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sexta-feira, 4 de maio de 2012

Jogo dos erros 3

Ricardo Augusto Felício, da Geografia da FFLCH/USP, deu uma entrevista ao Programa do Jô na quarta-feira (02/mai/2012). É uma entrevista de quase meia hora de duração, então o trabalho de transcrição é pesado. Publicarei aqui os trechos em várias postagens, junto, claro, com as contestações das alegações do geógrafo.

1'13: "Começa que já nem é uma teoria [Jô Soares falava sobre o derretimento do gelo do continente antártico pelo aquecimento global]. Isso é uma hipótese, então não (sic) carece de prova científica."
O professor já começa com uma estranha concepção de hipótese (muito comum entre os negacionistas da evolução) como uma conjectura sem base. Sendo que, em ciências, hipótese é uma explicação testável para um fenômeno em particular, enquanto que teoria é uma explicação testável para uma classe mais ampla de fenômenos.


1'25: "Não tem prova científica do aquecimento global. São 26 anos, na verdade são 3.000 anos que essa história já existe. Nossos pesquisadores da equipe da ClimaGeo já foram buscando essa informação. Já se discutiu isso nas ágoras das pólis gregas: se cortasse árvore iria mudar o clima do planeta. No senado romando se fariam ou não os aquedutos porque iria mudar o clima. E por aí foi até hoje nós estamos com essa historinha, mesma coisa: o clima vai mudar, o clima vai mudar, o homem mexe no planeta, não sei o quê e não mexe nada."
Deixando de lado a questiúncula a respeito de provas e indícios, há indícios muito sólidos do aquecimento global como apresento na série sobre o aquecimento global antropogênico.

2'38: "A gente tem que tomar muito cuidado com isso porque isso são ações locais e não são ações planetárias. [...] As alterações são muito pequenininhas, as cidades de São Paulo faz o seu microclima por exemplo, né. Aí o clima global é outra coisa. O discurso desse pessoal é que a cidade altera o clima do planeta, portanto a cidade tem que se adaptar à mudança do clima que ela mesmo fez. Mas peraí, é um raciocínio circular, né?"
O professor está correto em diferenciar alterações locais de microclima de alterações em escala global. Mas ele cria um espantalho ao dizer que a questão é a alteração em uma cidade em particular. A quantidade de gases-estufa (em especial o CO2 - e também o metano) lançada na atmosfera é em escala global - por cidades e campos espalhados por todo o globo.
(Detalhe menor: se alguém defendesse o espantalho criado por Felício, seria um argumento errado, mas não circular.)

3'11: "Não, o gelo derrete e congela de novo, né? Tem os ciclos, isso já é muito conhecido, desde o final da Segunda Guerra Mundial. Primeiro que o próprio cenário de guerra era o cenário polar, né? A gente está acostumado a sempre ver o mundo naquele... no planisfério, acha que os EUA está do lado de cá, a Rússia está do outro lado, eles vão se matar por mísseis por cima do Atlântico, né? Não, eles vão se matar em cima do polo. Na verdade eles estão pertinhos um do outro, né? Então conhecimento do gelo, já na época militar, já é muito difundido. Então o próprio Ano Geofísico Internacional em 1957 até 1958, estendido até 1959, a primeira missão dos americanos foi atravessar os polos e inclusive colocaram um submarino nuclear no polo. Isso exatamente [por baixo da calota polar]. O primeiro foi o submarino Nautilus, que conseguiu em 1957 atravessar o polo todo, e o submarino Skate, ele conseguiu furar o gelo, quer dizer, eles já sabiam exatamente onde estão as dolinas, né, que são as aberturas no gelo do ártico pra poder colocar arma de guerra lá. Então o clima e o militarismo estão sempre andando juntos."
De fato, há um ciclo de derretimento e congelamento do gelo polar. Mas ocorre que, pelo que podemos saber, a cada ciclo *menos* gelo congela do que o que derreteu (Figuras 1 e 2)
Figura 1. Variação da extensão de derretimento do gelo ártico. Fonte: GISS/Nasa.
Figura 2. Variação da massa glacial antártica. Fonte: Nasa.

