quando o press-release fazia a ressalva (46%, 35~57%) do que quando não (10%, 6,5~13%).

Não se encontrou associação entre ressalvas e maior ou menor exageros nas notícias.

Justificativas
Conselhos
A jusrtificativa para os conselhos estive presente em 10% dos press-releases.
Causação
A justificativa para afirmações sobre causalidade ou correlação foi apresentada em 21% dos press-releases.

Justificativas e cobertura midiática
Não houve uma relação entre a presença de justificativas nos press-releases e a cobertura midiática.
Conselhos
74% dos press-releases com justificativas para os conselhos foram noticiados contra 53% dos press-releases sem justificação. (-2~41%)
Causação
43% dos press-releases com justificativas para as afirmações sobre correlações e causas foram noticiados contra 54% dos sem justificativas. (-15~2%)

Justificativas nas notícias
Conselhos
16% das notícias apresentavam justificativas quanto aos conselhos.
Causação
13% das notícias apresentavam justificativas quanto às afirmações de causação.

Justificativas no press-release e e nas notícias
A presença de justificativas nos press-releases aumentou a presença delas nas notícias.
Conselhos
As chances de se noticiarem as justificativas dos conselhos foram 6,1 (2,0~18) vezes maiores quando o press-release trazia justificativa (42%, 19~66%) do que quando não trazia (11%, 5,5~16%).
Causação
As chances de se noticiarem as justificativas das afirmações de causa foram 23 (11~50) vezes mais altas quando o press-release justificava (48%, 34~64%) do que quando não justificava (3.8%, 1,8%~5,8%).

A presença de justificativas sobre conselhos foi associada com notícias que exageravam os conselhos. Por outro lado, a de sobre causa e efeito foram foi associada com notícias que não exageravam, trazendo alertas de cautela.

via Dayane Machado fb.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Na saúde e na doença: distorções representativas e sensacionalismo na cobertura da Aids e do câncer

Talvez o suprassumo do sensacionalismo no jornalismo e na divulgação científicas seja na área de saúde. Em especial quanto aos anúncios de curas do câncer e da Aids. Por motivos de... é o que vende mais.

Outros temas de saúde amplamente explorados nas capas são envelhecimento, dietas, saúde do coração. O padrão geral é que se destacam as questões de saúde que mais interessam às classes mais altas - o perfil do público alvo de boa parte dos impressos (Tabela 1).

Tabela 1. Número de artigos de O Estado de São Paulo que citam 
determinadas doenças ou fatores de saúde humana.*

Período
Fator/doença 1990-atual 1875-atual %
câncer 38.512 65.417 58,9
aids 15.834 18.291 86,6
dengue 5.782 6.280 92,1
cardíaca 4.501 10.811 41,6
diabetes 3.694 11.688 31,6
hipertensão 2.795 4.394 63,6
polio/poliomielite 2.741 7.892 34,7
tuberculose 2.425 26.002 9,3
malária 2.282 7.171 31,8
desnutrição 1.440 2.984 48,3
sarampo 1.003 4.121 24,3
esquistossomose 176 1.338 13,2
Para alguns termos como câncer, o contexto é difícil de se analisar - 
pode, p.e., referir-se a um signo zodiacal.

A tentação é grande, até uma revista primordialmente voltada aos negócios dá de botar uma capa sobre a "cura do câncer", como a edição do mês passadode junho* da revista Forbes. Na verdade é uma terapia gênica com células T, específica para leucemia linfoblástica aguda. A versão brasileira transformou em um tratamento geral para câncer - usando incidência para todos os tipos da doença para falar do potencial de alcance do novo tratamento: "Cerca de 14 milhões de pessoas são diagnosticadas anualmente com câncer. Já imaginou se fosse possível encontrar uma cura? Pois é o que a Novartis propõe com um tratamento revolucionário." A LLA tem uma incidência anual global estimada entre 1 a 4,75 novos casos por 100.000 pessoas. O que significa entre 75.000 e cerca de 360.000 novos casos por ano - significativo, mas bem longe dos 14 milhões mencionados pela Forbes Brasil.

