Lives de Ciência

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quinta-feira, 6 de abril de 2023

Divagação Científica - divulgando ciências cientificamente 40: revisões de terminologias e conceitos

Pequena lista de artigos com revisões terminológicas e conceituais.

*Bueno, WC. 1985. Jornalismo científico: conceito e funções. Ciência e Cultura 37(9): 1420-7.
Conceitos: Difusão científica, Disseminação científica, Divulgação científica, Jornalismo científico.

*Burns, TW; O'Connor, DJ & Stocklmayer, SM. 2003. Science communication: a contemporary definition. PUS 12(2): 183-202.
Conceitos: Science communication/Communication, Public awareness of science/Awareness, Public understanding of science/Understanding, Scientific culture, Scientific literacy, Public(s) (lay public, science community/science practioners), Participants, Outcomes and responses, Science. (adido a 07.abr.2023)

*Germano, MG & Kulesza, WA. 2007. Popularização da ciência: uma revisão conceitual. Caderno Brasileiro de Ensino de Física 24(1): 7-25.
Conceitos: Vulgarização da ciência, Alfabetização científica, Divulgação científica, Popularização da ciência.

*Caribé, RCV. 2015. Comunicação científica: reflexões sobre o conceito. Informação & Sociedade: Estudos 25(3):89-104.
Conceitos: Comunicação científica, Difusão científica, Disseminação da ciência (intrapares, extrapares), Divulgação científica, Popularização da ciência/científica, Alfabetização científica/em ciências, Comunicação pública da ciência, Cultura científica (da ciência, pela ciência, para a ciência).

*Bucchi, M & Trench, B. 2016. Science Communication and Science in Society: A Conceptual Review in Ten Keywords. Tecnoscienza 7(2): 151-68.
Conceitos: Popularisation, Model of communication, Deficit, Dialogue, Engagement, Participation, Publics, Expertise, Visible scientists, Scientific culture/Culture of science.

*Cunha, RB. 2017. Alfabetização científica ou letramento científico?: interesses envolvidos nas interpretações da noção de scientific literacy. Rev. Bras. Educ. 22(68): 169-86.
Conceitos: Alfabetização científica, letramento científico, scientific literacy.

*Rocha, M; Massarani, L & Constanza, P. 2017. La divulgación de la ciencia en América Latina: términos, definiciones y campo académico. In Massarani, L et al. 2017. Aproximaciones a la investigación en divulgación de la ciencia en América Latina a partir de sus artículos académicos. Fiocruz. 208 pp. Pp: 39-58.
Conceitos: Vulgarización de la ciencia, Divulgación de la ciencia/científica, Comunicación de la ciencia, Educación formal/no formal/informal en ciencia, Popularización de la ciencia, Alfabetización científica, Comunicación pública de la ciencia, Percepción social de la ciencia, Democratización de la ciencia, Apropriación social del conocimiento científico/apropriación de la ciencia.

*Santos-d'Amorin, K & Miranda, MFO. 2019. Informação incorreta, desinformação e má informação: Esclarecendo definições e exemplos em tempos de desinfodemia. Encontros Bibli 26: 1-23.
Conceitos: Information, misinformation, disinformation, malinformation. (1)

(1) Upideite(24.mai.2023): adido a esta data.

sábado, 3 de dezembro de 2022

Alfabetização científica ou letramento científico?

>Laugksch, RC. 2000. Scientific literacy: a conceptual overview. Science Education 84(1): 71-94.

Interpretações da palavra letrado/alfabetizado ('literate'):

Instruído ('learned'): conhecer sobre fatos científicos e processos, valor do próprio conhecimento científico (conhecimento pelo conhecimento);
Competente ('competent'): contexto em que o cientificamente letrado precisa operar ou desempenho de atividades e funções específicas: ler uma notícia científica no jornal, resolver problemas práticos sobre alimentação, saúde e habitação, pensar de modo crítico e independente em questões envolvendo lógica, quantificação, evidências... (conhecimento aplicado em situações específicas);
Minimamente funcional como consumir e cidadão ('able to function minimally as consumer and citizen'): usar a ciência para uma melhor tomada de decisão no dia a dia (conhecimento aplicado na melhora da qualidade de vida);

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>Roberts, DA. 2007. Scientific literacy/science literacy.  In S. K. Abell & N. G. Lederman (eds.) Handbook of research on science education. Lawrence Erlbaum Associates. 1345 pp. Pp. 729–80.

>Roberts, DA & Bybee, RW. 2014. Scientific Literacy, Science Literacy, and Science Education. In Lederman, NG & Abell, SK (eds.) Handbook of research on science education vol. II. Routledge. 970 pp. Pp: 545-58

Visão I: estudante como um cientista novato; objetivo de dominar o básico da ciência para poder encarar material mais avançado; um olhar para dentro da própria ciência (nos cânones das ciências naturais ortodoxas), para os produtos e processos da ciência - aquisição de conhecimento sobre ciências dentro da própria ciência.

Visão II: estudante como cidadão; ênfase nos componentes científicas nos fenômenos do dia a dia; aquisição de conhecimento sobre ciências em situações em que considerações além da ciência são também importantes - olhar para a ciência a partir de fora.

As visões I e II são extremos de um contínuo de posicionamentos sobre a importância do letramento científico.

"science literacy"->visão I;
"scientific literacy"->visão II;

Relações com: "la culture scientifique" (Canadá francófono), "public understanding of science" (em declínio - consideram que PUS implicaria em um público e uma compressão homogêneos)/"public engagement of science" (Reino Unido). ["scientific temper" (Índia)]

[Nessa distinção entre "science literacy" e "scientific literacy", proponho "letramento para a ciência" no primeiro caso e "letramento sobre ciência" no segundo.]

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>Cunha, RB. 2017. Alfabetização científica ou letramento científico?: interesses envolvidos nas interpretações da noção de scientific literacy.  Rev. Bras. Educ. 22 (68).

Literacy: alfabetização vs letramento

alfabetização: saber ler e escrever - ruptura entre os que sabem ler e escrever (alfabetizados) e os que não sabem (analfabetos);
letramento: uso efeito da escrita e leitura nas práticas sociais - contínuo de níveis de complexidade do uso da escrita.

"Enquanto os que tratam de alfabetização consideram fundamental o ensino de conceitos científicos, os que optam por letramento priorizam, no ensino, a função social das ciências e das tecnologias e o desenvolvimento de atitudes e valores em relação a elas." (Cunha 2018)

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>Sasseron, LH & Carvalho, AMP 2011. Alfabetização científica: uma revisão bibliográfica. Investigações em Ensino de Ciências – V16(1), pp. 59-77.

