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sábado, 29 de agosto de 2009

Caçando paraquedistas

O Scienceblog Brasil fez uma blogagem coletiva procurando atrair interneteiros incautos que procurassem por outros temas sob o mote: "Cientista também caça paraquedista". (Ok, essa introdução provavelmente lhe é inútil, já que certamente você sabia disso.)

O resultado foi, não inesperadamente, um tanto enviesado para o lado sexual. Embora sem um rigor de um levantamento estatístico apropriado, os temas sexuais foram exclusivos (Upideite (31/ago/2009): isso já não é mais verdade, já que Tatiana Nahas do Ciência na Mídia fez esta postagem) predominantemente dos blogueiros homens - dominantes (numericamente) em relação às blogueiras de ciências.

Sem entrar em questionamentos sobre o que tais escolhas refletem sobre.. aham, a visão de mundo de cada bloguista, creio que a caça seria mais proveitosa se se utilizassem uma metodologia, digamos, mais científica. Como?

Analisando-se as palavras e expressões mais procuradas pelos interneteiros. Há várias ferramentas disponíveis, uma das mais famosas é o Google Trends. Sim, ela, claro se baseia nos termos pesquisados no Google. Mas, como a campanha é voltada para os usuários desse sistema de busca, é mais do que apropriado.

As expressões mais procuradas no Google, no Brasil, nos últimos 12 meses são:
  1. jogos
  2. orkut
  3. youtube
  4. fotos
  5. videos
  6. globo
  7. musicas
  8. uol
  9. musica
  10. msn
Um aspecto que salta aos olhos é o fato das palavras mais pesquisadas referirem a nomes de sítios web bem conhecidos: orkut, YouTube, Globo, UOL, MSN - para isso bastaria escrever na caixa de endereços. Se se analisa o que as pessoas procuram relacionados a esses sítios, verificamos que são serviços comuns: no UOL, o Rádio UOL e o bate-papo; no orkut, as mensagens e recados; no Globo, esportes, novelas, rádio e TV; no MSN, o Hotmail e o Messenger. Um doce para quem adivinhar o que buscam no YouTube - sim, videos (e, ok, música). Isso parece refletir a inabilidade em busca e navegação por parte dos interneteiros brazucas (não, tio Houaiss, não vou escrever brasuca!) - alternativamente poderia refletir um gosto mais amplo: buscam "música" sem se importar exatamente com o estilo, com o grupo musical; ou que confiam muito nos resultados do Google (que se ajustam um tanto ao gosto dos usuários) - mas, na falta de maiores indícios em contrário, fico mais com a hipótese de que os brasileiros não sabem fazer pesquisa objetiva mesmo. (Há uma outra alternativa que não se pode descartar - a presença ostensiva de nomes de companhias pode ser fruto de ações das próprias empresas para elevar sua posição e se destacar: conseguindo uma publicidade gratuita. Outra possibilidade é que os usuários façam uma busca direcionada a sítios específicos: p.e. "letra musica caminhoneiro roberto carlos uol".)

Nota-se ainda que jogos, videos e músicas são os principais interesses. Sexo parece ser mesmo coisa para meninos - ao menos em relação à busca na internet. Sim, o Google não faz distinção pelo sexo dos usuários - ainda... Mas podemos ver pelos termos que mais cresceram entre as buscas.
  1. jogos de meninas
  2. youtube
  3. esporte
  4. hotmail
  5. globo
  6. vivo
  7. jogos online
  8. jogos
  9. vagalume
  10. tradutor
Nota-se em primeiro lugar "jogos de menina". Isso reflete bem que a internet não é mais domínio dos homens. Ou seja, as escolhas dos paraquedistas pelos scibloggers é focado em apenas uma parte do público da internet. Pode-se argumentar que o interesse por ciências é, tanto quanto por sexo (ao menos como busca na internet), uma característica eminentemente masculina - a predominância de XYs entre os bloguistas de ciências deve refletir esse fato. Mas, por outro lado, não seria então mais interessante diversificar a freguesia? Especialmente considerando-se que a caça é por paraquedistas?

Uma outra palavra que chama atenção é "vagalume". Uma análise mais detalhada indica que é um sítio web de música no UOL. Entre as buscas chama a atenção que "vagalume gospel" é a quinta colocada entre as que mais crescem (dentro dessa subcategoria) - indicando uma forte presença de evangélicos na internet (o que não espanta dado que constituem uma fração considerável da população - cerca de 1/5 do total -, isso também explica a presença aborrecida e ostensiva do criacionismo diletante na web).

Upideite(01/set/2009): Fernanda Polleto, do Bala Mágica, nos comentários do Ciência na Mídia chama a atenção para a filtragem do Google de certos termos em sua listagem final. Considerando-se isso, ainda assim temos: preco (92) à frente de sexo (79), que empata com celular, messenger e radio. Outros termos: televisão (80), saude, escola, casa, trabalho de casa, internet (81), uol, dinheiro (84), brasil, computador (86), terra (88), msn (90)...

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