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domingo, 20 de setembro de 2009

Divagação científica: divulgando ciências cientificamente - 5

Nesta quinta parte da série sobre divulgação científica, apresento meu resumo da parte sobre jornalismo científico do texto disponibilizado gentilmente (é preciso conta no Google para acessar) pela Dra. Alessandra Carvalho, do Karapanã.

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Carvalho, A. 1999. A comunicação científica pública e o jornalismo científico: conceitos e funções.

Jornalismo científico.

Gênero jornalístico que consiste em divulgar a C&T através dos meios de comunicação em massa. Calvo Hernando 1988.

Conjunto de atividades jornalísticas dedicadas a assuntos de C&T direcionados ao grande público de não-especialistas por diversas mídias. Michael Thiollent 1983.

Processo social que se articula a partir de uma relação (periódica ou oportuna) entre organizações formais (editoras/emissoras) e coletividades (públicos/receptores) através de canais de difusão (jornal/revista/rádio/televisão/cinema) que asseguram a transmissão de informações (atuais) de natureza de C&T em função de interesses e expectativas (universos culturais e ideológicos). Wilson Bueno 1984.

Funções do JC

Não apenas de popularização científica, mas também de crítica: mostrar a ciência como não-neutra, trazer o público ao debate de C&T, relacionando à saúde e ao bem-estar dos cidadãos. Magali Izwa 1984.

Deve ser uma atividade educativa, dirigida às grandes massas, promover a popularização do conhecimento gerado pelas universidades, para contribuir para a superação dos problemas da população; utilizar uma linguagem acessível, despertar interesses para os processos científicos, discutir política científica, conscientizar a população, realizar um trabalho de iniciação (aos jovens) e de educação continuada (aos adultos). Marques de Melo 1982.

Três funções do JC, Calvo Hernando:
a) informativa: transmitir e tornar compreensível o conteúdo de ciências, estimular a curiosidade do público, sua sensibilidade e responsabilidade moral;
b) de intérprete: mostrar o significado e o sentido das descobertas e suas aplicações, especialmente as que afetam mais profunda e radicalmente nossas vidas;
c) de controle em nome do público: garantir que sejam tomadas decisões políticas que levem em conta o conhecimento científico visando ao bem-estar e enriquecimento cultural do ser humano.

Seis funções do JC, Wilson Bueno:
a) informativa: necessidade e interesse do cidadão/obrigação e compromisso do jornalista de C&T de divulgar dentro das necessidades e expectativas do cidadão;
b) educativa: responsabilidade do profissional de informar, formar e conscientizar o cidadão sobre questões e repercussões de C&T dado que o JC pode ser a única fonte de contato do cidadão com o tema; pressupõe um feeback pelo público, mesmo que indireto;
c) social: intermediação do jornalismo entre a ciência e a sociedade, humanização da ciência; debate dos temas de C&T à luz dos interesses da sociedade, coincidir os interesses da sociedade com os objetivos da produção e da divulgação científicas;
d) cultural: o JC deve ir além da transmissão de notícias sobre C&T, deve trabalhar em prol da preservação e da valorização da cultura nacional, tomando posições críticas sobre a difusão de ciências em culturas diferentes;
e) econômica: especialmente em países em desenvolvimento, o JC deveria enfatizar a divulgação das pesquisas locais, promovendo a conscientização dos empresários sobre o valor da pesquisa científica e dos benefícios do investimento privado no setor;
f) político-ideológica: identificação do jornalista científico com a sociedade em que vive, divulgar apenas a C&T que beneficiam a coletividade, impedir o favorecimento aos países hegemônicos em detrimento dos direitos dos cidadãos, criticar as informações recebidas de multinacionais e órgãos do governo; não divulgar o sensacional, o fantástico, o espetacular; o jornalista deve escrever para seu povo e país e não fomentar a ganância dos que investem em C&T visando à destruição dos seres humanos, dos povos e da natureza.

Disfunções do JC

Michel Thiollent:
- importância ao espetáculo, não à informação;
- passividade: informando apenas a atualidade, sem crítica e sem considerar aspecto pedagógico;
- ideologia: homem x natureza, e sempre o homem supera a natureza (especialmente em trabalhos de divulgação para o público jovem), ideologia do progresso, do desenvolvimento, do humanismo;
- promoção de produtos, de institutos de pesquisas, de "modas intelectuais" e de pessoas;
- promoção de ideologias e filosofias internas do campo científico.

Calvo Hernando:
- almanaquismo: redução da informação científica a piadas, curiosidades;
- ausência de conteúdo didático;
- desrespeito à correção científica na conceituação e nas medidas;
- atenção desproporcional aos elementos secundários para chamar a atenção do leitor;
- superficialidade e improvisão no uso das fontes.

Carl Sagan 1996:
- promoção das pseudociências.

Wilson Bueno:
- falta de divulgação de C&T produzida no país;
- prioridade de matérias sobre "big science";
- falta de poder de mobilizar a opinião pública;
- restrição da participação da comunidade científica nacional para opinar sobre fatos internacionais;
- visão preconceituosa sobre o conhecimento popular e suas aplicações.

Teoria vs. prática

Sérgio Adeodato 1987
"A teoria formulada por quem não vive o cotidiano de uma redação de jornal ganha no aspecto ético, filosófico, ideológico, mas perde na percepção prática, no entendimento das mudanças que dependem da organização do trabalho dentro da empresa editora, da mentalidade dos que decidem, da formação dos profissionais e também das relações da empresa jornalística e seu ambiente sócio-econômico-cultural..."

Alessandra Carvalho 1996:
- o modelo proposto pela academia não é implementada completamente pelas revistas de divulgação científica; a prática segue as leis do mercado e não a teoria acadêmica.

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