Alfabetização científica: Paulo Freire "alfabetização é mais que o simples domínio psicológico e mecânico de técnicas de escrever e de ler. É o domínio completo destas técnicas em termos conscientes. [...] Implica numa autoformação de que possa resultar uma postura interferente do homem sobre seu contexto".

Enculturação científica: permitir que os alunos façam parte de uma cultura em que noções e conceitos científicos são parte do corpus (ao lado de outros aspectos: religião, arte, história...)

Letramento científico: Kleiman & Soares (1998) definem letramento como 'resultado da ação de ensinar ou aprender a ler e escrever: estado ou condição que adquire um grupo social ou um indivíduo como consequência de ter-se apropriado da escrita"

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[No fim acaba sendo escolha ao gosto do freguês. Particularmente acho interessante a proposta de fazer uma distinção entre os termos, na medida em que temos expressões diferentes e há nuances a se cobrir.]

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Divagação científica - divulgando ciência cientificamente 37: uso de jargões

Aproveitando a polêmica suscitada sobre a necessidade e adequação do uso de jargões na Divulgação Científica (DC), trago alguns artigos sobre o tema. O debate vem de muito tempo com o consenso de que o uso indiscriminado e prolífico de jargões é ruim, mas com uma discussão interminável na literatura de pesquisa sobre DC a respeito de se os efeitos positivos de algum uso de jargão na comunicação pública da ciência existem e superam os efeitos negativos. TL/DR: o tema é um tanto complexo e parece depender da situação e das pessoas envolvidas.

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Sharon & Baram-Tsabari (2014) propuseram um índice para quantificar o uso de jargões nos textos. Basicamente compararam um banco de palavras usadas em textos científicos e acadêmicos (em inglês) - PERC (Professional English Research Corpus) - com um banco de textos gerais (em inglês britânico) - BNC (British National Corpus). Palavras comuns no PERC, mas raras ou ausentes no BNC, foram consideradas como jargão. Com isso compararam os textos em três registros: a comunicação de cientistas para cientistas (interpares); a comunicação de cientistas para o público não-especialista (DC) e o controle foram as comunicações de não-cientistas (no caso, designers) para o público não-especialista (comunicação não-científica). Texros interpares apresentaram mais palavras incomuns: 2,65% das palavras usadas eram raras no corpus geral; em comparação aos de DC (2,08%) e da não-científica (1,85%). Considera-se que, em textos em inglês, o limitar de pelo menos 98% de palavras familiares no texto é o ideal para a compreensibilidade. A Fig. 1 mostra as proporções de palavras técnicas (jargões) e não-técnicas entre as palavras incomuns utilizadas em cada registro.


Figura 1. Proporção de palavras técnicas (jargões - CX e C'g) e não-técnicas (Cg, cG, XG e XX), entre os termos raros (que pouco aparecem no corpus geral) em diferentes tipos de registros. CX - palavras encontradas no corpus científico, mas não no corpus geral; C'g - palavras encontradas significativamente mais no corpus científico do que no corpus geral; Cg - palavras encontradas mais (mas não significativamente mais) no corpus científico do que no corpus geral; cG - palavras encontradas mais no corpus geral do que no corpus científico; XG - palavras encontradas no corpus geral, mas não no corpus científico; XX - palavras não encontradas nem no corpus científico nem no corpus geral. Adaptado de: Sharon & Baram-Tsabari (2014).

Não é surpresa que o uso de jargão fosse maior na comunicação interpares (entre cientistas) do que na divulgação científica (de cientistas para o público não especializado) ou na comunicação não-científica (de não-cientista para o público não especializado), nem da persistência de jargões na DC ou mesmo, em menor escala, na comunicação não-científica. Na verdade, o fato de o resultado ser o esperado, é um ponto a favor da validade da proposta de quantificação.

Os autores desenvolveram também um índice de jargonicidade ('jargonness'): o logaritmo da frequência de uma palavra no corpus científico sobre a frequência no corpus geral (se a palavra está ausente no corpus geral, é atribuído um valor de 3). A mediana da jargozidade dos jargões usados na comunicação interpares foi de 1,21. A jargonicidade nos textos de DC e não-científicos foram menores: 1,078 e 1,022 (não diferindo entre si). Enquanto um jargão na comunicação de cientista para outro cientista é cerca de 16 vezes mais frequente no corpus científico do que no corpus geral, na comunicação para o público por um cientista ou por um não-cientista, o jargão tinha uma frequência no corpus científico de 11 a 12 vezes a frequência no corpus geral.

A partir desses princípios, o grupo desenvolveu um detector automático de jargões (Rakedzon et al. 2017). Poderia ser interessante a produção de um programa que fizesse o mesmo em português.

Ok. Temos um método para quantificar jargões. Mas e quanto aos efeitos? Parece haver poucos estudos especificamente para a comunicação pública da ciência de medição dos efeitos do uso de jargão. O grupo de Dixon, Amill e Bullock publicaram dois artigos fazendo exatamente isso. Usando um serviço de recrutamento online de sujeitos experimentais para responder a formulários online, Bullock et al. (2019) dividiram 650 indivíduos aleatoriamente entre 4 grupos: um em que os participantes liam 3 parágrafos sobre 3 tecnologias emergentes (carros autônomos, robôs cirurgiães, impressão 3D de órgãos biológicos) com uso de jargão sem maiores explicações sobre os termos; um grupo com jargão seguido de definição; um grupo em que a definição era dada, mas o jargão não era apresentado; um grupo em que não era usado nem o jargão, nem era dada a definição. Para cada grupo foram medidos depois o grau de fluência do processamento da informação (basicamente a facilidade de entendimento do texto), do raciocínio motivado (quando a pessoa constrói um argumento já com uma conclusão previamente estabelecida), do quanto a pessoa achava que a tecnologia trazia riscos e do quanto ela apoiava a tecnologia. Na Fig. 2, vemos os efeitos encontrados. O uso de jargão se correlacionou a uma menor fluidez ou fluência do processamento, a uma maior resistência à persuasão, um percepção de maior risco da tecnologia e menos disposição a apoiá-la.


Figura 2. Efeito do uso do jargão sobre a fluidez do processamento da informação, a resistência à persuasão, a percepção do risco de uma nova tecnologia e a disposição a apoiar o uso dessa tecnologia. Adaptado de: Bullock et al. 2019.

Em Schulman et al. (2020), o grupo analisou se a introdução de explicação amenizava ou anulava o efeito do uso do jargão. Com o uso do jargão as avaliações de fluidez de processamento eram piores, mesmo com a introdução de definição do jargão.

Uma observação a ser feita é que as condições de uso de jargão foram de uma carga bem intensa: 10 jargões por parágrafo. Além da replicação independente, seria interessante analisar situações em que a densidade de jargões fosse menor.

