Lives de Ciência

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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Divagação científica: divulgando ciências cientificamente - 19

Aproveitando minhas leituras para o curso de especialização em Jornalismo Científico do Labjor/Unicamp, faço minhas anotações do texto de Claudio Bertolli Filho, da Unesp, sobre... jornalismo científico.

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Bertolli Filho, C. 2006. Elementos fundamentais para a prática do jornalismo científico. Recensio.

definição
"O Jornalismo Científico, que deve ser em primeiro lugar Jornalismo, depende estritamente de alguns parâmetros que tipificam o jornalismo, como a periodicidade, a atualidade e a difusão coletiva. O Jornalismo, enquanto atividade profissional, modalidade de discurso e forma de produção tem características próprias, gêneros próprios e assim por diante." (Anônimo 2004)

"Um caso particular de divulgação científica e [que] refere-se a processos, estratégias, técnicas e mecanismos para veiculação de fatos que se situam no campo da ciência e da tecnologia. Desempenha funções econômicas, políticoideológicas e sócio-culturais importantes e viabiliza-se, na prática, através de um conjunto diversificado de gêneros jornalísticos" (Wilson Bueno 1984)

linguagem
O JC - e a divulgação científica - não é mera adaptação do discurso-fonte para o público destinatário. Envolve um trabalho novo e original de formulação discursiva (não é mera reformulação).

Envolve uso de múltiplas estratégias de linguagem como metáforas e analogias (fonte de potencial desacordo com os cientistas). Perigo de simplificação excessiva e distorção.

critérios para publicação
1. senso de oportunidade - trabalho antigo volta despertar interesse por algum fato.
2. timing - evento externo a novos acontecimento científicos desperta o interesse da opinião pública.
3. impacto - um trabalho, mesmo antigo, interessa a um grande número de pessoas.
4. significado - profissionais de mídia percebem a importância científica e/ou social de um novo trabalho.
5. pioneirismo - descoberta de um fato novo.
6. interesse humano - envolvimento de emoções humanas para sensibilizar o público e incitá-lo à ação.
7. personagens célebres ou de ampla exposição na mídia - entrevista com autoridades científica e profissionais de prestígio.
8. proximidade - quanto mais próximo o evento do público, maior o potencial de interesse.
9. variedade e equilíbrio - evitar a monotonia, variedade de matérias e enfoques.
10. conflito - situações de confronto despertam o interesse do leitor.
11. necessidade de sobrevivência - matérias que criam no leitor sensação de informação útil para seu bem estar físico e mental.
12. necessidades culturais - novas opções de comportamento e recursos para autoconhecimento.
13. necessidade de conhecimento - "paixão pelo saber" de parte dos leitores.

percalços
1. analfabetismo científico - desconhecimento sobre fatos básicos de ciências pelos profissionais de mídia.
2. interesses das empresas e institutos de pesquisa - podem supervalorizar seus achados para melhorar a imagem ou aumentar os lucros das companhias.
3. relação jornalista/cientistas - reclamações dos cientistas: falta de conhecimento dos jornalistas, tempo tomado, distorções; reclamações dos jornalistas: dificuldade de agendar entrevista, não responder às perguntas feitas, usar jargão e terminologia complexa, machismo, paternalismo.
- Diferenças:
- a. político-culturais: cientistas/paixão pela ciência, jornalista/análise crítica da ciência
- b. vocabulário: potencial de distorção na 'tradução'.
- Soluções parciais:
- a. treinamento de jornalistas: cursos de especialização.
- b. treinamento de cientistas: orientação da relação com jornalistas.
4. questão das fontes
a. palestras à imprensa.
b. comunicado à imprensa.
c. congressos científicos.
d. resumos.
e. press-releases - .
f. periódicos especializados.
Cuidado com os interesses pessoais, comerciais e institucionais (como busca de verbas governamentais e promoção pessoal), distorções pelos cientistas no entusiasmo de acreditar em seu trabalho... Agendamento de pauta pelos cientistas, institutos e publicações. Sistema de embargo de publicações.
Soluções parciais: ouvir outros especialistas não-envolvidos.

leitor
visão dos jornalistas/empresas de comunicação:
- interesses comerciais: paga pelas notícias
- visto como analfabeto científico
visão dos pesquisadores (Revuz 1998, Nunes 2003):
- afoito por novidades, inteligente, curioso por ciências, consciente de que seu conhecimento é menor do que o dos especialistas
Krieghbaum 1970
- parte vira a página ou muda de canal sem demonstrar curiosidade
"As reações às notícias e informações sobre ciência (...) formam uma série que vai desde os que estão cegos em relação à ciência até os que absorvem o noticiário científico e, até certo ponto, os que procedem de acordo com ele"
*Necessidade de despertar e manter o interesse dos leitores x espetacularização

ética
1. conflito de interesses - não aceitar presentes e privilégios na realização da matéria.
2. ganho financeiro pessoal - não noticiar sobre companhia da qual o jornalista tenha vínculos muito próximos.
3. ética das publicações - não publicar anúncios, próximos às notícias, de produtos envolvidos na matéria; corrigir rapidamente imprecisões e erros.
4. contar o que sabe - relatar tudo o que o jornalista julgar importante: conflitos de interesses, divergências na comunidade científica... preservar a imagem das personagens que não coloque em risco a comunidade.
5. ética nas escolhas - tomar ou não partido de um lado.