Em julho de 1992, a revista Globo Ciência (hoje Galileu) anunciava: "Aids sob controle. Comprovada a eficiência da droga brasileira SB-73." (Não sei em que pé está a pesquisa com isso, buscando no Google Scholar por "hiv"+"Streptomyces brasiliensis" não encontro nenhum artigo. Em 1992, foi apresentado resultados de experimento clínico em fase II - com apenas 14 sujeitos experimentais - na 8a. Conferência sobre Aids em Amsterdã, Países Baixos.)  Em novembro de 1995, a mesma Globo Ciência voltaria à carga, agora dupla: "Câncer e Aids. A cura nas plantas.".

Em outubro de 1996, foi a vez da Superinteressante: "Aids a 1% da cura". A pior de todas, em dezembro de 2000, a Super vinha com a capa: "Aids. O HIV é inocente?" abrindo espaço para a hipótese não substanciada em fatos de que a Aids seria causada por desequilíbrio químico (em outubro, a revista tinha publicado uma entrevista com Duesberg, na qual o químico defendia essa ideia, por essa entrevista a revista se sentiu na obrigação de se desculpar, treze anos depois.). Janeiro de 2001, capa: "O fim do câncer?". A machete mudava pra "Câncer: viramos o jogo" em maio de 2013. No mesmo ano em agosto, a revista se saiu com "Enfim, a cura da Aids".

Um blogue da revista Time tentou fazer gracinha com um achado de uma pesquisa, sobre o papel protetor às mitocôndrias do sulfeto de hidrogênio produzido no interior das células em situação de estresse (mas, deve-se admitir, foi na toada do release infeliz - lá se faz associação do gás com o odor de flatulência). Levou na cabeça com a resposta do Boing Boing no facebook (Fig. 1).

Figura 1. O processo de distorção entre o que é produzido e o que é anunciado. Fonte: Boing Boing FB.

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Embora mesmo a OMS esteja esperançosa quanto ao controle e até erradicação da Aids, não é pra agora. Anúncios recentes de casos de eliminação de HIV do corpo de pacientes sofreram um baque na segunda semana de julhoretrasada*: um bebê tido por "curado" há dois anos, voltou a apresentar carga virótica detectável em seu organismos. Não é tão simples combater o HIV, sua taxa de mutação é relativamente alta e partículas virais podem se esconder no interior de células progenitoras de células de defesa  - onde ficam a salvo do ataque de medicamentos dos coquetéis e dos anticorpos. A sobrevida média, no Brasil, após o diagnóstico de Aids, é de cerca de 9 anos atualmente. Mas os infectados pelo HIV que começam o tratamento antes de desenvolver os sintomas da Aids podem viver décadas. No entanto, a despeito de uma dezena de casos isolados relatados na literatura, não há ainda uma cura - os pacientes precisam continuar tomando seus medicamentos para manter a carga virótica suficientemente baixa.

O câncer, por sua vez, não é uma única doença. Há mais de 200 tipos. E, praticamente, cada evento de câncer é único, com seu próprio conjunto de alterações genéticas. Não É muito complicado (impossível?) desenvolver um tratamento único, sem contar as diferenças de reações de indivíduo para indivíduo. Muitos tipos têm tratamentos adequados e até bons índices de cura - especialmente com diagnóstico precoce. Falar em "cura do câncer", assim, de modo genérico, denota, então, um tratamento único com índice de cura muito alto (mais de 90%) para uma ampla gama de tipos em praticamente qualquer fase de desenvolvimento da doença - estamos, infelizmente, longe disso.

Os meios de comunicação não apenas refletem o gosto de seu público alvo, eles também o molda, influenciando seus leitores. Não é de se surpreender que o brasileiro pense que no país morra-se mais de câncer do que de infarto ou AVC. As distorções representativas, o enviaesamento da cobertura, o sensacionalismo, o alarmismo... atingem não apenas a reputação dos veículos, mas expõem a saúde dos próprios leitores/telespectadores/ouvintes.
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via Ruth Helena Bellinghini FB, @oatila, Adalberto Cesari FB.