Atkinson & Carskaddon (1975) analisam o efeito do uso de termos técnicos abstratos na avaliação da credibilidade do emissor. 32 alunos (16 homens e 16 mulheres) de curso introdutório de psicologia foram divididos aleatoriamente em 4 grupos. Todos assistiam a um vídeo de 15 minutos de uma sessão de atendimento psicológico. Antes de se passar o vídeo, os alunos eram apresentados a um breve currículo do profissional a cuja atuação assistiriam: para metade dos grupos o currículo era de grande prestígio (havia feito doutorado e tinha publicado artigos); para a outra metade, o currículo era de baixo prestígio. Em metade dos grupos, o profissional no vídeo usava palavras altamente abstratas para analisar o paciente; em outra metade, o profissional utilizava termos comuns. Assim, os grupos tinham as seguintes combinações: alto prestígio, palavras abstratas; alto prestígio, termos comuns; baixo prestígio, palavras abstratas; baixo prestígio, termos comuns. Após assistirem aos vídeos, os alunos preenchiam um formulário avaliando a credibilidade do profissional. As melhores avaliações do grau de conhecimento do profissional de acordo com a condição do estudo foram, na ordem decrescente: alto prestígio, alta abstração; baixo prestígio, alta abstração; alto prestígio, baixa abstração; baixo prestígio, baixa abstração. Na avaliação da compreensão do profissional a respeito do problema do paciente, as notas eram decrescente para: alto prestígio, alta abstração; alto prestígio, baixa abstração similar a baixo prestígio, alta abstração; e com a nota menor, baixo prestígio, baixa abstração.

É um estudo antigo, com uma amostra bastante restrita em termos de diversidade (caucasianos, estudantes universitários). Mas outros trabalhos também mostram um efeito positivo de pelo menos um certo nível de emprego de jargão (e em certas circunstâncias) para a credibilidade do emissor.

Junks et al. (2016) em seu capítulo sobre o uso da linguagem na construção da confiabilidade revisam em uma das seções o efeito da linguagem técnica sobre a confiabilidade por meio da percepção de expertise. O uso de termos técnicos são percebidos como mais complexos e difíceis de se entender (o que também foi encontrado no trabalho acima mencionado de Bullock et al 2019), mas isso seria um indicador da expertise do enunciador. Além disso, quando o emissor transpõe a linguagem técnica para uma forma compreensível na orientação sobre saúde, essa capacidade de adaptar a linguagem também contribuiria para a percepção da expertise. Os autores citam, porém, que na literatura há divergências quanto a tal efeito.

Thomson et al. (1981) concluem que o uso de jargão e apresentação de dados afetam a avaliação de um relato de modo diferente a especialistas e não-especialistas. 96 educadores e 63 profissionais da área de negócios leram um relato de 150 palavras a respeito do desempenho de estudantes. Um tipo de relato tinha 12 jargões relacionados a estudos na área de educação, um outro usava palavras mais comuns para passar os mesmos sentidos. Esses relatos também se dividiam em dois tipos: alguns continham dados numéricos e outros usavam expressões relacionadas a opiniões pessoais (p.e. "35% dos professores são contra" vs "eu acho que"). Após isso, cada participante avaliava o relato e o autor em vários critérios. 

Entre os educadores (especialistas), os relatos com jargão tendo ou não dados geravam mais concordância com as recomendações defendidas nos relatos; relatos sem jargão, mas com dados geravam uma concordância com as recomendações tão bem quanto no grupo controle (que avaliavam as recomendações defendidas no relato antes de lerem os próprios relatos), e relatos sem jargão e sem dados geravam uma concordância menor do que no controle. Entre os não-especialistas, todas as condições de relatos geraram um grau de concordância com as recomendações menores do que a condição controle. Mas os relatos sem dados, com ou sem jargões, geravam uma concordância maior do que as outras condições de relatos. A condição que levou a menor grau de concordância foi a carregada de jargões e de dados.

Em termos de avaliação da logicidade dos relatos, entre os especialistas, os relatos com jargão e dados foram mais bem avaliados, sendo os com jargão e sem dados os piores; entre os não especialistas, tanto os relatos com jargão e sem dados e os sem jargão com dados foram mais bem avaliados; o de pior avaliação foi a condição de sem jargão e sem dados.

Tan et al. (2019) avaliaram o efeito do uso de jargão em prospectos de investimentos sobre o desejo de investir entre alunos de um curso de MBA profissional. Quatro condições de jargão foram analisadas: sem jargão; apenas bons jargões (i.e. jargões de uso legítimo); apenas maus jargões (i.e. jargão descabido, apenas com a intenção de confundir); e uma mistura de bons e maus jargões em prospectos sobre possibilidade de investimentos em uma oferta pública inicial de ações na bolsa de valores. Entre os alunos sem conhecimento da indústria a que se referia a oferta, os prospectos que não usavam jargões foram avaliados como os que mais eliciavam desejos de investir, seguido de apenas bons jargões (em nível próximo aos prospectos sem jargão), apenas maus jargões e mistura de bons e maus jargões (bem abaixo das demais condições); entre os com um nível baixo de conhecimento, o prospecto mais bem avaliado foi o que misturava bons e maus jargões; seguido de apenas maus jargões (bem mais abaixo), apenas bons jargões e sem jargão (mais ou menos próximo de com apenas bons jargões). Já entre os que tinham alto conhecimento da indústria, o maior desejo de investir se deu com prospectos com apenas bons jargões, seguido de sem jargões; os prospectos apenas com maus jargões e misturando bons e maus jargões foram igualmente mal avaliados.

Possivelmente uma meta-análise é necessária para uma avaliação mais definitiva a respeito dos diferentes efeitos que os jargões podem ter sobre diferentes públicos, em diferentes dimensões da comunicação (informação, persuasão, emoção, etc.) e em diferentes contextos e temas. (Pode ser que já exista, mas não cheguei a encontrar um trabalho de meta-análise.)

Upideite(30.dez.2020): Um artigo recente sobre o tema, com conclusão de que o jargão não cria dificuldades em situação em que o público tenha um sentido de alta urgência como em situação de crise. Shulman & Bullock 2020. Don’t dumb it down: The effects of jargon in COVID-19 crisis communication. PLoS ONE 15(10): e0239524. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0239524

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Divulgação Científica e jargão

A comunidade de divulgadores está bem ativa questionando suas bases teórico-metodológicas. O que não deixa de ser positivo: o questionamento pode ajudar a avançar a área fazendo circular ideias e gerando novas propostas. (Claro que o ideal é que o embate de ideias seja feito sempre dentro de limites de civilidade, embora, por diversos motivos - todo mundo fica irritado de vez em quando, p.e. -, isso nem sempre seja possível.) Depois da polêmica a respeito de se os cientistas devem ser obrigados a se comunicar com o público, um outro clássico da discussão dos fundamentos da DC: a linguagem, em particular do emprego ou não de jargões.