Possíveis fontes de erros e conflitos (Resnik, 2003)
o público pode:
a. carecer de informações necessárias sobre temas científicos;
b. estar mal informado sobre temas científicos;
c. não entender alguns conceitos ou recomendações científicas;
d. interpretar mal a informação científica;
e. estar completamente confuso sobre os temas científicos e a natureza dos debates científicos;
f. ver-se exposto a bobagens científicas.
os cientistas podem:
a. precipitar-se na hora da publicação dos dados;
b. manter algo em segredo para proteger sua pesquisa preliminar ou evitar controvérsias;
c. falhar em informar a imprensa e o público sobre seu trabalho.
os meios de comunicação podem:
a. ter problemas em ter acesso a congressos científicos e outras fontes de notícias;
b. deixar-se levar por falácias lógicas e estatísticas, evidências anedóticas e amostras enviesadas;
c. citar erroneamente ou fora de contexto;
d. usar fontes marginais ou não dignas de confiança;
e. cair no sensacionalismo, distorcer ou dar enfoque parcial às notícias;
f. deixar de cobrir ou abandonar o seguimento de notícias importantes.

Mitificação do conhecimento científico
Receio em criticar a lógica e aplicação da C&T
Caricaturização da ciência
Determinismo biológico
Preconceito étnico-racial

Recomendações (Segunda Conferência Mundial de Jornalismo Científico 1999):
1. Reconhecer as responsabilidades crescentes e noticiar de forma clara, precisa, íntegra, independente, honesta;
2. Apresentar com atenção não apenas a C&T, mas também os contextos político-sociais e seus meios de produção;
3. Romper as barreiras de língua e se esforçar em apresentar os assuntos de outros países;
4. Oferecer (os editores, organizações de rádiodifusão e outros) apoio e treino aos jornalistas;
5. Desenvolver o fluxo de informações na internet em outras línguas além do inglês;
6. Monitorar também a informação na internet para garantir qualidade, precisão, objetividade e integridade;
7. Apoiar (a Unesco e outras organizações) a criação de um federação mundial de jornalistas científicos [criada em 2002 - WFSJ] e associações nacionais;
8. Apoiar (a Unesco e outras organizações) a criação de espaços de treinamento de jornalistas em todas as regiões e países.

funções
Parâmetros
1. utilidade - o conteúdo útil na tomada de decisões pessoais
2. responsabilidade social - ajudar os cidadãos na tomada de decisões sociais e políticas em matérias que envolvam C&T;
3. valor intrínseco do conhecimento - conteúdos culturalmente universais ou importantes para a história humana;
4. valor filosófico - contribuir para a capacidade de refletir sobre significados e questões como vida e morte, percepção da realidade, certeza e dúvida, bem estar individual x coletivo...

Caráter didático e complementar à educação formal.
Contribuir para a crítica política e fortalecimento da democracia.

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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Por que Voyager-1 é um ótimo nome para uma banda musical?

Notícias sobre a sonda Voyager em diversas publicações:
Voz da Rússia: Voyager deixa o Sistema Solar
Galileu: É oficial: a Voyager 1 saiu do Sistema Solar
Info: Sonda Voyager-1 sai do Sistema Solar
Info: Voyager 1 deixou o sistema solar, diz novo estudo
G1: Sonda Voyager é 1º objeto feito pelo ser humano a deixar o Sistema Solar

Normal, afinal um evento com algum significado - primeiro objeto feito pelo homem a ir para além das fronteiras de nosso sistema solar - chama mesmo a atenção e tenderá a ser coberto por vários veículos.

O problema: as datas. Cada uma dessas notícias são de dias diferentes - e distantes vários meses um dos outros: 16/jun/2012, 25/ago/2012, 21/mar/2013, 16/ago/2013, 12/set/2013. Seriam veículos retardatários a descobrirem só depois um evento ocorrido já há algum tempo?

Imagem: xkcd

Não. Cada uma delas relata um evento distinto. "Distinto?" - coçará, com razão, a cabeça o par de leitores deste blogue (sim, nossa audiência dobrou - agora não temos mais apenas um leitor solitário). "Como pode isso? Quantas vezes algo - que não faz retorno - pode sair de um mesmo sistema?"

"Apenas uma vez", respondo eu. "WTF!" - exclama.

Há vários fatores que parecem ter levado a esta situação.

O limite do Sistema Solar não é bem definido. Não existe uma barreira propriamente física estabelecendo que a partir dali estar-se-á no espaço interestelar. A convenção do limite é de uma região chamada heliopausa - onde haveria uma rápida queda na temperatura das partículas carregadas do vento solar, um grande aumento de partículas do raio cósmico intergalático e mudança na direção do campo magnético (isso de dentro para fora do Sistema Solar)*.

A heliopausa até então nunca havia sido atingida diretamente com instrumentos - era uma construção teórica baseada no que se sabe sobre as interações físicas e propriedades do Sol e da Via Láctea. Suas reais características podiam apenas ser estimadas, havendo espaço para discrepâncias com medidas reais.

Essa variação embora aguda - considerando-se o estado em regiões mais próximas ao Sol - é contínua. Uma detecção de uma rápida queda estabelece a pergunta de a partir de onde considera-se que houve uma queda significativa - já que pode haver flutuação.

A variação desses três fatores - temperatura de partículas carregadas, variação da intensidade dos raios cósmicos galáticos e das linhas do campo magnético não coincidem exatamente no espaço.

Em quinto lugar, é esperada uma variação nessa região limite - conforme, por exemplo, haja uma variação na intensidade do vento solar.

Há uma variação na própria medição - como por limitação de precisão dos instrumentos.

Mas, possivelmente, os dois principais fatores sejam:
1) A imprecisão da comunicação pelos cientistas, incluindo exageros declaratórios;
2) A imprecisão da comunicação pelos meios de comunicação, incluindo sensacionalismos e má compreensão do que ocorreu.