4'30: "Não, não [não está subindo]. O nível do mar continua do mesmo lugar. Tem, tem [esse papo]. Essa história também, ah, as calotas estão derretendo. Não. Primeiro que se fosse derreter alguma coisa, teria que ser a Antártida, então aí sim você teria a elevação do nível considerável. Mas, pra derreter a Antártida, cá pra nós, você teria que ter uma temperatura na Terra, assim, uns 20 ou 30 graus muito mais elevado."

4'56: "Não [o nível do mar não está subindo]. Ele tem pequenas variações. Por exemplo, só o El Niño, que é um fenômeno completamente natural, varia o mar meio metro. E aí, os piores cenários do IPCC, que é o Painel Intergovernamental para Mudanças do Clima, o pior cenário deles é 50 cm. Em 100 anos."
É verdade que há oscilações no nível dos oceanos, mas os dados mostram uma tendência de aumento. Vide o gráfico na resposta ao Molion (Figura 4). E como vimos na Figura 2, a Antártica está perdendo gelo, mesmo longe desses 20 graus de variação. O pior cenário é um pouco maior: 59 cm (excluindo os efeitos da mudança na dinâmica do gelo), mas a questão é que seria uma elevação permanente e por todos os oceanos - e não uma alteração temporária e localizada.

5'23: "Tem [uma medição feita pelo capitão Cook]. Acho que é de 1780, mais ou menos. No mesmo lugar, o nível do mar está no mesmo lugar."
Não está no mesmo lugar nem ali. O nível está subindo -  mesmo a região da marcação não sendo uma região geologicamente inerte conforme comentado na resposta a Molion.

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Upideite(04/mai/2012): Seguem mais trechos da transcrição.


5'37: "Tem uma situação mais engraçada. Eu fui fechar minha conta num banco que se diz sustentável, essas coisas. Eu odeio essa história, né? 'Mas o senhor faz o quê?' 'Eu sou professor de climatologia.'Uh! O mundo vai acabar!' Eu: 'Ai, meu deus...' E assim, as pessoas estão desesperadas. O mundo vai acabar. O aquecimento global virou o bode expiatório para todos os males da humanidade."
Tirando a questão anedótica (no sentido de ser só um exemplo sem representatividade estatística) e o franco exagero como "bode expiatório de todos os males da humanidade", há, sim, uma parcela dos defensores da hipótese do aquecimento global que exageram nas consequências - ultrapassando o limite do catastrofismo. É questão de uma análise serena sobre os dados, indicando uma tendência de aumento da temperatura vinculada a efeitos da atividade humana (emissão de gases-estufa e modificação do uso da terra, entre outras) e que há um bom grau de incerteza a respeito da situação futura. Nesse cenário de incerteza é que devemos ser cautelosos e tomar medidas para evitar possíveis consequências ruins - o princípio da precaução.