Abaixo segue um breve compilado (também sem pretensão de ser completo nem representativo, apenas ilustrativo) de tweets que orbitaram a questão. Muitos links remetem apenas a um tweet representativo de uma thread (sequência). (À medida que outros pontos de vistas passarem pela minha TL no twitter, atualizo a listagem.)

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João Pedro Salgado
"Pessoal acha que vai divulgar ciência p população falando monofilético, parafilético, holótipo... vão sim, é por isso q as pseudociências crescem tanto no Brasil, a academia fica nesse pedestal aí pra sempre"

Luiza Caires
"Falar difícil não prova que você é inteligente, apenas que não entendeu nada do jogo. Principalmente se deseja mudar qualquer coisa nesse mundo. Depois fica aí dizendo que odeia Youtuber, influenciador...
Se a maior parte das pessoas não te entende, não são elas as incompetentes." 

Francisco Sassi
"Divulgação científica é pra ser feita pra todos, pra quem não é da academia e também pra quem é cientista. Termo técnico é uma coisa que pode ser explicada e, muitas das vezes, auxilia na explicação e na compreensão do conteúdo."

João Pré-Cambriano
"Entendo o ponto. E concordo. Agora, não vejo problema em usar os termos desde que se explique o q cada um significa. O que impede de explicar, preguiça ou o nariz empinado de achar que o seu público é incapaz de entender?"

Johnny Mingau
em resposta a João Pré-Cambriano
"É então, eu compreendo e concordo com os dois Joãos aqui. Eu lembro que no começo eu decidi que eu iria evitar falar termos confusos nos vídeos, blog e etc... Mas começou a chegar momentos que ficava difícil não utilizar alguns termos...
Por exemplo, (um exemplo tosco) ... Você pode simplesmente falar que aves são Dinossauros, mas pra muita gente isso não faz sentido, elas querem saber porque são Dinossauros. Nesse momento chega a hora de explicar o que é grupo monofiletico..
Eu penso que devo evitar usar termos confusos até chegar o ponto em que eu explico o que são e significam esses termos. Daí em diante eu passo a usá-los. Por exemplo meu texto sobre Utahraptor, descrever o material sem explicar o que é holótipo ficava mais confuso ainda, então..
Eu expliquei o que é holótipo, Parátipo e etc... E o texto começou a fluir melhor. Se eu não tivesse explicado os termos acho q o texto ficaria mais confuso ao tentar não utilizá-los. Pelo menos foi oq eu senti enquanto escrevia o texto do utahraptor pro blog.
Como a academia não larga de mão desses termos, me parece conveniente explica-los ao público, para que dá próxima vez que vêem um cientista falando, não fiquem tão confusos."

Carlos Hotta
"A linguagem usada em Divulgação Científica depende, a grosso modo, do seu objetivo, público alvo e o meio utilizado. Se a linguagem for compatível com estes três fatores, vc está muito bem. Se for compatível com dois, já está valendo."

Otávio Vulcão
"Existe um padrão de linguagem pra Divulgação científica? Muita gente já comentou e eu endosso: dependerá do público, objetivo e plataforma usada.
Você não vai divulgar ciência da mesma forma no Twitter e no Youtube, muito menos presencialmente.
Partindo de alguns textos, eu entendo que a DC não é apenas "tradução" da ciência; é sua "adaptação", porque você usa diferentes estratégias para falar dos métodos, descobertas, conhecimentos prévios e etc.
Durante essa adaptação você naturalmente descarta os jargões, termos técnicos demais e dados que são desnecessários no primeiro momento.
Significa que são menos importantes? Não, só significa que eles não são exigidos para aquele objetivo.
Isso não implica, por outro lado, que você deve simplesmente tratar seu público como plenamente ignorante e incapaz de entender conceitos e/ou termos difíceis.
Usar contextualizações para explicar os termos, introduzindo eles depois pode ajudar bastante.
Sou a favor de que termos essenciais para determinadas áreas não sejam descartados durante o processo de divulgação, sendo trabalhados minuciosamente para serem compreendidos pelo público.
Temos que ser pessoas com visões plurais, não singulares: uma tomada de decisão não obrigatoriamente vai excluir outra, dependerá de como você irá reunir essas ideias e aplicá-las."

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Aqui detalho alguns estudos a respeito do uso de jargões e seus efeitos na comunicação e compreensão.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Indicador de Letramento Científico

Saiu o tão aguardado (pelos que acompanham os dramas da cultura científica no Brasil) resultado* da primeira edição do Indicador de Letramento Científico, o ILC, realizado pelo Instituto Abramundo em parceria com a Ação Educativa e o Instituto Paulo Montenegro. Gostaria muito que esse tipo de levantamento fosse incluído nas pesquisas do MCTI sobre a Percepção Pública de Ciências - infelizmente o então diretor do Departamento de Popularização e Difusão da Ciência e Tecnologia do MCTI, Ildeu de Castro Moreira, foi voto vencido e o estudo sobre o conhecimento científico do brasileiro não foi incluída.

O resultado do 1° ILC não é nem um pouco diferente do que seria o esperado - o diabo é tão feio quanto pintam. Entre os entrevistados (2.002 pessoas entre 15 e 40 anos de nove regiões metropolitanas e do DF), apenas 5% apresentam o nível 4 - letramento científico proficiente: e a proficiência não é um nível particularmente alto de conhecimento, envolve coisas como interpretar gráficos de acordo com certas hipóteses (no exemplo do relatório, verificar o gráfico de projeção de temperaturas globais de acordo com as emissões de carbono em dois cenários e dizer o que significam essas duas projeções) (Tabela 1).

Tabela 1. Níveis de letramento científico dos entrevistados.
Nível Descrição %
Nível 1 "Não científico: Localiza, em contextos cotidianos, informações explícitas em textos simples (tabelas ou gráficos, textos curtos) envolvendo temas do cotidiano (consumo de energia em conta de luz, dosagem em bula de remédio, identificação de riscos imediatos à saúde), sem a exigência de domínio de conhecimentos científicos." 16
Nível 2 "Letramento científico rudimentar: Resolve problemas que envolvam a interpretação e a comparação de informações e conhecimentos científicos básicos, apresentados em textos diversos (tabelas e gráficos com mais de duas varáveis, imagens, rótulos), envolvendo temáticas presentes no cotidiano (benefícios ou riscos à saúde, adequações de soluções ambientais)." 48
Nível 3 "Letramento científico básico: Elabora propostas de resolução de problemas de maior complexidade a partir de evidências científicas apresentadas em textos técnicos e/ou científicos (manuais, esquemas, infográficos, conjunto de tabelas) estabelecendo relações intertextuais em diferentes contextos." 31
Nível 4 "Letramento científico proficiente: Avalia propostas e afirmações que exigem o domínio de conceitos e termos científicos em situações envolvendo contextos diversos (cotidianos ou científicos). Elabora argumentos sobre a confiabilidade ou veracidade de hipóteses formuladas. Demonstra domínio do uso de unidades de medida e conhece questões relacionadas ao meio ambiente, à saúde, astronomia ou genética." 5


Mesmo com metodologias distintas e público-alvo da pesquisa também totalmente diferentes, o mesmo padrão geral delineado em outras pesquisas como o PISA é obtido: um certo número de indivíduos sem nenhum conhecimento de ciências, a grande parte tendo apenas um conhecimento muito básico, e muitos poucos com conhecimentos mais avançados. (Figura 1a,b.)

a)
b)
Figura 1. a) Resultados para o Brasil do PISA 2012 de ciências (estudantes de 15 anos). b) ILC 2014 (brasileiros entre 15 e 40 anos).