*Upideite(04/ago/2014): Fui postergando a publicação desta postagem que as datas relativas originalmente referidas ficaram bem defasadas.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

2012: O Último Carnaval? Spoiler Alert====>Não!

Blogagem coletiva Fim do Mundo
"Berros, súplicas, sangue, apitos sumiam-se na festa. Ninguém sabia donde vinham as pauladas — e era bom evitar opiniões."
Graciliano Ramos, 1957. "Carnaval 1910."


Já definiram bem a história do fim do mundo em dezembro de 2012 como "o bug do milênio Maia" (acrescentaria, "aliado ao sistema internacional de unidades da Nasa").

A civilização maia teve seu auge entre os anos correspondentes a 300 e 900 d.C., mas os registros arqueológicos se estendem de 800 a.C. a 1520 d.C. na Mesoamérica, indo das terras da península do Iucatã no atual México até Honduras e El Salvador (Navarro 2008). Durante sua história desenvolveu três sistemas de contagem de tempo: a) um ciclo de 260 dias; b) um de 365 dias e c) um de contagem longa.

O de 260 dias, chamado pelos estudiosos de Ciclo Sagrado Maia ou tzolk'in, teve origem possivelmente no paralelo 15°N - onde o intervalo correspondia à passagem do tempo entre duas datas nas quais o Sol passava pelo ponto zenital - isto é, nas duas ocasiões consecutivas de Sol a pino em um ano solar (Malmstrom 1973). Os dias eram contados pela combinação entre ciclos de 13 e de 20 dias. No ciclo de 20 dias, cada dia recebia um nome: na sequência, Imix, Ik, Akbal, Kan, Chicchan, Cimi, Manik, Lamat, Muluc, Oc, Chuen, Eb, Ben, Ix, Men, Cib, Caban, Eznab, Cauac e Ahau. O de 13 dias eram designados por números. Assim, um, digamos, 10 Muluc, se seguiria a 11 Oc, este a 12 Chuen, aí 13 Ed, então 1 Ben, 2 Ix etc. (Naturalmente, os maias usavam números em sua própria escrita e cada um com seu próprio nome.) O uso do tzolk'in estava fortemente vinculado às práticas religiosas. (Smiley 1962.)

O de 365 dias, claro, correspondia ao Ciclo Solar, também designado pelos estudiosos de haab'. Aqui, os dias eram contados pela combinação de 18 ciclos de 20 dias (de 0 a 19) - cada ciclo correspondendo a um mês (Pop, Uo, Zip, Zotz, Tzee, Xul, Yaxkin, Mol, Chen, Yax, Zac, Ceh, Mac, Kankin, Muan, Pax, Kayab, Chumhu) - mais um mês de 5 dias (de 0 a 4): Uayeb. P.e. 18 Chumhu era seguido de 19 Chumhu, depois 0 Uayeb, 1 Uayeb... 4 Uayeb, 0 Pop, 1 Pop, etc.

Combinando-se o tzolk'in com o haab', dois dias que recebiam os mesmos nomes nos dois ciclos eram separados pelo mínimo múltiplo comum entre 260 e 365, o que dava 18.980 dias ou 52 anos solares - formando o ciclo calendárico.

Para evitar confusão entre dias com os mesmos nomes entre ciclos calendáricos diferentes, o maias desenvolveram o Ciclo de Contagem Longa: uma contagem contínua dos dias a partir de um dia inicial remoto no tempo. A unidade básica era o kin, 20 kins correspondiam a um uinal; 18 uinals a um tun; 20 tuns a um katun e 20 katuns a 1 baktun. Um baktun correspondia, então, a 20 x 20 x 18 x 20 = 144.000 dias, pouco mais de 394 anos e meio. (Smiley 1962.)

O maior número que poderia ser representado por esse sistema seria então: 19 baktuns, 19 katuns, 19 tuns, 17 uinals e 19 kins. Ou seja, 2.879.999 dias.

O dia do nosso sistema de calendário que corresponderia ao início do Ciclo da Contagem Longa é incerto. Ao longo do tempo várias datas foram defendidas com base na correspondência de algumas datas com eventos astronômicos conforme os registros maias. As estimativas da correspondência do dia zero do ciclo longo tem variado entre 3645 a.C. e 2593 a.C. (Smiley 1962.)