6'16: "Esse [o efeito estufa] é o pior de todos. Esse é uma física impossível. De jeito nenhum [o mundo acaba em 2012]. O efeito estufa é a maior falácia científica que existe na história, né? Primeiro que ele é baseado num conceito científico que não existe. A Terra tem essa temperatura porque ela tem atmosfera, recebe energia do Sol, tem uma interação com a atmosfera e por lei dos gases, note, não é uma teoria, é a lei dos gases: pressão, temperatura, né?, e volume. Então por causa de ter uma atmosfera, nós temos essa temperatura. Ai, eu adoro essa discussão que os aquecimentistas, que são os que trabalham pro lado do aquecimento global: 'Não, o maior exemplo de que o CO2 realmente acaba com o planeta Terra, acabaria com o planeta Terra é Vênus.' Aí eu falo: 'Ah é?' 'É.' 'Então qual é a pressão atmosférica na superfície de Vênus?' 'Hã, não sei.' 'É. São 90 vezes a pressão atmosférica da Terra.' Portanto, a temperatura lá é de 400 graus na superfície, não é por causa do CO2, é por causa da pressão atmosférica da atmosfera de Vênus. Não, essa física [do efeito estufa] não existe.'"
Concordo em um ponto com o entrevista: o mundo não acaba em 2012. Mas a preocupação não é com 2012, 2013, 2014 (bem, essa é pela Copa)... mas, sim, com um cenário de 20 a 30 anos ou mais. Quanto ao efeito estufa, ele não é baseado em um conceito científico: é baseado em dados reais - da natureza e de laboratório. O efeito estufa é, sim, o efeito de aumento da temperatura pela presença de uma atmosfera. Mas a lei dos gases ideais não pode ser a explicação pelo simples fato de se ignorar o fluxo de energia: à noite a temperatura atmosférica é menor, mesmo se a pressão local não se alterar. Por outro lado, Mercúrio tem uma temperatura superficial média muito maior do que a da Terra (167°C contra 15°C), mesmo com uma atmosfera com uma pressão de apenas 10^-15 bar, em comparação com 1,014 bar em nosso planeta.**
O princípio físico do efeito estufa é simplesmente a capacidade térmica (grandeza que relaciona a variação de temperatura de uma substância  ao receber uma determinada quantidade de energia) dos gases e o perfil do espectro de absorção de energia eletromagnética dos gases.
Além disso, o papel do CO2 na temperatura de Vênus é bem estabelecido, vide, p.e Wildt (1940), Pollack et al. (1980)Prinn & Fegley (1987).*

8'07: "Que não existe. Camada de ozônio é uma coisa que não existe. A história do ozônio é conhecida como, né, nos cientistas sérios, não esses que estão aí vendidos, chapa-branca que a gente chama, não é? Trabalham pra governos, empresas, etc. e tal. Cientistas sérios, o próprio pai da coisa, é o Dobson, que no Ano Geofísico Internacional se propôs a ir a Antártica justamente pra saber qual era a variação do ozônio na camada... na calota polar. Ele já sabia que o ozônio desaparecia completamente na Antártida. E aí, de lá pra cá, os caras desaparecem com essas informações e falam que é o seu desodorante que destrói a camada de ozônio."
Verdade que, tal como o degelo e o congelamento e o nível dos oceanos, há uma variação cíclica. Porém, há uma tendência de longo prazo nessa variação (Figura 3). A concentração de ozônio sobre a região Antártica tem uma tendência de queda desde o início das mediçõesa década de 1970 a 1980***, a tendência é revertida em meados da década de 1990 - quando as medidas de banimento dos CFCs surtiamcomeçaram a surtir efeito (Figura 4).


Figura 3. Evolução da concentração atmosférica de ozônio sobre a região antártica. Fonte: Nasa.

Figura 4. Evolução da concentração atmosférica de CFCs - em verde, região antártica. Fonte: NOAA.

Além disso, está bem estabelecido em laboratório a ação de moléculas de clorofluorcarbonos na decomposição de ozônio, por exemplo, Wong et al. 1992.

9'09: "É, aí quando você vai ver o que acontece, é a quebra das patentes do CFC, dos gases refrigerantes. Então em 1987 começam a terminar as patentes, elas começam a se tornar públicas, você não precisa mais pagar royalties pra elas, então a indústria toda que detém essas patentes lançam um substituto chamado HCFC, que é um organofluorclorado como qualquer outro, mas custa, né, o CFC passa a custa US$ 1,38/kg, o outro passa para US$ 38/kg. Mas a grande vantagem é que ele não funciona em nenhuma das geladeiras anteriores, ar-condicionado e tudo o mais. Então é extremamente sustentável você ter que vender, jogar tudo fora e comprar tudo novo. Hoje as patentes vencem em 25 anos, então o discurso agora é os HCFCs, milagrosamente se descobriu que eles também fazem mal pra camada de ozônio e aquecimento global."
A ação do HCFC sobre o ozônio era conhecida desde o começo, ocorre que, à época, era uma das melhores alternativas, já que, por sua meia-vida mais curta, seu efeito é muito menor do que os freons usados até a época do banimento: e.g. Solomon et al. 1992; Ravishankara et al. 1994;