Entre junho de 2012 e março de 2013, as manchetes mais comuns eram mais prudentes. Falavam em estar a sonda na "iminência de deixar o Sistema Solar" ou "próxima ao limite": o que se havia detectado eram a queda do número de partículas solares e o aumento da intensidade dos raios cósmicos, além da conexão entre as linhas do campo magnético solar e do espaço interestelar - mas não a mudança na direção dessas linhas. Os veículos que anunciaram a saída da Voyager-1 se precipitaram.

Alguns veículos voltaram a noticiar a saída da Voyager-1 por volta de julho de 2013. Mas não havia fato propriamente novo, apenas a publicação dos achados do segundo semestre de 2012.

*Agora* há um anúncio *oficial* da Nasa de que, pelas análises dos dados, a Voyager-1 deixou o sistema solar em *agosto de 2012* (por volta do dia 25).

Não me espantaria, porém, se, como aquelas bandas que fazem seu último show de despedida por vários anos, houver futuramente mais um anúncio de outra saída da nave de nosso sistema.

*Upideite(17/set/2013): Outra convenção a respeito dos limites do Sistema Solar é o cosmográfico. Nesse caso, a nuvem de Oort - formada por plaenetesimais orbitando em torno do centro do nosso sistema - é o limite teórico. Para essa nova saídao da Vger-1, a data é de cerca de 30 mil anos no futuro. Tempo para muitas despedidas mais.

*Upideite(26/abr/2014): Mais um quadrinho sobre as saídas da Voyager-1 de nosso sistema. Via Hypercubic fb.


Fonte: Tom Gauld.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Como é que é? - Produtos vegetais não têm colesterol?

ResearchBlogging.orgAté há pouco tempo era comum certos produtos de origem vegetal - como óleos e bebidas do tipo "leite" de soja - destacarem em seus rótulos dizeres como "não contém colesterol" ou "0% colesterol".

Em 2012, a Anvisa baixou um regulamento (RDC 34/2012 - anexo item 3.7) que determina:
"3.7. Quando a INC [informação nutricional complementar] for baseada em características inerentes ao alimento, deve ser  incluído um esclarecimento seguido à declaração, de que todos os alimentos desse tipo  também possuem essas características, com o mesmo tipo de letra da INC, com pelo  menos 50% do tamanho da INC, de cor contrastante ao fundo do rótulo e que garanta a  visibilidade e legibilidade da informação."

Assim, o "sem lactose" de uma bebida à base de soja deve vir seguida de um "como todo produto de origem vegetal".

No caso do "não contém colesterol", os fabricantes seguem o mesmo procedimento, colocando em seguida "como todo produto vegetal" - geralmente o "pelo menos 50% do tamanho" é interpretado pelas empresas como "não maior do que 50%", e como a resolução é referente ao tamanho *da fonte*, quase sempre o "NÃO CONTÉM COLESTEROL" vem em caixa alta e em negrito (enquanto o "como todo produto vegetal" vem em caixa baixa sem negrito).

Mas a rigor o "não contém colesterol como todo produto de origem vegetal" é um tanto enganoso. Por dois motivos. O primeiro é porque o "não contém colesterol", na verdade, refere-se a produtos que seguem o limite máximo de 0,5 mg de colesterol por 100 g ou 100 ml do produto (ou por porção - além de ter um máximo de 1,5 g de gorduras saturadas totais por 100 g ou 100 ml ou porção do alimento), conforme a mesma resolução. O segundo é que vegetais *têm* colesterol, ainda que normalmente em teores bem mais baixos do que produtos de origem animal.

Behrman & Gopalan (2005) observam que essa concepção errônea de que os vegetais não têm colesterol é disseminada na maioria dos livros-texto de bioquímica. E sugerem um parágrafo sobre o tema:
"More than 250 steroids have been described in plants. Of these, perhaps sitosterol, which differs from cholesterol by an ethyl substituent at position 24, is the most common. But plants also contain cholesterol both free and esterified. Cholesterol occurs as a component of plant membranes and as part of the surface lipids of leaves where it is sometimes the major sterol. The quantity of cholesterol is generally small when expressed as percent of total lipid. While cholesterol averages perhaps 50 mg /kg total lipid in plants, it can be as high as 5 g/ kg (or more) in animals."
["Mais de 250 esteroides foram descritos em plantas. Destes, talvez o sitosterol, que difere do colesterol por um substituinte etil na posição 24, seja o mais comum. Mas as plantas também têm colesterol tanto livre como esterificado. O colesterol está presente como um componente das membranas vegetais e como parte dos lipídios de superfície das folhas, onde, à vezes, é o esterol principal. A quantidade de colesterol geralmente é pequena quando expressa em percentual do total de lipídios. Enquanto nas plantas o colesterol, em média, corresponde a 50 mg por kg de lipídios totais, ele pode ser tão alto quanto 5 g/kg (ou mais) nos animais."]

Normalmente, nada que cause problemas para a saúde. A recomendação de ingestão diária de colesterol é não ultrapassar os 300 mg. Considerando a dieta média do brasileiro (segundo a Pesquisa de Orçamento Familiar 2008/9 do IBGE), isso equivale a uma ingestão diária média de cerca de 250 mg de colesterol de origem animal (entre carnes, ovos, leite e derivados) e cerca de 0,5 a 1 mg de colesterol de origem vegetal.
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O total de esterois de plantas (fitoesterois) consumido diariamente na dieta humana varia de 167 a 437 mg (mesmo uma dieta vegetariana obtém, no máximo, 700 mg/dia). Um efeito benéfico de redução de cerca de 10% nos níveis séricos de colesterol é observado com uma ingestão diária de 2g (Ostlund 2002) - ou seja, seria necessária uma suplementação alimentar para o efeito.

Em insetos fitófagos é observada a conversão de fitosterois em colesterol (e.g. Clark & Bloch 1959), mas não em ratos (Swell & Tradwell 1961).

