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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Canem et circensis

Abaixo uma relação, parcial (acrescento à medida em que souber de mais), de postagens na blogocúndia cientófila sobre a ação de ativistas dos direitos animais que invadiram o Instituto Royal e removeram/resgataram/roubaram beagles e coelhos usados em experimentação.*

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Rainha Vermelha Salvemos todos os bichos fofos
DNA Cético - Protetores de animais fofinhos
Nightfall in Magrathea Ou será que estou errado?
Ciência na Mídia O uso de animais na pesquisa científica
Improviso Científico Sobre beagles e imperfeição científica
Leconnector A verdadeira questão
Física sem Educação Animais, beagles e testes
NEUROtícias Cão de pesquisa que late não morde: uma reflexão sobre experimentação animal.
Haeckeliano Aranhas, Beagles e as Mentiras que os Cientistas contam
Darwin & Deus Por um punhado de beagles
Prisma Científico Snoopy e a experimentação animal
Discutindo Ecologia Sobre beagles, ativismo e divulgação científica
Teoria de Tudo Os gatos-bonsai do Instituto Royal
Blog da Sciam A controvérsia no caso dos beagles do Instituto Royal
Lygia da Veiga Pereira A Escolha de Sofia - os beagles ou eu?
Prisma Científico Por que modelos computacionais não podem substituir os modelos animais?
Comentários, Críticas, Dicas, etc. Pesquisas de estimação
DNA Cético Beagles que não largam o osso
DNA Cético Enquanto isso, na Europa...
Sonhos do Neuro Os direitos dos animais e a lógica ativista
Rock com Ciência Uso de animais em pesquisas e testes (podcast)
42 1 Macaco e Meio, um filme com Luisa Mell sobre a invasão do Instituto Royal que ninguém quer ver
Você que É Biólogo Sobre Beagles e Exoesqueletos
Ciência na Mídia Duas lógicas
Animalogos Beagles, o Instituto Royal, experimentação e activismo animal: a polémica no Brasil (blogue de Portugal)
CiênciaPop #SciCast 007 - Testes com Animais (Parte 1) (podcast)
Ciência na Mídia As fases da pesquisa clínica
CiênciaPop #SciCast 008 - Teste com Animais (Parte 2) (podcast)
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Meus pitacos:

De 97 a 99,5% das substâncias testadas in vitro - como em culturas de células - não apresentam o efeito desejado (ou mesmo apresentam efeitos nocivos). Dos 0,5 a 3% dos compostos que passam nesses testes, 83 a 92% são reprovados em testes com animais. Dos 8% a 17% (dos 0,5 a 3%), de 36 a 70% falham nas fases iniciais dos testes em humanos.

Repare-se que cada etapa funciona como um filtro e a taxa de fracasso diminui (ou, alternativamente, a taxa de sucesso aumenta), já que lidamos com sistemas que são mais similares.

Se testássemos direto em humanos, a fase mais cara e técnica e eticamente mais complicada (você nem tem humanos isogênicos e nem pode e muito menos deve criá-los), uma fração muito maior de testes terminaria em fracassos - e precisaríamos aumentar muito seu número absoluto para que se mantenha o mesmo número de novos compostos ou de tratamentos descobertos em um dado intervalo de tempo.

Certamente esse sistema de filtragem acaba removendo substâncias que poderiam ser benéficas ao corpo humano, ainda que não demonstrassem efeito positivo quer in vitro, quer em modelos animais. Mas a fração desses compostos tende a ser pequena.

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Há que se considerar que as mídias sociais não são representativas da população em geral, mas parte da reação demonstrada por muitos parece indicar que há muito trabalho de esclarecimento a ser feito junto à população. E, mais do que isso, um trabalho de convencimento.

Em um caso, uma pessoa quis me convencer no facebook de que modelos em PVC poderiam ser um bom substituto de animais em pesquisas de desenvolvimento de novos medicamentos. Esses modelos podem ser úteis em atividades didáticas de anatomia e algumas instruções sobre procedimentos cirúrgicos bem estabelecidos, mas seguramente é incapaz de reagir a compostos medicamentosos.

Fonte: Imagem da esquerda, Photoshop usado em campanha contra o uso de animais; à direita, criança acometida por varíola - doença erradicada por vacinas produzidas com o uso de animais.

Entre os ativistas abolicionistas dos testes com animais com quem debati, nenhum demonstrou conhecer os termos da Lei Arouca que regula a experimentação animal - frise-se que o tamanho amostral não é grande e certamente constitui-se em amostra viciada; mas considero importante que todas as partes tenham um conhecimento básico sobre a regulamentação legal do tema.

O mais importante de tudo é que casos de maus tratos e outras irregularidades sejam denunciadas às autoridades, como o Concea e o Ministério Público.

Upideite(24/out/2013): A Lei Arouca foi regulamentada pelo DEC 6.899/2009. Para críticas sobre a lei e o regulamento, veja, p.e., Bonella 2009 e Reynol 2009.

*Upideite(16/nov/2013): Procurei fazer um levantamento mais completo possível, mas certamente vários devem ter escapado. Fiquem à vontade para indicar omissões. A listagem aqui, claro, não se trata de um endosso ou declaração de concordância com os teores de cada postagem dos blogues relacionados (embora eu concorde de modo geral com a maioria deles). Somente dois textos acabei não relacionando - mesmo concordando no geral com o teor de cada um: por critério altamente subjetivo de adequação linguística.

6 comentários:

Rafael G Tavares disse...

Fala Takata,

O ponto da polêmica, sem dúvida, na minha opinião, é mais uma vez a falta de comunicação entre as partes: cientistas e sociedade. E na panela, você adiciona mais uma pitada de domesticação exarcebada,que vivemos nos tempos atuais, com o melhor amigo do homem.
Situação perfeita para a manipulação e atuação dos marqueteiros ativistas. Isso é claro na imagem do cachorro e do menino que mostrou.
A biologia será a revolução que a física foi no século passado?

abraço

none disse...

Salve, Tavares,

Valeu pela visita e comentário.

Certamente falta diálogo - embora eu não esteja certo de se um diálogo seria suficiente de todo modo.

A biologia *já* fez uma revolução até maior do que a física - com a teoria da evolução biológica. Em termos de aplicação tecnológica, boa parte do que comemos tem origem em conhecimentos biológicos: melhoramento genético e cruzamentos seletivos - sistematizando processos que eram aplicados há milênios, mas de modo bem menos eficiente.

[]s,

Roberto Takata

Nuno Henrique Franco disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nuno Henrique Franco disse...

Partilho aqui o link para um post sobre este caso, num blog em português (do outro lado do Atlântico)de autores com uma ligação profissional ao mundo animal.

Animalogos

none disse...

Salve, Franco,

Muito obrigado pela visita e indicação.

O tema está mesmo rendendo. Agora com repercussão internacional.

[]s,

Roberto Takata

Nuno Henrique Franco disse...

Grato pela atenção, Takata. Será sempre bem-vindo ao nosso blog.

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