Upideite(06/mai/2012): 2a. parte: Jogo dos Erros 3b.
*Upideite(07/mai/2012): adido a esta data.
**Upideite(11/mai/2012): Há também uma inversão de causalidade - a atmosfera de Vênus não é quente por causa da pressão, mas a pressão é alta por causa da temperatura; do mesmo modo como uma fonte externa de energia aquece a água da panela de pressão, fazendo com que a pressão interna aumente.
***Upideite(14/mai/2012): Para uma revisão sobre a camada de ozônio e o papel dos CFCs, vide Rowland (2006).
Updeite(14/mai/2012): Nos comentários, Alexandre Lacerda, indica textos sobre o tema que ele traduziu do Skeptical Science: "O Guia Científico do Ceticismo quanto ao Aquecimento Global" e "Os argumentos céticos e o que a ciência diz sobre eles".

22 comentários:

Francisco disse...

Esse Dr. foi da banca do doutorado da Daniela Onça: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8135/tde-01062011-104754/pt-br.php

none disse...

Salve, Francisco,

Sim. Comentei de passagem aqui: http://neveraskedquestions.blogspot.com.br/2011/10/requentando-o-negacionismo-2.html, onde rebate outra alegação do professor.

Valeu pela visita e comentário.

[]s,

Roberto Takata

Alex Costa disse...

Prezado,
Só retificando, a afirmação sobre a pressão e a temperatura é mais absurda ainda do que o que vc apontou. A pressão atmosférica em uma dada camada nada mais é do que o peso (massa vezes gravidade) da atmosfera acima desta camada por unidade de área. Ou seja, é independente da temperatura. Exemplos claros e opostos são Mercúrio, de atmosfera extremamente tênue, mas superfície quente, e Júpiter, que é todo gasoso, com pressões colossais, capazes de produzir hidrogênio metálico no interior do planeta), porém frio. As duas (temperatura e pressão), ao variarem independentemente, determinam o "volume", ou melhor a altura geopotencial de uma dada camada na atmosfera do planeta em questão.
Aproveito para parabenizar pelo belo trabalho de desmistificar ponto a ponto os absurdos anti-científicos proferidos por aquele bufão.

none disse...

Salve, Costa,

Grato pela visita e comentário.

Sim, a pressão tem a ver com o peso das camadas acima. Mas há forte influência da temperatura tb.

[]s,

Roberto Takata

Alexandre disse...

Olá Takata,

Acabei de conhecer teu blog através do email de um amigo, e foi uma grata surpresa. Voltarei.

Sei que a especulação sobre motivos subjacentes pode ser um exercício inútil, mas algumas vezes já me perguntei por que a Geografia da USP parece produzir tantas declarações desse tipo do Felício.

Fiz a tradução para o português dos argumentos mais populares do Skeptical Science, incluindo também o pdf do Guia Científico do Ceticismo quanto ao Aquecimento Global. Traz várias referências sobre evidências empíricas do aquecimento antrópico, numa linguagem acessível. Se quiser dar uma olhada, talvez encontre algo que seja útil pra facilitar alguma explicação sua aqui.

Abraço

none disse...

Salve, Lacerda,

Seja bem-vindo e obrigado pela visita e comentários.

Já subi na postagem os links para as suas traduções.

O "Interdependência" é seu blogue?

[]s,

Roberto Takata

Alexandre disse...

Não, eu não tenho blog.

