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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Gene Repórter Ano 6



Hoje*, faz 5 anos da primeira postagem no GR.

Quem quiser concorrer a um exemplar de "Pura Picaretagem" de Daniel Bezerra e Carlos Orsi - com autógrafo deste-, tem até a meia noite (hora de Brasília) de hoje para responder à pesquisa Visão do Brasileiro sobre Ciência, Sociedade e Tecnologia (não se esqueça de usar o código "genereporter" no campo correspondente).**

Nestes últmos 12 meses, o GR recebeu mais de 65 mil visitas - um recorde doméstico. (Obrigado a todos os leitores - mesmo os que só passaram e saíram imediatamente -!)

O GR - juntamente com outros blogues de ciências - foi analisado em:
Oliveira, SM. 2013. Ciência, mídia, estado e sociedade: o discurso de divulgação científica na Internet. Rev. cienti. ci. em curso. v. 1 n. 2.

É o segundo trabalho acadêmico a citar o GR, e o primeiro a analisá-lo - ainda que apenas um trecho. O trabalho procurou estudar, como o nome indica, o discurso de DC, no contexto da gripe A pandêmica de 2009. A autora conclui que os blogues se resumem a praticamente copiar e colar o que é encontrado em outras fontes. Discordo amplamente da conclusão, claro.

A autora diz ainda: "A primeira coisa a observar é que a palavra 'divulgação' não aparece nos blogs selecionados." Considerando-se que a pandemia foi declarada pela OMS como tendo início em 11/jun/2009 e término em 10/ago/2009, para o GR, a afirmação é tecnicamente correta, mas a primeira menção ao termo ocorre já na primeira postagem; a última menção *antes* do período pandêmico é de 13/mai/2009 - pouco mais de um mês antes da pandemia - e a primeira *depois* é de 27/ago/2009 - pouco mais de duas semanas após a pandemia. E a série específica que discute as bases da divulgação científica se inicia em 10/set/2009.

Obviamente por gripe - ainda mais a pandêmica de 2009 - não ter sido meu objeto de estudo, não poderia dar nenhuma informação que não a disponível a partir dos estudos de quem trabalhava com isso. Mas isso é longe de ser um mero "copia e cola".

Em primeiro lugar, despreza todo o trabalho de garimpagem das informações e do retrabalhamento. Só por isso o "copia e cola" seria altamente ofensivo, além de ser uma acusação de plágio. Em segundo lugar, insinua uma visão acrítica em relação às fontes.

Quando julguei que era o caso, uma crítica foi feita, p.e., sobre a alteração do modo de cálculo:
"No Brasil, são, hoje, 45 mortes confirmadas, em 1.566 casos confirmados: 2,87% ou 287 mortes a cada 10 mil casos.

Seria leviano se eu dissesse que foi por isso que o MS adotou uma nova fórmula de cálculo. Distinguindo letalidade, calculada pela divisão do número de óbitos pelo número de casos *graves*, da mortalidade, calculada pela divisão do número de óbitos pelo número de *habitantes*. Tem, aparentemente, anuência da OMS, mas isso tem um potencial de gerar uma distorção mais séria.

No momento, segundo dados do MS, 14,2% dos pacientes diagnosticados com a gripe A(H1N1) desenvolveram um quadro considerado moderado a grave (com sintomas além da febre e da tosse), e 17% dos pacientes diagnosticados com a gripe sazonal evoluíram para o mesmo quadro. No entanto, esses números são dinâmicos - dependendo de uma série de fatores, incluindo o quanto a rede médico-hospitalar está preparada para receber os pacientes, qual será a dinâmica do espalhamento da doença, se o clima será mais severo ou menos rigoroso, se haverá grandes engarrafamentos ou não...

No caso, da mortalidade, de um lado, o número de habitantes no país pode acabar achatando demais os números. 0,015 óbitos por 100 mil habitantes pode não parecer muito. Uma doença com 1 morte por 100 mil habitantes pode parecer mais assustadora. Mas isso pode não se refletir na letalidade da doença - e que tem a restrição acima mencionada.

