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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Denise Fraga, eliminar a Química do currículo é mesmo a solução? - leitores respondem

Reproduzo abaixo comentários de leitores do GR sobre o texto da Denise Fraga propondo a eliminação (ou drástica redução) do ensino de química nas escolas.

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Alexandre disse...
Tenho certeza que a fórmula de ensino usada em nossas escolas poderia ser melhorada. Sem nenhuma autoridade no assunto, eu tenho grande simpatia pelo método de aprendizado por projetos, pois me parece buscar o que mais falta na escola: alinhar o interesse e curiosidade da criança com o conteúdo a ser aprendido, além do enorme valor didático de aprender fazendo.

Mas a Denise Fraga foi de um simplismo lamentável. Sugerir que a internet substitui o conteúdo escolar foi muito infeliz. Como você disse, a criança ou jovem não teriam nem a base pra julgar a qualidade do conteúdo que encontrassem. Seria simplismo meu achar que isso acabaria em pornografia, Facebook e teorias conspiratórias?
8 de agosto de 2014 04:14
Prof. José Antonio Dias disse...
Simplesmente sensacional. Quem sabe algum químico genial consiga criar um antídoto para a falta de senso das celebridades e pessoas públicas notórias, as quais vêm com frequência aos meios de comunicação prestar um desserviço à já tão combalida educação do nosso país?
8 de agosto de 2014 05:21
João Carlos disse...
Há dois lados nesta moeda... A química, assim como a física e a biologia são assuntos fascinantes. Eu só gostaria de saber por que mil raios o ensino da química no 2º grau consegue transformar tudo isso em trabalho braçal, chato, desmotivante e repulsivo.
Existe coisa mais chata do que ser "armadilhado" com um "equilíbrio de equação química", notadamente daquelas que só acontecem no papel?
Será que a introdução ao princípio da "valência" tem mesmo que ser pretexto para exercícios e questões de prova de preenchimento dos suborbitais spdf?
Mas tudo o que eu disse sobre química, física (por que se tem que decorar as fórmulas, pelamordedeus?!... A aplicação das fórmulas é que é importante), serve para todas as matérias. Se eu não pretendo ser um linguista, de que me serve saber se tal ou qual poeta é gongórico ou romântico?
8 de agosto de 2014 06:36
Caruê disse...
Compreendo a ´´critica`` extremamente simplista que a Denise fez, já fiz ela a respeito da literatura e da gramatica quando criança. Não preciso refutar ela o texto já fez isso.
O ensino de Química tem muito a ser melhorado, mas reduzir a 1 ano é uma piada, Decisões fundamentais a respeito do clima e da própria saúde necessitam de um conhecimento em Química, um cidadão e eleitor precisa saber Química, Física, Matemática Historia, economia e Geografia para votar.
Como sugestão: precisamos unir a teoria com a pratica realizando experimentos, precisamos dar uma abordagem ampla de como a ciência é feita, socar fatos é o que gera pessoas ignorantes.
´´Ciência é muito mais uma maneira de pensar do que um corpo de conhecimentos`` Carl Sagan
8 de agosto de 2014 12:06
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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Denise Fraga, eliminar a Química do currículo é mesmo a solução? Não seria precipitado?*

A atriz da Rede Globo de Televisão Denise Rodrigues Fraga Villaça escreveu um artigo na Folha de São Paulo reclamando do conteudismo escolar pegando a Química pra cristo (e sobrando até pra biologia): [cuidado, paywall poroso!] "Química, pra que te quero?".

Arrisquei-me a discutir algo similar (com conclusão virtualmente oposta), mas em um contexto de educação *informal*, não na escola. Não me sinto muito confortável discutindo políticas educacionais. Não tenho formação na área, não cursei a Escola de Teatro Martins Pena.

Assim, não irei discutir tanto sobre como a educação deve ser e o que deve ser ensinado, quanto apontar inconsistências nas críticas da atriz e convidar para um outro olhar.

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No primeiro parágrafo a atriz faz a provocação: "Que me perdoem os químicos, mas alguém poderia me dizer por que ainda se estuda química nas escolas?" Curiosamente, ela mesmoa dá uma resposta logo em seguida: "É uma linda ciência e concordo que deveríamos ter ao menos um ano de estudo da matéria para entender a composição das coisas que juntas e inter-relacionadas compõem o Universo."

