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domingo, 23 de abril de 2017

SUS e "Medicina Alternativa": Plantas medicinais e fitoterapia

Continuando a série sobre as PICs - práticas integrativas e complementares - no SUS, vamos analisar o que a literatura científica traz a respeito de uso de plantas medicinais e fitoterápicas e sua eficiência na prevenção e cura de doenças.

.plantas medicinais e fitoterapia
>O que é?: "terapêutica caracterizada pelo uso de plantas medicinais em suas diferentes formas farmacêuticas, sem a utilização de substâncias ativas isoladas, ainda que de origem vegetal". PNPIC/MS 2006.
(O fitoterápico é "o medicamento obtido empregando-se exclusivamente derivados de drogas vegetais. É caracterizado pelo conhecimento da eficácia e dos riscos de seu uso, assim como pela reprodutibilidade e constância  de sua  qualidade. Não se considera fitoterápico aquele que, na sua composição, inclua substâncias ativas isoladas, de qualquer origem, nem as associações destas com extratos vegetais." Netto et al. 2006. Ao contrário das plantas e suas partes in natura e preparados caseiros, o fitoterápico é um medicamento e para sua comercialização é preciso registro na Anvisa, com comprovação de sua eficácia e só pode ser prescrito por um médico.)
>Status: funciona a depender da planta, do preparado e da condição.
É ofertado pelo SUS como PIC desde o estabelecimento do PNPIC em 2006.
WHO Monographs on Selected Medicinal Plants. Série de monografias.
>> A OMS tem publicado uma série iniciada em 1999 de coleção de monografias sobre plantas medicinais selecionadas (de uso amplo em todo o mundo) com o nome, descrição, usos terapêuticos, efeitos adversos e referências da literatura cienífica. Até o momento são 4 volumes (somando 117 monografias) da série principal, mais um volume, de 2010, com 30 monografias sobre plantas medicinais utilizadas em países recentemente independentes e da Europa Central e do Leste.
Bent, S. 2008. Revisão da eficácia e segurança de 10 plantas medicinais mais utilizadas nos EUA.
>>funciona: soja para hipercolesterolemia;
>>possivelmente funciona: Gingko biloba (demência, claudicação), alho (hipercolesterolemia), erva-de-são-joão (St. John's wort: depressão leve a moderada), kava kava (ansiedade);
>>não funciona: soja para sintomas da menopausa.
>>ausência de indício sólido para: Echinacea (infecção do trato respiratório superior), ginseng (desempenho cognitivo e físico), hortelã-pimenta (peppermint: dor de estômago, síndrome do intestino irritável), gengibre (náusea);
>>sem dados de qualidade: camomila (insônia, problemas gastrointestinais);
Alexandre et al. (2005a) e Alexandre et al. (2005b) revisam os estudos para 8 plantas de maior uso no estado de Santa Catarina:
>>funciona: kava (ansiedade, mas mais estudos necessários para efeitos a longo prazo)
>>possivelmente funciona: gingko (claudicação, Alzheimer e demência em pessoas idosas), hipérico (depressão leve a moderada), castanha-da-índia (insuficiência venosa crônica;
>>ausência de indício sólido para: valeriana (distúrbios do sono), alcachofra (hipercolesterolemia), ginseng (desempenho cognitivo e físico), maracujá (ansiedade).
Nota: A despeito da grande diversidade e do intenso uso popular de plantas medicinais no Brasil, há poucos trabalhos publicados de consolidação de estudos sobre o tema. Carvalho et al. 2008 fazem um levantamento dos fitoterápicos registrados na Anvisa, as espécies com maior número de registros de derivados foram: gingko (Ginkgo biloba), castanha da índia (Aesculus hippocastanum), alcachofra (Cynara scolymus), hipérico (Hypericum perforatum), soja (Glycine max), valeriana (Valeriana officinalis), ginseng (Panax ginseng), sene (Cassia angustifolia, Cassia senna e Senna alexandrina), cimífuga (Cimicifuga racemosa), guaco (Mikania glomerata), espinheira-santa (Maytenus ilicifolia), boldo (Peumus boldus), guaraná (Paullinia cupana). Destes, apenas guaco, espinheira-santa e guaraná são nativos da flora brasileira, o que parece ser um bom indicativo da falta de pesquisa no país. Rodrigues et al. 2011 relacionam 26 plantas comumente utilizadas como medicinais no Brasil paras as quais há trabalhos relatando efeitos embriotóxicos, teratogênicos e/ou abortivos.

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