Ou seja, a contagem dos ciclos longos deve terminar entre os anos de 4494 e 4772 da nossa era (e não em 2012 - a "previsão" de 2012 coincide com o fim do 13° baktun para uma certa estimativa do início da contagem longa)*. Isto é, teremos nosso último carnaval anual pelo menos pelos próximos 2.482 anos. E certamente além: se não por uma versão estendida da contagem longa, por qualquer outro evento, profecia ou coisa que o valha. Números redondos - sejam no sistema vigesimal modificado dos maias, sejam no sistema decimal sobre o calendário gregoriano (haja vista as inúmeras profecias apocalípticas milenaristas) - ou próximos a eles costumam ser palpites bastante populares.

Por exemplo, em 1910, a passagem do cometa Halley parece ter causado algum alvoroço com a especulação de que a cauda gasosa contaminaria a atmosfera com o venenoso cianogênio (além de outros efeitos como terremoto), no Canadá, nos EUA, e também no Brasil. Sua nova passagem, em 1986, apesar do grande interesse, parece não ter despertado a mesma apreensão. Porém, em 1997, desta vez com o cometa Hale-Bopp, especulações catastrofistas novamente ressurgiram (com direito a um episódio particularmente trágico) . À época da ativação do LHC, em 2008, mais destaque a preocupações com o fim do mundo: o acelerador criaria um buraco negro que terminaria por engolir o planeta. Em 2011, mais uma interpretação milenarista: uma não, duas (e do mesmo autor).

Há que se encarar, no entanto, o retrato dado pela mídia da reação popular a esses eventos com um certo grão de sal. Uma leitura pelo valor de face das narrativas jornalísticas nos passa a impressão de uma histeria generalizada. Um futuro historiador que se valer dos textos da imprensa de hoje, imaginaria que todo mundo em 2012 acreditava mesmo que 21 de dezembro era (será) a data do Armagedão. Certamente há indivíduos e grupos alarmados - mas parte deles estão alarmados exatamente em função do destaque (com registro tirante ao sensacionalismo, quando não descaradamente sensacionalista) dado. Mais uma vez, em nome de uma pretensa isenção, quase sempre sem nenhuma visão crítica, dão voz a grupo minoritário e um tanto excêntrico de profetas do apocalipse - quando uma contraposição é feita, muitas vezes, a refutação racional e factualmente embasada tem, no máximo, o mesmo peso do nostradamus de plantão.

Quando digo que certamente prognósticos sobre o fim do mundo continuarão a ocorrer para além do fim da contagem longa maia, não acho que eu esteja arriscando muito - mesmo sendo uma previsão de longuíssimo prazo: há muito dinheiro envolvido (alguém quer apostar?). Creio que o material a respeito do fim dos tempos possa ser considerado praticamente uma subindústria do filão místico.

Mas, com tal persistência, um dia acabam acertando a data.

Referências
Malmstrom, V.H. 1973. Origin of the Mesoamerican 260-day calendar. Science :181: 939-41.
Smiley, C. H. 1962. The Mayan calendar. Astronomical Society of the Pacific Leaflets 8: 327-34.

Obs: Esta postagem faz parte da blogagem coletiva organizada pelo Scienceblogs Brasil.

*Upideite(13/fev/2012): Carlos Orsi, em comentário a uma postagem dele, chama a atenção para o fato de aparentemente os maias considerarem apenas 13 baktuns.**
**Upideite(11/mai/2012): Um registro recém-anunciado, mostra um calendário do séc. 9 em que se contam pelo menos 17 baktuns.

domingo, 6 de março de 2011

Mais sobre os "fósseis" em meteoritos

Algumas considerações extras a respeito da interpretação de Hoover de que estruturas mineralizadas em meteoritos CI1 seriam fósseis de cianobactérias.

Veja abaixo uma representação simplificada da "árvore da vida" - as relações evolutivas de membros dos três grandes grupos de organismos vivos inferidas por análise genética.


Figura 1. Árvore da vida.