A bem dizer, a Física dos Elétrons de Valência - aka Química - trata só da matéria comum: átomos formados por um núcleo de prótons e nêutrons orbitados por elétrons ou na forma de plasma - que compõe menos de 5% do Universo (uns 70% são formados por energia escura e uns 25% por matéria escura). Mas no nosso dia a dia está ostensiva e fundamentalmente presente. Dá mesmo para abrir mão disso? Quando há campanhas contra aditivos químicos nos alimentos vamos confiar apenas no que nos dizem ou usaremos nossos instintos para saber quem tem ou não razão? E sobre o uso e controle de agrotóxicos? Medidas de combate à poluição atmosférica, das águas e do solo? A sua resposta é: "O acesso à informação anda no nosso bolso a um clique de nossos dedos e mesmo assim precisamos decorar os nomes do aparelho reprodutor dos platelmintos?/Podemos saber de tudo navegando por aí. Tanto pra aprender! E quem nos ensina a escolher o que queremos saber?". Bem, há mais de um aspecto que precisamos levar em conta:

1) Por enquanto, pouco mais de 100 milhões de pessoas têm acesso à internet. Cerca de metade dos brasileiros *não* tem acesso à informação "a um clique".
2) É preciso ter uma certa habilidade para pesquisar na internet: saber os termos para pesquisar e filtrar os resultados. Seria interessante que se ensinasse a nossos filhos nas escolas, ao menos assim me parece. Mas isso substitui as aulas de química e de biologia? Como pesquisar sobre aparelho reprodutor de platelmintos se você não sabe o que significa "aparelho reprodutor" e nem sabe que platelmintos existem? A pesquisa tende a se tornar ineficiente e há grandes os riscos de ir parar em uma página pouco confiável.
3) Talvez a maturidade a respeito da escolha do que queremos saber passe por ter um bom conhecimento básico e que seja amplamente partilhado. Algum aluno pode se interessar por saber mais como a pesquisa por melhores corantes de tecidos levou ao desenvolvimento da indústria da química fina, que, entre outras coisas, permitiu o desenvolvimento de novos medicamentos. Mas como ele iria saber que se interessa por isso sem nem saber sobre química? Como teremos alunos inclinados a serem químicos, bioquímicos, engenheiros químicos, petroquímicos, técnicos diversos (como aqueles essenciais que fazem testes de segurança de um sem número de compostos que você e todo mundo usa: de cosméticos a alimentos e medicamentos -?) sem que eles saibam o que é química?
4) Decorar o nome do aparelho reprodutor dos platelmintos - que, por acaso, tem o mesmo nome do nosso: "aparelho reprodutor" (sim, alguns órgãos têm nomes diferentes como o "poro genital"; outros, como "testículo", o mesmo) - é menos importante do que entender a diversidade de modos reprodutivos entre os seres vivos e como os padrões de similaridades e diferenças nos unem a todos. Sério, Denise Fraga, não faz sua cabeça explodir saber que somos relacionados por *parentesco* aos platelmintos? Saber que temos um ancestral em comum remoto com eles e outros ancestrais em comum - mais recentes ou mais antigos - com todos os demais seres vivos conhecidos até o momento? Saber que a despeito de tantas diferenças na aparência, platelmintos e nós, somos formados essencialmente do mesmo modo: a partir da fusão de células reprodutoras e posterior divisão celular e diferenciação das células resultantes?

Para a atriz, ensinar um jogo seria mais negócio: "Mas por que não optar por xadrez, por exemplo? Você já viu alguém jogar cadeias de carbono e hidrogênio com um amigo numa tarde chuvosa? Imagina que maravilha seria se todos nós fôssemos potenciais jogadores de xadrez formados pela escola?". Novamente, vários aspectos:

1) Há escolas que ensinam xadrez e outros jogos de tabuleiro e salão, além de práticas desportivas diversas (e até artes dramáticas). Mas não fazem isso *no lugar* da química. São atividades distintas, não concorrentes.
2) Imagina, então, se todos fôssemos pessoas que entendessem bem de química? Uma porção de dinheiro seria economizada fugindo-se de bobagens pseudocientíficas como homeopatia - com o bônus de melhora em nossa saúde. Não cometeríamos imprudências várias: como queimar a mão no gesso, ingerir metanol, cozinhar com ascarel, deixar de vacinar por causa do esqualeno, misturar água sanitária com amoníaco, provocar incêndio por largar pano com linhaça, etc., etc., etc.
3) Resistirei à tentação de maldar com a imagem de dois amigos lançando moléculas hidrocarbônicas um no outro (de compostos psicoativos a secreções biológicas); mas há vários jogos baseados na química - eu adorava os kits de químico mirim ou, em vez de decorar a tabela periódica, pode-se jogar com ela.

