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segunda-feira, 24 de março de 2014

Cosmos: Uma Odisseia Midiática

Cosmos foi ao ar pela primeira vez em 1980 pela rede pública educativa americana PBS. Os treze episódios foram apresentados por Carl Sagan e se tornaram um grande sucesso de público - ao menos dentro dos parâmetros de um TV educativa. Entre meus muitos defeitos morais está o fato de jamais de ter assistido à série completa - nem em suas reprises, nem em DVD.

O primeiro episódio de Cosmos: A Spacetime Odyssey (que a NatGeo Brasil resolveu chamar de Cosmos: Uma Odisseia no Espaço), uma atualização do clássico bancada por Seth MacFarlane como produtor e tendo Neil deGrasse Tyson como apresentador, foi ao ar dia 9 de março último pela rede privada Fox (um canal aberto nos EUA). A audiência estimada foi de 8,5 milhões de telespectadores (entre o canal Fox e outras 10 redes do mesmo grupo como National Geographic e FX), o que coloca como a 3a. atração televisiva mais vista no horário nobre. Parece promissor como um programa de divulgação de ciências, porém a rede Fox investiu pesado em sua produção e divulgação (os valores não foram divulgados). Se será o suficiente para animar os executivos e os patrocinadores, não sei dizer - apenas posso torcer para que seja e que a audiência aumente no decorrer dos episódios.

A pretensão de deGrasse é passar uma "perspectiva cósmica" aos espectadores: visualizarmos nosso lugar no Universo - vivemos ao redor de uma estrela dentre bilhões de uma galáxia dentre bilhões, e partilhamos nossas origens com cada ser desta Terra e com os corpos deste sistema solar, que há uma história profunda de bilhões de anos pregressos em que a matéria passou por várias transformações desde o início de nosso Universo visível.

A perspectiva dos executivos, no entanto, certamente é bem mais paroquial - no tempo e no espaço. Prestígio, ok. Entreter e informar os espectadores também. Porém o importante é haver retorno financeiro. Vendas de espaço publicitário e de produtos associados: blu-rays, direitos de transmissão em outros países (a Globo comprará os direitos para retalhar a série no Fantástico?). Até por isso não incentivo a pirataria sob qualquer desculpa - é fácil encontrar um torrent com a versão em alta definição, mas se não tem como assistir em seu pacote de TV por assinatura, espere pelo lançamento em DVD ou blu-ray: valerá a espera e valerá cada centavo. Não é para dar lucro aos donos da Fox ou enriquecer ainda mais Seth MacFarlane - quer dizer, é, mas não é esse o objetivo final. O que precisamos é demonstrar que investir em divulgação científica de qualidade (e não aquelas de produções sobre monstros, assombrações e alienígenas) compensa.

Um fracasso financeiro de Cosmos redundará em resistência das empresas de entretenimento em apostar no filão. Um sucesso retumbante certamente abrirá as portas para novos empreendimentos do gênero.

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No Brasil, por enquanto, é transmitido pelos canais Fox (incluindo Fox Sports, FX e NatGeo), que só estão disponíveis por assinatura. A diferença de tempo é relativamente pequena: enquanto nos EUA os episódios são exibidos aos domingos, por cá são às quintas. Por que decidiram passar apenas em definição normal e não em alta definição é um mistério (o primeiro episódio passou em HD nos canais especiais da Fox e NatGeo, mas o segundo episódio foi exibido apenas em SD).

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Abaixo uma relação de postagens sobre o novo Cosmos em outros blogues:
Upideite(11/abr/2014): Evolução da audiência da série Cosmos desde a estreia na TV FOX americana
Figura 1. Evolução da audiência ao vivo da série Cosmos (FOX) desde a estreia (não inclui visualizações posteriores por DVR e reprises). Fonte: Nielsen (via Zap2it)

2 comentários:

rafael-hls disse...

Depois de uma olhada nos documentários "históricos" da bbc. È bem pasteurizado...entretanto é melhor do que nada.

none disse...

Salve, Rafael,

Tem muitos docs excelentes da BBC sobre ciências. Como o clássico Connections de James Burke.

Valeu pela visita e comentário.

[]s,

Roberto Takata

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