Em indivíduos com mutação nos genes ABCG5 ou ABCG8 sofrem de uma condição conhecida como sitosterolemia - um nível elevado de sitosterol no sangue circulante (de 30 a 100 vezes maiores do que os valores normais). Usualmente, apenas uma pequena fração dos fitosterois presente na dieta acaba sendo absorvido pelo organismo (algo como 20% dos campesterois e menos de 5% dos sitosterois - Behrman & Gopalan 2005): a maior parte é seletivamente bombeada de volta à luz intestinal pelos enterócitos (os genes mutados na sitosterolemia codificam transportadores de membrana). O excesso de sitosterol leva à formação de placas de gordura nas artérias - aterosclerose -, e também na pele e tendões (xantomas) o que pode levar ao infarto (Berge et al. 2000). É uma condição genética rara, estima-se que a prevalência seja de 1 em 50.000 pessoas.
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Referência
Behrman, E.J., & Gopalan,V. (2005). Cholesterol and Plants Journal of Chemical Education, 82 (12) DOI: 10.1021/ed082p1791

Berge KE, Tian H, Graf GA, Yu L, Grishin NV, Schultz J, Kwiterovich P, Shan B, Barnes R, & Hobbs HH (2000). Accumulation of dietary cholesterol in sitosterolemia caused by mutations in adjacent ABC transporters. Science (New York, N.Y.), 290 (5497), 1771-5 PMID: 11099417

Clark, A.J., & Bloch, K. (1959). Conversion of Ergosterol to 22-Dehydrocholesterol in Blattella germanica Journal of Biological Chemistry, 234, 2589-2594

Ostlund, R.E. Jr (2002). Phytosterols in human nutrition Annual Review of Nutrition, 22, 533-549 : 10.1146/annurev.nutr.22.020702.075220

Swell, L., & Treadwell, C.R. (1961). Metabolic Fate of Injected C14-Phytosterols Experimental Biology and Medicine, 108 (3), 810-813 DOI: 10.3181/00379727-108-27076

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Entrevista com um historiador: Danilo Albergaria

Historiador formado pela Unimep, com especialização em Jornalismo Científico pelo Labjor/Unicamp e professor da rede pública de Campinas, Danilo Nogueira Albergaria Pereira defendeu recentemente sua dissertação de mestrado (também pelo Labjor/Unicamp) intitulada "A Visão de Ciência Propagada por Carl Sagan".

E é sobre essa pesquisa que o GR entrevistou por email o historiador, a quem agradeço imensamente pela gentileza em responder.

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GR. Como foi seu primeiro contato com a obra de Carl Sagan? Você acompanhou o trabalho acadêmico dele também?

DA. Li meu primeiro livro de Sagan relativamente tarde. Eu tinha uns 18 anos e ganhei de presente do meu pai o livro póstumo Bilhões e Bilhões, que era lançamento. Eu havia lido A Dança do Universo, do Marcelo Gleiser, um livro de que gostei muito. Em discussões sobre esse livro, alguns amigos que já haviam lido Sagan me recomendaram a sua obra. Eu só o conhecia de nome, principalmente pela fama que sua série Cosmos ainda tinha. Meu pai diz que eu assistia à série com ele quando criança pequena mas, claro, não me lembro.

Logo, me apaixonei pela obra de Sagan depois de ele ter morrido e não pude acompanhar seu trabalho acadêmico.

GR. Qual o aspecto que você considera o mais importante do trabalho de divulgação científica de Sagan?

DA. Para mim, há dois aspectos fundamentais.

Primeiro, as obras de divulgação de Sagan consistem na abertura de uma janela para a percepção pública do potencial humanista e democrático contido na abordagem racional científica. Ainda há preconceitos muito arraigados que representam a ciência e a própria racionalidade como formas frias, desumanas ou imorais de resolver os dilemas que encontramos. Ao mesmo tempo, as sociedades modernas estão mergulhadas numa relação de subserviência e reverência à ciência e, por isso, a recepção de suas descobertas e construções teóricas ocorre frequentemente de maneira acrítica e irrefletida. Conta muito para isso a falta de disseminação de informações sobre como o conhecimento científico é produzido, como uma hipótese pode ser testada, como e porque uma teoria atualmente aceita é a melhor opção em comparação com outras. Também são muito pouco exploradas as implicações sociais e políticas da ciência, suas limitações e becos sem saída. Nesse estado de coisas, o público acaba ficando com duas imagens contraditórias e igualmente caricatas da ciência. Muito do que Sagan escreve parece ter o intuito de desfazer esses perigosos mal-entendidos e propor um ponto de vista em que a ciência e a razão emergem como forças libertadoras e emancipatórias, permanecendo como a melhor aposta para a diminuição do sofrimento humano e dos abusos de poder.

O segundo aspecto fundamental é que a clareza da linguagem e o apuro estético dos textos de Sagan continuam insuperáveis na tarefa de despertar nos leitores um sentimento de admiração e êxtase com a realidade descortinada pela ciência, com espantosos fatos – coisas que sabemos com razoável segurança – como a existência de 100 bilhões de galáxias com centenas de bilhões de estrelas, ou o abismo de tempo que nos precede, ou a vida microscópica, ou a genética, ou a energia nuclear. Há quem trate com desdém os conhecimentos científicos, necessariamente falhos, imprecisos e incompletos, sobre esses aspectos da realidade (sem mencionar os outros tantos que serão objetos da ciência no futuro, dos quais sequer podemos fazer ideia)**. Há quem negue a essa visão a capacidade de progredir, de nos permitir saber mais, conhecer aspectos da realidade que ainda ignoramos, aprimorar ou modificar o que já conhecemos. E há quem veja na diversidade de povos e culturas apenas uma sucessão de visões de mundo estanques, sem tradução ou comunicação possível, como se cada visão de mundo codificasse de maneira diferente tudo o que fosse passível de ser conhecido pelo ser humano. Nesse último ponto de vista, cada visão de mundo aprisiona a forma como vemos a realidade, como se habitássemos pequenos aquários. Por isso, para mim, nessa visão a aventura do conhecimento não faz o mínimo sentido. Na visão defendida por Sagan e tantos outros, o mundo é um oceano aberto e a ciência é uma forma eficaz de explorá-lo. Sagan foi responsável por apresentar essa visão e sua estética a milhões.

