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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Entrevista com um jornalista de ciências - Bernardo Esteves

Abaixo uma ligeira entrevista com Bernardo Esteves (mantendo o hábito de dar informações que todo mundo conhece: autor de Domingo é dia de ciência, blogueiro do Para um outro lugar, e atualmente editor da Ciência Hoje Online) sobre... é, você adivinhou: ciência e jornalismo.

GR: O diploma de nível superior não é obrigatório para o exercício da profissão. Você acha que o diploma tem importância para o ofício de jornalismo? Por quê?

BE: Sim, considero um diploma importante, mas não necessariamente de jornalismo. Uma formação em história, ciências sociais, economia ou biologia pode preparar muito bem quem quiser seguir essa profissão, a depender do ramo do jornalismo em que ele(a) pretende atuar. A técnica propriamente jornalística se aprende com o dia-a-dia da redação, e as aulas práticas na universidade contribuem de forma limitada para isso. O bom jornalista precisa ter uma cultura geral sólida e um grande domínio da língua portuguesa - um curso universitário de jornalismo deveria privilegiar mais esses aspectos do que a dimensão prática do ofício.

GR: Como você faz para se manter atualizado de todas as novidades da área? É possível decifrar as publicações científicas ou se valem mais dos releases das publicações para entenderem o que foi feito?

BE: Procuro me manter atualizado por meios variados, que incluem comunicados de imprensa de universidades e centros de pesquisa, imprensa especializada, blogues de ciência, feeds RSS diversos e, cada vez mais, o Twitter de atores variados da divulgação científica (pesquisadores, instituições, publicações etc.). Um recurso importante são os resumos para a imprensa preparados pelos periódicos mais importantes (Nature, Science, PNAS, PLoS etc.) e distribuídos com uma semana de antecedência com sistema de embargo. Isso permite que os jornalistas se preparem, consultem especialistas e preparem suas matérias com mais cuidado. Papers de algumas áreas são mais fáceis de se entender e destrinchar. Em alguns casos, no entanto, perdemos o chão logo nos primeiros parágrafos. Nesses casos, procuramos recorrer, sempre que as condições (leia-se o prazo) permitem, consultar algum cientista da área que nos ajude a interpretar e avaliar o trabalho.

GR: Com casos de fraudes e outros problemas, você considera que o conhecimento científico pode ser considerado confiável? Por quê? Como não sendo especialista no assunto pode conferir a correção do que é apresentado pelos cientistas? Acha que um cidadão comum tem mecanismos para fazer essa conferência?

BE: Esse é um problema delicado. Com a complexificação crescente do conhecimento científico, é fato que questões técnicas estão cada vez menos ao alcance do cidadão leigo. Nesse contexto, uma imprensa especializada capaz de assumir uma postura crítica em relação aos cientistas ganha um papel central na fiscalização dessa atividade para a sociedade (que -- não custa lembrar -- a financia com seus impostos). Mas não se trata de julgar se a ciência é confiável ou não: é preciso que os cidadãos entendam o conhecimento científico como algo que é construído e negociado, sujeito a revisões, contradições e superações à medida que emergem novos fatos e pontos de vista.

GR: Qual a importância do conhecimento de ciências na vida do cidadão comum? E do jornalismo de ciências?

BE: O papel do conhecimento científico é cada vez mais importante na vida dos cidadãos, e acredito que essa tendência vá se acentuar com o passar do tempo. Hoje em dia saber um pouco de ciência é condição básica para o próprio exercício da cidadania. A tomada de posição nas eleições para o legislativo e o executivo depende disso: qual é a política energética do seu candidato? E a posição dele em relação às mudanças climáticas? Aos testes com embriões humanos? Aos transgênicos? À nanotecnologia? Questões como essas tendem a ganhar importância na esfera pública. Nesse contexto, o jornalismo científico tem um papel fundamental na medida em que pode dar aos cidadãos elementos que os ajudem a formar sua opinião em relação a temas como esses.

11 comentários:

Ari disse...