Entre os que estão no ensino superior ou o completaram, apenas 11% têm nível de proficiência; entre os com nível superior completo, apenas 18% têm nível 4. Entre profissionais da administração pública, somente 6% e entre os profissionais de educação, apenas 10% (este é o ramo com maior porcentagem de indivíduos com nível 4). Entre os funcionários com altos cargos, de nível gerencial, são apenas 12% os proficientes (é a segunda categoria funcional com maior proporção de indivíduos com nível 4; a categoria com maior proporção é a dos profissionais liberais, empresários e empregadores: 15%).

Entre os com nível mais alto de letramento científico, 31% teriam problema em calcular a quantidade de combustível consumido para percorrer uma dada distância sabendo o consumo médio do veículo. Isso mesmo, entre os com maior capacidade de compreensão científica, quase 1/3 não saberia aplicar uma simples conta de multiplicação.

A pesquisa incluiu algumas perguntas sobre percepção e atitudes públicas sobre ciências, mas o relatório, infelizmente, não detalhou os resultados por nível de letramento. Entre as perguntas sobre interesses em temas científicos, os resultados poderiam ser alentadores (Tabela 2), mas a realidade sobre o grau de informação parece demonstrar que precisamos interpretar essas declarações de interesse com não apenas um grão de sal, mas com salinas inteiras (Tabela 3).

Tabela 2. Interesses declarados dos entrevistados a respeito de temas científicos.
Frase concorda (total ou parcialmente) não concorda nem discorda discorda (total ou parcialmente) ns/nr
A ciência me ajuda a compreender o mundo em que vivo 72 15 12 1
Procuro estar sempre bem informado sobre novidades no campo da ciência e da tecnologia 62 13 26 0
Gosto de ler textos sobre temas científicos 45 17 39 0
Sempre gostei de estudar ciências 44 17 39 0

Tabela 3. Conhecimento de temas científicos tratados nos meios de comunicação.
Tema Não sei nada/quase nada Conheço pouco/apenas ouvi falar Conheço bastante sobre o assunto Conheço bem o assunto e procuro estar atualizado
Mudanças climáticas/efeito estufa 24 59 14 3
Informática e tecnologia 26 48 21 6
Poluição/uso de recursos naturais/biodiversidade 27 52 17 4
Evolução das espécies; origem da vida 31 51 16 3
Cura de doenças/novos medicamentos 31 55 12 2
Fontes de energia renováveis 35 48 14 2
Animais pré-históricos, fósseis e descobertas arqueológicas 38 49 11 2
Engenharia genética/organismos geneticamente modificados/transgênicos 47 43 8 2
História do desenvolvimento científico 48 42 8 2
Exploração do universo/buracos negros/quedas de asteroides 50 41 8 2
Robótica e nanotecnologia 61 32 6 2

As opções de temas (Tabela 3) são bem abrangentes para uma interpretação de que os entrevistados consideram-se bem informados em outras áreas de ciências possa ser considerada com maior seriedade. Como compatibilizar a declaração de que se procura informar muito sobre ciências (Tabela 2) com a declaração de que se sabe pouco sobre ciências (Tabela 3)? Poderia ser por modéstia em declarar seu próprio conhecimento? Poderia ser por considerarem os textos que leem como pouco informativos? Darei a cara a bater e avançarei a hipótese de que os dados sobre interesses são pouco confiáveis: os entrevistados exageram seu grau de interesse. Alerto que pelos dados disponíveis *não* se pode testar a validade de tal interpretação que defendo aqui. É só um palpite.


Os dados mais bisonhos - ainda que não exatamente surpreendentes -:
77% dos entrevistados concordam (em parte ou totalmente) com a frase: "O governo deveria investir mais na ciência, pois ela tem importância estratégica para o país";
53% dos entrevistados concordam (em parte ou totalmente) com a frase: "O dinheiro usado na pesquisa científica e tecnológica deve ser destinado para outras finalidades sociais". (Tabela 4.)

Isso significa que entre 2430 (77-5347, no caso da sobreposição mínima entre os grupos) e 53% (sobreposição máxima) concordam *ao mesmo tempo* com as duas frases. Uma fração não desprezível dos entrevistados acham tanto que se deve aportar mais e menos dinheiro em Ciência e Tecnologia. (Incongruência presente também na pesquisa de 4 anos atrás feita sob encomenda do MCTI.) É mais um alerta de como devemos interpretar pesquisas de percepção e atitude públicas com um matacão de NaCl.

Tabela 4. Comparação da concordância dos entrevistados quanto aos investimentos em C&T e destinação dos recursos nas pesquisas do MCTI 2010 e do ILC 2014.
concorda totalmenteconcorda em partenão concorda nem discordadiscorda em partediscorda totalmentens/nrpesquisa
O dinheiro usado na pesquisa científica e tecnológica deve ser destinado para outras finalidades sociais2821-13353MCTI 2010
O dinheiro usado na pesquisa científica e tecnológica deve ser destinado para outras finalidades sociais21321814122ILC 2014
Os governos devem aumentar os recursos que destinam à pesquisa científica e tecnológica6823-423MCTI 2010
O governo deveria investir mais na ciência, pois ela tem importância estratégica para o país482915521ILC 2014

Por motivos que não entendi bem, resolveram concentrar o público na faixa entre 15 e 40 anos. Somado ao fato de restringirem às regiões metropolitanas e à capital federal, infelizmente não podemos extrapolar diretamente os resultados para a população brasileira. A comparação com os dados de atitudes e consumo de informações científicas dos levantamentos do MCTI também é prejudicada.