GR. Que outros autores destacaria e por quais qualidades?

DA. Por mais que, hoje, seja muito fácil criticar Richard Dawkins e desdenhar de sua visão de mundo, sua obra de divulgação é cheia de passagens brilhantes. Dawkins apresenta o ponto de vista materialista neodarwiniano com clareza e estilo difíceis de superar. Os capítulos de abertura de Desvendando o Arco-Íris, por exemplo, são inesquecíveis ao conectar a visão de mundo ateísta à plena possibilidade de satisfação simbólica do indivíduo, e lembra muito os melhores momentos de Sagan.

Os livros e ensaios de Stephen J. Gould, se não superam, chegam a igualar os de Sagan em termos estilísticos e impressionam pela erudição, mas talvez tenham menos penetração no público mais jovem e menos afeito a um estilo ensaístico mais maduro. Seus textos são geniais. Qualquer pessoa interessada em perceber como a ciência nunca existe isoladamente e sempre esteve entremeada por diversas dimensões culturais, morais e religiosas, deveria ler seu livro Seta do Tempo, Ciclo do Tempo. Sob esse aspecto, sua obra tem maior estatura que a de Sagan.

Os livros do Marcelo Gleiser são bem escritos e merecem ser considerados por alguém que queira começar a ter contato com livros de divulgação, como foi o meu caso com A Dança do Universo. Dos que estão tendo destaque há pouco tempo, lembro que Brian Cox faz um trabalho bastante decente na BBC, embora seu tom seja um pouco exagerado em tentar transmitir a admiração com o universo – algo que Sagan fazia com mais naturalidade. Também para a BBC, Jim Al-Khalili fez um excelente documentário sobre cosmologia, Everything and Nothing, e sua abordagem parece destinada a um público mais maduro do que a de** Cox. Neil de Grasse Tyson tem uma forma de falar mais magnética que a de Sagan e transmite um entusiasmo genuíno com a astronomia. Espero ansiosamente por sua continuação de Cosmos. Phil Plait, o Bad Astronomer, é um excelente blogueiro e seu livro Death from the Skies é um dos mais divertidos que li nos últimos tempos. Para qualquer divulgador, escrever bem, com clareza e simplicidade, parece ser um pré-requisito.

GR. Que pergunta você gostaria de ter tido oportunidade de fazer a Sagan? Por quê?

DA. Acho que eu teria perguntado: “se você soubesse que não encontraria evidências de vida extraterrestre durante toda a sua carreira, ainda assim teria se dedicado a pesquisas quase sempre muito próximas ao tema?” O motivo é que ele parece ter (erroneamente) percebido desde cedo que a grande descoberta de seu tempo seria a da vida extraterrestre. Embora o assunto tenha genuinamente motivado Sagan a perseguir uma carreira científica, eu gostaria de saber o quanto seus interesses científicos dependeriam da perspectiva de fazer uma descoberta estonteante ou não. Provavelmente, a resposta seria um meio-termo: ele obviamente tinha um interesse genuíno na questão e, ao mesmo tempo, mirava a descoberta que poderia colocar seu nome na galeria de grandes descobertas da história. Em suma, o desejo de saber não estaria desconectado da vaidade.

GR. Uma pergunta feita por um leitor do GR [reformulei o enunciado, espero não ter distorcido muito a questão - para comparação, ao final desta postagem reproduzo a formulação original da pergunta*]: "A obra de divulgação do Sagan não induz as pessoas a pensarem que a ciência é a única forma de produção de conhecimento válido?"

DA. O que a obra de divulgação de Sagan pode induzir no leitor é a percepção de que a ciência é a melhor forma de produção de conhecimento, não a única. Mesmo assim, na obra de Sagan, ciência é um termo interpretado em sentido bastante amplo. Não há em seus livros uma defesa de alguma idealização ou formulação sintética de algum conjunto de práticas chamado método científico. Simplificadamente, o que ele chama de ciência é um prosaico amálgama de imaginação livre, abertura à crítica e pendor para a experimentação e a observação. A ciência moderna, por exemplo, não aparece como detentora exclusiva dessa maneira de pensar.

GR. E a pergunta mais importante: se Sagan fosse campineiro, ele seria Bugre ou Macaca?

DA. Obviamente, Sagan seria pontepretano. Conhecendo sua postura política, bastaria que ele soubesse a história da Ponte – time pioneiro em aceitar negros num esporte elitista, teve seu estádio erguido com a ajuda dos braços e dos recursos da própria torcida – para que virasse um macaco de alambrado.
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Veja também a palestra de Danilo Albergaria para alunos do curso de especialização em Jornalismo Científico do Labjor/Unicamp proferida no último dia 26/ago/2013.

*Obs: Formulação original da pergunta enviada por Nayton Claudinei Vicentini: "Conheci Carl Sagan ainda muito novo, sua forma de apresentar o conhecimento é surpreendente, mas de certa forma ao assisti a serie cosmos percebi que nela ela deixa claro que a única forma que conhecimento valido é a que tem o crivo científico. Com essa capacidade de comunicação poderia ele nos induzir a acreditar que a ciência é uma forma de conhecimento valido?"