O balão vermelho indica a posição das cianobactérias. A seta vermelha indica a posição inferida da raiz da árvore - a posição do último ancestral em comum de todos os organismos atuais da Terra.

Segundo a interpretação de Hoover, as estruturas seriam de organismos que estariam em algum ponto dentro do balão. Se aceitarmos isso, há duas interpretações possíveis: 1) A raiz verdadeira estaria em algum ponto dentro do balão ou 2) a Terra foi 'semeada' também com ancestrais das arqueas, de outras bactérias e também de eucariotos.

O deslocamento da posição da raiz tornaria completamente estranho o padrão genético encontrado. Há certos genes que estão duplicados no genoma de bactérias, arqueas e eucariotos. Esses genes surgiram de uma mesma cópia ancestral e divergiram a partir disso. Analisando-se a sequência, pode-se inferir a sequência da cópia ancestral - e comparando-se com isso, podemos posicionar a raiz da árvore. Esse esquema elegante é bagunçado se a verdadeira raiz estiver longe da posição inferida por essa técnica. Um padrão altamente improvável de evolução das sequências haveria de ocorrer - a partir das cianobactérias, os dois genes iriam *convergir* suas sequências e voltariam a divergir rumo às arqueas e aos eucariotos.

Consideremos então que toda uma diversidade ancestral aportou na Terra, incluindo nossos ancestrais protoeucariotos. Ocorre que o meteorito tem idade que remonta às origens do Sistema Solar. Essa diversidade teria surgido em um intervalo de não muito mais do que alguns milhões de anos. E ficado oculta por bilhões de anos no registro fóssil de nosso planeta. Se as cianobactérias já estavam presentes praticamente desde o início na Terra, por que a crise ou a revolução do oxigênio (ou ainda o Grande Evento da Oxigenação) ocorreria só há uns 2,4 bilhões de anos atrás?

Outra coisa. Os meteoritos CI1 devem ser restos ou de cometas ou de asteroides - não de corpos como planetas ou protoplanetas. Os organismos apontados como parentes próximos dos supostos fósseis como o Titanospirillum velox são móveis - deveria haver água líquida. Cometas são formados basicamente de gelo; quando se aproximam do Sol, o gelo não se liquefaz, mas sublima. Asteroides não são também bons locais em que esperaríamos água líquida em abundância. #comofaz?

Nasa strikes again... Strikeout!

ResearchBlogging.orgAcaba de ser publicado um artigo de Richard B. Hoover sobre estruturas minerais no interior de um meteorito. A conclusão do cientista é estampada logo no título, sem rodeios: "Fossils of Cyanobacteria in CI1 Carbonaceous Meteorites".

Não queria comentar agora, mas também não é a primeira nem a segunda vez que faço aqui uma postagem a respeito de algo em plena hype.

Não é também uma tradição que nunca foi rompida aqui fazer uma afirmação mais forte.

Então eu escrevo com todas as letras: Nasa, 'tá' na hora de fechar as pesquisas de astrobiologia pra balanço. (Phil Plait, do Bad Astronomy, tem também uma opinião bastante cética, mas é mais comedido do que eu nesta história.)

Junte um tema pulsante: vida extraterrestre, a uma instituição renomada: a Nasa; e pronto, quem segura a onda?

Há pouco tivemos uma hype do gênero com as tais bactérias que usariam arsênio. Na ocasião, o erro maior foi a divulgação para o público e a imprensa, o artigo em si era bem mais cuidadoso. Agora os cuidados foram - não resisto ao trocadilho - jogados para o espaço.

O Yahoo!News vai na onda e anuncia: "Cientista da Nasa encontra evidência de vida alienígena". Não irei culpá-los (como não atribuo à imprensa a culpa maior pela onda das bactérias arseniófilas), mas botaram de ilustração, não o fóssil, e sim a foto de uma cianobactéria de verdade - terrestre e atual (não alienígena e fóssil) - que está presente no artigo. O fóssil é bem mais decepcionante. Reproduzo abaixo (Figura 1) lado a lado as imagens.


