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domingo, 7 de setembro de 2014

Revista em quadrinhos é objeto de estudos de zoólogos

Reproduzo abaixo notícia que publiquei na seção de notícias da Com Ciência (publicação temática mensal do Labjor em parceria com a SBPC). Por algum motivo, o texto não está mais disponível no site.

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Revista em quadrinhos é objeto de estudos de zoólogos
Por Roberto Takata
22/07/2014
No lugar de caminhada no meio da floresta com redes e armadilhas, leitura minuciosa de páginas de gibi. Foi assim que os autores de A Zoologia de "Sete Soldados da Vitória": análise dos animais presentes na obra e sua possível utilização para fins didáticos coletaram seus dados para o estudo. Os pesquisadores fizeram o levantamento faunístico de “Sete Soldados da Vitória”, metassérie (conjunto de minisséries interligadas) em quadrinhos de Grant Morrison lançada em 2005 pela DC Comics e publicada no Brasil em 2007 pela Panini Comics. 

Cerca de metade das personagens, entre super-heróis, vilões, humanos comuns e até bichos de estimação, representam ou são baseadas em animais. Destes, 63% pertencem ao filo dos cordados – que inclui os vertebrados como nós – e 37%, protostômios – grupo ao qual pertencem os insetos, as aranhas, minhocas e moluscos. Como notam os autores no artigo, a presença no nosso cotidiano parece ser o principal fator determinante na presença nos quadrinhos: mamíferos, aves, répteis, anfíbios, peixes, insetos e aranhas predominam –, em contraste com o número de espécies conhecidas em cada grupo. 

O trabalho, à primeira vista inusitado, faz parte da linha de pesquisa do grupo liderado pelo zoólogo Elidiomar Ribeiro da Silva, da Unirio, de facilitar o aprendizado de biologia com a inclusão de elementos da cultura pop, despertando, assim, o interesse dos alunos – uma das autoras do artigo, Tainá Ribeiro da Silva, é estudante do ensino médio. Ela é filha de Elidiomar, mas, mesmo havendo realizado outros trabalhos com o pai, esta foi sua primeira experiência na classificação de organismos. “Certamente me ajudou a ter uma noção mais ampla do assunto”, contou por email Tainá, ávida leitora de quadrinhos e fã de Batman. 

“Mesmo informações zoologicamente incorretas podem ser exploradas em sala de aula, com os devidos ajustes e correções”, escrevem os autores no artigo. Por exemplo, o desenho de uma “cabeça” de aranha em um dos quadros pode ser usado como gancho para falar da morfologia dos aracnídeos: em que não há uma cabeça e um tórax separados como em insetos, mas formam uma única estrutura fundida em um cefalotórax. As incorreções podem também ser base para atividades do tipo “encontre o erro”. 

Sete Soldados da Vitória

Cada uma das sete minisséries que compõem a obra gira em torno de um super-herói e pode ser lida de modo independente. Porém, um fio condutor une as histórias que convergem para a batalha final na qual os heróis salvam a humanidade de uma raça de seres vinda do futuro, os sheedas, e que controlam insetos e aranhas, utilizando-os como armas e montarias.
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Confira a íntegra da entrevista por email gentilmente cedida pela aluna Tainá Ribeiro da Silva, uma das autoras do estudo:

GR. Como foi sua participação no trabalho? Você quem pediu pra fazer, seu pai a convidou?
TS. Meu pai me chamou para participar, sendo que eu fiz parte de um outro projeto similar que focou na taxonomia de personagens baseados em aranhas. Nesse trabalho, eu o ajudei a fazer os cálculos estatísticos e também pesquisei sobre a origem de alguns personagens.

GR. O que achou da atividade?
TS. Foi complicado e demorado. Pra falar a verdade, tomou uma boa quantidade do meu tempo, mas eu realmente gostei de ver o resultado final!