Provavelmente há necessidade na revisão da abordagem, já que nem você, nem seus filhos aprenderam adequadamente - não que eu saiba tudo o que se deva saber sobre química. Mas será que essa revisão é a simples eliminação da disciplina ou sua drástica redução a apenas um ano durante todos os 12 anos do ensino básico? Não poderia justamente ser uma melhora na ênfase da relevância do conhecimento químico? Da aproximação de tais conhecimentos com o nosso dia a dia? (Não são nenhuma abordagem revolucionária e estão presentes como parâmetros curriculares nacionais desde meados da década de 1990. Talvez o problema seja de sua efetiva implementação.)

*Uma das vantagens de ter uma cultura mínima em Química é entender a piada do título.

Upideite(07/ago/2014):  Uma compilação do que outros blogues de ciências comentarem será feita aqui.

Ceticismo.net: Químicos, para que vos quero?
Jornal da Ciência: Química: como te quero!*

Upideite(08/ago/2014): Só estou pegando no pé, mas Denise Fraga cometeu um autoplágio, muito do que ela escreveu para a Folha, ela já havia escrito para a revista Crescer.

Para a atriz, sem surpresas, ir ao teatro é mais importante do que conhecer química. Bem, um bom número de brasileiros também viveram até hoje sem nunca ter assistido a uma única peça de teatro. É triste, mas ao mesmo tempo revela que o teatro não é tão importante assim para se usar no dia a dia. Não digo que as pessoas não devam ir ao teatro, acho que até devem ir e seria interessante haver uma introdução à cultura do teatro para crianças. (Eu pessoalmente não tenho as melhores lembranças da experiência com a nobre arte dramática - não entro em detalhes, pois seria oversharing e não vem ao caso.) Mas, se o argumento é que o ensino da química não é importante porque as pessoas não usam, bem, teatro seria menos importante ainda. E também posso baixar encenações de Shakespeare na internet, bem como o texto, se eu quiser impressionar alguma gateeenha recitando trechos de Romeu e Julieta.

O texto na Crescer é de 2009; o da Folha, de agora, 2014. Ela já achava o ensino da química na escola ruim há 5 anos. Não sei se chegou a trocar de escola, a contratardo professor particular, a ter ela mesmo aproveitado que o conhecimento de química estava a um clique de distância e usado isso pra ensinar a seus filhos. Se não fez, não foi um tanto relapsa e omissa quanto à educação dos filhos? Se o fez, não significa que o "conhecimento a um clique de distância" não é tão efetivo assim?

Upideite(08/ago/2014): Ainda é só pegação de pé, mas, em 2002, o Conselho Regional de Química da 4a Região cedeu espaço para que cenas do filme que ela estrelava fosse gravado. Fosse, hoje, o pessoal do CRQ-IV poderia aproveitar para dar uma palestra sobre a importância do conhecimento de química para uma pessoa poder exercer sua cidadania mais plenamente.

Upideite(10/ago/2014): Disclêimer - sei que pelo texto acima não parece, mas eu sou fã do trabalho de Denise Fraga como atriz.

Upideite(16/ago/2014): A Sociedade Brasileira de Química manifestou-se sobre o texto na Folha.

*Upideite(29/set/2014): adido a esta data.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Como é que é? - Garota de 12 anos rouba autoria de importante descoberta em biologia marinha?

Uma garota de 12 anos filha de cientista - seu pai, D. Albrey Arrington, é ecólogo de peixes - apresentou em 2012 seu projeto de feira de ciências com resultados que mostravam que o peixe-leão (Pterois sp.) é capaz de sobreviver em águas de baixa salinidade (até 5 g/litro). Vários veículos destacaram o feito e a NPR (rádio educativa americana) não foi nada sutil:

"Sixth-Grader's Science Fair Finding Shocks Ecologists" ["Achado de Feira de Ciências de Alunaos de Sexto Ano Deixa Ecólogos Chocados" - mudado agora para "Sixth-grader's science project catches ecologists' attention": "Projeto de ciências do sexto ano chama a atenção de ecólogos."]

