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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Liguem para o sapo: um conto em contas

Tomei a declaração do cineasta Fernando Meirelles de que ninguém liga para o sapo pesquisado pelos cientistas, que é preciso contar uma história e deixar a numeralha de lado, etc. como um desafio.

Mas, antes, um recado do Calíquio:

"Liga pra mim!"

Abaixo um conjunto de números de por que devemos ligar para o sapo, a rã, a perereca, a cecília, o tritão, a salamandra e outros demais amiguinhos anfíbios nossos. Há várias histórias aí, não estruturadas, questão de ligar os pontos.

Spoiler alert: não tem princesas.
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Imagem: modificada de Pixabay.
- Há cerca de 6.000 espécies conhecidas de anfíbios;
- 1.896 espécies estão em perigo iminente de extinção;
- Aproximadamente de 35 a 130 espécies extinguiram-se desde 1500, entre 9 e 122 desapareceram desde 1980;
- Considerando-se somente os casos de extinção, a taxa atual é 211 vezes a taxa de extinção de fundo;
- Incluindo-se as espécies em perigo iminente de extinção, a taxa atual é de 25.039 a 45.474 a taxa de extinção de fundo;
(Dados e referências em McCallum 2007)

Figura 1. Taxa de extinção de anfíbios. Estimativa inferior e superior do número de espécies extintas de anfíbios desde o ano de 1500 AD. Fonte: McCallum 2007.

- Em uma reserva temperada metropolitana de 80,9 hectares na região de Charlotte, Carolina do Norte, EUA, estima-se haver 105.824 espécimes e 12 espécies de anuros;
- O valor comercial total estimado dos anfíbios na área foi de US$ 6.021.007;
- Valor médio de US$ 56,90 por indivíduo;
(Witzczak & Dorcas 2009)
- No alagado de Elleton Bay, Carolina do Sul, EUA, com 10 ha de área, foram capturados 392.605 anfíbios ao longo de um ano compreendendo 17 espécies;
- O valor comercial total estimado da amostra foi de US$ 3.605.848;
- Desses, US$ 3.413.821 correspondem a girinos produzidos ao longo de um ano;
- Valor médio de US$ 9,18 por indivíduo;
(DeGregorio et al. 2014)

- Um levantamento de 2002 a 2011, em poças d'água de 34 sítios nos EUA, encontrou um declínio anual médio de 3,7% de ocupação das poças por pelo menos uma de 48 espécies de anfíbios;
- Para os anfíbios listados como ameaçados pela IUCN (International Union for Conservation of Nature) a taxa de declínio foi de 11,6% ao ano;
(Adams et al. 2013)

- 6 causas principais de perda de biodiversidade que atuam sobre o declínio dos anfíbios:
a) exploração comercial; b) espécies introduzidas/exóticas competidoras, predadoras e parasitas; c) mudanças de uso de solo; d) contaminantes; e) mudanças climáticas; f) doenças infecciosas emergentes;
.causas históricas (atuando há séculos): a, b, c; causas recentes: d, e, f.
.declínio/extinção: c, e, f; declínio: a, b, d
(Collins 2010)

Serviços ecológicos, econômicos e culturais prestados pelos anfíbios:
- provisão de recursos: alimento e medicamentos: 4.716 ton./ano de pernas de rã (maior parte retirada da natureza);
- controle de pragas e vetores;
- cultural: personagens, fotografias, motivos artísticos, animais de estimação;
- suporte ecológico:
.ambientes aquáticos - dinâmica de nutrientes, bioturbação, cadeia alimentar: controle de população de algas, redução de acúmulo de sedimentos;
.ambientes terrestres - controle de população de invertebrados, alteração física de hábitat e ciclo de nutrientes: redução da decomposição foliar (predação de invertebrados detritívoros);
.fluxo entre ecossistemas (aquático/terrestre);
.alteração física do ecossistema: alteração da taxa de sedimentação e fluxo (eliminação de macrófitas e perífito), escavação de solo;
(Hocking & Babbit 2014)

Upideite(16/set/2015): Mais alguns números.
- Girinos em rios neotropicais mantêm populações de algas até 50% menor do que se não estiverem presentes;
(Ravestel et al. 2004)
- Tritão-de-pintas-vermelhas (Notophthalmus viridescens viridescens) adulto consome 439 ± 20 mosquitos/dia;
- Larva de salamandra-toupeira (Ambystoma talpoideum) consome 316 ± 35 mosquitos/dia;
- Em uma área de 10ha de alagados, uma população de 50.000 anfíbios/ha pode consumir 100.000 larvas de mosquito/noite;
- Há estudos de correlação indicando que áreas de alagados com anfíbios contém até 98% menos mosquitos do que áreas sem anfíbios;
(DuRant & Hopkins 2008)

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