Seria legal se tivessem incluído perguntas utilizadas nos principais levantamentos de alfabetização científica no mundo - particularmente da NSF e da Eurobarometer. Mas é o que tem pra hoje. (De todo modo, pPelo que pudemos perceber, aparentemente os resultados do PISA, mesmo restritos à população de estudantes com 15 anos, podem ser extrapolados para a população inteira - ao menos para o Brasil em relação ao conhecimento científico.) De todo modo é o primeiro levantamento em nível nacional do letramento científico (de parte) dos brasileiros. Que venham as edições futuras.

Agora sabemos o tamanho do buraco da educação e divulgação científicas no Brasil.

Veja o que foi publicado em outros blogues:
Ceticismo - Uma catástrofe chamada letramento científico
Minas faz Ciência - Reflexões sobre o letramento científico

Upideite(25/ago/2014): Comparativo entre as categorias do PISA 2012 e o grupo de 15-19 anos do ILC 2014.
O nível abaixo de 1 do PISA parece corresponder ao nível 1 do ILC, assim como os níveis 4 e acima do PISA e o nível 4 do ILC das duas aferições parecem corresponder entre si.

*Upideite(07/fev/2018): novo link (o anterior estava quebrado).

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Pesquisa "Visão do Brasileiro sobre Ciência, Sociedade e Tecnologia" - primeiros resultados

Antes de mais nada, gostaria de agradecer muitíssimo aos que colaboraram com a pesquisa, seja respondendo-a, seja divulgando-a.

Apesar de alguns esforços para diminuir o desvio da razão sexual dos respondentes - como apelos públicos voltados às mulheres e tentativas de divulgar em blogues e perfis de rede social voltados ao público feminino -, não teve jeito. 72,1% dos respondentes foram do sexo masculino, apenas 28,8% do feminino (apesar de haver opção para responder outra coisa, ninguém respondeu fora dessas alternativas).

O gráfico abaixo (Figura 1) resume os meios declarados pelos quais os participantes tomaram ciência da pesquisa.

Figura 1. Meios pelos quais os participantes da pesquisa tomaram conhecimento dela. Respostas espontâneas.

Não há muita surpresa pela grande concentração das respostas na web 2.0 - afinal, foi concebida, gerida e anunciada quase que exclusivamente na web 2.0. Boa parte souberam pelo próprio blogue do GR [preciso parar com a piada de ter apenas um casal de leitores : )], mas a maior fração por outros blogues. Do twitter, onde também concentrei bastante esforço de divulgação e o facebook. Além dos próprios esforços, a natureza das redes sociais certamente contribuíram - uma boa fração nas redes sociais souberam através de terceiros (bem mais do que diretamente pelos perfies do GR e meu).

Na Figura 2, estão destrinchados as referências nos blogues.

Figura 2. Blogues pelos quais os respondentes ficaram sabendo da pesquisa.

Nos blogues da Folha (no Mensageiro Sideral, do Salvador Nogueira,  e no Darwin e Deus, de Reinaldo José Lopes) e no blogue do Luís Nassif publiquei um comentário em algumas postagens. Não foram os únicos blogues em que publiquei comentários sobre a pesquisa, claro. Mas nos demais casos, não houve retorno. Nos blogues Álvaro Augusto, Carlos Orsi, Dragões de Garagem e O Telhado de Vidro (do Daniel Bezerra) foram publicadas postagens com links para a pesquisa.

Na Figura 3, está a distribuição das fontes no twitter.


Figura 3. Perfis do twitter pelos quais os participantes souberam da pesquisa.

Em um terço dos casos, nenhum perfil foi especificado. O principal perfil individual foi o do @cardoso, seguido de @ceticismo, @scienceblogsbr, @acidocetico e @ciencianamidia.

No caso do facebook (Figura 4), em mais de 3/5 dos casos, não houve menção a um perfil em específico. Minha interpretação tentativa é que no FB, a autoria das postagens e, principalmente, da fonte primária de menção tende a se diluir.

Figura 4. Perfis do facebook por intermédio dos quais os respondentes ficaram sabendo da pesquisa.

O padrão nada surpreendente, dada a natureza da pesquisa, é que os canais condutores mais eficientes são os ligados às ciências.

(O leitor ou a leitora atenta terá notado que não segui as melhoras práticas preconizadas para a produção de gráficos do tipo pizza - como a ordenação decrescente das classes.)

domingo, 9 de junho de 2013

Pesquisa "Visão do Brasileiro sobre Ciência, Sociedade e Tecnologia" - Primeira Parcial

Primeira parcial da Pesquisa "Visão do Brasileiro sobre Ciência, Sociedade e Tecnologia".

Até o momento temos 42 respondentes.
24% são do sexo feminino; 76% do sexo masculino.
A idade média é de 33 anos com desvio padrão de 8 anos.
12% da Região Centro-Oeste; 7% da Nordeste; 2% da Norte; 55% da Sudeste e 24% da Sul.

Pelo Censo de 2010, no Brasil temos:
Mulheres: 51%; Homens: 49%
De 10 a 14 anos: 9%; 15 a 19: 8,9%; 20 a 24: 9%; 25 a 29: 9%; 30 a 34: 8,2%; 35 a 39: 7,3%; 40 a 44: 6,8%; 45 a 49: 6,2%; 50 a 54: 5,3%; 55 a 59: 4,3%; 60 a 64: 3,4%; 65 a 69: 2,5%; 70 a 74: 2%; 75 a 79: 1,3% e 80 ou mais: 1,5%.
CO: 7%; NE: 28%; N: 8%; SE: 42% e S: 14%

Precisamos atrair mais representantes do gênero feminino (e outras minorias sexuais); mais jovens e adultos de maior idade e mais nordestinos.

Se você se encaixa nos grupos subrepresentados e ainda não respondeu, por favor, participe. Claro, representantes dos outros grupos são bem vindos a responderem.

Se você tem um blogue ou sítios web, de qualquer tema, também pode colaborar divulgando a pesquisa (e poderá também traçar o perfil de seu público visitante). Mesmo se não tiver, pode espalhar entre seus amigos e incentivá-los a responder.

Abaixo a lista de colaboradores na divulgação até o momento:
DAELT - Departamento Acadêmico de Eletrotécnica - UTFPR
Rabiscos Aleatórios - Álvaro Augusto
Plantando Genes - Rafael Tavares
Carlos Orsi
O Telhado de Vidro - Daniel Bezerra
Dragões na Garagem
Ciência & Sociedade - Museu da Vida
Uma Malla pelo Mundo - Lúcia Malla



terça-feira, 4 de junho de 2013

Tem um blog ou site? Participe da Pesquisa "Visão do Brasileiro sobre Ciência, Sociedade e Tecnologia"!

Se você administra um blogue ou sítio web de *qualquer* tema: científico ou não (pode ser de moda, esporte, literatura, religião, comportamento, ativismo social, gastronomia, turismo, economia, etc, etc, etc.), pode ajudar a divulgar a Pesquisa "Visão do Brasileiro sobre Ciência, Sociedade e Tecnologia".