Figura 1. À esquerda, estrutura mineralizada no meteorito; à direita, Titanospirillum velox (bactéria atual terrestre, formadora de biofilmes)

O autor é mais do que ousado em propor não apenas a natureza biogênica das estruturas, mas ainda classificás-la como fósseis de um grupo que encontramos na Terra atualmente (as cianobactérias mencionadas no título do artigo). Como a idade do meteorito remonta à formação do Sistema Solar e da Terra (uns 4,5 bilhões de anos), obviamente está implicando que a vida na Terra é exógena. É uma possibilidade, mas seria preciso bem mais do que formações minerais superficialmente similares às formas de vida atuais (desconte-se o conservadorismo morfológico implicado - isso, conservação da forma ao longo da evolução, é perfeitamente possível e há casos confirmados para pelo menos algumas centenas de milhões de anos).

Para afastar a hipótese de contaminação por micróbios terrestres, Hoover argumenta que muitas das estruturas aparecem parcialmente incrustradas na matriz e que a composição química delas é diferente da de minerais terrestres - indicando, assim, que os fósseis putativos formaram-se fora da Terra.

Em 1996 também foram-nos apresentadas estruturas minerais no interior de um meteorito (ALH84001) interpretadas como fósseis de bactérias (McKay et al. 1996) - à parte o tamanho diminuto (de nanômetros), posteriormente argumentou-se que processos abióticos poderiam produzir as estruturas e explicar a co-ocorrência de outros sinais (como compostos orgânicos e certas deposições minerais, como a magnetita). Aliás, no trabalho de Hoover é digno de nota a *ausência* da citação desse trabalho.

Estranho ainda o artigo ser monoautoral. Hoover realmente teve muito trabalho de preparar as amostras, micrografá-las, analisar a morfologia e a composição química sozinho. ONo de McKay et al. 1996 foram 9 autores, no de Wolfe-Simon et al. 2010 (das bactérias arseniófilas), 12 autores.

O artigo foi publicado em um periódico bastante suspeito. Seu quadro conta com pessoas que, embora tenham contribuições importantes em suas áreas, têm lá suas hipóteses de estimação bastante estranhas: Chandra Wickramasinghe, defensor entusiasmado da panespermia; e Roger Penrose, e sua esquisita teoria da consciência quântica; já publicaram artigos muitos estranhos e estão para encerrar suas atividades. A Nasa também anda enfrentando severos cortes de verba.

O Journal of Cosmology apresentou o artigo para 100 especialistas e convidou outros 5.000 para analisá-lo; irá publicar os comentários entre os dias 7 e 10/mar/2011. Estou curioso para ver se a revista levou em conta as opiniões dadas para publicar o artigo: terão mesmo os revisores dado o aceite?

Usando de bastante eufemismo, é um trabalho *muito* estranho. (Não que não devesse ser publicado, mas deveria haver muito mais cuidado do que parece que foi tomado.)

Referências
Hoover, R.B. 2001. Fossils of Cyanobacteria in CI1 Carbonaceous Meteorites. Journal of Cosmology 13.

McKay, D., Gibson, E., Thomas-Keprta, K., Vali, H., Romanek, C., Clemett, S., Chillier, X., Maechling, C., & Zare, R. (1996). Search for Past Life on Mars: Possible Relic Biogenic Activity in Martian Meteorite ALH84001 Science, 273 (5277), 924-930 DOI: 10.1126/science.273.5277.924

Wolfe-Simon, F., Blum, J., Kulp, T., Gordon, G., Hoeft, S., Pett-Ridge, J., Stolz, J., Webb, S., Weber, P., Davies, P., Anbar, A., & Oremland, R. (2010). A Bacterium That Can Grow by Using Arsenic Instead of Phosphorus Science DOI: 10.1126/science.1197258

Upideite(06/mar/2011): Outras análises.
Rosie Redfield, no RRResearch, observa que o tamanho dos filamentos varia bastante.
PZ Meyers, no Pharyngula, claro, é ainda mais ácido do que eu: "This isn't science, it's pareidolia".

Upideite(07/mar/2011):
Charlie Petit no Knight Science Journalism Tracker: "This will be hard for any serious science journalists to cover – even to debunk it."

