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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Blackawton é aqui. (To the infinity and beyond!)

Mais um pra coleção das histórias edificantes da educação científica. Não é um projeto tão de ciência pura como o das mamangabas de Blackawton, nem deve render uma publicação em revista científica de prestígio; mas é igualmente um exemplo de dedicação e envolvimento de diversos agentes em benefício da aprendizagem científica dos alunos.

Um grupo de estudantes do quinto ano da escola municipal Tancredo Neves, em Ubatuba-SP, sob orientação do professor de matemática e de outros, além do apoio de técnicos e de grupo de empresários está construindo um satélite didático para ser posto em órbita.

A história detalhada pode ser lida no site da Agência Fapesp (via @robelisario). E o relato Sergio Mascarenhas, diretor do IEA/USP no Blog do Chico (via @ciensinando)*.

Os satélites TubeSats devem começar a ser lançados pela empresa Interorbital por meio de foguetes próprios (aos aficionados em tecnologia de foguetes: modelo IOS N45) neste trimestre de 2011.

Claro que mesmo a ciência de foguetes não é ciência de foguetes - há vários fatores complicadores que podem tornar inviável um lançamento ou terminar em desastre (como os acidentes da corrida espacial e a tragédia de Alcântara nos ensinam) -, mas é uma tecnologia relativamente bem testada. E mesmo que o satélite dos alunos de Ubatuba nunca venha a ser lançado, certamente as crianças terão aprendido muito - não apenas sobre eletrônica, astronáutica e outras áreas de alta tecnologia: mas o papel fundamental do trabalho coletivo - deles, sobretudo, e de toda a comunidade que parece ter acolhido o projeto com entusiasmo.

A corrida espacial foi também um esforço coletivo - ou dois, dos americanos, de um lado, e dos soviéticos, de outro. Só os EUA investiam algo como 4% do PIB no programa espacial no auge da disputa pela primazia do espaço (no 100nexos, do Kentaro Mori, um resumo espetacular dessa aventura).

Os alunos de Ubatuba têm a oportunidade de vivenciar esse espírito - natural e felizmente sem o contexto de competição militar. Como no caso das mamangabas de Blackawton, temos o feliz encontro da curiosidade e motivação infantis e uma visão dedicada de um educador igualmente entusiasmado.

Tenho vontade de dizer "tomara que dê tudo certo", mas, sob uma certa perspectiva, já deu tudo certo - não importando o resultado final.

Se a indigência em que nos encontramos quanto à alfabetização científica nos assusta e o crescimento do interesse declarado na população por C&T nos alenta, iniciativas como a do Prof. Candido Osvaldo de Moura** e seus colaboradores (adultos e mirins) pode ser o passo a cerrar esse lapso entre o interesse e o conhecimento sobre ciências (e o uso do conhecimento científico).

E, se isso ocorrer, aí, mermão, é partir pro abraço, rumo ao infinito e além.

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Sim, claro que esse modelo em específico não é reprodutível em larga escala. Só o kit do satélite - incluindo o valor do lançamento - é coisa de 8 mil dólares; mas, como demonstram as abelhas de Blackawton, experimentos singelos - e mais baratos - também podem ser altamente recompensadores. O fator limitante é, assim, menos o dinheiro do que uma mentalidade aberta para além do ensino engessado predominante em escolas que pretendem ter nos alunos peças de uma linha de montagem.



(Vídeo via @clauchow. Tradução da transcrição aqui.)

*Upideite(12/jan/2011): Adido a esta data.
Upideite(29/mai/2013): Alunos do projeto participarão de simpósio no Japão.
**Upideite(29/mai/2013): As fontes divergem sobre o sobrenome do professor. Segundo alguns é Souza, pra outros é Moura.

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