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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Relação jornalista x pesquisador

Abaixo seguem minhas anotações de palestra do Prof. Ricardo Whiteman Muniz - bacharel de Direito, jornalista, mestre em Sociologia da Religião pela Metodista de São Paulo, editor da revista Ensino Superior da Unicamp - para o curso de Especialização em Jornalismo Científico do Labjor/Unicamp no dia 03/nov/2014. (Imprecisões e erros são de minha inteira responsabilidade.)

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Relação entre jornalistas e pesquisadores

"não é possível avançar sem um retorno (crítico) ao básico"

Educação no Brasil: capital humano e valor posicional
- base da distinção social, mais do que como fonte de aprendizado e qualificação
- diplomas = títulos de nobreza.

DNA da notícia degeneração
novidade informação velha, requentada
importância entretenimento
interesse sensacionalismo
proximidade provincianismo
originalidade achismo
oportunidade efeito mercado

"fidelidade canina à verdade factual"
"crítica diuturna ao poder onde quer que se manifeste"

jornalismo: fazer coletivo -> refação
Ben Goldacre: 3 família de paródias científicas criadas pelos meios de comunicação
- matérias excêntricas;
- matérias para meter medo;
- matérias sobre avanços retumbantes, gloriosos, para já.

Por que insistir na interação?
- visibilidade, interesse, apoio;
- prestação de contas;
- informação do debate democrático;
- para o bem da ciência.

Mônica Teixeira:
- necessidade do contraditório: os problemas do 'outro lado', artigos científicos;
- abusos de formas como 'may, might';
- avaliador tem dificuldade para ler o artigo;
- uso de idioma é objeto de críticas pormenorizadas e violentas;
- palavras-chave das revisões mais comuns são: muito específicas, vagas, jargões, equivocadas, confusas e prolixas;
- contexto e objetivos da pesquisa não são apresentados com suficiente clareza;
- avaliadores não encontram originalidade na pesquisa nem a novidade dos resultados apresentados;
- raramente encontra-se o enunciado de uma controvérsia, como se os pesquisadores tivessem perdido o gosto pela argumentação, pela defesa de um ponto de vista, pelo confronto de ideias.

Conselhos para abrir espaço na mídia:
- bom release, título noticioso, clareza no contexto;
- todo bom repórter está atrás de exclusividade, de um 'furo': só garantir exclusividade se puder e for cumprir;
- dedicar tempo e paciência;
- não exigir revisar a reportagem ou a entrevista: colocar-se à disposição para checagens;
- padrão-ouro: disponibilizar boas imagens e esboços/esquemas para infografia;
- se você gostaria de ver apenas uma análise publicada, apenas escreva um texto redondo, com sugestão de título e no tamanho habitualmente publicado pelo veículo, acompanhar a publicação em que você deseja espaço;
- para influenciar no longo prazo e contribuir na formação de uma rede de fontes - eventos talhados sob medida para jornalistas.
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O jornalista Lucas Conrado escreveu em seu blogue Meus Pensamentos sobre a experiência pessoal dele nessa relação - em especial em seu trabalho no Ciência Hoje.

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