A Nasa, escaldada, parece não endossar a opinião de Hoover. (Dica da @alesscar)

Upideite(08/mar/2011):
Aqui tem mais algumas informações.

O Journal of Cosmology publicou alguns comentários (21 até esta data). A maioria estranhamente favorável; continuando na esquisitice, incluíram comentário de um dos editores da própria revista, além de outros autores que publicaram também na própria revista. Será que ninguém com objeções mais fortes se dignou a apresentá-las? O que me faz questionar a respeito dos tais 100 especialistas (e, sinceramente, enviar convites gerais para mais de 5.000 outros caracterizaria spam - duvido que tenham assinado newsletter da revista).

Upideite(09/mar/2011): Phil Plait volta à carga . PZ Meyers também. A história na New Scientist. David Dobbs na Neuron Culture.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Muito barulho por Nasa: das bactérias que usam arsênio

ResearchBlogging.orgEquipe de cientistas americanos, liderada por Felisa Wolfe-Simon, aparentemente fizeramfez uma interessante descoberta microbiológica: bactérias extremófilas capazes de incorporar arsênio no lugar de fósforo em macromoléculas como o ADN.

O indício é que cultivando essa cepa em um meio sem acréscimo de fosfato e com arsenato radiomarcados, as bactérias se desenvolvem e isolando-se o ADN (que apresenta radioatividade) obtêm-se em análises como espectrometria de massa os arsênios.

É uma condição totalmente artificial. Mesmo apresentando as águas do lago em que vivem a bactéria altos índices de arsênio, o teor de arsênio usado para isolar a cepa foi muito mais alto e nas condições naturais há presença abundante de fósforo.

A publicação do estudo na revista Science em que relatam o achado foi precedida por uma nota da Nasa anunciando uma coletiva de imprensa:
"WASHINGTON -- NASA will hold a news conference at 2 p.m. EST on Thursday, Dec. 2, to discuss an astrobiology finding that will impact the search for evidence of extraterrestrial life. Astrobiology is the study of the origin, evolution, distribution and future of life in the universe."

A coletiva seguiu o tom sensacionalista tentando dizer que a descoberta era revolucionária, que iria reescrever os manuais e os livros-texto...

Vários blogueiros já fizeram boas análises contextualizando bem a descoberta e dando sua real dimensão (beeeeeem menor do que todo o auê propositadamente gerado): PZ Myers no Pharyngula, Roberto Berlinck no Quiprona, Juscimar Silva no Geófagos e Eli Vieira e Rodrigo Véras no formspring do Evolucionismo.

O que tenho a notar é o caráter bipolar da Nasa. O texto científico é relativamente sóbrio, mesmo que faça algumas afirmações bastante ousadas frente aos indícios que possui (o que me faz sentir menos culpado em relação à minha tese de doutorado em que também faço algumas suposições um tanto quanto atrevidas - mas ponho tudo no condicional, não cravo nada).

Dizem no resumo:
"Life is mostly composed of the elements carbon, hydrogen, nitrogen, oxygen, sulfur and phosphorus. Although these six elements make up nucleic acids, proteins and lipids and thus the bulk of living matter, it is theoretically possible that some other elements in the periodic table could serve the same functions. Here we describe a bacterium, strain GFAJ-1 of the Halomonadaceae, isolated from Mono Lake, CA, which substitutes arsenic for phosphorus to sustain its growth. Our data show evidence for arsenate in macromolecules that normally contain phosphate, most notably nucleic acids and proteins. Exchange of one of the major bio-elements may have profound evolutionary and geochemical significance."
["A vida é composta principalmente dos elementos carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, enxofre e fósforo. Embora esses seis elementos formem ácidos nucleicos, proteínas e lipídios e, assim, o grosso da matéria viva, teoricamente é possível que alguns outros elementos na tabela periódica possam servir às mesmas funções. Aqui descrevemos uma bactéria, cepa GFAJ-1 das Halomonadaceae, isolada do lago Mono, CA, que substitui fósforo por arsênio para sustentar seu crescimento. Nossos dados mostram indícios de arsenato em macromoléculas que normalmente contêm fosfato, mais notadamente ácidos nucleicos e proteínas. A troca de um dos principais bioelementos pode ter um profundo significado evolutivo e geoquímico."]

