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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Ciência é prioridade? (parte 2)

O Brasil é um país socialmente desigual. Mas não precisamos nos ater apenas ao lugar comum. Isso pode ser demonstrado objetivamente, p.e., através do índice Gini.

Figura 1. Evolução do índice Gini no Brasil comparativamente a Canadá, EUA e México. Fonte: Ipea 2008.

Outros parâmetros podem ser usados como: acesso ao saneamento básico, educação, emprego, etc. E uma análise em nível mundial também pode ser considerada, p.e., comparando-se os IDHs dos países - notamos um número muito grande de pessoas vivendo em países com más condições de vida.

Temos então uma situação bastante clara de desigualdade social. Há pessoas muito necessitadas - seja no Brasil, seja no mundo. Invocando então a grande premissa, não deveríamos fazer de tudo para ajudá-las?

Pela premissa é nosso dever ajudá-las e dar a elas prioridade. Mas isso significa fazer de tudo? Se exagerarmos poderemos imaginar a situação em que a morte deliberada de uma criança poderia ser justificada para salvar a todos - digamos, o sangue da criança possui um raro composto não sintetizável que ajudaria a curar a doença de todas as pessoas, porém teríamos que lhe drenar todo o sangue para produzir a panaceia em quantidade suficiente. Alguns até concordariam com o sacrifício em nome de um bem maior, mas a maior parte das pessoas certamente se recusaria - novamente não precisamos aqui fazer um simples exercício de imaginação para concluir o que a maioria pensaria, experimentos psicológicos com situações de tróleis desgovernados revelam essa tendência (ok, ao menos entre os americanos e entre os visitantes do website da Greene Moral Cognition Laboratory com seu teste de senso moral).

Nesse sentido é relativamente fácil justificar certas áreas científicas como as que envolvem o desenvolvimento de novos medicamentos, novos tratamentos, combate a pragas, cultivares mais produtivos, técnicas mais eficientes de produção e assim por diante. Seus produtos são (potencialmente) diretamente aplicáveis na solução dos problemas sociais.

Ok, então podemos justificar o investimento em ciências. Mas isso ainda está longe da justificativa em áreas como a exploração espacial e a física de partículas e astrofísica.

Seguiremos nessa direção e sentido, mas faremos ainda algumas escalas na continuação desta série.

Parte 3

Um comentário:

Ari disse...

Minha opinião pessoal é que CT é prioridade em qualquer situação. O avanço científico durante guerras (I e II guerras mundias, guerra fria) é enorme e inacreditável. Imagine parte desse esforço aplicado em tempos de paz. Mas em tempos de paz as pessoas querem saber qual o retorno dos investimentos e a pesquisa básica não pode mensurar.

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