**Upideite(06/seg/2013): Alterações realizadas a esta data a pedido do entrevistado.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Destaques do Nature Publishing Index 2012

A Nature Publishing Group acaba de publicar seu Nature Publishing Index 2012 Global - com indicadores comparativos entre países e instituições acadêmicas referentes aos artigos publicados nas revistas do grupo.

A análise sobre a produção brasileira ficou a cargo do jornalista Reinaldo José Lopes.

Os quinze países com mais artigos publicados não traz surpresas:
1) EUA: 2.236 (CC: 1638,92);
2) RU: 677 (CC: 303,34);
3) Alemanha: 594 (CC: 277,81);
4) Japão: 398 (CC: 234,40);
5) França: 383 (CC: 151,83);
6) China: 303 (150,03);
7) Suíça: 259 (CC: 109,13);
8) Canadá: 247 (CC: 82,38);
9) Países Baixos: 230 (CC: 74,07);
10) Austrália: 223 (CC: 68,26);
11) Itália: 195 (CC: 56,82);
12) Espanha: 175 (CC: 57,27);
13) Bélgica: 113 (CC: 32,48);
14) Coreia do Sul: 112 (CC: 40,82);
15) Israel: 81 (CC: 38,08).

(CC corresponde à contagem corrigida - que leva em conta o número de instituições a que um dado autor do artigo é afiliado e a porcentagem de autores por instituições.)

No total de artigos publicados em 2011 (não apenas nas do NPG), pela ordem, os 15 primeiros foram: EUA, China, RU, Alemanha, Japão, França, Índia, Canadá, Itália, Espanha, Austrália, Coreia do Sul, Brasil, Países Baixos, Taiwan.

Há um bom grau de concordância, com uma maior facilidade para países anglófonos - exceto para a Índia.

Entre os países, os editores da NPI 2012 destacam cinco que tiveram um crescimento relativamente rápido nos indicadores da NPI: China, Brasil (25o, 39, CC: 5,71), Irlanda (20o, 45, CC: 14,05), Quênia (38o, 9,CC: 1,71) e Arábia Saudita (41o, 11, CC: 1,13).

Exceto pela China e Brasil, não são países que se destacam particularmente na produção científica mundial - apenas a Arábia Saudita que nos últimos 5 anos têm apresentado uma aceleração na taxa de crescimento de sua produção científica total. (Fig. 1)

Figura 1. Crescimento da produção científica de países selecionados. Base: 1996. Fonte: SJR.

O ritmo de crescimento da produção do Quênia é igual ao do da África do Sul - que tem uma produção absoluta maior. A produção da Arábia Saudita, como dito, tem passado por uma aceleração significativa - no ritmo chinês - mas somente nos últimos 5 anos. Sua produção, no entanto, ainda é inferior à egípcia e à turca. A produção irlandesa também não tem crescido em um ritmo particularmente destacado em relação à produção de vários outros países.

O NPI parece ser um bom indicador no atacado - correlacionando-se bem com índices globais envolvendo um número e uma variedade muito maior de publicações. Mas, sem surpresas, pode ser mais limitado na análise de um país ou de uma instituição em particular.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

A obra de divulgação científica de Carl Sagan - envie sua pergunta

"During my undergraduate studies I was shocked at the low opinion some of my professors had of the astronomer Carl Sagan. For me his efforts to popularize science were an inspiration, but for them such 'outreach' was a diversion. That view makes no sense today. The enthusiasm and generous spirit that Mr. Sagan used to advocate for science now must inspire all of us".
Adam Frank, físico e astrônomo americano, 2013
["Durante minha graduação, fiquei chocado com a opinião negativa que alguns de meus professores tinham a respeito do astrônomo Carl Sagan. Para mim, seus esforços de popularizar a ciência foram uma inspiração, mas para eles tais 'vulgarizações' eram uma distração. Essa visão não faz nenhum sentido atualmente. O entusiasmo e o espírito generoso que o Sr. Sagan tinha em advogar pela ciência deve inspirar a todos nós."]


Fonte: Wikimedia Commons.
O GR irá entrevistar o jornalista de Ciências Danilo Nogueira Albergaria Pereira, do blogue O Ex-Pálido, que, recentemente, defendeu sua dissertação de mestrado em que analisa a visão de Ciências presente nas obras de divulgação científica do astrônomo americano Carl Sagan.

Envie sua pergunta. Pode utilizar o formulário abaixo, entrar em contato pelo twitter, pelo email: gene.reporter@gmail.com ou nos comentários desta postagens.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Jogos eletrônicos violentos e violência: o que nos diz a ciência?

ResearchBlogging.orgO debate sobre a influência de jogos eletrônicos violentos (e, mais em geral, de produtos culturais que expressem ações de violência incontida) no comportamento das pessoas - em particular, das crianças e jovens - tem uma história relativamente longa: desde pelo menos os fins dos anos de 1980, com o surgimento e disseminação de consoles de terceira geração com gráficos mais elaborados e jogos de temática violenta.

Por uma década, o debate foi acirrado, mas havia poucos dados consistentes. Em 1998, Dill & Dill concluíam em sua revisão:

"The preponderance of the evidence from the existing literature suggests that exposure to video-game violence increases aggressive behavior and other aggression-related phenomena. However, the paucity of empirical data, coupled with a variety of methodological problems and inconsistencies in these data, clearly demonstrate the need for additional research."
["Indícios na literatura existente que sugerem o aumento de comportamento violento e outros fenômenos relacionados à agressão pela exposição à violência dos videogames são preponderantes. No entanto, a escassez de dados empíricos aliada à variedade de problemas metodológicos e inconsistências nesses dados demonstram claramente a necessidade de pesquisa adicional."]