A respeito do teu post original: o limite superior da margem de incerteza do IPCC é, de fato, de 59 cm. Entretanto, nesse cálculo eles excluem variações na dinâmica das geleiras, por dificuldade de modelá-la.

Em função disso, a variação do nível do mar tem sido o item em que o IPCC errou mais, e errou para menos. As demais projeções, de temperatura e evolução do CO2, estão se mostrando bastante acertadas.

Nos comentário que vejo a respeito, parece haver um consenso de que a projeção do IPCC está subestimada, embora não se consiga ainda precisar em quanto.

none disse...

Salve, Lacerda,

Exatamente. Daí a observação: "(excluindo os efeitos da mudança na dinâmica do gelo)". Vamos ver como ficam as projeções no 5o relatório.

Aqui faço uma comparação entre as previsões nos relatórios do IPCC e os dados reais posteriores: http://genereporter.blogspot.com.br/2012/05/como-estao-as-previsoes-sobre.html

[]s,

Roberto Takata

Alexandre disse...

Legal, falta eu me familiarizar com o conteúdo do teu blog...

Abraço e até.

Bruno disse...

Ah, vai se foder. Escrever as opiniões do cara em cinza e as críticas em preto, pra ninguém ler as idéias, só as críticas? Vai à merda.

none disse...

Shame on you, Bruno.

Vai tomar um pouco de ar. Pra quê tanto ódio no coração?

Claro que eu dou destaque ao meu texto, por que seria diferente?

A ideia não é fixar as falas do Prof. Dr. Felício, a ideia é fixar as minhas argumentações de porque Felício está errado.

Agora, é bobagem dizer "pra ninguém ler as ideias [de Felício]". Do contrário, nem colocaria link para a fonte (e só isso bastaria), nem teria o trabalho de fazer a transcrição e postar no blogue.

Qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento - e é mínimo mm - se achar q está difícil de ler (e não quiser ir até o vídeo da entrevista) pode ajustar o brilho e o contraste da tela, ou, ainda mais fácil: selecionar o texto - que ficará (na configuração default do Windows) em branco sobre fundo azul marinho.

Além disso, na parte final da série coloco as falas de Felício em outra cor: http://genereporter.blogspot.com.br/2012/05/jogo-dos-erros-3d.html

Sua tese não tem, portanto, o menor fundamento.

Roberto Takata

G.L. Queiroz disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Queiroz disse...

Eu gostaria de saber o quê que o professor Ricardo Augusto Felício quis dizer com "Camada de ozônio é uma coisa que não existe" em 8´07. Agradeço se alguém puder me elucidar essa dúvida.

none disse...

Salve, Queiroz,

A minha interpretação é que como não se trata de uma camada fixa - como uma camada de bolo, mas algo que varia em concentração, espessura e altura de modo dinâmico ao longo do tempo e espaço, ele quer caracterizar isso como uma não-camada.

Valeu pela visita e observação.

[]s,

Roberto Takata

José Matos disse...

Olá Tanaka, muito boa crítica

Todos abismados com os argumentos utilizados por um professor da USP, tudo bem que ele utilizou de um linguajar popular, no entanto Molion, que deve ser o grande mentor, usa-se de argumentos muito mais sólido no canal livre da Band.

Fato é que grandes transgressões marinhas e glaciações estão registradas na história da Terra. É claro que o tempo geológico tem uma escala totalmente diferente da escala de tempo antrópica, o que faz toda diferença. Mas, o que penso ser o mais importante nessa discussão é quanto nós realmente influenciamos para o aquecimento global, já que erupções vulcânicas e processos internos da terra (como metamorfismo e intemperismo)também contribuem com CO2 na atmosfera, não sei qual a proporção. Além disso, qual seria o fator principal para o fim das glaciações há tempos atrás?
No livro um pouco alarmante de James Lovelock a Vingança de Gaia (praticamente Nostradamus) ele credita a maior abundância de vida, principalmente nos oceanos, a menores temperaturas na Terra, porém não cita os motivos que levaram o fim das glaciações. Na verdade é um coisa que não sei também... rs.