No texto seguem dizendo o quão quimicamente similar é o arsênio em relação ao fósforo, como o íon arsenato comporta-se em sistemas vivos de modo parecido com os íon fosfato (sendo essa, aliás, uma das razões da toxicidade do arsênio inorgânico) e como para elementos-traço como molibdênio e zinco há substituições registradas (por tungstênio e cádmio respectivamente) como cofatores em enzimas. Basicamente estão dizendo: "olha, o que nós encontramos não é tão absurdo assim". Não falam absolutamente nada sobre vida extraterrestre.

Bem diferente do que apresentam para a imprensa. Como se o achado fosse totalmente diferente do que já se encontrou antes. O que produziu manchetes com expressões como "bactéria ET", "DNA ET", "muda definição de vida"...

Não se trata de nada ET. A cepa pertence a um grupo bem terráqueo de bactérias: Halomonaceae - provavelmente do gênero Halomonas. O ADN com arsênio foi obtido em uma situação totalmente artificial: com ausência de fósforo (salvo como contaminantes) e suplementação de arsênio. E não muda a definição de vida porque não há nenhuma definição de vida proposta que a delimite pela necessidade de uso de fósforo - na verdade há muito existe a especulação de formas de vida baseada em silício em substituição ao carbono, p.e.., o que nos leva a que a afirmação da Nasa de que a descoberta deve impactar a pesquisa de busca de vida fora do planeta é despropositada - sem falar que a abundância do fósforo no universo (7.000 ppb em massa ou 300 ppb em número de átomos) é muito maior do que de arsênio (8 ppb em massa ou 0,1 ppb em número de átomos): seria como seu chefe dizer que você recebeu um substancial aumento salarial porque seus vencimentos passaram de 3.000 reais mensais para 3.001 reais ao mês (ele poderia complementar: "se você recebeu 1 real a mais por 10 horas de trabalho a mais, isso abre uma nova perspectiva de quanto você poderá receber no futuro; o céu é o limite, meu filho").

Não se sabe ainda se o ADN (e outras macromoléculas) com arsenato é funcional - e há ainda desconfianças a respeito de se houve mesmo incorporação de arsênio.*

A descoberta é interessante por si mesma. Não merecia ser estragada pelo sensacionalismo, que, naturalmente, leva à desinformação.

Referência
Wolfe-Simon, F., Blum, J., Kulp, T., Gordon, G., Hoeft, S., Pett-Ridge, J., Stolz, J., Webb, S., Weber, P., Davies, P., Anbar, A., & Oremland, R. (2010). A Bacterium That Can Grow by Using Arsenic Instead of Phosphorus Science DOI: 10.1126/science.1197258

*Upideite(09/dez/2010): Carlos Hotta, no Brontossauros, comenta mais detalhadamente a questão da incorporação ou não do arsênio nas macromoléculas.

Upideite(17/dez/2010): Os autores responderam parte das críticas feitas e dúvidas levantadas. (Via @ciencianamidia.)
Upideite(04/jan/2011): Aqui uma crítica à atuação dos blogues de ciências.


Upideite(30/mai/2011): Temos agora uma segunda rodada, com a publicação de críticas ao trabalho e as respostas da equipe de Wolfe-Simon na Science. A Nature comenta o round.

Upideite(20/jan/2012): Rosie Redfield recebeu amostras das tais bactérias e relata que não conseguiu reproduzir os resultados anunciados pela equipe de Wolfe-Simon. Via Carlos Orsi.


Upideite(09/jul/2012): Agora são dois os trabalhos que falharam em reproduzir os resultados alegados pela equipe de Wolfe-Simon. Aparentemente, as GAFJ-1 são tolerantes a arsênio, mas dependem de fósforo.**


**Upideite(10/jul/2012): Rodrigo Véras comenta sobre os novos estudos no Evolucionismo.
Upideite(27/jul/2025): A Science revolveu cancelar o artigo por considerar que os experimentos não apoiam a alegação de incorporação do arsênio no DNA das bactérias.

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