Enquanto os jornalistas de ciências continuarem negando (que ironia!)que há um problema sério com a ciência do clima e como isso pode ser resolvido, a batalha da opinião pública continuará sendo perdida. Olhe os comentários nos blogs Laboratório, Marcelo Leite e no seu. Olhe no google "climategate" (26.000.000 referências). Se não houver análises isentas sobre o assunto, adeus AGA.

Ari disse...

Veja também os comentários do UOL/AMBIENTE, e inacreditável, olha quantos se dão ao trabalho de dizer que não estão engajados na enquete UOL/Ambiente.

none disse...

Tudo o que os comentários dos blogues mostram é que os negacionistas são insistentes.

É como achar que a teoria da evolução é uma furada pela opinião dos criacionistas.

[]s,

Roberto Takata

Ari disse...

Alguem tem localizar rápido quem são os negacionistas da da NOAA que apresentam um trabalho desses:
ftp://ftp.ncdc.noaa.gov/pub/data/paleo/icecore/greenland/summit/gisp2/isotopes/gisp2_temp_accum_alley2000.txt
Alguem tem que ajustar esses dados que mostram claramente LIA e MWP, e que o Holoceno coincide com o surgimento da civilização. Isso está completamente fora do contexto! Obra de algum negacionista insistente.

none disse...

Ari,

Boa tentativa. Mas a assinatura isotópica do C-13 não ajuda sua tese.

http://genereporter.blogspot.com/2009/10/aquecimento-global-parte-3-de-3.html
---------------

[]s,

Roberto Takata

Ari disse...

Não ajuda mas não destroi. Controversia é sempre bom né? Ajuda reforçar uma tese.
Mas a falta de cuidado com estudos não ajuda em nada:
http://news.bbc.co.uk/2/hi/south_asia/8387737.stm
Takata, não sou pesquisador nem tenho pretensão de ser. Só acho que às vezes é muito bom dar um passo atrás para poder dar dois à frente. A reação dos cientistas que estão à frente do processo do IPCC a esse problema todo não está ajudando em nada. Não há em nossa sociedade nada que possa sobrepujar o poder economico. Cada frase, cada virgula, cada numero sera escrutinado. E sinceramente, não vejo por parte dos cientistas respostas convincentes para responder às questões. O apelo à autoridade não ajuda em nada. E pior, vivemos em um mundo de fantasia: O governo brasileiro leva propostas fajutas para Copenhague(qualquer partido que estivesse no poder faria o mesmo), enquanto incentiva a industria automobilistica, investe verdadeira fortuna no pré sal, quando se investisse em tranporte público resolveria o caos das nossas cidades e estradas e levaria o grande premio: redução de CO2!!!
É o certo a fazer, sem nenhuma polêmica. E porque não vejo nada disso na grande mídia?
Esse comentário é longo porque será o último por algum tempo. Cansei de não encontrar nada viável e de bom senso para essa questão.
abraços

none disse...

Não ajuda e coloca o ponto (variação natural, não antrópica) em situação delicada. A assinatura isotópica é típica das fontes de combustíveis fósseis usadas por nós.

Qto às críticas às ações realizadas pelo governo - e outros setores - são pertinentes.

Parte da crítica à torre de marfim tb.

[]s,

Roberto Takata

Jose Porfiro disse...

Jornalistas científicos não são muito diferentes dos jornalistas convencionais.
De toda forma, no caso da formação o entrevistado foi bem prudente.

blog: jporfiro.blog.uol.com.br

none disse...

Porfiro,

Obrigado pela visita e pelos comentários.

Sim, em muitos sentidos, não é de se esperar diferenças: afinal, são todos jornalistas.

Mas considerando-se a especialização espera-se algumas particularidades (como se espera de um jornalista de economia, de política, de artes...).

Não concorda?

[]s,

Roberto Takata

Perdro Carlos disse...

Cara, fantastica a entrevista.... é bom ver blogs ligadois com ambiente e ciencia!!

Se puder veja meu blog, tem um perfil de um personagem popular

http://domingodemadrugada.blogspot.com/

none disse...

Pedro Carlos,

Valeu pela visita e pelos comentários.

[]s,

Roberto Takata

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