A NBC não ficou atrás:

"Sixth-Grader's Lionfish Science Project Stuns Conservation Experts" ["Projeto de Ciências de Sexto Ano sobre Peixe-Leão Espanta Especialistas da Conservação"]

Nem a CBS:

"Sixth grader credited with scientific breakthrough on lionfish" ["Aluna do sexto ano reconhecida com descoberta surpreendente sobre peixe-leão"]

A tolerância à variação na salinidade tem uma implicação ecológica importante. Duas espécies de peixe-leão: P. volitans e miles - nativas das águas do Indo-Pacífico, estão agora invadindo o litoral atlântico americano (inclusive no Brasil), onde não encontra predadores. Se toleram ambientes de baixa salinidade podem invadir também ambientes de água doce.

Seria mais um belo caso de incentivo às crianças - como a das crianças do primário de Blackawton estudando abelhas mamangabas ou das crianças do quinto ano em Ubatuba-SP planejando lançar um satélite, entre outras -, porém parece que a coisa é meio, como diriam os americanos, "fishy" (yay! trocadilho!). Em sua página no facebook, o biólogo marinho Zachary R. Jud reclama para si a autoria da descoberta*.

"My lionfish research is going viral...but my name has been intentionally left out of the stories, replaced by the name of the 12-year-old daughter of my former supervisor's best friend. The little girl did a science fair project based on my PREVIOUSLY PUBLISHED DISCOVERY of lionfish living in low-salinity estuarine habitats. Her story has been picked up nationally by CBS, NPR, and CORAL magazine, and has received almost 90,000 likes on Facebook, yet my years of groundbreaking work on estuarine lionfish are being completely and intentionally ignored. At this stage in my career, this type of national exposure would be invaluable...if only my name was included in the stories. I feel like my hands are tied. Anything I say will come off as an attempt to steal a little girl's thunder, but it's unethical for her and her father to continue to claim the discovery of lionfish in estuaries as her own.

I'm looking towards you - my valued friends and colleagues - for suggestions on how I might be able to remedy this intentional misrepresentation without doing anything to disparage the little girl. Most of you are aware of the massive amount of time I put into exposing kids to science, and I obviously don't want to do anything to diminish this young lady's curiosity or enthusiasm. I'm thrilled that she chose to look at lionfish for her science fair project, but encouraging an outright lie is poor parenting and a horrible way to introduce a youngster to a career in the sciences.

This picture was taken in 2010, when I first discovered lionfish occupying estuarine habitats - 3 years before the little girl's 'discovery'.
"
["Minha pesquisa sobre peixe-leão está viralizando... mas meu nome tem sido intencionalmente deixado de fora nos relatos, substituído pelo nome da filha de 12 anos do melhor amigo de meu antigo orientador. A garotinha fez um projeto de feira de ciências baseado em minha DESCOBERTA ANTERIORMENTE PUBLICADA sobre peixe-leões vivendo em hábitats estuarinos de baixa salinidade. Sua história vem sendo destacada pela CBS, NPR e revista CORAL, e recebeu quase 90.000 curtidas no facebook, porém meus anos de trabalho de base com peixes-leões estuarinos estão sendo completa e intencionalmente ignorados. Neste estágio de minha carreira, esse tipo de exposição nacional seria valioso... se meu nome fosse incluído nos relatos. Sinto como se de mãos atadas. Tudo o que eu disser parecerá como uma tentativa de roubar o brilho de uma garotinha, mas é antiético que ela e seu pai continuem a clamar para si a descoberta de peixes-leões em estuários.

Peço a vocês - meus valorosos amigos e colegas - sugestões sobre como posso remediar essa representação intencionalmente errada sem denegrir a garotinha. A maioria de vocês está ciente da quantidade de tempo que dedico a expor as crianças às ciências e, obviamente, não quero fazer nada para diminuir a curiosidade e o entusiamos da jovem senhorita. Estou emocionado que ela tenha escolhido o peixe-leão para seu projeto de feira de ciências, mas encorajar uma mentira deslavada é um modo errado de se criar filhos e um modo horrível de se introduzir os jovens à carreira nas ciências.

Esta foto foi tirada em 2010, quando descobri pela primeira vez peixe-leão ocupando hábitats estuarinos - 3 anos antes da 'descoberta' da garota."]