Como geólogo fico meio na dúvida, do fator antrópico, mas, como não sou especialista nem um estudioso do assunto fica meio difícil argumentar!

Parabéns pelo Blog e pela postagem!

none disse...

Salve, Matos,

Grato pela visita e comentários.

O problema com as demais fontes: atividade solar, atividade vulcânica, El Niño... embora certamente influenciem na temperatura, basicamente apresentam uma variação em torno de uma média mais ou menos estável. Não explicam bem a tendência de aumento da temperatura. A única fonte conhecida com tendência de aumento é a emissão de gases do efeito estufa pela atividade humana.

Na parte 2 e 3 da série sobre o AGA discuto outras fontes:
http://genereporter.blogspot.com.br/2009/09/aquecimento-global-parte-2-de-3.html
http://genereporter.blogspot.com.br/2009/10/aquecimento-global-parte-3-de-3.html

Veja ainda a figura desta página (claro, o texto tb):
http://www.aip.org/history/climate/summary.htm
------------

Em relação às glaciações, bem os cientistas q estudam o fenômeno também não sabem exatamente o que leva ao início e ao fim de cada episódio. Uma das hipóteses são os ciclos de Milankovitch, mas há outras.

[]s,

Roberto Takata

Andre Bohn disse...

É bom cuidar com o que posta na lixonet,

Você poderia passar todos os seus artigos científicos? Publicações em revistas científicas sérias?

Onde encontro seu currículo, ou especializações em climatologia?

Você já foi para a Antártica assim com o Prof. Felicio fazer pesquisa? Você fez estudos lá?

Fico indignado como se papagaiam coisas que não são provadas, assim como a imprensa a serviços dos grandes centros econômicos.

O café já foi vilão e amigo do corações 1 milhão de vezes de acordo com o Fantástico...



none disse...

Andre Bohn,

Grato pela visita.

Meu currículo está disponível no lattes. Não tenho nenhum curso formal de climatologia. Mas se sugere que com isso as minhas críticas não procedem, está indo por um caminho ruim - já que o currículo de outros cientistas que defendem a hipótese do AGA são muito mais robustos do que, p.e., do Dr. Felício ou do Dr. Molion.

Ou seja, se for por análise de currículo, o negacionistas estão em maus lençóis.

A análise de currículo, como eu disse alhueres, só tem alguma importância quando outras informações não estão tão facilmente disponíveis - quando podemos analisar os argumentos a partir de dados, mas optamos por analisar currículos, incorremos no que os lógicos chamam de falácia do argumento da autoridade.[1] (Note-se que eu disse isso *contra* uma crítica feita aos negacionistas.)

Um exemplo dessa falácia seria eu desprezar seu comentário por *você* ter um currículo pior do que o meu nesta questão. Outro exemplo, é você desprezar as informações que posto aqui no GR - todas referenciadas em estudos sólidos e cientificamente avaliadas pelos pares - por meu currículo ser pior do que o do Dr. Felício no tema.

Então analisemos os dados. Eles estão colocados às claras nas minhas postagens. Não são dados tirados da cartola: as fontes estão indicadas. E dei o melhor de mim para obter as melhores fontes disponíveis, com rigor científico, metodologia conhecida e acreditada. (Não são dados do Fantástico. São dados da Nasa, são dados publicados em revistas como a Science, Nature, Bulletin of the American Meteorological Society, Journal of Climatology, etc.)

[1] http://neveraskedquestions.blogspot.com.br/2012/05/carta-aberta-do-prof-dr-asher-kiperstok.html

Roberto Takata

ImperaGeo disse...

Sou estudando de Geografia e fico Feliz por ter lido excelente postagem Parabéns!!!

Ass: Bernardo

none disse...