GR. Você já tinha experiência em fazer classificação de organismos? A pesquisa a ajudou a desenvolver essa habilidade?
TS. Não tive experiência em fazer classificação de organismos antes desse trabalho, mas ele certamente me ajudou a ter uma noção mais ampla do assunto.

GR. Você gosta de quadrinhos? Se sim, quais? Gostou dessa obra que analisaram?
TS. Gosto de quadrinhos desde pequena! Meus pais sempre me encorajaram a ler, e eles mesmos adoram. Eu amo as séries do Batman e tenho gostado bastante dos Novos 52. Sobre “Sete Soldados da Vitória”, a história não chegou a chamar muito a minha atenção, porque é confusa e diferente de tudo que eu estou acostumada a ler. Tem vários personagens que eu desconheço, sobrando só a Zatanna. Não sei se posso dizer que gostei, mas não é ruim.

GR. Já tem alguma escolha profissional? Pretende fazer biologia?
TS. Certeza absoluta eu não tenho, mas tenho pensado bastante em fazer arquitetura. Biologia seria muito legal, mas eu não sinto que é ideal para mim.
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Agradecimentos:
Obviamente à estudante Tainá Ribeiro da Silva pela entrevista e ao Prof. Dr. Elidiomar Ribeiro da Silva pela autorização da entrevista. Às orientadoras Profa. Dra. Simone Pallone e Dra. Katlin Massirer.

Este trabalho foi produzido sob financiamento da Fapesp (Bolsa Mídia Ciência).

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Darwin 200: HQ

Tomei conhecimento do trabalho pelo blogue Discutindo Ecologia, há coisa de três semanas.

Os artistas Simon Gurr e Eugene Byrne criaram uma biografia de Charles Darwin na forma de quadrinhos - ou, em termos eisnerianos, arte sequencial - sob auspícios do projeto Darwin 200 do Museu de História Natural de Londres em parceria com a Bristol Cultural Development Partnership.

O livro não é vendido, mas distribuído gratuitamente em vários locais: escolas, bibliotecas, grupos de leitura - britânicos, naturalmente. Consegui um exemplar com Gurr, que gentilmente enviou-me uma cópia.

Impresso em papel de qualidade com muitas ilustrações (preto e branco) baseadas em fotografias históricas, a narrativa conta, como era de se esperar, com toques do legítimo humor britânico: à página 7, em nota de rodapé a respeito da expressão "vespas amigáveis", uma série de observações - "Isto é uma piada. Vespas não são amigáveis. Se você perturbar uma vespa, ela o picará."; "Sim, sabemos que você sabe que vespas picam. Mas o pessoal de Segurança & Saúde disse que deveríamos alertá-lo de qualquer modo."; "E também que poderíamos ser processados. Se alguma criança fosse picada depois de ler isso, seus pais poderiam querer nos processar em um milhão de libras pelo tempo que tiveram que gastar beijando-a mais."; "Isto é, beijando mais a criança, não a vespa. Óbvio."; "Não beije vespas. Sério. Não beije."

A narração é sob a perspectiva de um grupo de documentaristas da natureza. Mas em lugar de Sir David Attenborough, Jeff Corwin ou do finado Steve Irwin, uma equipe de primatas: a orangotango Jenny e o gorila Dave como apresentadores, o chimpanzé Tony como diretor e a ai-ai (ou aie-aie) Helen como editora; além de prestativos lêmures-de-cauda-anelada em diversas funções: cinegrafista, contrarregra, assistente...

Há um pecadilho ou outro. Na página 87: "Darwin's other big problem was that he had no idea how natural selection happens. What causes de changes - the longer necks, the bigger claws, the camouflage colours etc. - that enable evolution." Aqui, o texto parece misturar seleção natural - que Darwin sabia muito bem como operava, na forma de competição intraespecífica por recursos como alimentos, abrigo, parceiros reprodutivos, etc. - com a origem das variedades.

Mas no geral o resultado é excelente. Seria muito bom se pudessem traduzir para o português e distribuir às escolas da rede pública brasileira.

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