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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A incrível geleira que não derreteu (ou derreteu?)

É um problema sério. Uma comida de bola, sim. Ponto.

No caso das taxas de degelo do Himalaia não se seguiu o rigor usual necessário. Não se utilizou os melhores dados científicos disponíveis. Sim, o relatório do IPCC é uma obra complexa e, como tal, sujeita a erros. E erros não saem de graça.

Arranha a imagem. Sim. Ponto.

Agora, não é o fim do mundo para o relatório. As principais conclusões seguem firmes e fortes. Inclusive os dados ainda apontam, sim, para o derretimento das geleiras himalaias - só que não à taxa sugerida no IPCC 4.

Upideite(22/jan/2010): Uma boa análise do caso no blogue Ecopolítica do jornalista Sérgio Abranches.

11 comentários:

Ari disse...

Takata,
Não é bem assim, há outras alegações do IPCC que não são apoiadas por literatura revisada:
Cerca de 20 a 30% das espécies vegetais e animais avaliadas até agora são susceptíveis de estar em maior risco de extinção se os aumentos na temperatura média global superior a 1,5-2,5 ° C (média de confiança).
Média confiança que eu saiba é pouca diferença de par ou impar, por isso não deveria nem constar no relatório. Bem pior que as geleiras do himalaia (que comentei aqui em 2 de dezembro) pode ser visto em: http://rogerpielkejr.blogspot.com/2010/01/castles-built-on-sand.html. Mas parece que o debate sobre o clima está tomando o rumo do qual nunca deveria ter saído: realclimate e judith curry comentando o artigo Lindzen e Choi 2009, vários estudos sobe sensibilidade climática aparecendo (alguns argumentando para maior e outros para menor sensibilidade). Esses embates entre Pachuri, Monckton, Monbiot, J Romm, etc não tem realmente importancia para a ciência. Essas declarações de manter CO2 em X para limitar aquecimento em Y não estão fundamentadas em ciência estabelecida.

none disse...

A questão da extinção, há vários trabalhos que procuram relacionam o aquecimento global com risco de perda de biodiversidade - especialmente por alterações no hábitat. Há bastante discussão a respeito de quão grande seria o efeito, por isso não cravaram como "muito provável" ou algo assim (como é o caso do aumento da temperatura média futura).

Uma chance de 50% é algo a ser considerado. Se vc tem 50% de chance de ser atropelado, é um risco muito sério.

Qto ao texto de Pielke, basta ver o que o WGII fala: "Once the data were normalised, a small statistically significant trend was found for an increase in annual catastrophe loss since 1970 of 2% per year (see Supplementary Material Figure SM1.1). However, for a number of regions, such as Australia and India, normalised losses show a statistically significant reduction since 1970. The significance of the upward trend is influenced by the losses in the USA and the Caribbean in 2004 and 2005 and is arguably biased by the relative wealth of the USA, particularly relative to India."
http://www.ipcc.ch/pdf/assessment-report/ar4/wg2/ar4-wg2-chapter1.pdf
--------

Os dados que fundamentam a discussão da limitação das emissões dos gases-estufa (lembre-se sempre que qdo se fala em CO2, está a se falar em equivalentes de CO2) são bastante consistentes sólidos.

[]s,

Roberto Takata

Ari disse...

Pode parecer pouco, mas é um bom começo: http://www.nature.com/news/2010/100120/full/463284a.html
As incertezas são muitas e agora parece que elas serão aos poucos esclarecidas, mais personagens serão admitidos nos estudos. Mas o mais interessante desse artigo e citarem o nome MacIntire sem um ataque pessoal.
Quanto ao que Pielke disse em sua conclusão foi: The claims made by the IPCC about the relationship of disasters and climate change, expressed most clearly in the figure above, were not simply made in violation of IPCC procedures. The claims were not just wrong. The claims were based on knowledge that just doesn't exist. Again, not good.
Isso pra mim é bem pior que do que o problema do Himalaia, só que não tem glamour.

Ari disse...

Nossa!!
Errar nomes é feio.
Nome correto:Steve McIntyre.
abraços.

none disse...

Ari,

Sim, há muitas incertezas. Mas em relação ao aquecimento global antropogênico as bases são bem sólidas.

Em relação ao que Pielke disse, eu já reproduzi o trecho do GW2, não tem nada de estapafúrdio.

[]s,

Roberto Takata

Ari disse...

Takata,

Faço comentários no intuito de aprender e contribuir. Já comentei que não estou preocupado com as alegações de negacionistas e alarmistas. Estou preocupado em como questões políticas, alarmismo infundado, interesses obscuros que influenciaram um orgão que deveria ser o orientador das políticas ambientais de todos os países do planeta. Reformar o IPCC para que o AR5 tenho solidez é urgente e necessário. Se o IPCC continuar tomando partido de grupos, ONG´s, em lugar de TODO o leque de pensamentos e estudos estritamente científicos, ele perderá credibilidade. Li WG2 todo e, o que eu vi, foi um relatório eivado de previsões que se equiparam à astrologia ou exame de entranhas de animais.

none disse...

O IPCC é um órgão imenso (não tanto quanto vários outros órgãos da ONU, mas maior do que a maioria dos comitês com cientistas) e o relatório, um trabalho gigante. Houve uma falha grave em um ponto. Não é o caso de chutar o pau da barraca e jogar tudo para o alto. Basta se ater exatamente ao princípio orientador de usar os melhores indícios científicos disponíveis.

É como falar que a Seleção de 1970 deveria ter sido banida da Copa porque o Pelé chutou uma bola para a arquibancada.

Ajustem podem e devem ser feitos. Agora, reforma... Pra começo de conversa: que tipo de reforma? O que muda? Como muda? Em que isso altera?

[]s,

Roberto Takata

Ari disse...

Takata,
Não tenho gabarito para responder estas questões. Talvez DerSpiegel tenha
http://www.spiegel.de/international/world/0,1518,673944,00.html

abraços

none disse...

Ari,

Não chamaria de 'reforma' as alterações propostas. Concordo com duas delas: "The IPCC peer-review should be made more robust, with quality assurance overriding deadlines. A formal mechanism should be put in place to correct errors after publication." Que são mais aperfeiçoamentos do que modificações de procedimentos.

Uma mudança na presidência seria só uma ação cosmética - do tipo dar carne aos leões.

[]s,

Roberto Takata

Ari disse...

Takata,
Sinceramente, gosto de vir aqui e aprender com seus artigos. Sou leigo demais para opinar sobre IPCC. Mas quando um personagem como Andrew Weaver http://www.windsorstar.com/technology/Canadian+scientist+says+global+warming+panel+crossing+line/2487264/story.html um dos principais autores do IPCC chuta o balde é porque a coisa está num nível de stress insuportável. Acredito que ele quer tomar as rédeas do processo antes que a coisa desgringole de vez. Sabemos que há importantes potências que não tem nenhum interesse em reduzir CO2 ou poluição. Um IPCC manco é tudo que precisam para não fazer nada
abraços
paulo

none disse...

Bem, pra não fazerem nada não é preciso muita coisa.

Se não for o presidente do IPCC, arranjam outra desculpa.

[]s,

Roberto Takata

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