Salve, Bernardo,

Grato pela visita e comentário.

Eu que fico feliz com sua leitura.

[]s,

Roberto Takata

turma ppgbio disse...

Acredito mais na opinião do Dr. Ricardo Augusto Felício, do que no IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) da ONU. Não dá para confiar nesta organização que dita as regras e manipula resultados para a complacência mundial. Quando todo mundo começa a falar a mesma coisa, desconfie... Este Dr, como vocês mesmos o declaram incoerente e incipiente, sabe-se que há muitos e muitos trabalhos feitos por climatologistas que demonstram exatamente o que ele atestou na entrevista de maneira informal. Precisa-se estudar mais, é claro, assim como vocês, caros colegas. Por ex., dêem uma olhada na matéria: No need to Panic About Golbal Warming (Não há necessidade de pânico sobre o aquecimento global)Publicado por Wall Street Journal, onde atesta uma carta assinada por mais de 16 cientistas de peso mundial, em que aferem ser o "aquecimento global" uma farsa. Que são:
Claude Allegre, ex-diretor do Instituto para o Estudo da Terra, Universidade de Paris;
J. Scott Armstrong, co-fundador do Journal of Forecasting e International Journal of Forecasting;
Jan Breslow, chefe do Laboratório de Genética Bioquímica e Metabolismo, Rockefeller University;
Roger Cohen, membro da American Physical Society;
Edward David, membro da Academia Nacional de Engenharia e da Academia Nacional de Ciências;
William Happer, professor de física, Princeton;
Michael Kelly, professor de tecnologia da Universidade de Cambridge, UK; William Kininmonth, ex diretor de pesquisas climáticas do Bureau Australiano de Meteorologia;
Richard Lindzen, professor de ciências atmosféricas do MIT;
James McGrath, professor de química, Virginia Technical University;
Rodney Nichols, ex-presidente e CEO da New York Academy of Sciences;
Burt Rutan, engenheiro aeroespacial, designer da Voyager e SpaceShipOne;
Harrison H. Schmitt, astronauta da Apollo 17 e ex-senador dos EUA;
Nir Shaviv, professor de astrofísica, da Universidade Hebraica, em Jerusalém;
Henk Tennekes, ex-diretor, Royal Dutch Meteorological Service;
Antonio Zichichi , presidente da Federação Mundial de Cientistas, em Genebra.

Seria bom todos estudassem antes de cuspir arrogância por ai...

none disse...

Salve, Turma PPGBio,

Obrigado pela visita e comentários.

Bem, se for pra me fiar apenas em credenciais, a turma que assina o relatório do IPCC é não apenas mais numerosa como com muito mais peso e cabedal do que esses 16 (J. Scott Armstrong é marketeiro, não climatologista; Richard Lindzen tem sido financiado pela indústria carvoeira - https://www.theguardian.com/environment/2016/jun/13/peabody-energy-coal-mining-climate-change-denial-funding; e assim vai).

Mas, felizmente, não precisamos nos ater apenas às credenciais. Podemos analisar os dados e, até onde se pode saber, a interpretação do IPCC é bastante consistente e tem sido confirmado pelas observações posteriores aos relatórios. A minha análise das falas de Felício são baseadas nos estudos científicos que estão devidamente linkados.

Então não há nenhuma arrogância, já que não estou me portando como *o* conhecedor. O conhecimento não é meu, mas o gerado pela comunidade científica a partir de dados sólidos das mais diversas fontes: medições instrumentais atmosféricas e oceânicas, de amostras de núcleos de gelo, anéis de crescimento, medições por satélites, frações isotópicas...

Por outro lado, desconheço, por exemplo, qualquer trabalho de climatologista que diga que não exista camada de ozônio ou que se desmatar completamente a Amazônia, em duas décadas, ela estará totalmente recuperada. Talvez exista, se vc puder indicar tais artigos, seria interessante.

[]s,

Roberto Takata

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