O relato original da NPR dizia: "Lionfish had been found to live in water with salt levels of 20 parts per thousand. But no one knew that they could live in water salinity below that" ["Peixes-leões são encontrados em águas com salinidades de 20 partes por mil. Mas ninguém sabia que poderia viver em salinidade abaixo disso"]. Segundo Jud, o trabalho da garota é baseado em seu achado de que os peixes-leões estavam invadindo o ambiente estuarino - onde a salinidade é bem abaixo da de oceano aberto (Jud et al. 2011). Nesse trabalho, um dos co-autores é o pai da menina. No recente artigo de Jud et al. 2014 sobre a eurialinidade das espécies, a menina é citada no corpo do artigo:

"To address our first objective, identifying the long-term effects of reduced salinity on lionfish survival, growth, and behavior, we exposed fish to a salinity of 7‰ for 28 days in a laboratory setting. We chose this salinity based on our findings from the in situ cage study (above), in situ observations of wild lionfish at 8‰ (Z. Jud, unpubl. data), as well as the results of a small pilot study that showed lionfish could survive and feed at 6‰ for short periods of time (L. Arrington, unpubl. data)."

E nos agradecimentos:

"Acknowledgement This project was made possible by a close partnership with the Loxahatchee River District. Lauren Arrington (King’s Academy, West Palm Beach, FL) conducted preliminary laboratory experiments that helped give rise to our experimental design. We thank Joel Trexler for facilitating our use of Florida International University’s aquarium facilities and Diana Churchill for assistance during the laboratory portion of the study. Research protocols were approved by Florida International University’s Institutional Animal Care and Use Committee (IACUC-13-030- AM01), and a Florida Fish and Wildlife Conservation Commission Special Activities License (SAL-13-1487-SR)." [Trecho destacado sem itálico: "Lauren Arrington (King's Academy, West Palm Beach, FL) realizou os experimentos preliminares em laboratório que ajudaram a moldar nosso design experimental."]

Arrington, o pai, disse ao The Scientist que sua filha leu o artigo de 2011 e assistiu às palestras de Jud e Layman explicando os resultados quando elaborou, por conta própria, o experimento de tolerância à variação na salinidade. (Incluindo a citação ao artigo nas referências da apresentação do projeto na feira de ciências.)

Então, o achado é de quem?

A situação pode ser um pouco mais complicada do que se considerar um caso de simples plágio ou roubo de autoria. Poderia, por exemplo, ser o caso de uma percepção diferente do sentido de propriedade da ideia. Do ponto de vista da garota e de seus amigos e parentes pode ser algo assim: "Eu fiz o experimento, então o achado é meu". Do ponto de vista de Jud pode ser: "A concepção do experimento é minha, então a descoberta é minha". Além disso, o objeto é um tanto distinto. Do ponto de vista da Lauren Arrington: "Eu demonstrei que eles vivem em salinidade de até 6 partes por mil"; do ponto de vista de Jud: "Eu demonstrei que eles devem viver em ambientes com salinidade abaixo de 10 partes por mil e de, pelo menos, até 8 partes por mil". E a ênfase é distinta. Ela: "Eles podem invadir os rios"; ele: "Mostrei que já estão nos estuários."

Mas o papel de como a mídia esteve, até então, relatando o caso é, sem dúvida, relevante na percepção de Jud de que estava sendo escanteado.

Arrington sênior afirma, segundo o The Scientist, que em todos os contatos com a imprensa têm mencionado o trabalho em co-autoria com Jud. O orientador de Jud, Craig Layman, escreveu sua versão da história. Sua conclusão é que muito do problema foi gerado pelo sensacionalismo da imprensa: o trabalho da garota é, sim, uma contribuição original para a ciência (uma demonstração mais controlada do que era observacionalmente sugerido), mas não é algo que tenha chocado a comunidade de ecologia de peixes - afinal, já se sabia que os peixes-leões eram capazes de viver em ambiente com salinidade abaixo da do mar aberto (estuarinos, no caso) (descoberta que alguns relatos da imprensa, como a da NPR, erradamente atribuíram à Arrington, a filha, e que irritou profundamente Jud).

Pelo modo como os veículos estão cobrindo o caso agora:
o sensacionalismo continua. Sobretudo transformando uma demanda pela correta atribuição de créditos em uma acusação de roubo.

O blogue Science Sushi está fazendo a cronologia do caso:


(*via Camila Mano facebook)

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