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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Microcefalia e zika: mudança de critério *aumentou* importância do surto

Saiu o novo boletim epidemiológico do Ministério da Saúde sobre os casos de microcefalia, o primeiro desde a alteração do critério, se, como desconfiaram alguns, essa mudança tivesse sido introduzida para diminuir o impacto do surto, bem, o que ela fez foi *aumentar* a diferença entre a média dos anos anteriores e o total de casos em 2015: com os valores do último boletim, o aumento da incidência sobre a média era de 8 vezes, agora é de mais de 11 vezes.*

Tabela 1. Casos suspeitos de microcefalia no Brasil.
Até 05/dez/2015. Fonte: MS.
região casos
2015
média
2010-2014
2015/média
Brasil 1.761 156,2 11,3
PE 804 8,6 93,5
PB 316 4,2 75,2
BA 180 10,6 17
RN 106 1,8 58,9
SE 96 1,6 60
AL 81 3,4 23,8
CE 40 6,6 6,1
MA 37 3 12,3
PI 36 3 12
TO 29 1,2 24,2
RJ 23 12,4 1,9
MS 9 0,8 11,3
GO 3 3 1
DF 1 2,2 0,5

Goiás, Distrito Federal e Rio de Janeiro não parecem estar em meio a um surto local de microcefalia: com número de casos em 2015 não muito maior (no caso do DF, menor) do que a média dos anos anteriores.

No protocolo de vigilância de microcefalia e zika, do Plano Nacional de Enfrentamento à Microcefalia no Brasil, há algumas estimativas para os níveis inferior e superior da incidência de zika em várias unidades da federação. O texto reconhece que é uma estimativa bastante limitada. Plotando-se os valores contra a incidência de microcefalia em 2015, não parece haver uma relação entre os números (Fig. 1).

Figura 1. Casos reportados de microcefalia x incidências estimadas de infecção por zika na população. Fonte: MS.

*Upideite(08/dez/2015): Pode-se argumentar, não completamente desprovido de razão, que é arriscado dizer que o aumento se deva à mudança de critério - estritamente ter-se-á razão: certamente mais casos novos seriam incluídos no novo boletim com o critério antigo. Não obstante, a média entre 2010-2014 não foi alterada. Não sei se os valores incluíam ou não os casos de bebês com perímetro cefálico entre 32,1 e 33 cm. Se incluem, significa que a base é ainda menor - ou seja, o aumento é ainda maior. Se não incluem, a comparação dos valores do boletim anterior é que estavam artificialmente infladas, ainda assim os novos números são maiores.

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