Desde então as "pesquisas adicionais" demandadas por Dill & Dill vêm se acumulando em um quadro consistente que *associa* positivamente a exposição à violência de jogos eletrônicos com comportamentos associados à agressão e agora começa a ser explorada a relação causal e os mecanismos psicológicos por trás.

Anderson et al. 2010 fizeram uma meta-análise dos estudos sobre o tema (incluindo no total mais de 18.000 indivíduos) e concluíram:

"Meta-analytic procedures were used to test the effects of violent video games on aggressive behavior, aggressive cognition, aggressive affect, physiological arousal, empathy/desensitization, and prosocial behavior. Unique features of this meta-analytic review include (a) more restrictive methodological quality inclusion criteria than in past meta-analyses; (b) cross-cultural comparisons; (c) longitudinal studies for all outcomes except physiological arousal; (d) conservative statistical controls; (e) multiple moderator analyses; and (f) sensitivity analyses. Social–cognitive models and cultural differences between Japan and Western countries were used to generate theory-based predictions. Meta-analyses yielded significant effects for all 6 outcome variables. The pattern of results for different outcomes and research designs (experimental, cross sectional, longitudinal) fit theoretical predictions well. The evidence strongly suggests that exposure to violent video games is a causal risk factor for increased aggressive behavior, aggressive cognition, and aggressive affect and for decreased empathy and prosocial behavior. Moderator analyses revealed significant research design effects, weak evidence of cultural differences in susceptibility and type of measurement effects, and no evidence of sex differences in susceptibility. Results of various sensitivity analyses revealed these effects to be robust, with little evidence of selection (publication) bias."
["Foram empregados procedimentos meta-analíticos para testar o efeito de videogames violentos sobre o comportamento agressivo, cognição agressiva, afeição agressiva, excitação psicológica, empatia/dessensibilização e comportamento prossocial. Características únicas desta revisão meta-analítica incluem: (a) critérios mais restritivos de qualidade para inclusão em comparação às meta-análises anteriores; (b) comparações interculturais; (c) estudos longitudinais para todos os resultados, menos para a excitação psicológica; (d) controles estatísticos conservadores; (e) múltiplas análises de fatores moderadores e (f) análise de sensibilidade. Modelos sociocognitivos e diferenças culturais entre Japão e países ocidentais foram empregadas para gerar previsões baseadas em teoria. A meta-análise resultou em efeitos significativos para todas as 6 variáveis. O padrão dos resultados para as diferentes variáveis e designs de pesquisa (experimental, transversal, longitudinal) ajusta-se bem às predições teóricas. O indício sugere fortemente que a exposição a videogames violentos é um fator causal de risco para o aumento de comportamento agressivo, cognição agressiva e afeição agressiva e para uma diminuição de empatia e comportamento prossocial. Análises de fatores moderadores revelam efeitos significativos de design de pesquisa, fraco indício de diferenças culturais na susceptibilidade e efeitos de tipo de medida e nenhum indício de diferenças sexuais na susceptibilidade. Os resultados de várias análises de sensibilidade mostram que esses efeitos são robustos, com pouco indício de viés de seleção (de publicação)."] (Grifo meu.)

Na outra ponta, começa a se formar um corpo de indícios a apontar para o aumento de características prossociais mediante a exposição de jogos de narrativa e mecânica prossociais (e.g. Greitemeyer & Osswald 2010).

Há estudos (como de Ferguson et al. 2012) e meta-análises com menor número de sujeitos e trabalhos incluídos que sugerem que não haja tal vínculo, bom dizer. Mas, embora haja ainda algum espaço para se discutir a relação causal (especialmente no que se refere aos mecanismos psicológicos), a hipótese da associação é bem robusta e fundamentada em estudos científicos. Não cabe, ao ouvir que games violentos podem induzir a violência, desdenhar de modo pouco ponderado.

Claro que, disso se concluir pela proibição de videogames violentos, há um vão que precisa ser coberto por outros elementos além de pura estatística. Casos mais extremados de violência - como homicídio - são, felizmente, mais raros. A ponderação diante de benefícios como econômicos e a diversão da maior parte das pessoas que consomem os jogos sem consequências graves deve ser feita.

Referências
Anderson, C.A., Shibuya, A., Ihori, N., Swing, E.L., Bushman, B.J., Sakamoto, A., Rothstein, H.R., & Saleem, M. (2010). Violent Video Game Effects on Aggression, Empathy, and Prosocial Behavior in Eastern and Western Countries: A Meta-Analytic Review Psychological Bulletin, 136 (2), 151-173 DOI: 10.1037/a0018251

Dill, K.E., & Dill, J.C. (1998). Video game violence: A review of the empirical literature Aggression and Violent Behavior, 3 (4), 407-428

Ferguson, C.J., San Miguel, C., Garza, A., & Jerabeck, J.M. (2012). A longitudinal test of video game violence influences on dating and aggression: A 3-year longitudinal study of adolescents Journal of Psychiatric Research, 46, 141-146

Greitemeyer, T., & Osswald, S. (2010). Effects of Prosocial Video Games on Prosocial Behavior Journal of Personality and Social Psychology, 98 (2), 211-221 DOI: 10.1037/a0016997

Upideite(17/ago/2013): O SocialMente traz uma análise do psicólogo Mauricio Miranda Sarment.
Upideite(20/set/2013): Um estudo alega que a divulgação de alegações de vínculo entre jogos e violência induziriam o comportamento violento de jogadores. (via Danilo Albergaria FB). Fake news. Eu deveria ter lido com mais atenção.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Pergunte ao GR

Há um tempo (e por um tempo), a equipa de um homem só do Gene Repórter manteve uma conta no formspring para respostas às perguntas do solitário leitor deste blogue.