Pode ser um link, ou pode incorporar o formulário em uma postagem ou página copiando e colando o código html abaixo:

Edite os valores de largura (width) e altura (height) para melhor se ajustar à sua postagem ou página.

Se quiser, podemos combinar um código que os visitantes de seu blogue ou sítio web devem fornecer no campo correspondente no formulário, e forneço os dados consolidados referentes a seu público. Por exemplo, o blogue X participante tem o código "blogue123", todas as respostas com esse código são contabilizadas à parte e o resultado é informado confidencial e exclusivamente ao dono/administrador do blogue X (nenhuma informação que identifique respostas individuais, no entanto, será repassada). Os dados com o código "blogue123" são incorporados na análise geral, mas, em nenhuma hipótese, haverá divulgação em separado dos resultados para o blogue X (este direito cabe exclusivamente ao dono/administrador do blogue X).

Blogues e sítios web participantes também concorrerão a um brinde surpresa (em sorteio à parte).

Para combinar o código, envie um email para: genereporter@gmail.com.

domingo, 2 de junho de 2013

Pesquisa Gene Repórter: Visão do Brasileiro sobre Ciência, Sociedade e Tecnologia

A fim de sondar algumas opiniões de brasileiros sobre Ciência, Sociedade e Tecnologia, compilei algumas perguntas feitas sobre o tema pelo Datafolha, pelo Eurobarômetro, pelo MCTI, pelo Gallup e pelo PewResearchCenter, além de acrescentar algumas por minha própria conta.

Obviamente não pretende ser um levantamento da opinião da população como um todo por causa da limitação metodológica - seria preciso fazer uma amostragem aleatória de certo tamanho (pelo menos umas mil pessoas para um nível de erro de aproximadamente 2% para frações de cerca de 50%) em nível nacional. Ou seja, eu teria que contratar um instituto de pesquisa de opinião pública, como o próprio Datafolha ou o Ibope ou o Gallup ou Sensus ou Datapopular ou outro. O preço - de várias dezenas de milhares de reais - está muito além do que poderia bancar (embora houvesse a opção de tentar levantar a grana via crowdfunding).

Mas creio que alguma informação possa ser cruzada - por exemplo, se há alguma correlação entre alguma característica dos respondentes e o tipo de resposta.

Bem, se quiser colaborar, solitário leitor ou solitária leitora deste GR, agradeceria imensamente. Sortearei entre os respondentes que usarem o código "genereporter" no campo indicado no formulário abaixo um brinde surpresa. O sorteio será no dia 27 de novembro, no quinto aniversário do blogue - então valerão as respostas (não se esqueça do código!) enviadas até às 23h59, hora de Brasília, do dia 26 (vale o timestamp do sistema referente ao último acesso). Tem bastante tempo, mas o formulário é relativamente longo (tem 10 páginas) - o Google agora oferece a opção de acessar várias vezes para completar o preenchimento e alterar as respostas. Se estiver ruim de preencher o formulário incorporado abaixo, pode acessá-lo a partir daqui.

ATENÇÃO: diferentemente da maioria dos concursos culturais do Gene Repórter, este formulário *não* tem respostas propriamente certas (algumas até têm, mas não é esse o objetivo). Então não pesquise as respostas, responda de acordo com o que acha. Ninguém será julgado. E, está no formulário, mas reforço, nenhum dado pessoal será divulgado a terceiros (naturalmente, apenas o endereço de envio do prêmio será fornecido aos Correios; bem como será divulgado aqui no GR o nome do ganhador ou da ganhadora do prêmio). Veja o regulamento mais abaixo ao fim desta postagem.



Regulamento:
0. Somente concorrerão os que enviarem formulários corretamente preenchidos. (Atenção para o código "genereporter" no campo correspondente.)
1. Parentes meus até segundo grau não valem.
2. A resposta deve ser enviada até às 23h59 (hora de Brasília) do dia 26/11/2013. (Vale o "timestamp" do sistema.)
3. O prêmio será enviado gratuitamente, mas somente para um endereço coberto pelos Correios brasileiros em porte nacional.
4. O vencedor ou a vencedora será contatado/a por email e terá uma semana para responder. Findo o prazo, o prêmio estará prescrito e o segundo colocado será contatado. (E assim por diante.)
5. Este concurso segue a lei federal 5.768/1971 e legislação correlata.
6. Ocasionalmente o prêmio poderá ser alterado (em comum acordo com o/a ganhador/a) e trocado por um de valor equivalente em casos de indisponibilidade no fornecedor ou por desejo do/a ganhador/a.
--------------

Inspirado em postagem de Rafael Soares no Facebook. (Mas só acesse o link depois de responder ao formulário acima, por favor.)

Upideite(02/jun/2013): Se um professor quiser aproveitar o formulário para levantar a visão de seus alunos, pode combinar um ou mais códigos e eu posso fornecer os dados compilados (não respostas individuais). O mesmo poderá ser feito para outros grupos.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Documento GR: Divulgação Científica

Aqui manterei a compilação das postagens da série "Divagação Científica: Divulgando Ciências Cientificamente" com anotações de estudos sobre Compreensão Pública de Ciências e estratégicas de aculturação científica.

Não são as postagens de maior sucesso de visitação nem de comentários, mas particularmente acho que se constituem na principal contribuição (beeeeeeeem modesta, é verdade) do GR à divulgação científica.

