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domingo, 10 de fevereiro de 2013

Satélite Coletor de Dados 1: 20 por 1

O Satélite Coletor de Dados 1 (SCD-1) completou, dia 9 de fevereiro, 20 anos do lançamento. E continua na ativa, coletando e retransmitindo dados ambientais de mais de 500 plataformas terrestres em território brasileiro. 19 anos além do projetado inicialmente.


Não é o primeiro satélite brasileiro em órbita - em 1985 o satélite Brasilsat 1 (mais tarde renomeado Brasilsat A1) foi lançado por um foguete francês Ariane 2/3 a partir da Guiana Francesa. Mas o Brasilsat 1, assim como o 2, foi comprado de uma empresa canadense (Spar Aerospace). Os quatro satélites Brasilsat da série B foram parcialmente construídos no Brasil - sendo os B1 e B2 testados no Laboratório de Integração e Teste do Inpe. O SCD-1 foi o primeiro totalmente produzido no Brasil.

Até agora o SCD-1 é o ponto alto do Programa Espacial Brasileiro, iniciado em 1961 como Missão Espacial Brasileira e substituída em 1979 pela Missão Espacial Completa Brasileira, que tinha como um de seus objetivos, o desenvolvimento de quatro satélites inteiramente nacionais: na concepção, produção e lançamento. Embora concebido, produzido, testado e operado em solo nacional, o lançamento foi realizado pela Nasa por meio de um foguete Pegasus disparado a partir de um B52, por conta dos atrasos no desenvolvimento do Veículo Lançador de Satélite nacional.

Seu irmão gêmeo, o SCD-2 foi lançado com sucesso em 22 de outubro de 1998. A bordo de um Pegasus.

O domínio do ciclo completo, com lançamento através de tecnologia nacional tem encontrado vários problemas: de contratempos a desastres. Em 2 de novembro de 1997, o SCD-2A foi destruído junto com o VLS-1 logo após lançamento. Em 11 de dezembro de 1999, o Satélite de Aplicações Científicas 2 (Saci-2) foi perdido com a destruição do VLS-1 também pouco após o lançamento. (O Saci-1 havia sido perdido pouco antes, após uma lançamento bem sucedido, a bordo do foguete chinês Longa Marcha 4B, em em 14 de outubro de 1999.) A tragédia sobreveio em 22 de agosto de 2003, com a explosão em solo do VLS-1 na base de Alcântara-MA, matando 21 pessoas participantes do projeto. De acordo com o Programa Nacional de Atividades Espaciais 2005-2014, o VLS-1 deveria estar operacional a partir de 2007, o que, sabemos, não ocorreu. Em 2010, a nova previsão para o primeiro lançamento do VLS-1 com colocação de satélite em órbita era para 2014.

Considerando-se, ainda, todas as limitações orçamentárias ao longo desses anos e os embargos das nações detentoras da tecnologia, o fato de haver dois satélites inteiramente tupiniquins em órbita - um deles há duas décadas - é surpreendente. Não fora essa hora extra, hoje não haveria mais nenhum satélite 100% brazuca funcional em órbita - os CBERS, família bem mais sofisticada, são fruto da cooperação sino-brasileira.

A saga do Programa Espacial Brasileiro é uma grande representação da capacidade brasileira em C&T. De um lado mostra a qualidade e capacidade dos recursos humanos - que extraem leite de pedra conseguindo resultados inacreditáveis frente ao que tem disponível; de outro, mostra toda a limitação material e financeira a que está sujeita a ciência verde-amarela, mesmo em áreas consideradas sensíveis e estratégicas.

2 comentários:

Sibele disse...

"A saga do Programa Espacial Brasileiro é uma grande representação da capacidade brasileira em C&T" - representação perfeita!

E olha que esse setor conta com uma lei http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9994.htm e um decreto presidencial que a regulamenta http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2001/D3915.htm (verdade que recentes -- um pouco mais de 10 anos -- Mas mesmo assim...)

none disse...

Oi, Sibele,

Pois é. Agora, imagina a precariedade de outras áreas.

Valeu pela visita e comentários.

[]s,

Roberto Takata

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