Por problemas de segurança - houve pelo menos um episódio de hackeamento do servidor do formspring - desativei-o.

Além disso, um filtro agora censura certas expressões tidas por inadequadas. Isso acaba escondendo sob asteriscos expressões como 'Homo' - sério, formspring, que homossexualidade é palavrão? (e no texto se referia ao gênero Homo) e 'testes' (em inglês, 'testículo', em português, plural de 'teste' mesmo - sério, formspring, testículo é palavrão?). Já é meio estúpida a censura de expressões de baixo calão em um serviço do tipo, piora quando o sistema é tão tosco e primitivo que acaba censurando expressões que nada têm de ofensivas ou pornográficas, piora mais quando acaba por afetar a inteligibilidade do texto.

Resolvi incorporar, então, o serviço aqui mesmo no blogue. Não haverá uma periodicidade estrita, mas tentarei fazer uma postagem por mês - claro que dependerá da quantidade de perguntas, da minha acessibilidade à internet (estou em uma DR muito séria com meu provedor atual tendo a Anatel como terapeuta de casal - infelizmente a operadora acha que a conexão é só dela e não precisa dividir comigo) e do tempo disponível.

As perguntas, certamente, deverão ser de natureza científica e podem ser enviadas ou pelo sistema de comentários das postagens ou para o email: gene.reporter@gmail.com (para facilitar, use como assunto: "Pergunte ao GR").

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Um serviço similar, específico para questões sobre evolução, é mantido por Rodrigo Veras, do Evolucionismo. Recomendo muito.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Pesquisa "Visão do Brasileiro sobre Ciência, Sociedade e Tecnologia" - Segunda Parcial

Segunda parcial da Pesquisa "Visão do Brasileiro sobre Ciência, Sociedade e Tecnologia".

De 140 respostas, 29% são do sexo feminino. Um ligeiro incremento relativo desde a primeira parcial. A idade média não se alterou: 33 anos com desvio padrão de 9.
5% da região N; 6% NE; 7% CO; 54% SE; 24% S e 4% do exterior.

Queria pedir colaboração aos leitores do blogue. Se ainda não respondeu, por favor, deixe sua opinião no formulário da pesquisa. Se já respondeu, por favor, ajude a divulgar a pesquisa: peça para seu vizinho, sua colega de trabalho, seus conhecidos, parentes, amigos da pelada de fim de semana, amigas do bridge de sexta à noite, inimigos, alunos, companheiros do sindicato, irmãos de igreja, participantes da reunião do condomínio.

Claro que será impossível cobrir proporcionalmente todos os setores censitários do país dada a natureza da pesquisa - um forte viés de autosseleção estará inevitavelmente presente. Mas espero ser possível diminuir a subrepresentação de alguns grupos importantes.

Se você tem um blogue ou sítios web, de qualquer tema, também pode colaborar divulgando a pesquisa (e poderá também traçar o perfil de seu público visitante). Mesmo se não tiver, pode espalhar entre seus amigos e incentivá-los a responder.

Abaixo a lista de colaboradores na divulgação até o momento:
DAELT - Departamento Acadêmico de Eletrotécnica - UTFPR
Rabiscos Aleatórios - Álvaro Augusto
Plantando Genes - Rafael Tavares
Carlos Orsi
O Telhado de Vidro - Daniel Bezerra
Dragões na Garagem
Ciência & Sociedade - Museu da Vida
Uma Malla pelo Mundo - Lúcia Malla

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Santo nome

Outra compilação temática do Gene Repórter (e oportunista).

Fonte: Wikimedia Commons.
Falcão-peregrino (Falco peregrinus). Ave de rapina de distribuição mundial (exceto pela Antártica), em velocidade de mergulho, pode chegar a 390 km/h, o que faz dela o animal mais veloz conhecido.
Fonte: Wikimedia Commons.



Tubarão-peregrino (Cetorhinus maximus). Também chamado de tubarão-elefante, é o segundo maior peixe do mundo, perde apenas para o tubarão-baleia e, como ele, também é um filtrador de plâncton.

Lagarto-jesus-cristo (Basiliscus basiliscus). Conhecido ainda como basilisco comum, é bastante famoso por correr apoiado nas suas patas traseiras sobre a superfície da água. É encontrado da América Central até o norte da América do Sul.


Fonte: Wikimedia Commons.
Ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata). É um cacto com folhas desenvolvidas. Usada como cerca-viva e ornamentação, suas folhas mucilaginosas também são usadas na culinária como hortaliça, é nativa da América - sua distribuição vai desde a Flórida até o Sudeste brasileiro.


Fonte: Wikimedia Commons.
Cardeal (Paroaria spp.). Várias espécies de aves de topete eriçado e cabeça vermelha. Distribui-se pela América, dos EUA à Argentina.

Fonte: Wikimedia Commons.
Arcebispo (Euplectes afer). Também chamado de cardeal-tecelão-amarelo ou bispo-de-coroa-amarela. Distribui-se por toda a África subsaariana e é introduzida em várias outras partes do mundo como Japão e Jamaica.

Fonte: Wikimedia Commons.
Bispo (Euplectes spp.). Aves gregárias que se distribuem entre a África e a Eurásia em 17 espécies conhecidas.

Fonte: Wikimedia Commons.
Frade (Anisotremus virginicus). Peixe chamado ainda de roncador-listado-americano, salema-branca, mercador e sambuari, encontrado ao longo da costa tropical atlântica da América. Destaca-se por listas horizontais azuis e amarelas alternadas.

Fonte: Wikimedia Commons.
Cervo-do-padre-david (Elaphurus davidianus). Veado raro originário da China. Atualmente encontra-se extinto no meio natural, havendo exemplares apenas em cativeiro.

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