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domingo, 21 de agosto de 2011

O brasileiro está mais interessado em Ciência e Tecnologia?

Em janeiro deste ano, quando o MCT (atual MCTI) anunciou o resultado da enquete "Percepção Pública da Ciência e Tecnologia no Brasil" realizada em 2010, anunciouenfatizou-se que o interesse do brasileiro em C&T cresceu em comparação com pesquisa realizada em 2006.

No relatório de 2010, é apresentado o seguinte quadro comparativo do interesse dos brasileiros sobre alguns temas (Fig. 1):
Figura 1. Quadro comparativo da evolução do interesse do brasileiro em diversos temas. Fonte: Percepção Pública de C&T no Brasil. 2010. MCT

É, aparentemente, um aumento generalizado do interesse do brasileiro em temas que vão da moda à religião, da política ao meio ambiente. Mas os que respondem "não tem interesse" variaram muito pouco - praticamente dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais.

Na Fig. 2 é reproduzida outra figura do mesmo relatório de 2010 - somente com os resultados desse ano.
Figura 2. Interesse do brasileiro em diversos temas em 2010. Fonte:Percepção Pública de C&T no Brasil. 2010. MCT

Compare-se com o quadro equivalente do relatório de 2006 (Fig. 3).
Figura 3. Interesse do brasileiro em diversos temas em 2006. Fonte:Percepção Pública de C&T. 2006. MCT

Essa figura parece ser reveladora ao reproduzir a pergunta feita em 2006. Aparentemente o efeito interpretado como aumento do interesse do brasileiro nesse período de 4 anos é tão somente o efeito da codificação distinta da pergunta, na edição de 2010 foi apresentado, pelo jeito, quatro níveis de interesse, enquanto na de 2006 eram três níveis de interesse. Aí, o que era "pouco interesse" em 2006 foi dividido em dois níveis: "interessado" e "pouco interessado". Bem como o "muito interesse" de 2006, foi dividido em: "muito interessado" e "interessado".

Em tendo havido uma mudança na pergunta, a real comparação deveria ser como na Fig. 4.
Figura 4. Quadro comparativo da evolução do interesse do brasileiro em diversos temas.

Repare que se dividirmos a barra amarela ("interessado") para os dados de 2010 ao meio e adicionarmos cada parte para "muito interessado" e "pouco interessado", reconstituiremos um gráfico similar aos dados de 2006 (Fig. 5).

Figura 5. Quadro comparativo do interesse dos brasileiros - modificação da Fig. 4: metade de "interessado" de 2010 somado a "muito interessado" e outra metade a "pouco interessado".

Uma possibilidade de comparação entre os resultados é através do índice de interesse calculado na pesquisa de 2006: uma média ponderada de pontos (3 para "muito interesse", 2 para "pouco interesse" e 1 para "nenhum interesse"), normalizando para 3 (na codificação para 2010, o máximo seriam 4 pontos). A Fig. 6 apresenta o resultado.
Figura 6. Comparação dos índices de interesse do brasileiro para diferentes temas.

Provavelmente algum fator de correção seria necessário para compensar o efeito da recodificação. Mas isso só seria possível se pesquisas com as duas codificaçõesformulações fossem realizadas nas mesmas condições. Corrigindo, bastante arbitrariamente, com base no valor das somas dos índices de interesse, obtemos o resultado da Fig. 7.
Figura 7. Comparação dos índices de interesse do brasileiro para diferentes temas. Modificado da Fig. 6 aplicando-se fator de correção correspondente à razão das somas dos índices de interesses dos anos de 2006 e 2010. 2010* dados de 2010 com fator de correção.

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