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domingo, 27 de dezembro de 2009

Cientistas aos olhos da literatura ocidental

Roslynn Haynes da University of New South Wales fez um levantamento de como as obras literárias ocidentais representam os cientistas. Ela identificou sete (o número mágico) tipos:
  • O alquimista malévolo;
  • O cientista nobre: heroi ou salvador da sociedade;
  • O cientista tolo: o ingênuo virtuoso do século 17 ou o professor com a cabeça nas nuvens;
  • O pesquisador inumano: do romatismo;
  • O cientista aventureiro: viajando no tempo e no espaço;
  • O cientista louco, malvado e perigoso: inescrupuloso no exercício do poder;
  • O cientista destrambelhado: incapaz de controlar o resultado de seu trabalho
Dos quadrinhos e dos desenhos animados podemos identificar, p.e., Victor von Doom (o Dr. Destino inimigo do Quarteto Fantástico), Reed Richards (o Sr. Fantástico do mesmo quarteto), Poindexter (amigo do Gato Félix), o Alto Evolucionário (do Universo Marvel), Dr. Benton C. Quest (pai de Johnny Quest), várias versões de Lex Luthor (arqui-inimigo de Superman) e Dexter (não o assassino serial, mas o garoto com seu laboratório).

Haynes chama esses tipos de arquétipos. Não sei se chegam a tanto. É possível se identificar tipos menores - tirando os que mesclam essas características, outros que não se encaixam bem nem em uma nem em outra categoria. Peter Parker (o alter-ego do Homem-Aranha) é um cientista interrompido - esporadicamente tentando retomar sua carreira de bioquímico/físico - suas aventuras não têm a ver diretamente com seu lado cientista (embora seja resultado indireto de sua curiosidade científica). Viktor Frankenstein, como originalmente concebido por Mary Shelley não parece ser do tipo maluco, nem está a salvar a humanidade, nem é aparvalhado - embora sua criação lhe traga problemas -, ou aventureiro por si só, nem está acima dos interesses humanos.

A distorção da imagem do cientista é confirmada por Vílchez-González & Palacios 2006 com episódios de desenhos animados exibidos na Espanha.

Agora, do mesmo modo como uma nave imperial explodindo em silêncio no vácuo do espaço não teria nenhuma graça, um Dr. Emmet Brown todo sério, tentando obter sua verba de pesquisa de um instituto de fomento não despertaria muita empatia.

Referências

Haynes, R. 2003 - From alchemy to artificial intelligence: stereotypes of the scientist in Western literature. Public Understanding of Science 12(3): 243-53.
Vílchez-González, J.M. & Palacios, F.J.P. 2006 - Image of science in cartoons and its relationship with the image in comics. Phys. Educ. 41: 240-9. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1088/0031-9120/41/3/006

4 comentários:

Ju Galak disse...

Acho que minha família me classifica como o último tipo (o termo "destrambelhado" ajuda bastante).

none disse...

Oi, Ju,

O original era 'helpless' - mas 'desamparado' não me pareceu a melhor tradução.

Mas vc aí com seu sabre de luz... : )

[]s,

Roberto Takata

Ju Galak disse...

E o Tony Stark?

none disse...

Stark é mais engenheiro do que propriamente um cientista.

[]s,

Roberto Takata

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