1 Taxonomia da comunicação sobre ciências.
2 Teoria da informação de Shannon e divulgação científica.
3 Alberguini, AC. 2007. A ciência nos telejornais brasileiros: o papel educativo e a compreensão pública das matérias de CT&I. Tese de doutorado – Comunicação Social. Universidade Metodista de São Paulo. 300 pp.
4 Rosa, Katemari & Martins, Maria Cristina. 2007. O que é alfabetização científica, afinal? In: XVII Simpósio Nacional do Ensino de Física, 2007, São Luís, MA. Anais do XVII Simpósio Nacional do Ensino de Física, 2007.
5 Carvalho, A. 1999. A comunicação científica pública e o jornalismo científico: conceitos e funções.
6 Macedo-Rouet, M.; Rouet, J-F; Epstein, I & Fayard, P. 2003. Effects of Online Reading on Popular Science Comprehension. 25: 99-128.
7 Substituição de erros conceituais e aprendizagem científica. Vários trabalhos.
8 Ficção científica e alfabetização científica. Vários trabalhos.
9 Ficção científica e alfabetização científica. Vários trabalhos.
10 Ficção científica e alfabetização científica. Vários trabalhos.
11 Kouper, I. 2010. Science blogs and public engagement with science: practices, challenges, and opportunities. Journal of Science Communication 9(1): 1-10.
12 (1/2) Miller, J.D. 2004. Public understanding of, and attitudes toward, scientific research: what we know and what we need to know. Public Understand. Sci. 13: 273-94.
12 (2/2) Miller, J.D. 2004.
13 Trench, B. 2008. Towards an analytical framework of science communication models. In Cheng, D. et al. (eds.) Communicating science in social contexts: new models, new practices. Springer Netherlands. 320 p. Pp: 119-38.
14 (1/2) Burns, T.W.; O'Connor, D.J. & Stocklmayer, S.M. 2003. Science communication: a contemporary definition. Public Understanding of Science 12: 183-202.
14 (2/2) Burns, T.W.; O'Connor, D.J. & Stocklmayer, S.M. 2003.
15 Katz-Kimchi et al. 2011. Gauging public engagement with science and technology issues. Poroi 7(1).
16 Cooper, B.J.E. et al. 2011. The quality of the evidence for dietary advice given in UK national newspapers. Public Understanding of Science 20(3) & Vestergård,G.L. 2011. From journal to headline: the accuracy of climate science news in Danish high quality newspapers. Journal of Science Communication 10(2).
17 Corbett, J.B. & Durfee, J.L. 2004. Testing Public (Un)Certainty of Science: Media Representations of Global Warming. Science Communication 26(2): 129-51.
18 Nisbet, M.C. 2009a. Framing science: a new paradigm in public engagement. In: Kahlor, L.A. & Stout, P.A. (orgs.). Communicating Science: New Agendas in Communication (New Agendas in Communication Series). Chapter 2. Pp: 40-67.
19 Bertolli Filho, C. 2006. Elementos fundamentais para a prática do jornalismo científico. Recensio.
20 Bauer, M.W. 2009. The evolution of public understanding of science - discourse and comparative evidence. Science, technology and society, 14 (2). pp. 221-240.
21 Glavan, E. & Cernat, A. 2010. Scientific literacy , attitudes towards science, religiosity and superstitious beliefs in the Romanian context. Science and the Public London 2010.
22. Allum, N. et al. 2008. Science knowledge and attitudes across cultures: a meta-analysis. Public Understanding of Science 17(1): 35-5.
Extra-1. Devemos divulgar ciências sem usar números? Estudo de Van der Linden et al. 2015 com o efeito de porteira de crença sugere que não.
23. Allen & Preiss 1997. Comparing the persuasiveness of narrative and statistical evidence using meta‐analysis. Communication Research Reports 14(2); Zebregs et a. 2014. The differential impact of statistical and narrative evidence on beliefs, attitude, and intention: A meta-analysis. Health Communication e Allen et al. 2000. Testing the persuasiveness of evidence: combining narrative and statistical forms. Comunication Research Reports 17(4).
24. Macnaghten, P. 2013. The future of science governance: publics, policies, practices. Pp: 31-48. In: Vogt, C. et al. (orgs.) Comunicação e Percepção de Ciência e Tecnologia (C&T). De Petrus et Alii. 180 pp. e Rowe, G. & Frewer, L.J. 2005. A typology of public engagement mechanisms. Science, Technology, & Human Values 30(2): 251-90.
25 (1/2). Lewandowsky et al. 2012. Misinformation and its correction: continued influence and successful debiasing. Psychological Science in the Public Interest 13(3): 106-31. 
25 (2/2) Lewandowsky et al. 2012.
26. Valdesolo, P. et al. 2016. Awe and scientific explanation. Emotion.
27. Eveland, W.P.Jr. & Cooper, K.E. 2013. An integrated model of communication influence on beliefs. PNAS 110:14088–14095.
28. Bruin, W.B. & Bostrom, A. 2013. Assessing what to address in science communication. PNAS 111 (S-3): 14062-14068.
29. Sumner P, Vivian-Griffiths S, Boivin J, Williams A, Bott L, Adams R, et al. 2016. Exaggerations and Caveats in Press Releases and Health-Related Science News. PLoS ONE 11(12): e0168217.
30. Winter, S.; Krämer, N.C.; Rösner, L. & Neubaum, G. 2015. Don’t Keep It (Too) Simple: How Textual Representations of Scientific Uncertainty Affect Laypersons’ Attitudes. Journal of Language and Social Psychology 34(3): 251-72.
31. Dahlstrom, M.F. 2010. The role of causality in information acceptance in narratives: an example from science communication. Communication Research 37(6); 857-75 e Dahlstrom, M.F. 2012. The persuasive influence of narrative causality: psychological mechanism, strenght in overcoming resistance, and persistence over time. Media Psychology 15(3): 303-26.
32. AbiGhannam, N. 2016. Madam science communicator: a typology of women’s experiences in online science. Science Communication 38(4): 468-94.
33. Flemming, D. et al. 2018. Emotionalization in Science Communication: the impact of narratives and visual representations on knowledge gain and risk perception. Front. Commun. 3: article 3.
34. Zorn, TE et al. 2012. Influence in science dialogue: Individual attitude changes as a result of dialogue between laypersons and scientists.PUS 21(7): 848-864.
Extra-2. Compilação de diversas definições de divulgação científica.
Extra-3. Compilação de minicursos em vídeo de divulgação científica.
35. Krause, RJ & Rucker, DD. 2019. Strategic storytelling: When narratives help versus hurt the persuasive power of facts. Personality and Social Psychology Bulletin.
36. Importância da Divulgação Científica. Vários textos. 
37. O uso de jargões e seus efeitos. Vários textos.
Extra-4. Muehlenhaus, I. 2012. If Looks Could Kill: The Impact of Different Rhetorical Styles on Persuasive Geocommunication, The Cartographic Journal 49(4): 361-375
Extra-5. Alfabetização científica ou letramento científico? Vários textos.
38. Gustafson, A & Rice, RE. 2020. A review of the effects of uncertainty in public science communication. Public Understanding of Science, 29(6), 614–33
39. Rubega, MA, Burgio, KR, MacDonald, AAM, Oeldorf-Hirsch, A, Capers, RS, & Wyss, R. 2021. Assessment by Audiences Shows Little Effect of Science Communication Training. Science Communication, 43(2), 139–169.
40. Vários autores. Revisões de terminologias e conceitos.
41. Valério, M. & Takata, R. 2025. Afinal, o que é divulgação científica? Explanação e proposição de uma definição plural. Pro-posições, 36, e2025c0502BR.
42. Guo, Z., Liu, K., & Chen, M. (2025). A Meta-Analysis Synthesizing the Effects of Three Uncertainty Types in Science Communication. Science Communication, 47(5), 633-669 & van Stekelenburg, A., Schaap, G., Veling, H., van ’t Riet, J., & Buijzen, M. (2022). Scientific-Consensus Communication About Contested Science: A Preregistered Meta-Analysis. Psychological Science, 33(12), 1989-2008

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