Verdade que nenhum número por si só dará o quadro completo, mesmo uma coleção de números pode ser enganosa. Mas quando o sistema de cálculo muda, quando as regras do jogo mudam no meio do caminho, isso pode causar confusão de um lado e desconfiança de outro."

Os gráficos todos da série Mala Influenza baseavam-se em dados oficiais - e quais mais eu usaria? -, mas sua feitura (e feiura, admito) envolvia um trabalho original.

Falo pelo meu trabalho aqui no GR, mas certeza que críticas similares à conclusão injusta da autora podem ser feitas pelos autores dos demais blogues estudados.

O GR é pobre, mas é limpinho.

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*Infelizmente em um dia muito triste. Condolências aos familiares das vítimas.

**Upideite(28/nov/2013): Tivemos 63 concorrentes - que preencheram o campo de código com a palavra promocional - e o sorteio foi realizado. O ganhador já foi contatado por email para manifestar o interesse. Caso não haja resposta dentro de uma semana (7 dias corridos), um novo sorteio será realizado.

3 comentários:

Luiz Bento disse...

Não sou da área, mas a conclusão deste artigo é uma piada. Não consigo acreditar que fez parte de uma tese de doutorado.

Bruno de Pierro disse...

Acabei de imprimir o artigo da Simone. Fiquei bem interessado nessa conclusão. Na minha pesquisa de mestrado não chego a dizer que os blogs "copiam e colam" - de fato, acho que eles fazem muito mais do que isso. No entanto, de modo geral, discuto se o ambiente do ciberespaço (não só blogs de ciência, mas redes sociais) conseguem desempenhar o papel de criticar a ciência, mostrar que ela faz parte da cultura, de uma rede complexa. Mas enfim, não posso falar muito ainda, estou numa fase muito prematura da pesquisa, que é na verdade um ensaio teórico.

none disse...

Salve, Bento, de Pierro,

Valeu pela visita e comentário.

@Luiz, um dos problemas que vejo é que ela não define bem o que não seria copiar e colar - não é apenas o que normalmente se entende de copiar e colar: uma reprodução ipsis litteris de conteúdo. Mas será que ela só considera como não sendo copia e cola um blogue que fale o exato oposto do que as autoridades e a comunidade científica diz?

@De Pierro, a humanidade na maioria - na internet ou não - não tem ideia do que seja ciência (qq definição q se dê a ela). Na internet tem o reflexo dessa ignorância (ignorância em parte de rejeição ativa a conhecer) - q está presente tb no recorte populacional dos q têm acesso à internet. Aí se vc soma a organização, a disposição, os recursos e o número: vai ter o barulho dos anticiência, dos defensores das pseudociências.

Mas aí tem uma parte que sabe o q é ciência e contextualizá-la criticamente. Agora, qual é essa parte depende da definição de ciência que se aceita e de q tipo de visão crítica se defende.

Digamos q se defenda a posição popperiana, aí só os popperianos poderiam fazer uma crítica plenamente adequada das ciências.

Se a visão adotada é a kuhniana, só os críticos kuhnianos estão totalmente capacitados.

Ou se é a feyerabendiana, lakatiana, bachelardiana, toulmiana, watkiniana, mayriana etc...

Claro que é possível se relaxar os critérios de modo a se reconhecer o ponto de vista distinto como válido - ainda que não se concorde com este. Mas é complicado relaxar a ponto de considerar todas essas perspectivas válidas - ao menos potencialmente: em vários pontos chaves são diametralmente opostos. Um humiano discordaria frontalmente de que o critério de avaliação das ciências é em relação à felicidade da humanidade, pe.

Agora, mm definindo o ponto de vista a partir do qual se considera a crítica válida e fundamentada - qq q seja ela; essa crítica é evidentemente fracassada no sentido de despertar uma visão crítica fundamentada às ciências por parte da população em geral - a maior parte está alheia a isso.

[]s,

Roberto Takata

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